Eclipse Radiante
23 Feche seus olhos ou olhe pra longe
Notas iniciais
É o ultimo, espero que gostem
PS: os * fazem alusão a musica Radiant Eclipse ;D
Café da manhã. Daniel tinha olheiras enormes, ser pai de primeira viagem não era algo muito fácil pra ele. A esposa dele, Maya, ainda estava dormindo. Como tinha acordado cedo por causa da viajem de volta a Califórnia, estava ajudando ele com a pequena Mary, era uma bela menina. Ele serviu o café bem fumegante pra mim e empurrou o prato de cookies em minha direção, servindo um pouco de café para si mesmo.
- Que horas sai o seu vôo Sarah?
Ele disse entre bocejos
- Só daqui há a três horas Dan
- Não quer mesmo passar o Ano Novo com a gente? A Mary gostou de você
Eu olhava fixamente pra aquela menininha tão pequena que dormia em meus braços
- Eu adoraria ficar Dan, mas eu prometi ao Jimmy que voltaria para passar o réveillon com ele
Ele soltou o ar desolado, eu acho que ele queria que eu ficasse pra ajudá-los com a criança.
- Não se preocupe Dan, você vai conseguir cuidar dela
Ele sorriu, estava um trapo, os cabelos castanhos super desgrenhados (talvez isso seja de família), o rosto pálido e com olheiras maiores que as de um urso panda, mas a felicidade em seu rosto era bem visível. Ele olhou no relógio
- Bom, o aeroporto fica meio longe daqui de casa, acho melhor você ir se aprontar, eu vou levar você até lá.
- Tudo bem Dan
Entreguei Mary nos braços dele e subi. A mala já estava pronta, só tinha que tomar um banho e colocar a roupa que já tinha separado na véspera. O tempo estava frio em Nova Jersey, apesar de que a neve já começava a derreter. Meu celular tocou, era Gena
- Heey! Cadê a minha loira favorita hein?
- Oi Sarah
Ela falou em um tom sério
- Gena? Que foi? Ta séria. Não me diz que você brigou outra vez com o Vengeance?
A voz dela estava saindo meio arrastada, fraca.
- Não foi isso Sarah
- Ah, que bom. Como foi o natal
- F-foi bom... quando você volta?
- Daqui a pouco já estou indo pro aeroporto, mas o que você tem? Aconteceu alguma coisa?
Ela não conseguiu segurar. Começou a chorar e a soluçar, já devia estar chorando antes
- Sarah, você precisa vir logo. O Jimmy...
- Aconteceu alguma coisa com ele?Passou mal outra vez? Ai meu deus, falei pra aquele tonto tomar os remédios direito e...
- Sarah! Me escuta!
Ela soltou um suspiro forte
- Fala logo Gena! Ele ta no hospital? Ta me deixando nervosa
Ela deu um soluço alto e depois falou em um tom mais baixo, quase sussurrando
- Ele faleceu Sarah, ontem de madrugada
Minhas pernas enfraqueceram, não, aquilo não era verdade
- Que brincadeira sem graça é essa Gena?
As lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, eu não queria acreditar. Ela soluçou mais uma vez na linha, não conseguia falar direito, só falou um “Vem logo, por favor” e desligou. Eu sentei na cama e fiquei olhando perdida para o que tinha ao meu redor. Como isso foi acontecer? Não podia ser verdade. Quando eu chegasse, ele ia estar lá sorrindo da minha cara por ter acreditado na brincadeira dele. Levei as mãos a cabeça, minha cabeça. Era como se o meu coração quisesse sair pela minha boca. Batidas na porta
- Sarah? Tudo bem? Acho melhor irmos, senão você perde o avião
Dan abriu a porta e me encontrou sentada na cama, abraçando as pernas e olhando para a parede atônita
- Sarah? O que você tem?
Eu puxei ele pra perto de mim e o abracei
- Me ajuda Dan
- O que foi Sarah
- Eu acho que acabei de morrer
Eu soluçava desesperada
- Do que você ta falando garota?
- O Jimmy Dan, meu Jimmy
Cinco horas depois meu avião aterrissou em Huntington Beach. Johnny veio me buscar. Foi o único com forças pra sair de casa e ir me buscar naquele dia. Ele me abraçou forte em silêncio. Estava abatido, eu também estava. Durante todo o vôo fiquei me odiando por ter deixado ele sozinho. Se eu tivesse ficado, talvez tudo fosse diferente.
Chegamos na casa do Haner. Ele estava um trapo, quando me viu levantou do sofá e veio rapidamente em minha direção me pegando em seus braços e me abraçando com força. Ele chorava de uma maneira muito dolorosa e aquilo pra mim só era mais desesperador.
Eu só conseguia pensar que tinha perdido o que eu havia de mais valioso na minha vida, o amor daquele homem idiota. Daquele garoto.
Depois do enterro cada um ficou em sua própria casa, tentando encontrar em seus próprios interiores força pra continuar. Eu estava deitada. Passava a maior parte do dia assim. Sentindo a resquícios da fragrância dele no lençol, no travesseiro, em suas roupas. Olhava para os utensílios na cozinha e me imaginava cortando os pulsos, mas eu sabia que nunca seria capaz de fazer isso, Jimmy odiaria se eu fizesse.
As passavam lentas, ou melhor, não passavam. Não tinha forças para trabalhar, não tinha forças pra seguir em frente. Eu não queria seguir em frente, queria voltar.
A campainha tocou. Não movi um músculo. Tocou mais uma vez, dessa vez uma voz familiar soou do outro lado. Haner. Levantei e caminhei me arrastando até a porta. Ele tinha o semblante entristecido, mas forçou um pequeno sorriso ao me ver
- Hey cabeçuda, vim ver como estava. Achei que você teria mais dificuldade pra enfrentar isso do que a gente
Ele tinha razão. Eu o abracei forte. Notei que ele fazia força para não chorar.
- Não chora, por favor.
Ele sentou ao meu lado no sofá. Começou a conversar tentando tirar o foco daquela dor.
- A Michelle saiu de casa ontem, foi morar em um apartamento, perto da casa da Val e do Matt. Ela quebrou a metade dos meus móveis quando eu mandei ela ir embora, mas eu estava com a cabeça cheia demais pra me preocupar com isso
- A Eve foi morar com você?
Tentei cooperar com ele
- Não, só restou eu e a Pinkly naquela casa.
Ele esboçou um sorriso.
- E como você está?
- Bom, enfim eu encerrei o capitulo Michelle da minha vida, apesar de que ela ainda está muito magoada.
- Quer uma cerveja?
- Você já me viu recusar uma coisa dessa?
Levantei e fui até a geladeira, ainda tinha duas ou três Heinekens. Peguei uma para ele e fui em direção a sala novamente. E foi ai que aconteceu.
Minha visão ficou turva, minhas pernas fraquejaram, a cerveja escorregou da minha mão e espatifou no chão, Brian veio em minha direção, minha cabeça começou a doer
- Tudo bem Sarah?
De repente a imagem dele se aproximando foi ficando confusa e meu corpo pendeu pra frente, bem a tempo dele me segurar antes que eu caísse no chão
- Sarah? Ai meu deus
Ainda estava consciente, mas eu definitivamente não estava legal, parecia que meu estomago ia saltar pra fora. Brian me pegou no colo e me colocou no carro. Logo cheguei no hospital e fui pra emergência. Tinha certeza que era ele vindo me buscar, que outros motivos eu teria pra me sentir mal daquele jeito?
- Sarah Thompson?
O médico me examinou e me deu um comprimido, pediu pra que eu aguardasse. Brian entrou no quarto
- E aí? O que você tem?
- Eu não sei, ele foi olhar exames
O médico enfim voltou, estava sorridente
- Bom Sra. Thompson, tenho boas noticias
Eu e Brian nos entreolhamos
- Você está grávida!
Eu soltei um grito. Brian ficou boquiaberto, e o médico veio apertar a mão dele
- Parabéns, você vai ser papai
- Não, o filho não meu. É de alguém muito melhor que eu
Nós dois estávamos radiantes, nem tudo estava perdido
******
Dia claro. A enfermeira entrou sorridente com os remédios e abriu as cortinas. Me entregou o copo com as remédios da manhã e parou em minha frente
- Bom dia Sra. Thompson, como passou a noite?
Eu olhava para o teto, ultimamente até respirar gastava muita energia
- Ainda estou viva, não estou?
Ela sorriu delicadamente e me ajudou a me sentar na cama
- Peter e Lisa vieram vê-la, deixo eles entrarem?
- Oh sim, claro, só me dê um pente antes, não quero que Lisa me veja descabelada
Penteei com cuidado meus cabelos, antes eram castanhos, agora tinham tons prateados, mas nunca deixaram de ser desgrenhados
- Vovó!
A pequena garotinha loira entrou correndo pela porta enquanto eu ainda terminava de pentear os cabelos
- Oi minha flor
- Me dá esse pente, deixa que eu penteio pra senhora
Ela tomou o pente da minha mão e começou a desembaraçar delicadamente o meu cabelo
Enquanto isso ele apareceu na porta sorrindo, os cabelos castanhos começavam a ficar grisalhos, os olhos azuis e o sorriso de moleque levado idênticos ao do pai estavam bem estampados no rosto.
Ele entrou e me deu um beijo no rosto. Meu minhas mãos enrugadas e ficou me olhando em silêncio por um tempo
- Bom dia mãe
- Bom dia meu amor
Peter Sullivan, já estava com quase quarenta anos, sua filha mais nova, Elisabeth era muito apegada a mim, adorava ouvir as historias do avô, adorava a nossa história, vinha toda semana me ver junto com Peter.
Estar com 79 anos e morar numa casa de repouso não faziam de mim uma mulher triste, na verdade eu pedi a Peter que me deixasse vir para cá, dois de meus grandes amigos tinham vindo pra cá, e sinceramente eu preferia passar as tardes do lado dos velho Synyster Gates, antes guitarrista e atual campeão de xadrez e da louca Gena Paulhus, antes a loira que fazia cosplay de Marilyn Monroe e hoje a estilista de cachecóis de tricô de toda a casa de repouso, do que ter que passar dias tediosos deitada na casa de Peter. Ele entendeu, mas era muito apegado a mim e vinha me ver toda semana
Depois que eu soube que estava grávida dele, foi como se uma luz tivesse acendido pra mim, eu tinha algo pra me fazer seguir em frente, tanto Jimmy quanto eu queríamos aquele garoto e a semelhança dele com o pai eram incríveis. Até o gosto pela bateria era o mesmo, Peter aprendeu a tocar, mas em certo ponto ele puxou a mim, preferiu fazer uma faculdade. Vez ou outra ele brincava com a bateria, mas não passava disso
— Como está se sentindo mãe
- Velha e descabelada
A garotinha atrás de mim me deu um tapinha suave
- Descabelada nada!
- Ah claro, só velha mesmo
- Passei no quarto do tio Haner, ele tava contando uma historia de uma surra que ele levou por causa de uma namorada
- Deve ter sido por causa da Michelle, era só por causa dela que ele apanhava
Peter sorriu, ficou mais meia hora e depois foi embora arrastando Lisa que se recusava sair
Naquele dia eu estava me sentindo diferente. Levantava muito pouco da cama, minhas articulações doíam, e tinha as artrites.
Foi um dia de lembranças. Diferente de todos os outros dias, hoje eu lembrei de tudo que houve de importante na minha vida, Jimmy, Avenged Sevenfold, Greg, Leana, lembrei de tudo como há muito tempo não lembrava, era como se eu estivesse sentindo a presença dele naquele dia.
O dia passou bem devagar, mas eu estava feliz, por algum motivo eu estava feliz. Sentia meu corpo mais fraco do que nunca, minha pressão, segundo os médicos tem andado mais alta do que o de costume, tinha um monte de aparelhos ligados ao meu peito, mas ainda sim era um dia feliz.
A noite chegou, começou com uma pequena falta de ar, mas eu sentia que minha hora se aproximava, mas porque caralhos eu estava feliz? Não tinha medo da morte?
A enfermeira veio mais uma vez e me deu mais um remedio, o efeito já era mínimo. Estava chegando a hora, ele vinha me buscar, eu sei que vinha.
A madrugada veio chegando e minha respiração ficava cada vez mais difícil, fechei os olhos e ouvi uma voz sussurrar em meu ouvido:
- Porque não vai à praia como todas as outras garotas normais da Califórnia fazem aos sábados?
Abri os olhos, olhei em volta, não tinha ninguém. Os aparelhos ligados ao meu coração começaram a apitar e zunir. Fechei os olhos novamente e sussurrei bem devagar, minha voz saiu rouca e grave, mas disse as palavras certas
- Talvez eu não seja como as outras garotas
Ouvi os passos da enfermeiras entrando no quarto
- Senhora Sullivan, tudo vai ficar bem
Elas começaram a massagear meu peito, mas eu sabia que não ia adiantar, ele já estava aqui
A voz delas foram ficando cada vez mais longe e dele cada vez mais próxima
- Eu estou com medo Jimmy
- Medo? Eu não sou o bicho papão, só tenho a testa grande
Abri os olhos novamente, as enfermeiras haviam sumido, senti a areia embaixo do meu corpo, estava deitada no chão mas logo duas pernas apareceram diante dos meus olhos, uma delas tinha um 1981 bem estampado em uma tatuagem. O dono das pernas abaixou e sorriu
- Se isso é o céu, por que diabos é uma praia?
- Não é o céu Sarah, mas comigo aqui pode ter certeza que vai ser
- Você veio me buscar?
- É claro que eu vim te buscar, ou você achou que eu deixaria qualquer um vir buscar a MINHA garota?
Eu sorri, como eu estava com saudade daqueles olhos. Ele me estendeu a mão
- Vem, vamos encher a cara, agora você é minha pra sempre
- Eu sempre fui sua Jimmy, sempre
Ele me abraçou com força e falou:
- Eu fui obrigado a assistir do meu sono eterno, mas eu ouvi você chamando por mim* por todos esses anos, eu sabia que um dia você viria até mim
- Eu te amo Jimmy
- Eu te amo Sarah, agora feche os olhos ou olhe para longe minha flor, porque a eternidade é nossa*
Notas finais
Agora é a hora do merchan: To escrevendo uma nova fic do A7X em conjunto com a laleliloluq, se quiserem ler http://www.fanfiction.com.br/historia/158969/Thats_My_Sign/ageconsent_ok
Vejo vocês por aí? Beijos
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