Eclipse
1 Sol e Lua
Notas iniciais
Era o 37.412.559.436.512° Conselho Olimpiano. Todos os deuses se encontravam na Sala dos Tronos, entregando relatórios e discutindo mudanças. A Deusa da Lua estava entediada- já havia falado sobre as benevolentes que ela e suas Caçadoras derrotaram, e só esperava que a reunião acabasse logo para que pudesse voltar à caça. Porém, uma frase chamou sua atenção, a fazendo despertar momentaneamente de seus devaneios.
"...E acho que já está em tempo de outro eclipse ser feito." falara Athena, concluindo o que deveria ter sido um longo monólogo.
"Todos a favor?" se pronunciou Zeus, com sua voz imponente. Várias mãos se ergueram, com algumas exceções, entre elas a própria Ártemis e seu irmão, Apolo. Mesmo assim, era o suficiente para a aprovação.
"Então que assim seja. O eclipse será realizado amanhã." decretou o Deus dos Céus, logo dando continuidade a reunião.
No dia seguinte, ambos os deuses se encontraram na entrada do Templo do Sol e da Lua. Era noite. Eles tinham preferência pelos eclipses lunares, pois demoravam mais para serem concluídos. Não que alguém soubesse disso.
Ambos os deuses se sentaram um ao lado do outro, na posição de lótus. Mesmo os mortais conseguiriam enxergar o contraste de suas almas. Ela, irradiava frieza, expressa no olhos prateados e feições sérias, mas ao mesmo tempo graciosidade nos movimentos.
Ele, ao contrário, com seus olhos dourados e sorriso brilhante, passava conforto e calor, além de um leve divertimento.
Os deuses concentraram seus poderes, enquanto as mãos de ambos se entrelaçavam, um choque percorria os corpos. Quente no frio. Sol na Lua.
O eclipse começara.
Nenhuma palavra foi trocada, bastavam os olhares. E então, as paredes do Templo foram a única testemunha do amor do casal.
Eles jamais poderiam pertencer um ao outro completamente, tanto no sentido carnal quanto no espiritual. Ambos tinham seus deveres e juramentos a cumprir.
Ninguém jamais saberia que ele cortejava suas caçadoras somente para poder vê-la um pouco mais, e chamar sua atenção. Muito menos que ela adorava suas visitas, e quando ele chamava-a de irmãzinha.
Aquele segredo pereceria com eles, até que o mundo deixasse de ser mundo. Porque afinal, eles eram o sol e a lua. Amantes eternos que jamais poderão se encontrar. Exceto uma vez a cada muitos anos. No eclipse.
Fale com o autor