Echo

1 No, I dont want to be just another (Echo, echo...)


Notas iniciais
Baseada na música Echo, da banda Vertical Horizon. A quem interessar ouvir, recomendo... É uma música bonita :)
(Tradução: http://letras.mus.br/vertical-horizon/143852/traducao.html )

Ele está sentado no chão, observando a quadra. Usando um moletom cinza, calça jeans e um All Star qualquer. Acabou de chover, e ele está todo molhado, mas isso não importa pra ele. Está se sentindo bem ali. O cheiro da chuva, ele ainda pode sentir. O gosto dela, também.


Tem gosto de vitória.


Echo, echo...

We come, we go-woah

No, I don’t want to be just another

Echo, echo…


“Estamos orgulhosos de você”, era o que queria ter ouvido. Não foi o que ouviu. Nem sempre temos tudo o que queremos. Ele sabe disso, e não está irritado, nem magoado. Está conformado. E feliz. Porque ganhou o jogo, e isso é o que importa verdadeiramente.


A euforia. A adrenalina. O orgulho. Os sorrisos. A emoção da vitória. É pelo passado contido. É pelos anos de angústia de sua mãe. É por sentir que jogar basquete é o que ele faz de melhor, é por se sentir bem jogando. Marca os pontos. Faz as cestas.


Mas não é o bastante. Não, não é.


Everywhere I go

There’s something I really need

Everyone I know

Is someone I want to be

Even though

I don’t really know me


Muitas vezes, ele apenas não quis ser ele mesmo. Quis fugir, correr da realidade. E de repente, a perspectiva de ser qualquer outra pessoa lhe era fantástica.


Ele foi corajoso. Enfrentou esse medo, e encontrou o orgulho em ser ele mesmo. A vontade de correr morreu em seu peito. Ele tinha o que precisava: o apoio das pessoas que ele amava. Um pai que nunca se importou não fora suficiente para ele desistir antes, não seria agora. Com um sorriso no rosto, ele se pôs de pé e deixou todos eles se perguntarem como ele aguentava.


I better pick it up

Before I let it slip away

I better stick it out

Before I take another day

Into mouth

Every single word I say fades out



Tem o meio-irmão que o odeia. Tem a maior parte do time, que o odeia também. Mas ele não arreda pé, não volta atrás. Porque passou a vida inteira se escondendo, e está cansado disso. Ele quer tentar. Quer saber se é verdadeiramente bom. Ele tem sede de provar o talento que costumam dizer que ele tem.


Não provar aos outros. Não precisa da admiração deles. Ele quer provar a si mesmo que é bom, que é suficiente.


Can I open up your eyes?

Only when the clouds break?

Can I feel the light?

Even though the world shakes

Every night

You’re my quiet satellite


Está tão entretido em seu próprio sorriso, que não repara no carro que para perto da quadra, nem do moreno que desce dele. Não repara no olhar confuso, nem mesmo quando ele se senta ao seu lado.


É uma presença reconfortante para o moreno, de certo modo. Calor humano, talvez. Nathan não está verdadeiramente irritado com o meio-irmão. O pai é que está, e desconta a raiva no filho. O moreno apenas quer fazer o que sabe melhor: jogar basquete. E se jogar no time do colégio significa jogar com o louro ao seu lado, ele joga. Não faz muita diferença pra ele. Só está cansado de o pai descontar as coisas que aconteceram nele.


Can I hold you close?

Do her out of focus

And everything I know

I don’t even know this

It all falls through

I’m here and I hear you


— Hey. — ele o cumprimenta sem encarar diretamente, observando a quadra também.


— Hey.


Echo, echo...

We come, we go-woah

No, I don’t want to be just another

Echo, echo…


— Tudo bem com você?


—... É, tudo bem... E você? — a conversa, decididamente, é estranha.


— Também... Ei... Foi... Um belo jogo... O seu... Você sabe. — constrangimento.


—... Obrigado.


Do you hear me?

Do you hear me?

Cause I need to, just to reach you

Come you hear me?

Coming clearly?

Am I hollow?

Just an echo


A conversa agora está morta. Nathan não tem mais nada a dizer. É como se um grande peso tivesse sido retirado de seus ombros. O sorriso aparece em seu rosto antes que possa percebê-lo, e ele não consegue refreá-lo. Não quer refreá-lo. O moreno se permite um pequeno dar de ombros, e alguns tapinhas no ombro do meio-irmão louro. É o máximo que ele consegue se tratando de proximidade física. Pedir um abraço já seria forçar a barra.


— Eu nunca disse isso. — pronuncia em tom de riso, e percebe uma ligeira mudança na expressão do outro. Um sorriso? Talvez. Nathan não tem certeza.


— Nunca te ouvir dizer nada.


Nathan se dá por vencido. Levanta, e caminha em direção ao carro sem nada mais dizer. Está feito. Ele não pode voltar atrás agora. E não se arrepende. Com uma grande sensação de alívio, ele vai embora.


Echo, echo...

We come, we go-woah

No, I don’t want to be just another

Echo, echo…

Echo, echo…

We come, we go-woah

No, I don’t want to be just another

Echo, echo…


E é por essa, e tantas outras razões, que Lucas Scott não quer ser apenas mais um.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!