Echo
1 One-shot.
Notas iniciais
Johnny observava da sacada, de seu apartamento, a cidade, atento, aquele céu extremamente azul de fim de manhã, os raios de sol tocando-lhe a pele levemente como um afago, podia enxergar a praia, as pessoas contentes se deliciando, outros brincando, namorando.
O céu azul, a praia, Jimmy os amava.
Dali não podia observar a rua de sua casa, onde vira por vezes o outro passar com seus quimonos coloridos e seu cabelo volumoso, judiando das crianças menores, e do próprio Johnny em sua adolescência, mas não precisava, pois essas lembranças ainda eram ávidas em sua mente.
Não pôde conter a lágrima que rolou por seu belo rosto ao ter essas lembranças, lágrima que caiu bem do alto daquele prédio à beira-mar e chocou-se contra o chão lá embaixo.
Cogitou a possibilidade de, como aquela lágrima, chocar-se contra o chão, deixar seu corpo ser abatido pelo piso áspero e duro, deixar sua vida ser levada para o desconhecido, e quem sabe, poder rever Jimmy novamente, poder passar toda a eternidade nos braços do amado. Mas não pôde, ele sabia que o amante jamais o perdoaria por tirar a própria vida, Jimmy era viciado em viver, e agora, Johnny precisava fazê-lo por ele.
Virou o corpo levemente para trás observando a porta do apartamento, por quantas vezes o viu entrar animado por alguma novidade, por finalmente ter conseguido terminar a escrita de uma música, ou gritando que apenas conseguiu porque o pequeno era sua inspiração. Quantas vezes seu corpo foi carregado e chocado contra essas paredes, recebendo carícias desejosas do outro, quantas vezes.
Sentiu seu rosto mais uma vez ser molhado pelas lágrimas, aquelas lembranças eram o motivo de sua vida ter sido a melhor possível, e também eram o motivo de sua maior infelicidade. Cada milímetro daquele lugar tinha Jimmy, as fotos ainda estavam espalhadas pelas estantes, seu sorriso ainda iluminava aquela casa, pelo menos pelas fotografias, o seu perfume ainda estava ali, para Johnny, o eco de suas risadas, seus gritos, seus gemidos de prazer.
Lembrou-se da primeira vez que teve contato com aquele corpo, deveras maior que o seu. Ele fora aceito na banda e em troca levou uma grande surra de seus amigos, tudo brincadeira de garotos bêbados mesmo, no entanto depois de tudo quem cuidou de seus ferimentos, estancou seu sangramento e lhe deu a melhor noite de amor, até então, fora Jimmy. De certo que muito daquela noite foi influência do álcool em suas correntes sanguínea, mas o pequeno jamais esquecera um detalhe dela, o barulho que o corpo do maior fazia ao chocar-se contra o seu, os primeiros beijos, e a primeira confissão que se resumiu em: "Eu queria fazer isso há tanto tempo", ele ainda podia sentir a sensação de ter aquela voz sussurrando ao pé de seu ouvido, era lindo.
Permitiu-se chorar mais ainda o eco da vida que tivera outrora lhe levava a vontade de viver. Queria ao menos mais uma vez ver aquele rosto, aquele sorriso delineado em seus belos lábios, aqueles olhos azuis cor do céu que fazia Johnny perder-se em sentimentos.
Queria que o eco de sua voz chegasse até ele com as três palavras mais ditas por eles “eu te amo”.
–Johnny? — ouviu a voz grossa de Zacky chamar-lhe e apenas elevou o olhar até àqueles orbes verdes. -Tá tudo bem? — o outro se aproximou preocupado e Johnny apenas se permitiu chorar mais ainda. As únicas palavras que conseguiu pronunciar fizeram Zacky abraçar-lhe forte:
– Eu sinto tanta falta dele, Z. — a voz saiu baixa, quase como um murmúrio, seu rosto agora afundado na curva do pescoço do maior, molhando aquela região.
–Hey, vai ficar tudo bem. — Zacky disse erguendo o rosto do menor, até poder observá-lo e em seguida se pôs a limpas suas lágrimas. — Você está de maquiagem, não pode chorar. — tentou fazer o pequeno rir, mas este apenas esboçou um sorriso amarelo. — Johnny, você sabe que não importa onde ele estiver, vocês sempre irão se pertencer, uh? Você sempre o amará e ele o amará de onde estiver. — o menor concordou com a cabeça.
Aquela era uma grande verdade sobre eles. Riu ao lembrar-se que quando disseram à Jimmy que dois membros homossexuais na banda poderia prejudicar a imagem da mesma, e ele pagou um atriz pornô parar fingir ser sua namorada, assim, desviando a atenção da mídia burguesa, Deus, como ele podia ser tão adorável e improvável em seus atos?
– Ele sempre vai estar conosco, Johnny, sempre. -abraçaram-se mais uma vez. Agora ambos deixaram cair lágrimas saudosas, ao amigo, ao amante.
Brian adentrou a sala e a imagem dos homens abraçados, em lágrimas, acabou por emocioná-lo também, uma vez que conhecia muito bem o motivo delas.
– As princesas vão passar o dia aí? — disse brincalhão, e arrancou um sorriso de ambos os homens. Juntou-se ao abraço e os três ali, compartilharam silenciosamente a falta que o rapaz de olhos azuis lhes fazia. Jimmy sempre será a parte que falta em cada um dos membros do Avenged Sevenfold, a parte que lhes foi tirada precocemente, claro que pra Johnny foi tirado bem mais, foi tirado a própria essência de sua existência.
– Agora vamos, porque quem chega atrasado aos casamentos é a noiva não o noivo- Brian se pronunciou afastando-se dos rapazes, todos deram pequenos sorrisos em resposta.
Casamento.
Sim, Johnny iria se casar daqui a algumas horas.
Com quem?
Com Lacey, a mesma Lacey que por anos fingiu ser sua namorada, apenas para a boa imagem da banda. Mas na verdade era apenas uma grande amiga de tempos antigos. Uma mulher maravilhosa que o suportou em momentos que ele mais parecia uma garotinha menstruada, aguentou seus choros, pesadelos e gritos no meio da noite após a morte de Jimmy, sempre tinha palavras confortantes parar dizer ao menor.
Ele muito provavelmente, se casará com ela agora e viverá até o resto de seus dias ao seu lado. Já que jamais teria a possibilidade de amar outra pessoa ou sentir-se confortável com outro alguém. Ele construiria uma vida com ela, nada comparado ao que ele e Jimmy planejavam para o futuro, mas seria no mínimo algo próspero.
Seguiu em direção à porta, onde estava Matt, devidamente arrumado para um casamento. Arrumou a gravata e seguiu em frente.
Lacey o teria agora, mas algo ela jamais iria poder obter:
Seu coração.
Pois este se fora com Jimmy no dia 28/12/2009.
Ninguém jamais terá Johnny como há dois anos James teve.
Porque o amor só se encontra uma vez na vida, e dificilmente você irá vivê-lo eternamente, mas ele sempre será seu amor, não importa quanto tempo passe, mesmo que as lembranças forem se esvaindo aos poucos com o tempo, e a dor for se tornando mais suportável.
Esse amor, o verdadeiro amor, irá com o pequeno até que finalmente ele possa encontrá-lo de novo e que suas almas possam, por fim, tornarem-se uma só.
Ele sempre será o Little Johnny do Rev.
Notas finais
Espero que tenham gostado e comentem com críticas, porfa.
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