Ebriedade sóbria, abismo e fragmentos

11 Carnaval em gravidade e Fragiles et existia


Carnaval em gravidade

Enquanto escrevia um outro soneto

Embriagado pela tristeza

O carnaval inteiro passa pelos meus flancos

Agora, essa massa, um tanto quanto ridícula

Oscilante de frequências agudíssimas

Funde-se com minha índole grave

Gravíssima ademais

trivial inclusive

A banda segue

Engulo seco o último gole frio do café

Sim, eis pois essa tarde brasileira.

Fragiles et existia

Se não me é possível rir o riso

Me sobre destilar o fel.

Quando me subtraída a companhia,

Repouso tíbio ao solapsismo.

Me tirando o véu de cogitar o afeto

Resiste o inominável:

Inrrompe súbita o ofuscamento da libido.

Ao esgotar o interesse pela alteridade

foge-me uma fração de humanidade.

Vejo a beleza, sinto-a e a contemplo antes de tudo

No entanto, ela escapa, quase instantânea

Como um líquido vital escorre dum cálice lacerado.

Divagação tal; vomito através do horizonte;

Anunciei o passado e o que se apresenta como instante.

E é pouco

O porvir me transpõe à aformidade de um oceano oculto

E o limite da linguagem poda qualquer explanação de expressão verossímil ab origine

No mais, saibas ainda, que não posso me despir em todo desses vícios de signos

— Aliás, creio que sequer alguém o pode -

Então, resta que tudo aqui enclausura a fragilidade emergente na imanência.