Ebony Cross

26 Vigésimo Quinto Capítulo - Epílogo - Dominante


Notas iniciais
Aqui está pessoal. O último capítulo de Ebony Cross. Estou muito feliz, mas muito triste também por isso. Feliz porque essa é a primeira história comprida, original e que é completamente minha que eu termino e pelo apoio de todo mundo! Triste porque, bem, porque acabou... Mas, por favor, leiam as notas finais! Espero ver todos vocês novamente em algumas das minhas fics. ^-^

Estávamos sentados na sala do Diretor Prudence.



Pandora e seu aquário estavam guardados no meu quarto, onde o Diretor jamais os descobriria. E eu daria um jeito para que as moças da limpeza não falassem nada.



Estávamos do mesmo jeito de quando ele nos chamou para a missão Sebastian e, na verdade, do mesmo jeito que sempre ficávamos quando ele nos chamava. E ele só chamava nós três quando precisava de nossos serviços. Tobias na cadeira à minha direita, eu na cadeira do meio, e Raffy na cadeira à minha esquerda.



Finalmente, depois de esperarmos uns dez minutos em sua sala, o Diretor entrou pela porta, arrumando o pouco de cabelo que ainda tinha e sentando-se na grande cadeira de couro atrás de sua mesa.



“Desculpem, de verdade, pelo atraso.” Falou com um suspiro cansado e impaciente. “Tivemos alguns problemas na sala de treinamento com lança-chamas... Iniciantes. Sabem como é. Eles ficam entusiasmados demais com os equipamentos... Acabam machucando os outros... Enfim.” Pôs ambas as mãos sobre a mesa, as palmas para baixo, em um sinal que dizia que estava pronto para fazermos “negócios”. Não que nós tivéssemos alguma escolha ou palpite nos “negócios”. Obviamente nunca tínhamos.



“Entendemos perfeitamente, Senhor Prudence.” Falou Tobi. “Nós todos já passamos pela fase da excitação por combate.” Nós três rimos de leve, mas o Diretor apenas levantou de leve o canto de sua boca.



“Sim, sim, claro.” Ele nunca saberia. Afinal, ele, como os outros que administravam a instituição, nunca faziam o trabalho sujo. Apenas viviam do dinheiro que nossa carne, sangue e suor traziam para Ebony Cross. Mas a humanidade sempre caminhou assim. E, provavelmente, sempre caminhará. “Agora, erm, Senhores Somerville, Dawson e Smith, vamos ao assunto que nos interessa. Temos um trabalho para vocês.”



Entreolhamo-nos e assentimos, esperando, curiosos para saber qual seria nossa próxima missão.



O Diretor Prudence limpou sua garganta antes de falar. “Na verdade, Senhores, esse novo trabalho será um pouco diferente do que vocês estão acostumados. Bem diferente.” Levantei uma sobrancelha, mas ele não percebeu esse meu gesto. “Por causa das últimas experiências que vocês tiveram na última missão,” Pegou uns papéis, lendo-os enquanto falava conosco. “incluindo o estado de morte em que a Senhorita Dawson chegou aqui,” Olhou para mim, por um breve momento, por sobre os papéis. “que nos custou muito caro, pois tivemos que contratar os serviços da bruxa das trevas, Irina Uvarov...”



Eu fiz o movimento de me levantar da cadeira, mas, antes que eu sequer tivesse saído do lugar, Tobi segurou meu braço na poltrona com força. O Diretor nem percebeu. Como ele ousava falar isso? Eu havia morrido pela instituição. Eu, que estava aqui desde meus oito anos de idade! Como ele ousava reclamar do preço que minha vida lhe custou? Quantas pestes eu já não matei em nome do que ele simbolizava? Olhei para Tobias, meus olhos gritando de raiva e frustração por ele ter me segurado.



“Diretor,” Começou o loiro, lançando-me um olhar repreensivo. “tenho certeza que a Luciane sente muito pela quantia de dinheiro que foi investida nela.” Fechei meus dedos contra minha mão, pronta para socar qualquer um que ousasse repetir o que o Diretor havia dito. “Porém, o Senhor deve saber que, graças à morte dela, que lhe custou tão caro, conseguimos eliminar o vampiro que o Senhor tanto queria que sumisse da face da terra.”



O Senhor Prudence abaixou os papéis, sério. “Tem razão, mas eu não tive a intenção de ofendê-los. Perdoem-me se eu falei algo da forma errada.”



Revirei meus olhos mentalmente.



“Continuando...” Falou o Diretor, recostando-se na cadeira. “Por causa de suas experiências em sua última missão, esse novo trabalho será muito... Tranquilo. Digamos que esse trabalho será muito mais político do que, bem, violento, como vocês estão acostumados.”



“Político?” Perguntei.



“Exato.” Encaixou os dedos das mãos uns com os outros e começou a roçar um polegar no outro.



“Ehem.” Interrompeu o moreno, que havia ficado quieto até agora. “Antes de qualquer coisa, tenho algo a lhe pedir, Diretor.”



Eu e Tobi sorrimos. Raffy já havia nos contado durante o voo de Clifton para cá. Realmente, já estava na hora, e não havia nada que o Diretor pudesse fazer a respeito, a não ser assinar os cheques.



“Senhor Smith?” Perguntou ele, confuso e intrigado com a interrupção repentina do que ele julgava ser um assunto seriíssimo.



“Tenho algo importante para lhe informar também, Senhor Prudence.” Dizia Raffy. “O Senhor bem sabe que nenhum dos membros ativos recebe salário.“



O que Raffy quis dizer com membros ativos éramos nós, os caçadores, os médicos e enfermeiros, os professores de combate, que uma vez já foram caçadores, e as bruxas da instituição. Irina Uvarov não fazia parte da instituição, mas tinha certa “amizade” conosco, por isso concordou em ajudar-me se fosse paga. As outras pessoas que trabalhavam na Ebony Cross, como o pessoal da limpeza, da cozinha, etc., eram todos pagos.



“Sim, Senhor Smith... Aonde quer chegar?”



Raffy sorriu. “Bem, com isso, o Senhor também sabe que a instituição tem uma obrigação com esses membros não pagos. Como nós somos informados no primeiro dia: Todo membro ativo da Ebony Cross tem direito a duas visitas à cidade natal ou aos familiares por ano; direito a fazer visitas mensais aos filhos se esses se encontram fora da instituição e forem menores de idade; direito de visitar a esposa ou o esposo por cinco dias a cada dois meses se esses se encontram fora da instituição; direito a viajar, sem acompanhantes, por três dias para qualquer lugar dentro do país em seu aniversário; direito a participar de momentos importantes da vida de parentes próximos, como formaturas, noivados, casamentos e funerais; e, por último,” Olhou para mim e para Tobi, dando uma piscadinha. “direito à sair para casar-se e viajar em lua de mel por um mês e meio.”



Sorri contente para Tobi, minha raiva de antes já completamente dissipada, em seu lugar uma tremenda felicidade por Raffy.



“Sim, Senhor Smith, eu tenho o livro de regras aqui, e nele há tudo isso que acaba de me contar.” Respondeu, um sorriso formando em seus lábios. Até o Diretor Prudence tinha um coração, ele não era apenas um velho interessado em ganhar dinheiro. “Por que tanto interesse?”



“Bom, Senhor, eu gostaria de utilizar um desses meus direitos. Eu e a Senhorita Amanda Theado. Após essa nova ‘missão política’, nós vamos nos casar.” O sorriso do moreno chegava até suas orelhas, de tão feliz que estava. “E eu gostaria de levar comigo Tobias e Luce, para participarem da cerimônia. E com certeza a Amanda vai querer trazer alguns de seus amigos daqui também.”



Ao mesmo tempo em que o Diretor estava feliz por Raffy, estava infeliz por seu bolso. Mas, ele não tinha nada do que reclamar. Era a única “saída” longa que nós tínhamos, e ele não teria motivos nem o direito de não deixar o Raffy e a Amanda a usarem. Eu e Tobi provavelmente só teríamos alguns dias, pois nós apenas participaríamos do casamento, mas ver o Rafael, meu irmão, se casar já era o suficiente para mim.



“Meus parabéns, Senhor Smith! Como acabou de dizer, o Senhor tem direito a essa saída, portanto com certeza irá. E seus amigos,” Olhou para mim e depois para Tobi. “também poderão ir. Fale para a Senhori- Futura Senhora Smith,” Sorriu. “que ela poderá levar consigo, no máximo cinco pessoas da instituição.”



“Muito obrigado, Diretor. Irei informá-la.” Raffy encostou suas costas em sua cadeira, relaxando. Parecia estar no céu. Nem se importava mais com nossa próxima missão.



“Agora que resolvemos isso, vamos voltar ao assunto inicial. A nova missão de vocês.” Abriu um dos armários de arquivos que ficavam na parede atrás dele e pegou algumas pastas, como a de Sebastian. A única diferença é que essas não tinham nenhum nome carimbado em vermelho nelas ou nenhum sinal de que as pessoas, que as pastas continham informações, eram perigosas. Colocou quatro pastas na mesa e as abriu.



Fui para frente da cadeira, onde eu poderia olhar melhor as fotos.



A primeira foto que eu olhei era a de um homem. Sei que não dava para ver muito na foto, mas ele me parecia muito grande, no sentido de ser um homem muito forte e musculoso. Mais que Tobias ou Rafael, que são caçadores treinados. Tinha olhos que pareciam negros na foto e cabelos castanho-escuros. Tinha um maxilar forte que, por algum motivo, me fez pensar em gladiadores e outros tipos de guerreiros. Parecia ser um homem que poria a “mão na massa” sempre que fosse necessário, mas tudo nele gritava “mantenha distância”. Mesmo com tudo isso, não pude deixar de achá-lo atraente. Em cima da foto lia-se Aidan Rucker.



Passei para a outra foto, deixando esse homem misterioso de lado.



A segunda foto era de outro homem que, como o anterior, parecia ser muito forte. Peguei a outra foto que havia de um homem e comparei. Esse terceiro homem também me parecia tão forte quanto o segundo. Em cima do segundo homem estava escrito Trevor Sullivan e em cima do terceiro Connor Lawson.



A última pasta que restara não havia foto, mas sim uma caricatura e uma lista de características. Vampiresa. Pela caricatura vi que ela, como a maioria de sua raça, era muito bonita. A lista de características dizia que seus cabelos compridos eram lisos e dourados, que sua pele era pálida (que novidade), que seus dentes eram muito brancos e tinha duas presas (sério Ebony Cross?) e que seus olhos eram cor de mel. Dizia que seu nome era Elizabeth Roman.



O Diretor, vendo que todos nós havíamos terminado de analisar as fotos e a caricatura, começou a explicar.



“Essa na caricatura, é Elizabeth Roman, uma vampiresa. Faz algum tempo que já estamos atrás dela, mas ela é ao mesmo tempo esperta e suicida.” Ele esperou por perguntas, mas quando viu que ficamos em silêncio, continuou. “Sabemos que ela está tramando alguma coisa, só não sabemos o que ainda. Tentando escapar de nós, ela fugiu para os Estados Unidos há alguns meses. Agora ficamos sabendo, por uma fonte, que ela está na capital do estado de Ohio, Columbus, onde ela sabe que nós não poderemos interferir nem outros vampiros que estão atrás dela.”



“Por que não?” Perguntou Raffy.



“Porque Columbus é o território deles.” Falou, empurrando as três pastas dos três homens em nossa direção.



“Bruxos?” Perguntou o loiro, mas o Diretor balançou sua cabeça negativamente.



“Lobisomens.” Falou. “Não sei se vocês sabem, mas vampiros e lobisomens tentam ao máximo não invadir o território um do outro para não estourar uma guerra. Bruxos são neutros, estão mais interessados neles mesmos do que nos outros, mas vampiros e lobos se odeiam. Para o mundo não ficar banhado em sangue, os dois grupos mantem sua distância. Claro que isso não se aplica aos solitários, lobos e vampiros, como Elizabeth. Se os lobos matarem Roman, os vampiros não vão querer vingança ou nada do tipo, e isso aconteceria se fosse um lobo em território de vampiros também.”



“E como isso se aplica a nós? Por que não podemos caçá-la em Columbus?” Perguntei, intrigada.



“Lobisomens são criaturas extremamente territoriais e se ofendem facilmente. Eles não gostam de dividir seu espaço de caça. Nem com outros lobos que não fazem parte da alcateia local. Portanto, se mandarmos vocês para caçá-la lá, além de vocês talvez não sobreviverem, iríamos ter ofendido os lobisomens. E nós realmente não queremos isso. O inimigo do meu inimigo é meu amigo, é assim que tem que ser. Portanto, vocês vão para Columbus falar com esses três homens: Rucker, Sullivan e Lawson. São, respectivamente, o Alpha, o segundo em comando e o terceiro em comando. Irão informá-los tudo que sabem sobre Roman, que ela é fugitiva da instituição e dos próprios vampiros, e que está tramando alguma coisa. Com isso eles com certeza irão caçá-la e destruí-la.”



Nós três assentimos. Não era exatamente uma missão, mas eu não iria reclamar. Eu acabei de ressuscitar, seria bom tirar umas férias e deixar outra pessoa caçar a vampiresa maluca dessa vez.



“Vocês partirão amanhã a noite. Terá um carro esperando no aeroporto e um hotel já pronto para vocês. Aqui está o endereço de Rucker. Vocês têm dois dias em Ohio.”



Levantamo-nos e nos despedimos do Diretor, que deu novamente os parabéns para Raffy.



“Diga ao Rucker que nós pagaremos pelo serviço. Não vamos querer que um Alpha dominante ache que nós estamos dando ordens para ele.” O Senhor Prudence riu e fechou a porta de sua sala, deixando nós para fora.



Entreolhamo-nos e sorrimos.



“Prontos para a próxima, meninos?” Perguntei e Tobi veio e me levantou pela cintura, rodopiando-me e depositando um selinho gostoso em meus lábios.



“Sim Senhorita! Vamos lá negociar com alguns lobos.” Falou, pondo-me no chão e pegando minha mão.



Peguei na mão de Raffy também, que ria de nós dois e andamos para nossos quartos, nos preparando para a próxima missão.



Nós éramos uma família. Uma família que caçava vampiros.


Notas finais
Gostaria de agradecer a todos que comentaram e acompanharam essa história. Acreditem, sem vocês, ela nunca chegaria aonde chegou. Vocês são tão responsáveis por essa história quanto eu! Muito obrigada de verdade! *-* Obrigada a todos que recomendaram! As recomendações foram como um empurrão de incentivo para mim!
Queria agradecer especialmente duas pessoas:
Tarek, meu querido namorado ♥ Ele me ajudou demais com essa história. Foi, na verdade, por causa dele que eu voltei a escrevê-la, depois de um ano abandonada. E ele teve um enorme papel nessa história, lendo e me incentivando a continuar! Muito obrigada amor ♥ (Sei que não é um livro, mas quando eu escrever um vou com certeza dedicar a você) husahsau
Mariana, minha querida amiga que não tem conta aqui no Nyah!, mas que sempre lê! Ela também vivia me empurrando para escrever mais, obrigada Mari! *o*

Agora, vocês devem ter percebido nesse capítulo que, mesmo a história dos nossos queridos caçadores ter chegado ao fim, a luta contra vampiros ainda continua. A "continuação" de Ebony Cross chama-se Dominante. Eu adoraria ver vocês nos comentários dessa nova história!
Aqui está o link: http://fanfiction.com.br/historia/378869/Dominante/

Muito obrigada, novamente, por terem acompanhado! Até mais, leitores queridos. ♥ Foi um prazer escrever para vocês!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!