Ebony Cross

5 Quarto Capítulo - The Dungeon


Notas iniciais
Oi gente! Como foram de feriado e de Halloween? Espero que bem. :)
Aqui está o próximo capítulo, que eu adorei escrever por sinal. Aproveitem!

“Acorda dorminhoca.” Não pude deixar de rir pra mim mesma. Eu sempre durmo em voos.

“Já chegamos ursinho?” Perguntei para Tobi.

“Bem vinda ao estado do Arizona, Luce!” Respondeu Raffy ao invés do loiro.

Desembarcamos do avião e pegamos nossas mochilas. Muita gente ficava nos olhando com olhares de suspeita e curiosidade. Também, nós estávamos completamente de preto e só com mochilas, sem malas de verdade. Parecíamos uns terroristas, ou pelo menos turistas bem estranhos.

“Ei cara, dessa vez sou eu que dirijo!” Reclamou Rafael. “Você pegou o Jaguar, agora eu pego o Land Rover que o Sr. Prudence prometeu.”

“Tá bom, criança.” Zombou o mais velho. “Não precisa fazer bico.”

Quando chegamos ao ferro velho eles imediatamente nos deram um Jaguar, disseram que precisávamos de um dos carros mais potentes que tinham, pois o caso Sebastian era muito urgente. Então Tobias foi quem pegou o volante e correu até o aeroporto. Quase saímos voando com aquele carro. E agora o Raffy estava com inveja. Quero dizer, quem não ia querer correr com um carrão daqueles? Tudo bem que um Land Rover não é a mesma coisa que um Jaguar, mas tenho certeza que ele irá se divertir do mesmo jeito. Sabe, agora que penso, é interessante como ninguém sugere eu dirigir o carro. Isso que dá ser a mulher do grupo, e a mais nova. “Até prefiro que você tome o volante agora Rafael. Assim posso me esticar todo no banco de trás.” Nós rimos.

Fomos à recepção e, assim que dissemos que vínhamos da Inglaterra e que éramos da Ebony Cross, foi uma correria para nos atendermos. Não sabia que a Ebony Cross, mesmo sendo secreta, era assim tão prestigiada por aqueles poucos que a conheciam.

Levaram-nos até uma parte fechada e escondida do estacionamento, que, como devem adivinhar, era enorme. Lá estava nosso lindo e prometido Land Rover.

“Meu! MEU!” Raffy saiu correndo em direção ao veículo.

“Sua criança!” Berrava o loiro atrás.

Sobrou para mim a tarefa de ter educação. Agradeci ao funcionário e segui atrás dos dois.

Entrando no Land Rover já vi um corpo jogado e esparramado nos bancos de trás. Raffy estava em transe vendo todas aquelas funções no painel. Eu então comecei a fuçar no GPS.

“Boa tarde senhores Sommervile, Smith e Dawson.”

“Ai Cristo!” BUMP! Olhei para trás e vi que Tobi havia dado uma bela batida no teto do carro.

Ao meu lado, Raffy chorava de tanto rir do outro. “Caralho! Levou um cagaço dos bonitos, em Tobias!” Até eu tive que rir com tudo aquilo.

No fim, levou um tempinho, mas eu consegui descobrir como chegar ao mapa reservado para nós. Nós três tínhamos que colocar nossas digitais na tela e o aparelho tinha que verificar nossas íris. Realmente o pessoal da Ebony Cross não queria que mais ninguém visse o que era reservado a nós.

Passou um tempinho até que alguém desse sinal de vida no carro. Tudo bem que o Raffy estava dirigindo, mas ninguém falava. Tobias estava cochilando atrás, e eu estava de olhos fechados, no banco do passageiro, pensando na vida, e rezando para que desse tudo certo nessa nova missão. Agora que encontrei meus sentimentos pelo loiro, queria viver para aproveitar. Mais do que isso, queria que ele vivesse.

“She’s got a smile that it seems to me. Reminds me of childhood memories.” Sorri ao ouvir a voz de Tobi cantando uma de minhas músicas favoritas. Sweet Child O’ Mine do Guns N’ Roses, que tocava no rádio e provavelmente o acordara.

“Where everything was as fresh as the bright blue sky.” Continuei.

“Ah, vem cá Luce!” Reclamou o mais velho numa voz manhosa.

Não tinha como negar pra ele com aqueles olhinhos bonitinhos e a vozinha carente. Pulei para trás e ele me deixou deitar ao seu lado, ficando esmagado entre meu corpo e o banco. Eu estava quase caindo, mas ele me envolveu com os dois braços.

Não demorou muito para o moreno começar a zombar de nós dois, mas bastou eu dar um tapa bem forte na parte de trás de sua cabeça que ele parou. Enquanto ele seguia as instruções para chegar a Clifton, Tobi e eu relaxamos e cochilamos ao som das músicas de rock clássico que tocavam.

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“Em primeiro lugar, precisamos achar um alojamento para nós três. E, ao mesmo tempo, um lugar para começarmos a investigar a caçar a peste.” Concordei com o que Tobi afirmava. “E, como meu amigão Rafael aqui deve estar cansado de saber,” o moreno direcionou a ele um olhar curioso. “não há nenhum lugar melhor para isso que um bar.” Raffy deu um soco em seu braço e praguejou brincando.

Entramos num bar, que também era um tipo de clube noturno. Chamava-se Dungeon. Bem como nosso diretor Prudence havia nos dito, havia góticos por todo o lado. Nós não estávamos vestidos de góticos, mas como estávamos vestidos de preto, como era de costume na Ebony Cross, não parecíamos ser tão intrusos como éramos.

Percebi muitas garotas de olho em meus dois companheiros. Também havia alguns garotos com olhares sugestivos para mim. A música estava extremamente alta e havia góticos se amassando, dançando e bebendo para tudo quanto é lado.

Segui Raffy e Tobi até um balcão. Acabaram pedindo três “Bloody Mary’s” como chamavam. Não sei exatamente o que era, mas quando tomei, instantaneamente gostei.

“Ei, amigo, você sabe algum lugar bom para passar alguns dias aqui na cidade?”

O barman olhou para nós, como que percebendo que não éramos como ele ou como qualquer um na cidade. “Para gente como vocês... será difícil. Como devem ter percebido, gostamos das coisas mais, uhm, obscuras aqui.”

“Não é nada que não possamos aguentar, amigo. Tenha certeza disso.” Respondeu Raffy.

Ao nosso lado da mesa estava um rapaz, prestando uma atenção particular em nossa conversa. Ele tinha cabelos bem compridos, chegando quase à sua cintura e eram incrivelmente negros, mais negros que os meus. Ele tinha olhos azuis pelo que percebi e também estava usando lápis de olho, como todos os outros homens no clube.

“O que é que dois homens e uma garota como vocês estão fazendo em Clifton em primeiro lugar?”

“Não é nada que te envolva.” Retruquei.

Quando me manifestei pela primeira vez, o homem ao nosso lado virou-se, interessado. Agora, vendo ele de frente e não de perfil, percebi que ele não tinha dois olhos azuis. Tinha um azul e um verde. Ele usava uma regata preta junto com uma calca larga e folgada negra, cheia de bolsos e contornada por diversos cintos de metaleiros. Em seu braço esquerdo, muito bem definido e musculoso por sinal, percebi uma tatuagem com a palavra inglesa Danger escrita bem grande. A sua orelha esquerda era completamente perfurada por vário piercings, fazendo um rastro de arcos metálicos, enquanto a sua orelha direita tinha apenas uma argolinha de prata.

“Sabe, ouvi dizer que aqui no Dungeon eles têm um andar abaixo do solo, onde ficam alguns apartamentos. Talvez, se vocês falarem com a pessoa certa, ela pode alugar alguns pra vocês.” Como eu já estava de olho nesse rapaz, não fiquei surpresa quando ele se manifestou. Mas os dois ao meu lado sim. O barman, assim que o homem falou, logo saiu para o fundo do bar, apressado. Em seguida, quase como um piscar de olhos, trouxe uma Bloody Mary para ele, mas essa parecia maior, e tinha algo diferente, uma tonalidade diferente. De qualquer maneira, não dei bola para isso.

“Ouviu dizer é?” Perguntou Tobi. “E como vamos saber se isso é verdade? Como sabe tanto assim?”

O homem riu e tomou um gole de sua bebida. “Vão saber porque sou eu que estou dizendo. Sei porque, bom, porque sou o dono disso aqui.” Arregalei os olhos e ele percebeu. Rindo, pôs a mão em meu queixo e o levantou. “Não fique assim tão assustada, querida. Tenho espaço para vocês três. Cobro cento e cinquenta dólares por noite, por cabeça. O que acham? Bom preço, não?”

Tobias pigarreou antes de responder, e eu rapidamente retirei minha cabeça das mãos daquele homem. “O preço realmente está bom, e não temos mais para onde ir. Mas, dividiremos um quarto?”

“Claro que não! Não me interessa a história de vocês três, nem a relação que vocês têm, mas jamais vou me perdoar se deixar uma pobre e inocente moça, feito essa, ficar sozinha, não sei quantas noites, com dois marmanjos. Sem ofensa alguma, amigos.”

“Perai, a Luce é nossa irmã!” Protestou o moreno. “Bem, quase. Mas nós nunca faríamos mal algum a ela! Não e Luce?”

“Claro que não! Você não entende, nós somos uma família.” Expliquei.

“Bom, pelo jeito como aquele loirão ali me olhou quando falei contigo pela primeira vez, ou ele é seu pai, ou sente algo por você, querida.”

“Isso é porque eu sou o namorado dela! Agora, amigo, não estou gostando dessa conversa.”

O rapaz passou o olhar de Tobias a mim. “Novinha ela não?”

“Isso não vem ao caso. Temos o dinheiro para pagar, só queremos o quarto.” Ele já estava irritado.

“Bom, tenho apenas um quarto disponível. Estamos na época em que gosto de chamar a ‘alta temporada’ do Dungeon. Vem goths, emos e scenes de tudo quanto é canto.” Ele me deu um sorriso torto. “Sem querer me gabar, esse meu clube noturno é muito bem falado pela minha gente.”

“Sim, aposto que é. Agora, por favor, a chave para nosso quarto? Pagamos a primeira estadia já se quiser, senhor...?”

“Meu nome é Jullyan. Jullyan Maxwell. Que bom que chegamos a um acordo senhores. Vou levá-los aos apartamentos.” Tobi pagou por nós três, e assim que o Jullyan guardou o dinheiro, saiu na frente.

Chegamos a um elevador e descemos. Seguimos o rapaz por um enorme corredor, com vários apartamentos. De repente paramos. Numero 535. “Aqui rapazes.” Ele lhes entregou uma chave. Tobias abriu a porta. Era um quarto um tanto grande e chique. Sem janelas e só com uma lâmpada, muito mal iluminado. Mas era assim que esse pessoal gostava das coisas. De repente, virou-se furioso.

“Aqui só há duas camas de solteiro.” Grunhiu.

“Sim. Eu vejo isso.” Soou a voz calma e com uma pontada de satisfação do dono. “Já falei que não deixarei a moça ficar com vocês. É contra meus princípios.”

“Seus princípios o caralho! Onde que ela ficará então?! Tem de haver outro quarto para ela.”

“Infelizmente não há. Já avisei aos senhores que estamos lotados.”

“Onde que a Luce vai ficar então?” Perguntou Raffy, calmo, mas preocupado.

“Acho que só resta ela ficar no meu apartamento. Moro aqui também, mas moro um andar ainda mais abaixo desse. É um enorme apartamento.” Com certeza minha cara mostrava surpresa porque ele disse em seguida: “Não se preocupe querida, não será incômodo algum.”

Notas finais
Não esqueçam de comentar e me dizer o que vocês acharam desse novo capítulo!
E pra quem não sabe inglês, Dungeon significa masmorra e Danger significa Perigo. c: