Ebony Cross

16 Décimo Quinto Capítulo - Tobias


Notas iniciais
Ei povo! Mais um capítulo pra vocês! *-*

Decidi tomar um banho.

Entrei no pequeno banheiro do quarto dos meninos e me despi. Fiquei por quase uma hora sentada no chão, deixando a água quente fazer seu caminho pelos meus cabelos e por minhas costas. Chorei o tempo inteiro, mas o bom de chorar no banho é que você não percebe, ou pelo menos você se engana.

Por sorte minha mochila fora trazida para o quarto também, então peguei uma muda de roupa e me troquei. Assim que estava pronta, saí do quarto e subi um andar, indo para as pistas de dança.

Já era de noite e os alto-falantes do clube já estavam no volume máximo; aquela montoeira de góticos, emos e scenes dançando loucamente ao som de Marilyn Manson. Atravessei a pista de dança o mais rápido que pude, me esquivando das várias pessoas que queriam me pegar para dançar. Cheguei ao bar a perguntei ao Romeu onde meus amigos estavam, ele me apontou uma mesa redonda no canto do salão, onde me parecia ser a área V.I.P. do clube.

À medida que fui me aproximando, pude ver que Tobias estava estranhamente quieto. Encarava o nada com uma cara de cachorro chutado e segurava a cabeça nas duas mãos, apoiando-se com os cotovelos na mesa.

“Ei pessoal.” Eu disse, fingindo entusiasmo. “Estou viva, olha só!”

“Luce! Venha, sente-se conosco.” O vampiro pediu. Sentei entre ele e o Raffy, de frente para Tobias. Já de cara deu para perceber que os dois haviam percebido a tensão entre eu e o loiro. “Está melhor, querida?” Ele me perguntou, e imediatamente o outro soltou um leve rugido, mas todos na mesa ignoraram.

“Estou sim. O médico realmente era bom. Estou com um pouco de dor de cabeça, mas já consigo falar direito e minha língua dói apenas um pouquinho.” Os tranqüilizei, agradecendo ao Romeu quando ele me trouxe uma bebida. “E então, qual é o plano?”

“Nunca pensei que fosse dizer isso, mas nós temos muita sorte de termos um amigo vampiro!” Rafael disse, rindo junto com o Jullyan.

“O negócio, Luce, é que eu conheço Sebastian. Ele é típico vampiro que ninguém gosta, nem mesmo os outros vampiros.” Encarei-o, incrivelmente interessada. Se nem os vampiros gostam dele, imagine o quão terrível esse sujeito é! “Ele é aquele cara que faz o que quer, como quer e quando quer. Muitas pessoas acham que vampiros em geral agem assim, mas não é nada disso. Nós – pelo menos a maioria – fazemos tudo que podemos para sermos o mais discretos possível.” Ele pausou para tomar um gole de sua bebida que reconheci ser um Bloody Mary com aquela cor diferente, mais escura. “São vampiros assim que nos põem em perigo, que nos expõem.”

“Como assim?”

“Ele é o tipo de vampiro que quer “reconhecimento”. Ele quer que o mundo saiba quem ele é. Ou melhor, o que ele é. Ele quer expor os vampiros ao mundo.”

“E os outros vampiros não querem isso?” Eu perguntei.

“Não. Bem, como eu disse, pelo menos não a maioria. Aqui em Clifton eu só conheço mais uma meia dúzia que pensam como Sebastian, mas que mesmo assim não gostam dele. Ele é muito radical, muito doentio, até para nós.”

“Mas se ele é um incômodo tão grande para vocês, por que vocês simplesmente não o matam de uma vez?” Perguntou Tobias, surpreendendo a todos nós. Nós achávamos que ele estava ignorando a conversa completamente. “Se vocês se unissem com certeza o derrotariam. Sem mais problemas aí.” Ele estava especialmente grosso com o Jullyan, mas o vampiro fingiu não perceber.

“Nós já pensamos em fazer isso várias vezes, mas esse cara é muito bom em se esconder. Quando finalmente o achamos ele muda de esconderijo. Ele nunca sai do estado, mas vive migrando de cidade em cidade.” Ele explicou. “E, infelizmente, essa cidade só atrai vampiros folgados, que só pensam em festança.” Ele riu. “Bom, eu não posso reclamar, é assim que eu faço dinheiro afinal de contas.”

“Mas então... Como vamos conseguir achá-lo?” Eu perguntei preocupada. O único que não falava era Rafael porque ele obviamente já havia tido essa conversa enquanto eu estava adormecida.

“Calma, minha querida.” Olhei de canto de olho para Tobi e vi sua expressão se contorcer quando ouviu Jullyan me chamar desse jeito. “Enquanto você se recuperava, eu e Rafael fomos atrás de uns amigos meus. Eles são, digamos, especialistas em achar pessoas. Pagando a quantia certa, é claro. Mas eles nunca se metem diretamente no trabalho sujo, eles são neutros, não se metem nessa pequena guerra entre nossa raça.” Ele continuou me explicando. Não me surpreendi em perceber que os vampiros tinham um mundo só deles, e nesse mundo era muito provável existirem instituições secretas de espionagem também. “Algumas horas depois eles voltaram com as informações.” Jullyan sorriu vitorioso, como se para provar para Tobias que foi ele quem resolveu o mistério, não o caçador.

“E...? Onde ele está?” Eu perguntei inquieta.

Jullyan e Raffy riram levemente do meu desespero.

“Há uma antiga fábrica na periferia da cidade. Ela está abandonada há tanto tempo que ninguém lembra fábrica do que que era. Enfim, ela está completamente no meio do nada, está no meio de uma estrada deserta que é a saída esquecida da cidade. Com as outras estradas mais modernas e com melhor iluminação e tecnologia, essa saída foi, aos poucos, virando obsoleta.”

“E é lá que o desgraçado está.” O moreno terminou.

“Mas nós temos que ir rápido.” Jullyan alertou-nos. “Os meus “amigos” nos garantiram que ninguém viu nem percebeu que eles estavam lá, mas o Sebastian não é nenhum vampiro inexperiente ou amador. Temos que torcer para que ele realmente não tenha percebido nada, se não ele já deve estar a caminho de um novo esconderijo...”

“Pois bem, vamos lá.” Eu disse, levantando-me. Os outros logo seguiram meu gesto.

“A propósito, eu quero acompanhar vocês.” Jullyan disse, surpreendendo a mim e ao Tobias. O Rafael parecia contente, eles realmente haviam se dado super bem. “Além de eu ter que mostrar o caminho para vocês, eu quero ajudá-los a matar esse desgraçado. E, afinal de contas, uma ajuda é sempre bem vinda.” Ele disse sorrindo. Sorri de volta para ele. Tobias apenas virou a cabeça irritado e continuou caminhando para fora.

Jullyan andava na frente com Rafael ao seu lado, os dois conversando alegremente como dois velhos amigos em direção ao Land Rover. Eu segui um pouco atrás dos dois quando senti alguém me puxar pelo braço, me arrastando para uma parte mais afastada do estacionamento.

“Luciane, eu quero falar com você.” Era o loiro. Os dois continuavam a andar e conversar, sem perceber nada.

“T-Tobi. Bem, é, sou todo ouvidos!” Eu disse nervosa. O que será que ele tinha para falar comigo? Quando eu quis conversar com ele no quarto ele ficou mais quieto que uma estátua, e agora ele vinha e me empurrava exigindo conversar? Isso me deixou levemente irritada.

“É sobre tudo aquilo que você me contou no quarto.” Ele disse, mexendo em seu cabelo nervosamente.

“Eu já lhe contei tudo que tinha para contar Tobias...”

“Eu sei Luce, eu sei.” Ele disse com um suspiro. “É que quem quer esclarecer algumas coisas agora sou eu.” Fiquei quieta, esperando ele continuar. Eu não fazia a mínima ideia do que ele estava falando. “Eu deixei o quarto sem lhe dar uma resposta.”

“É, você fez isso mesmo.” Eu disse, deixando transparecer um pouco da minha irritação. “Na verdade você deixou o quarto sem me dar sequer uma palavra.”

“Pois é, desculpe. Você não deveria ficar sem saber como a gente vai ficar.” Assim que ele disse isso parecia que meu coração havia parado de bater por um instante. Ele havia tomado uma decisão e, conhecendo o jeito do Tobias, eu já sabia qual era.

“Diga.” Eu pedi. Precisava ter certeza, queria ouvir as palavras da boca dele.

Ele suspirou e soltou sua mão do meu braço. Começou a andar de um lado para o outro em um claro sinal de nervosismo.

“Eu – Olha Luce, eu não sou bom em várias coisas.” Ele começou. “Eu não sou bom em jogar futebol, eu não sou bom em palavras cruzadas, eu não sou bom em geometria e eu também não sou bom em esquecer.” Ele levantou os olhos lentamente e me encarou.

“Ah.” Foi só o que eu consegui pronunciar.

“Não, espera Luce. Olha, eu sou bom em perdoar.”

“Isso significa o que eu acho que significa?” Eu perguntei, me xingando mentalmente por ter deixado transparecer um pouco da esperança que eu tinha em minha voz.

“Bem, não.” Tobias disse em um sussurro.

Minha visão começou a embaçar e senti uma lágrima fazer um rastro em minha bochecha. Que ótimo, agora eu estava chorando. E o pior é que eu nem sequer tinha o direito de me sentir assim! Eu merecia tudo o que estava acontecendo comigo. O pobre do Tobias, porém não merecia absolutamente nada, principalmente não se sentir culpado por dar pra mim o que eu mereço.

“Ah Luce, não fica assim, por favor. Não faz isso comigo.” Viu?Culpado! Eu não presto mesmo. “Você sabe que eu não suporto ver você assim, meu anjo.”

“Eu já pedi pra você não me chamar assim.” Eu disse entre soluços.

“Mas você é.” Ele sorriu docemente enquanto tentava limpar meu rosto de lágrimas. Era inútil, porém, porque elas simplesmente não paravam de vir. “Não importa o que aconteça, você sempre será meu anjinho, Luce.”

Não pude não sorrir com aquilo, mas o sorriso logo sumiu quando eu ouvi as próximas palavras.

“Mas Luce, eu quero deixar tudo bem claro tá bom?” Ele agora usava um tom de voz cauteloso, mas sério. “Você sempre será a pessoa mais importante para mim. Mas existe uma coisa mais importante ainda, e ela se chama confiança. Desculpa Luce, mas eu não consigo mais confiar em você desse jeito, não como um namorado pelo menos. Como eu disse, eu sou péssimo em esquecer, mas não em perdoar. Eu perdoo você Luce, mas eu não quero mais ter nada além de uma amizade com você.”

Eu fiquei encostada ali na parede digerindo tudo que eu havia escutado. Dava para ver nos olhos dele que havia doído muito para ele falar tudo aquilo.

“Eu, é, eu esqueci minha mochila.” Eu disse, e agradeci por essa desculpa ser verdade. Eu a havia deixado em cima da cama do quarto e agora tinha como fugir dos três e ter um tempinho para me recompor. Ou pelo menos tentar. As lágrimas não paravam de cair e em hipótese alguma eu iria falar com os outros dois lá na frente nesse estado.

Tobias suspirou. Eu era uma pessoa muito fácil de ler. “Tudo bem querida, mas não demore tá? Eu aviso os dois, pode deixar.” Ele acariciou meu cabelo antes de voltar a andar para o carro.

Pois é, eu tinha apenas alguns minutos para me conformar que eu nunca mais teria o Tobias.

Notas finais
Deixem comentários me contando o que vocês acharam desse capítulo. Eu achei bem triste e vocês? :c
Ah, eu não lembro se eu já contei pra vocês, mas eu estou escrevendo uma história sobre Percy Jackson com duas amigas minhas, o nome é The Way of the Warrior e vocês podem achá-la no meu perfil... Quem se interessar por favor leiam! Eu ia ficar muito agradecida mesmo, pois não tem muita gente acompanhando... :/
Obrigada!