Ebony Cross

20 Décimo Nono Capítulo - Prazer


Notas iniciais
Olá gente! Acabei de escrever mais um! Espero que gostem desse capítulo! Lembrem-se que a história está acabando, então aproveitem enquanto ainda tem mais! :)

“Meu anjo da guarda. Meu anjo da guarda. Meu querido anjo da guarda.” Sussurro, abraçando o corpo sem vida do único vampiro fiel que conheci. “Meu anjo da guarda...”


Eu estava em um outro mundo. Não estava no andar subterrâneo sujo e ensanguentado da fábrica de tecidos. Não estava em meio à luta mais perigosa de minha vida. Não estava no mesmo lugar onde meus dois companheiros lutavam por suas vidas.


Estava em um lugar onde tudo que eu enxergava, tudo que existia e tudo que importava era Jullyan Maxwell.


Elas simplesmente o tiraram de mim. Eu o conhecia há alguns dias apenas, mas ele já havia se tornado especial o suficiente para me deixar em estado de choque. Doía no fundo da minha alma, no fundo do meu coração perceber que ele nunca mais acordaria. E tudo para me salvar, para cumprir uma promessa.


Eu não deixarei nada lhe acontecer. Eu juro.


Esse homem, esse vampiro morreu me amando e uma parte de mim sentia-se horrível, pois, depois de tudo que ele fez por mim, eu ainda assim não conseguia amá-lo como ele desejava que eu o amasse. E sei que, mesmo se ele vivesse, não conseguiria amá-lo dessa maneira.


“Desculpe, Jullyan.” Sussurro para seu corpo, sabendo que onde quer que ele estivesse ele estaria ouvindo. “Mas você é meu anjo da guarda. Sempre será.” Beijo sua testa e fecho seus olhos assustados, para nunca mais serem abertos.


Levanto-me. Nem tento enxugar minhas lágrimas, pois sei que elas não vão parar de escorrer por um bom tempo. Voltando à realidade, verifico a situação de Tobias e de Rafael.


Rafael estava usando suas adagas contra uma das vampiresas. Estava se saindo bem em minha opinião, mas a mulher estava lhe dando trabalho. Tobias estava lidando com duas, a que estava sem o braço e a outra que sobrara. Estava tendo mais dificuldade do que o moreno, mas nada muito preocupante. Elas deveriam ter percebido que ele era o líder, e por isso estavam concentradas mais nele do que em Raffy. Com seu machado ele se defendia dos ataques delas e lançava seus próprios.


Peguei minha adaga que eu havia deixado cair e a transformei em lança. Eu estava pronta para dar uma mãozinha para Tobias, mas, no momento em que saí correndo em direção ao meu companheiro, algo me levantou do chão e me jogou de volta no cimento duro no canto mais afastado, longe da luta principal.


Urrei de dor. Minhas costas haviam chegado ao limite e, como consequência, eu mal conseguia me mover.


“Shh. Eu sei que dói. Mas vai passar, logo logo.” A voz grossa me disse, fazendo-me ter arrepios pelo corpo inteiro como da primeira vez em que a ouvi. Sebastian estava bem próximo de mim agora, próximo demais, e isso me deixou apavorada.


Ele estava engatinhando para cima de mim. Estiquei meu braço dolorosamente e consegui pegar a lança, desferindo um golpe bem na hora em que ele passava por cima dos meus tornozelos.


“Sua vadia!” Ele gritou furioso. A lança estava cravada em sua perna esquerda. Infelizmente não consegui causar-lhe muito dano, mas, na posição que eu estava e com a dor que eu estava sentindo eu não podia fazer milagres. “Você é muito mal comportada, Luciane.” Ele diz, acalmando-se assim que retirou minha arma de sua perna e a jogou longe. Foi um ferimento bem superficial e, ele sendo vampiro, provavelmente sararia logo.


Olho desesperada para meus amigos. Eles pareciam desesperados para me ajudar, mas não conseguiam de jeito nenhum se livrar das vampiresas. Elas faziam de tudo para mantê-los ocupados, sem poderem chegar até mim e me socorrer.


Volto meus olhos assustados para os olhos gélidos de Sebastian. Ele estava agora completamente em cima de mim e prendeu meus braços contra o chão, me imobilizando. “Você é muito brabinha. Eu gosto disso. Gosto quando mulheres me mostram resistência.” Ele diz em uma voz que confesso ser sensual. Seus olhos examinam mais uma vez meu corpo e com isso eu tento, em vão, desvencilhar-me dele. “É melhor você ficar quietinha ou vou acabar dando um show para seus amiguinhos, e eu não estou nem um pouco satisfeito com a ideia de dividir a bela visão que me aguarda por baixo desses tecidos com ninguém.” Ele rosna baixo.


Paro de me mexer ao perceber que não irei conseguir sair debaixo dele sozinha. Encaro os olhos azuis claros de meu predador. Percebo que vão escurecendo mais e mais à medida que ele examina meu corpo. Ele prende meus braços agora acima de minha cabeça usando apenas uma mão e com a outra invade minha blusa. Seus dedos passam de leve sobre minha barriga, sua mão situada entre minha pele e o tecido da regata. Ele roça minha pele de uma forma delicada e sensual e simultaneamente sinto me enojada e excitada; meu sexo lentamente reagindo ao seu toque.


“Você é simplesmente deliciosa, Luce. Ah, as coisas que essa sua pele macia promete...” Sebastian morde o lábio ao olhar para mim novamente. Ele retira sua mão de onde estava e a põem sobre meu seio esquerdo, por cima da roupa. Com facilidade ele encontra meu mamilo que endurece assim que seu polegar passa levemente por cima dele. Solto um suspiro assustado e involuntário e ele sorri, mostrando-me toda sua arcada dentária. “Não vou machucá-la.” Ele promete, e continua a atormentar meu mamilo traiçoeiro, que parece se deliciar com cada carícia que o vampiro faz nele por sobre meu sutiã e a regata.


Tentando ao máximo desviar minha atenção das coisas que ele estava fazendo comigo, olho novamente para meus amigos. Meu olhar cruza com o de Tobias, que me olha atormentado. Com isso ele perdeu a atenção por uns segundos e uma das moças consegue rasgar seu braço com suas garras, fazendo um longo ferimento no braço esquerdo do loiro, o sangue pingando rapidamente no chão.


Sebastian, porém parecia completamente alheio aos outros acontecimentos no cômodo. Ele continuava a acariciar meu seio e agora roça seu nariz pelo lado esquerdo de minha bochecha, que está exposta. Viro o rosto imediatamente com o susto.


“Shh, Luce, não. Não seja desobediente. Eu já lhe disse o que pode acontecer. Você não tem noção do efeito que sua resistência tem em mim, Caçadora.” Ele avisa, seu hálito gelado soprando delicadamente pelo meu pescoço.


Quando percebo que sua boca está a apenas alguns milímetros de meu pescoço eu ignoro a dor e seu aviso e começo a me debater com toda minha força, tentando empurrar o vampiro para o lado.


Como o esperado, minha tentativa foi em vão e fui prensada no chão novamente. Minhas costas estavam berrando para eu parar o que quer que fosse que eu estava aprontando, mas nem pude prestar atenção nelas. Sebastian estava me prensando, seu corpo colado no meu. Sua mão esquerda segurava com firmeza meus braços acima de minha cabeça e sua mão direita acariciava meu rosto.


“Você simplesmente não me escuta, não é? Será que é isso mesmo que você quer então, me provocar até meu limite?” Ele dá uma risada baixa e perigosa. “Missão cumprida, Luce.” Meus olhos se arregalam na expectativa do que ele iria fazer. Delicadamente ele empurra minha cabeça para o lado e passa o nariz pela base de meu pescoço até o começo de minha mandíbula. “Você tem um espírito forte, Caçadora. Fará uma vampiresa e tanto. Que irônico. Talvez, após fazer o que tenho em mente com você, eu a deixe viver, ao contrário de todas as outras.” Ele inspira o cheiro de meu cabelo e de meu sangue, pulsando tão próximo de suas presas. “Terei o maior prazer em perfurar essa sua pele linda.”


E com isso ele beija meu pescoço e logo em seguida finca seus caninos no local.


Arregalei meus olhos na hora, sentindo a pontada de dor da perfuração, e gritei o mais alto que meus pulmões me permitiram. A dor da perfuração foi mil vezes pior do que a dor que senti quando a vampiresa lambeu meu corte. Mas, em compensação, a dor durou apenas um segundo. A sensação que senti a seguir foi praticamente indescritível. O mundo ao redor sumiu, e só o que eu conseguia pensar era que eu nunca queria que essa sensação fosse embora.


Estava sentindo o prazer mais intenso que já senti em toda minha existência.


Eu estava plenamente consciente de que o que estava me causando isso era o fato de Sebastian estar se alimentando de mim. E mesmo assim eu não queria que ele parasse nunca. Provavelmente o vampiro tinha optado por me dar prazer enquanto se alimentava de mim, não dor como sua submissa havia escolhido. Amolecendo meus membros, dei uma leve puxada em meu braço esquerdo e ele o soltou. Com meu braço agora livre eu gentilmente pressionei sua cabeça para mais fundo em meu pescoço, desejando que ele sugasse mais sangue para me proporcionar um prazer ainda mais profundo. Ele gemeu ao meu toque e percebi que ele deveria estar sentindo o mesmo prazer que eu, e o fundo da minha mente, que ainda conseguia trabalhar um pouco, finalmente entendeu o porquê de vampiros se alimentarem um do outro durante o ato sexual, algo que sempre fora um mistério para mim.


Fechei meus olhos, deleitando-me na sensação. A mesma parte da minha mente que tivera essa conclusão tentava me alertar. ‘É perigoso. Sei que está bom, mas é perigoso demais, Luciane. É muito sangue. Ele já passou do limite que deveria tomar. Pare com isso agora ou você correrá risco de vida!’ Afasto o pensamento e continuo a aproveitar, gemendo em conjunto com o vampiro.


Porém, algo furou minha bolha de prazer; Algo quebrou a ilusão. “SAIA DE CIMA DELA, SEU FILHO DE UMA PUTA!” Sebastian ainda estava com os dentes em mim, mas agora eu estava consciente. O grito de Tobias me acordara e, em um piscar de olhos, ele deu com o machado na cabeça do vampiro, espirrando sangue por todo o meu rosto e meu torso. O que Tobias não esperava era que o impacto do machado em seu crânio fizesse seus dentes, que ainda estavam em mim, rasgar meu pescoço, não muito, mas o suficiente para fazer um rio de sangue ensopar o chão ao redor.


Eu já não tinha muito sangue nas veias por causa de Sebastian que, apesar de querer me transformar, quase me tirara todo o sangue, não conseguindo se controlar. Agora, com esse ferimento aberto, minha visão começou a ficar embaçada e senti que eu não conseguiria mais falar. Vi Tobias jogar o corpo morto de Sebastian para longe de mim e Rafael estava empalando a última das vampiresas que sobrara com minha lança, que ele deve ter pegado em algum momento.


O loiro se ajoelhou e examinou meu pescoço, tentando criar um tipo de curativo ou algo que parasse a perda de sangue. Mas eu sabia que era tudo em vão, e seus olhos me diziam que ele também sabia. Eu já havia perdido sangue demais e ele não conseguiria fazer nada eficiente o suficiente a tempo de impedir que eu perdesse ainda mais.


Para minha surpresa consegui levantar o braço e acariciar seu rosto, sentindo uma lágrima se depositar em meu polegar por um segundo e depois continuar seu trajeto pelo seu rosto, pingando finalmente em minha própria bochecha ensanguentada.

Notas finais
Por favor deixem reviews com suas opiniões e suspeitas! Estou muito ansiosa para saber o que vocês acharam desse aqui! Obrigada como sempre!
Ah, escrevi uma nova fanfic e eu ficaria muito grata se vocês dessem uma olhada nela e talvez até a acompanhassem... Que tal? :P O nome é Wherever The Wind May Take Us.
Aqui está o link: http://fanfiction.com.br/historia/345130/Wherever_The_Wind_May_Take_Us/