O sol estava forte, mas a brisa refrescava o calor. Era uma sensação que eu não sentia há muito tempo: felicidade.

Prendi meus cabelos em um coque frouxo, levantando da grama verde e caminhando até a casa.

Assim que entrei, ele apareceu do nada, me interrogando.

- Onde estava? — Ele perguntou.

- Não enxe, Dougie. — Eu disse, cansada da sua preocupação obsessiva. Cansada dele, na verdade.

Dougie sorriu de lado, como sempre fazia.

- Deveria tomar mais cuidado, anjo. — Ele foi se aproximando de mim, mas eu o empurrei. Incrível como depois de dois anos ele continuava a falar aquela mesma frase estúpida.

- Não tenho tempo pras suas besteiras. — Eu disse, subindo as escadas. — Não hoje.

Sabia que Dougie não ia se contentar com essa resposta. Ele veio até mim, me analisando, segurando meu queixo e o erguendo um pouco.

- O que há com você? — Ele perguntou, me olhando atentamente. — Há meses está assim, diferente.

- Morta? — Sugeri, rindo secamente depois.

- Não brinque comigo, An. Sabe das consequências. — Ele soltou meu queixo, subindo as escadas na minha frente.

- Como se não bastasse você ter me sequestrado, me mantendo presa aqui, me ensinando como ser igual a você, ainda quer que eu fique feliz? — Perguntei. — Me poupe, Dougie.

Ele apenas olhou para trás, sorrindo de lado novamente.

- Você que escolheu assim. — Foi tudo o que ele disse antes de sumir pela casa.