Eat Me
8 Conhecendo o inimigo II
- Você não irá entender. — Dougie disse, como se pudesse prever alguma coisa.
- Então me explique. — Eu implorei pela milésima vez, já quase desistindo.
Die respirou fundo, e se sentou no sofá. Sentei na sua frante, o encarando.
- Tudo bem. — Ele sorriu fraco. — Desde que fique quietinha e apenas escute.
Balancei a cabeça positivamente, acomodando-me melhor no sofá. Die começou.
- Quando Ele criou o Mundo, junto com este também criou anjos, que o ajudariam nessa importante tarefa. Ele os dividiu em castas. Existiam a castas dos Arcanjos, aqueles que estão mais próximos Dele. Havia também uma casta só para anjos guerreiros, os Querubins. Eles eram exímios lutadores, e lutavam pela paz entre a Luz e as Trevas. Quando Lúcifer caiu, ele criou um Reino só para ele, o Inferno. Ocorreram diversas guerras, nas quais a Luz sempre vencia. Um dia, Ele resolveu mandar um anjo à terra, para se adaptar aos costumes humanos e poder, disfarçadamente, derrotar Lúcifer. Seu nome era Hokegan.
" Hokegan era um anja guerreira. Possuía força e inteligência, sabia muito bem derrotar qualquer oponente. Quando Ele a mandou para a Terra, não esperava que ela comete-se o pior de todos os pecados: apaixonar-se por um humano. Hokegan se apaixonou por ele, e então caiu. "
- Isso foi depois da queda de Lúcifer? — Eu perguntei. Die fitou o nada por um tempo.
- Lúcifer sempre foi um desertor, odiava seu irmão Miguel, por querer ser como Ele. Ele continuava sendo um Arcanjo, mas já trabalhava no seu próprio Reino.
- E Hokegan? Continua na Terra? — Perguntei, curiosa para saber o que teria acontecido à tal anja caída.
- Vive entre nós, como humana. Mas foi destinado à Lúcifer encontrá-la. Uma ironia Dele, é claro, pois todos sabem que Hokegan é o anjo escolhido para destruir Lúcifer. — Disse Dougie, o olhar ainda fixo num ponto vazio.
- Então o trabalho de Lúcifer é encontrá-la? Mas porque ele aceitou esse desafio? — Perguntei curiosa, achando tudo aquilo muito estranho.
- Para voltar ao Céu, para voltar a pertencer a Luz. — Die disse.
- Mas porque? Ele já não tem o seu Reino? Porque quer voltar, já que Miguel sempre fora seu grande inimigo? — Eu não entendia.
Die me encarou, os olhos de um profundo azul que me fizeram divagar. Ele continuou me encarando.
- Porque Miguel está morto. — Ele disse, tão baixo e suave que eu mal pude perceber que fora ele quem disse.
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