Earth's Death: A Extinção - Interativa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
(POV Samanta)
– Tô saindo!
– Tudo bem filha, vê se não volta muito tarde. – Ela respondeu serena. – Não esquece de pegar um casaco.
– Ta bom, mãe, ta bom. – Puxei o primeiro que vi no hall de entrada e bati a porta.
Eu havia marcado de ir ao shopping com uma amiga de infância, Juliana. Nos encontraríamos em frente a sua casa, que era muito perto da minha, por sinal.
Enquanto andava, ouvi algumas pessoas cochichando sobre a mais nova epidemia do mundo: O D12, um parasita que vem dando muito trabalho aos médicos de alguns países mais pobres... Graças a jeová que essa porra ainda não chegou aqui no Brasil, assim não tenho que me preocupar com a possibilidade de ter um troço “desgustando” meu cérebro. Há quem diga que os que contraem essa infecção ficam loucos e que o corpo destes começa a apodrecer. Alguns médicos afirmam que o resultado só é perceptível por dentro, e que os doentes não se diferem em nada – externamente – dos saudáveis. Ou seja, ninguém sabe de nada e tudo não passa de pura especulação. Eu espero.
– Até que enfim, achei que tinha ido dar o cu pra alguém. – Berrou Juliana assim que me viu virar a esquina.
Esperei chegar mais perto para retrucar.
– É você quem tá com essa bolsinha de puta no meio da rua, florzinha, não eu. – Ela fingiu estar ofendida. — Senti saudades.
– Eu também, agora vamo bora antes que o filme comece sem a gente.
Ju tinha 18 e já tinha a carteira provisória, então pegamos o carro do pai dela e fomos em direção ao shopping. O trânsito estava um caos, mas mesmo assim chegamos a tempo do filme. Compramos um monte de baboseiras na lanchonete e entramos mais cedo na sala do cinema. Esperamos em torno de 20 minutos até o filme começar. Mais o menos na metade, e na parte mais engraçada também – que merda, hein – a energia acabou, os alarmes começaram a tocar, e água caiu em cima da gente.
– Era o que me falatava! – Ju deu um berro, mas que devido a gritaria alheia mal pude escutar.
– Vamos esperar esse povo todo sair, depois a gente vai – Tentei falar ainda mais alto – Teu celular tem lanterna?
Em resposta ela agarrou o aparelho pink e ativou a lanterna do mesmo.
Que inferno, pensei. Enquanto a sala se esvasiava – e algumas pessoas se desesperavam – nós e um ou outro gato pingado ficamos parados assistindo todo aquele tumulto como retardados.
Assim que não havia mais ninguém gritando e se pisoteando, decidimos sair pela saída de emergência.
– Tá emperrada essa porra! O último maldito que saiu deve ter batido com muito força.
– Vamos pela da frente, não tem sinal de fogo nem nada. Deve ter sido um engano, sei lá.
Eu e Ju, seguidas por alguns outros, saímos da sala e seguimos pelo corredor principal do cinema. Assim que chegamos a entrada que dava ao restante do shopping, nos deparamos com um grande NADA. Isso mesmo, nada. O shopping estava completamente vazio, não havia ninguém lá. As lojas foram abandonadas, os clientes foram embora.
– Demorou a gente roubar uns Iphone, né? Não tem ninguém olhando. – Sugeri.
– Claro, Samanta, aí amanhã a gente vende tudo no camelô, “quinhetão” cada um. – Ela replicou irritada.
– Foi mal aí.
– Tá, esquece. O que será que aconteceu?
– Olha! – Um garotinho que estava com a gente gritou.
Era um cara. Ele estava vestido com aqueles uniformes de segurança de shopping. Finalmente alguém para explicar o que estava acontecendo.
– Ele tá andando meio esquisito. – Uma mulher sussurrou. E então ele começou a se aproximar mais rapidamente. Não correndo, vamos dizer que como se estivesse atrasado para alguma coisa.
Foi aí que as coisas começaram a ficar realmente esquisitas. Ele estava sangrando. Tipo, pra caralho. E ele também estava sem uma das mãos e ficava balbuciando algumas coisas sem sentido.
– Acho melhor a gente sair daqui.
– Concordo plenamente.
Infelizmente, antes de termos tempo de sair, uma mulher – nos mesmos estados que o guarda gordinho – apareceu, agarrou o garotinho e mordeu o pescoço dele.
– Mas que porra?!
O menino caiu sangrando no chão, e a mulher começou a “come-lo”.
Nós estávamos em frente a uma loja de pesca e tinha uma uma vara bem do meu lado. Agarrei minha mais nova aliada e comecei a dar porrada na esquisitona devoradora de menininhos indefesos. Bati tanto na cabeça dela que acabou abrindo um talo enorme, e então ela caiu pro lado e deixou o garoto já morto.
Virei para ver como estava a Ju, e a vi enfiando um daqueles arpões bem na cabeça do guarda.
O alarme não foi um engano, murmurei.
– Eles eram tipo, sei lá, zumbis?! – Exclamou Juliana.
É, eu acho que sim.
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