EarthMoon - Interativa
8 Maio — 4ª Parte
Notas iniciais
Laryssa POV
Eu estava presa em um cômodo escuro, sem janelas e sem ventilação, porém bastante espaçoso. Tentei mexer as minhas mãos, mas estavam algemadas em algum cano ou barra de metal. Aos poucos, minha calma foi se esvaindo e dando lugar a um desespero de estar na penumbra e presa.
Eu não gosto do escuro.
Já faz pouco menos de quatro meses que aquilo aconteceu, mas ainda me atormenta durante dias e noites, principalmente as escuras. Eu era considerada "bonita" no meu bairro e antiga escola... Um vizinho começou a se interessar por mim, descobriu o horário que os meus pais trabalhavam a noite...
Aquela foi a pior noite da minha vida... Abri a porta para ele com a minha inocência, já que era meu vizinho de muitos anos. O escuro... Eu não suporto o escuro... Não suporto...
Khal POV
– Você acordou... Pensei que iria demorar mais. — Ayesha acordou devagar e um pouco tonta. Eu falei, respirando de alívio, estava ao lado dela.- Você é a primeira que foi encontrada a acordar...
– Eu vou matar ele! Eu vou matar o Hu... — Ayesha começou a gritar, eu quase que no mesmo instante tapei a boca dela com a mão e fiz um símbolo de silêncio com a mão.
Para o meu alívio, éramos os únicos que poderíamos ter ouvido aquilo. Ayesha parecia que iria me sentar a sola se não estivesse mais fraca do que o usual. Fiz um sinal para ela se acalmar e só soltei a minha mão de sua boca quando ela concordou.
– Cadê a Laryssa? E a Leen? — Ela perguntou, um pouco mais calma, porém ainda demonstrando raiva.
– A Leen tentou brigar com um dos caras que estão atacando vocês e acabou apanhando também... Mas ela passa bem. A Laryssa... — Respirei fundo e fiz outro sinal para ela se acalmar. — Ela foi seqüestrada junto de outros alunos.
– Hugo... Aquele filho da mãe...! — Ayesha segurou o lençol da cama e apertou, retirei o braço dela. Não sabia como falar o que tinha de revelar.
– Não foi ele! — Falei duramente. — Quem desmaiou e seqüestrou a Laryssa fui eu!
Ayesha iria me bater, eu tinha certeza disso. Mas antes ela ficou me encarando com um olhar de "explique-se antes de eu matar você". Ficamos em silêncio, se encarando por um tempo. Estava procurando em minha cabeça a melhor de dar satisfação a minha colega.
– Por onde eu posso começar...? — Começei a falar, coçando o queixo. — Foi no dia que começaram esses ataques...
"Eu estava indo para o dormitório onde a irmã daquele Luninano que foi morto morava, afinal eu os conhecia a muitos anos. Eu sabia que ela, mesmo sendo forte, poderia estar frágil aquilo. Enquanto eu andava, começei a ouvir alguns gritos de dor e socorro. Me assustei, pensando que era outro Luniano sendo morto, por isso corri até onde os gritos eram ouvidos.
Quando vi a cena, dei uma passo para trás, assustado. Não sabia o que fazia naquele momento, por sorte a pessoa que estava fazendo aquilo aparentemente não havia me visto, já que estava semi-escondido detrás de um muro, apenas espiando.
– Confesse, seu pedaço de lixo! — Essa pessoa gritava para os terráqueos que espancava com as próprias mãos.
– Eu... Eu... Eu não fiz... — Vi um terráqueo morrer na minha frente, babulciando algumas palavras. A pessoa, raivosa por aparentemente não ter obtido nada que lhe interessasse, jogou o cadáver no gramado, perto de outros dois.
– Ei! — Gritei e investi de uma vez, segurando os dois braços da pessoa por trás. — O que é isso, enloqueceu?!
– Khal! Me solta, ainda há mais pessoas saindo! Foi algum deles! Foi algum deles!
– Se acalme! — Levei a pessoa até um banco, longe dos cadáveres.
– Como você quer que eu me acalme nesta situação?! — A pessoa voltou a gritar. — Um de nós... Um Luniano como nós acabou de ser assassinado! Quem garante que são seremos os próximos?! E ele... Ele...
– Matar os terráqueos só vai fazer de você uma assassina que nem eles! — Retruquei, duramente. — Essa sua maneira de falar também está estranha...
– Então me ajude, Khal! Me ajude a descobrir quem fez isto! Eu não matarei ninguém, só tentarei arrancar confissões. Você também era amigo dele, não era? Quem está cuidando disto é a polícia terráquea, eles vão dar o caso como encerrado sem nem investigar direito, talvez só tentem descobrir quem matou aqueles terráqueos e o Luniano que eu acabei de interrogar. Mas no geral, eles estão pouco se importando com nós. Qualquer um de nós, qualquer Luniano pode ser o próximo! E eles não darão a mínima! — A pessoa voltou a gritar comigo. Eu a acalmei.
Naquele momento, a realidade do que ela havia dito-me correu a minha mente em forma de ódio. Realmente, qualquer um de nós poderia ser morto, e a polícia terráquea não ligaria se nenhum terráqueo acabasse morrendo; seria igualmente quase impossível eles permitirem a polícia Luniana investigar!
– Eu vou ajudar você! — Estava convicto de minha decisão. — Mas não podemos fazer isto aqui no colégio, podem nós descobrir rapidamente... Eu conheço um casarão abandonado. Vamos fazer isto lá.
– Entendido. — Ela acenou a cabeça positivamente e falou aquilo, antes de acabar, fomos surpreendidos.
– Eh...? Parece que vai ser algo interessante. — Não havíamos percebido, mas Hugo ouvira tudo. Estava tranquilo, mesmo sendo o maior suspeito que nós tínhamos.
– Você!! Ainda bem que ouviu, pois então já sabe do que se trata! — A pessoa se levantou brutamente com o punho cerrado, fiz-a sentar novamente.
– Ah, não se preocupem. Eu não matei aquele cara. Na verdade, até que gostava de quando ele enlouquecia, era bastante engraçado.
– Seu...! — A pessoa quase que iria bater nele, mas novamente a contive.
– Então você nos ajuda a interrogar os suspeitos? — Fiz o pedido a Hugo, e logo depois expliquei. — Na sua ficha diz que tu nunca negas ou confessa. Se está negando agora, é porque realmente deve estar falando a verdade.
– Mas vai nos ajudar ou não?! — A pessoa falou um pouco rudemente, apesar de mais calma.
– Vou sim, afinal não tenho nada a perder, certo?"
Laryssa POV
Estava ainda angustiada, deitada no chão de madeira daquele lugar úmido e escuro. Meu medo era grande, e justificável. O que iriam fazer comigo? Um deja vú de um ano atrás? Iriam me matar? Me deixar no mesmo estado da Ayesha? Eu não fiz nada, eu preciso me defender. Mas como...?
– Ah! Aí está você! — Ouvi uma voz masculina e familiar de dentro do cômodo. Nem ao menos tentei reconhecer de quem era a voz; recuei o máximo que eu pude, mesmo algemada.
Mesmo na penumbra, consegui enxergar uma mão sendo esticada em minha direção, aberta como se quisesse que eu lhe entregasse algo. O reflexo de um vidro conseguiu produzir um mínimo feixe de luz, o que já me acalmou. O homem deve ter percebido que eu me acalmar e falou novamente.
– Vamos juntos? — Reconheci a voz desta vez. Era Hugo.
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