EarthMoon - Interativa
14 Julho — Capítulo Único
Notas iniciais
– Caramba... — Os Lunianos estavam de boca aberta na frente do mar. — É muita água!!!
– Bando de caipiras! Nunca viram o mar mesmo? — Um Terráqueos perguntou para eles, que ficaram irritados com a declaração. — Pena que as garotas resolveram ir para o rio... Se soubéssemos disso antes...
– Ei, o que você está fazendo? — See se ajoelhou ao lado de Talles, que estava em uma plataforma de concreto de frente para o mar.
– Pescando, pegando peixes. — Talles estava concentrado, quando a vara começou a puxar. O terráqueo começou a fazer força para tentar puxar, mas não conseguia. See também agarrou a vara, e os dois conseguiram trazer um peixe de tamanho médio.
– Wow! Mas isso é a nossa comida! É está viva! — See cutucava no peixe, que se debatia. — Como se pega eles?
– Você coloca comida aqui nessa ponta de metal e joga na água. O peixe come a comida e puxa a ponta de metal. Essa é a hora que nós puxamos e pegamos o peixe, que fica debaixo da água.
– Mas então não seria mais simples entrar na água e pegar com as mãos? — See falou, de maneira até um pouco ignorante.
– Não funciona assim...
– Aposto que pegamos mais peixes que vocês terráqueos, apenas com nossas mãos! — Tinha um grupo de Lunianos e Terráqueos que chegara a pouco.
– Quer mesmo apostar? Beleza então. Nós ficamos com aquele lado e vocês com esse. Quem pegar menos até o pôr do sol vai ter que cozinhar tudo!
– Fechado!
...
– Eu falei que o rio era melhor, não tem os garotos para encher o nosso saco; é mais fácil aproveitar a tranquilidade. — Laryssa estava conversando com Leen e suas outras amigas, quando olhou para a própria barriga. — Pena que eu engordei um pouco...
– Não esquenta com isso! — Leen deu um tapa em suas costas.
Enquanto desciam a colina na direção do riacho, os olhos de Laryssa acidentalmente viram algo que a fez parar de andar. Era uma moto, uma moto preta com um capacete pendurado em um dos guindões.
– Nossa, eu não sei muito sobre motos, mas sei que essa aí é bem potente, hein? Deve ser alguém bem experiente para pilotar uma dessas.
Laryssa POV
Eu posso até realmente não me lembrar da placa da moto, já que eu nem cheguei a vê-la. Mas eu me lembro exatamente de como era o formato, a cor... Tenho certeza que essa é a moto dele!
– Eu vou andar um pouco, podem esperar por mim aqui!
Andei pelo leito do rio até onde elas poderiam me ver. Logo quando saí de seus campos de vista passei a correr, procurando por ele. Quando já estava exausta, pensando que não teria êxito e que era apenas uma conhecidência, vi ele sentado no grama do declive que dava acesso ao rio. Estava aparentemente distraído e tranquilo, mas me percebeu, e acenou para mim.
– Hugo! — Corri até lá e fiquei em pé atrás dele.
– Como vão as coisas, já faz quase dois meses, né? — Ele me lançou aquele sorriso de sempre.
– Por que você sumiu?!
– Aconteceu outro incidente como aquele enquanto eu estive fora? — Hugo perguntou, desabando na grama.
Por mais que eu tentasse argumentar, não chegava a lugar algum. Hugo era ótimo em desviar do assunto. No fim, acabei cedendo e me sentei ao seu lado, ficamos batendo papo furado durante bastante tempo.
– E que coisa é essa agora? Andando com ligas de prender cabelo amarradas na calça? Isso é estranho! — Falei de brincadeira, dando-lhe uma leve cotovelada.
– Ah, é que a minha irmãzinha sempre usava elas. Só que ela morreu e eu resolvi usar isso para homenagear, sabe?
– Hã... Desculpe... — Laryssa não sabia o que falar.
Hugo primeiro fez uma cara de quem não entendera, e depois começou a rir.
– Por que está se desculpando? Isso foi uma piada, certo? Afinal, para quê se desculpar se nem foi você que matou ela?
– Seria por trazer isso devolta, eu não queria deixar você triste...
– Por que eu estaria triste? — Hugo cortou Laryssa, que ficou surpresa. — Todos morrem algum dia, e milhares de pessoas também morrem todos os dias, ela foi só mais uma. Por que eu deveria ficar triste com a morte dela? Se fosse assim, eu deveria ficar triste com a morte de todos que morrem, não?
Os dois ficaram se encarando por um tempo, Hugo olhou o relógio e se levantou, estendendo a mão para Laryssa logo depois.
– Vamos? — Ele perguntou para ela.
– Vamos...?
– Vamos embora?
– Mas... E o colégio? Você não vai voltar? — Laryssa estava preocupada, a expressão de Hugo mudou para uma séria.
– Quando eu fugi naquela vez, não tem mais jeito de eu voltar, me entende? Digo, acho que voltaria em uma má hora... Você quer vir comigo?
– Como assim em uma má hora?
– Vem comigo. Se continuar com os Lunianos vai acabar sofrendo, mesma coisa se continuar no colégio. Não é preconceito, é que eu sei de algumas coisas que você não sabe...
– Foi TÃO legal enquanto você havia sumido! — Ayesha apareceu de repente, assustando Hugo e Laryssa, logo em seguida agarrou o braço da amiga. — Não se mistura com ele, Lary! Você sabe que tipo de gente ele é!
Laryssa e Ayesha se separaram de Hugo, que tomou o seu caminho.
"Não, eu ainda não sei que tipo de gente ele é!" — Laryssa pensou, mordendo o lábio.
...
– O quê?! — Todos os garotos falaram quase ao mesmo tempo. — Deu empate?!
– Cada um de vocês pegou exatamente 47 peixes. — A garota que fez a contagem declarou.
– Então parece que todos nós vamos ter de cozinhar... — Um dos terráqueos suspirou. — Mas vamos cozinhar melhor que vocês!
– Ah tá! Vamos ver, bichão!
Depois dos eventos esportivos e desse dia de pesca, nós Lunianos e Terráqueos nos tornamos mais próximos uns dos outros. Não os víamos mais como extraterrestres ou animais. Apesar de existirem exceções, nós éramos amigos.
Mas não sabíamos que duraria tão pouco tempo.
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