Earth and Griffen: Two interconnected worlds
15 Capítulo 14 - Invadindo Tíron
Notas iniciais
Quando Jenna disse que uma parte dos vampiros de Griffen não se rebelou eu não pensei que encontraria centenas de pessoas. Homens, mulheres e crianças enchiam o Bosque das Águas, lugar onde minha nova aliada se escondia.
Contei a ela sobre Cameron e Tíron, e ela disse que poderíamos seguir para lá hoje mesmo e que lutaríamos amanhã. Eu nunca tinha dado importância para aulas sobre guerras, mas nesses quatro meses com Lupa eu poderia me considerar líder do movimento.
Nem todos vieram conosco, mas pelo menos 500 homens e mulheres nos acompanharam na marcha até Tíron. 100 deles vieram de lá, e estavam super animados em voltar para casa.
Assim que chegamos à fronteira, percebi que havia algo errado. Os portões estavam abertos e nenhum guarda aparecia nas muralhas.
–Tem algo errado. – murmurou Jenna – Erik não deixaria Tíron desprotegido assim.
–Um grupo pequeno deve entrar – eu disse – Se for seguro o restante também vem e seguimos até o palácio na capital. Vamos lá.
Acionei minha espada e incentivei Aron a seguir adiante pela estrada. Jenna e mais oito soldados me seguiram. Não sabia se ouro imperial teria efeito contra os vampiros, mas desde a luta com Ryan não me sinto 100% para me transformar nem na forma meio-humana.
Passamos pelos portões e tudo estava vazio. Avançamos um pouco até chegarmos na entrada de uma pequena cidade. Não sabia seu nome, afinal que me importava saber o nome de cidades de reinos vizinhos?
Jenna achou melhor chamar o exército antes de seguirmos. Concordei, mas continuei cavalgando enquanto ela e os outros voltaram para a fronteira. Tinha algo errado, eu podia sentir. Assim que entrei na cidade percebi o que tinha de errado.
Havia uma multidão na praça, todos envolta de um homem. Percebi que jogavam pedras e pedaços de pau nele. Bem, pra quem estava prisioneiro de vampiros narcisistas, até que eles estavam se divertindo. Aproximei-me e um velho gorducho me viu.
–Parem, a princesa Helena chegou! – ele gritou e se ajoelho perante meu cavalo. Os outros se viraram e quando me viram repetiram o gesto do velhinho.
–O que está acontecendo aqui? – perguntei meio surpresa pela ação deles. Tudo bem que eu era princesa e tals, mas eu praticamente tinha “voltado dos mortos”, como eles podiam estar tão normais e sorridentes?
–Senhorita, ficamos sabendo do que fez a Promatéria, que ajudou na luta contra os vampiros traidores. Isso fez com que nós pegássemos seu exemplo e nos rebelarmos. Jutitlândia está livra graças à senhorita.
Quem nomeia uma cidade de Jutitlândia?
–Ah... Bem, fico feliz que tenham conseguido lutar contra as tropas deste tirano. Eu e meus aliados estamos indo para a capital ajudar o rei e a rainha. Quem é este homem? – perguntei apontando para o cara caído no chão.
–Ele foi o único vampiro que não fugiu da cidade quando nos rebelamos.
–Prendam-no. Assim que meus aliados chegarem iremos interrogá-lo.
Depois de alguns minutos Jenna e seu exército chegaram e pudemos interrogar o vampiro traidor. Se antes ele era leal a Erik, agora não é mais.
–Eu conto o que quiserem, mas, por favor, chega de ser espancado! – ele disse desesperado.
–Tudo bem, primeiro conte tudo que sabe sobre a segurança da capital. – disse Jenna
–Depois da rebelião daqui todos os vampiros de Erik saíram de suas cidades e foram reforçar a capital. Ao que pareça, ele desconfiava que mais rebeliões poderiam ocorrer, e que tentariam livrar Tíron, então reforçou fortemente o palácio.
–Qual a estimativa de soldados?
–Pelo menos 1000.
Engoli em seco. Eles eram mais que o dobro de nós, e eu tinha prometido tentar não matar ninguém. Mandei que os habitantes da cidade deixassem o cara preso na prisão, depois que a guerra acabasse as autoridades cuidariam dele.
–Estou sentindo que não será fácil invadir a capital. – comentou Jenna.
–Eu não vou desistir de tirar Erik do trono de Arthur. Se vamos morrer lutando, que assim seja.
–Ninguém vai morrer lutando. – disse uma voz vinda da entrada. Nos viramos e demos de cara com Alexander montado em um cavalo. – Viemos assim que pudemos. O exército de Promatéria está ai fora, meu pai não pode vir, está debilitado, mas eu irei lutar ao seu lado.
Nunca fiquei tão feliz ao ver meu cunhado. Depois dele explicar que já estava bom o suficiente para lutar e eu contar sobre Jenna e os vampiros aliados decidimos ir para a capital, agora com o reforço de mais 2000 soldados. Chegamos ao anoitecer e cercamos o lugar, mas ainda não sabíamos como entrar na cidade.
Alexander disse que era melhor dormirmos e que amanhã pensaríamos em uma estratégia. Bem, isso poderia ser o plano dele, mas não o meu. Cameron estava sendo torturado por minha causa, e eu não sabia se ele estaria vivo ou não.
Consegui sair do acampamento sem ser vista, e me aproximei da entrada da cidade. Estava muito bem vigiada, mas lembrei que quando fui visitar Cameron ele tinha dito que havia uma passagem secreto uns 100 metros dos portões.
Me esgueirei pela muralha e senti uma saliência. Coloquei a mão e senti um botão. Apertei-o e uma pequena fenda se abriu. Esperando não estar caminhando para a morte, entrei na fenda.
Andei o que pareceram quilômetros no escuro até que cheguei em uma porta. Tentei ouvir algo do outro lado, mas estava tudo silencioso. Decidi dar uma espiada, e percebi que tinha saído nas masmorras.
Passei pela porta e comecei a explorar o local, mas quando fui virar um corredor percebi dois guardas, então me escondi.
–Acha mesmo que irão atacar Tíron? – perguntou um deles.
–Não sei, desde que a princesa Helena voltou dos mortos e deu uma surra no general eu não duvido de mais nada. – respondeu o outro.
–Ei principezinho, acha que sua namorada irá salvá-lo? – caçoou o primeiro guarda. Espiei um pouco e vi que Cameron estava preso dentro da cela que eles faziam guarda.
–Ela tem outras pessoas mais importantes para salvar – respondeu Cameron com a voz fria.
–É bom mesmo, ou ela vai ter que passar por cima de nós.
–Bem, isso não é um problema. – eu disse saindo do esconderijo com a espada em punhos. Os guardas ficaram espantados com minha entrada repentina, mas logo voltaram a ser sérios e vieram para cima de mim.
Lutar contra dois vampiros não foi fácil, ainda mais por eu estar cansada pela luta de ontem com Ryan. O primeiro me atacou com a espada, mas consegui desviar o movimento com a minha. O problema foi que não prestei muita atenção no segundo guarda, que acabou fazendo um corte em minha barriga com sua espada.
Era uma espada de prata, e prata suga a energia dos lobisomens. Fiquei um pouco tonta, mas reuni toda a energia que me restava e transformei-me em loba. Não consegui ficar nessa forma por mais de um minuto, mas enquanto durou a transformação eu deixei os vampiros inconscientes, espero que não mortos.
–Você está bem? – perguntou Cameron com a voz fraca. Tinha ficado um pouco tonta, e o corte doía muito, mas ainda tinha que tirá-lo dali.
–Estou, vou te tirar daí.
Mal tive tempo de arrombar o cadeado da cela quando o alarme começou a tocar. Isso só podia dizer que Jenna e Alexander tinham começado o ataque. Cameron estava com cicatrizes no rosto e no abdome, mas conseguimos nos arrastar até a passagem secreta. Mas quando fui ativá-la alguns soldados de Jenna apareceram.
–Alteza – disse uma vampira – Nos mandaram aqui para tirar o príncipe e a senhorita do castelo.
–Vão atrás dos pais de Cameron e os retirem com segurança. – respondi ativando a passagem.
–Mas Alteza, não é seguro...
–Eles são os soberanos de Tíron, eles têm prioridade. Vou tirá-lo daqui, mas preciso que o rei e a rainha fiquem bem. Agora é com vocês, achem-nos e tirem-nos da cidade.
Cameron ficou me olhando confuso por eu estar conversando com uma vampira, mas eu não tinha tempo para explicar que eles eram aliados. Peguei a mão do príncipe e o arrastei pela escuridão da passagem.
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