Earth and Griffen: Two interconnected worlds
12 Capítulo 11 - Willy, a baleia camarada.
Notas iniciais
Fiquei encarando Poseidon sem saber o que dizer. Taylor nos olhava curioso, mas o deus não parecia se importar com a presença de um romano.
—Tay, vá buscar um café para mim.
—Helena?
—Por favor. – acho que ele percebeu que queríamos ficar sozinhos e saiu da sorveteria, em direção ao Starbucks ao lado. – O que você quer?
—Será que não posso ver como você está?
—Este não é o motivo de estar aqui. O senhor é um deus, não pode se relacionar muito comigo, e ainda apareceu na frente de um romano, provavelmente o assunto é muito mais sério que meu bem estar.
—Infelizmente você tem razão – ele suspirou e se sentou onde Taylor estava momentos antes – Tive noticias de Griffen.
—Como vocês têm acesso a isso?
—Há muito tempo atrás nós deuses expulsamos os lobisomens para outro mundo, e para isso criamos um portal. Nós podemos entrar lá quando quisermos, mas os habitantes de lá só podem sair se souberem a chave do portal.
—Eu saí e não sabia a chave do portal – resmunguei fria.
—É necessário o sangue de um lobo alfa ou descendente de um.
—Eu não derrubei nenhum... – parei de falar ao me lembrar de que eu estava ferida quando me arrastei para aqueles pilares – Tá certo, meu avô era um alfa, coisa muito rara. Minha mãe não era uma, então por que eu seria?
—Boa pergunta, segredos lobisomens não são muito claros para mim – ele deu um pequeno sorriso, que logo se desfez – Tenho que ir embora logo, Zeus já está furioso comigo por estar aqui. Mas achei que deveria saber que seu pai irá ser... Hã... Executado daqui três dias. Sinto muito.
Ele saiu da sorveteria e me deixou sozinha encarando o nada. Meu pai ia ser executado. Ele ia ser executado. E era minha culpa, eu tinha destruído toda a minha família por causa de uma estúpida vingança!
Quando Taylor chegou com o café algumas lágrimas escorriam pelo meu rosto. Peguei o copo e deu um grande gole em seu conteúdo.
—O que está acontecendo Helena? Quem era aquele cara? O que ele queria?
—O meu pai Taylor... Ele disse que vão matar meu pai...
—César ou...
—Eu só tenho um pai. – ergui a cabeça e o encarei – E não vou deixar que ele morra, como fiz com minha mãe.
Me levantei e paguei meu sorvete, em seguida segui para fora. Taylor demorou alguns segundos para me seguir.
—O que está planejando Helena? Olha, sinto muito pelo seu pai, mas não há nada que você possa fazer.
—Na verdade tem, eu vou voltar e tirar aquele vampiro repugnante do trono de minha mãe.
—Vingança de novo?
—Não, eu só não quero que meu pai sofra por meus erros. Vou falar com minha avó, afinal ela já foi para Griffen. É melhor você voltar para o Acampamento Júpiter, e tente não se meter em confusão.
—Tudo bem, só me prometa que vai ficar bem e que irá voltar.
—Eu prometo.
Um tempo depois
—Você não vai voltar para Griffen. – disse Lupa friamente
—Mas Lupa, eu preciso voltar ou vão matar meu pai!
—Sinto muito, mas você é valiosa de mais para lutar.
—Mas Lupa...
—Eu já disse que não! – ela rosnou e perdi a paciência. Me transformei em loba, ficando cara a cara com minha avó.
—Eu não tenho culpa de você ter abandonado a sua família por causa dos deuses! Não vou ficar aqui por que você se sente sozinha e quer alguém da família por perto. Eu não sou daqui, e nunca serei. Eu errei com minha mãe, me dê à oportunidade de tentar salvar meu pai, meu irmão e todo o reino!
Ficamos nos encarando em silêncio, loba branca com loba negra, até que ela abaixou a cabeça e se transformou em uma mulher de uns 50 anos. Ela era muito parecida com minha mãe. Voltei a ser humana e continuei encarando Lupa, agora na forma de minha avó.
—Sim eu errei. Eu devia ter lutado por Paul, por minha família. Você é minha neta Helena, e não quero te perder, eu não tenho mais ninguém. Mas se quer lutar pelo que é seu de direito, não vou impedir.
—Como faço para voltar para Griffen?
—Os deuses podem passar pelo portal quando quiserem, mas nós precisamos de uma chave, um talismã. Eu poderia lhe dar o meu, mas o destruí tempos atrás. Você deve ir até a ilha de Circe, ela é uma feiticeira e poderá te ajudar, mas terá um preço.
—O que Circe pedirá por me ajudar?
—Ela pedirá um pouco de seu sangue.
Ok, Circe não deve bater bem da cabeça, mas se um pouco de sangue era seu preço, por mim tudo bem.
—Tudo bem, me explique como chegar na ilha.
—Antes me prometa que irá voltar pelo menos para que eu saiba que está viva. – ela disse olhando em meus olhos
—Não se preocupe vovó, eu voltarei.
Dois dias depois
Cheguei na costa da Flórida depois de dois dias atravessando o país em forma de loba. Eu tinha que achar essa ilha logo, ou meu pai morreria. Mas as instruções de Lupa não foram muito claras.
“O mar é seu amigo, ele te obedecerá”.
Como isso me ajudava a encontrar Circe? Isso eu não sei.
Me aproximei de uma praia e fui até o mar. Como haviam alguns turistas, voltei a forma humana antes de sair das sombras. Olhei para o oceano e pensei:
“Hã... Poseidon dá pra você me dar uma ajudinha aqui?”
Nada aconteceu, então me senti uma idiota por estar falando sozinha, até que a água se mexeu mais ao longe da praia e uma baleia apareceu.
Sim, uma baleia.
“Sério, eu preciso chegar em uma ilha de uma bruxa e você me manda uma baleia?”
A baleia pareceu se enfurecer com meu pensamento e jorrou água pelo seu buraco nas costas.
“Mim não ser inútil. Mim ajudar menina da praia.”
Ótimo, agora eu consigo escutar pensamentos de baleias? Bem, vi que ninguém estava olhando e nadei até o animal, que pediu para que eu segurasse em sua nadadeira.
—Para onde vamos?
“Willy levar menina da praia para Spa de C.C. Mim ser útil.”
A baleia, ou melhor, Willy mergulhou e começou a nadar velozmente, mas não me afoguei. Por incrível que pareça eu conseguia respirar embaixo d’água.
Willy nadou em meio a peixes, tubarões e lulas gigantes até que parou há alguns metros de uma ilha, onde havia um Spa. Eu não sabia se Circe seria amigável, mas só tinha comigo a espada de Poseidon e eu mesma para me defender.
—Me deseje sorte Willy. – eu disse nadando até a margem.
“Mim desejar boa sorte. Mim ser útil.”
A baleia voltou para o fundo do oceano, então pude me concentrar em chegar na praia. Quando alcancei meu objetivo, parei um pouco para descansar e segui em direção a construção que havia na ilha.
Ao me aproximar uma mulher veio ate mim. Ela vestia roupas sociais e parecia muito com a deusa romana Belona.
—Olá, eu sou Hylla, o que deseja?
—Preciso falar com Circe.
Fale com o autor