Earth and Griffen: Two interconnected worlds
1 Capítulo 1 - O início dos problemas
Notas iniciais
Hoje acordei com mais sono que o habitual, afinal ontem à noite eu e minha prima Melody ficamos conversando até tarde. Mandei que minhas criadas caprichassem na maquiagem para encobrir minhas olheiras, pois se minha mãe percebesse iria ficar horas me dando sermão de como a realeza deveria se comportar.
A propósito sou Helena Black, princesa de Griffen.
Quase quarenta anos atrás Griffen era controlada por Vladmir Black, rei dos vampiros. Sinceramente, eles são uma raça bem repugnante. Mas continuando, ele tinha um tratado de não agressão com seu irmão de criação, Paul Black, que era o Alfa dos lobisomens em Griffen.
Só que Vladmir, temendo perder seu poder para o irmão, mandou que os lobisomens fossem caçados. Mas meu avô não ia deixar seu povo ser dizimado, então contra atacou, e depois de dois anos de guerra conseguiu matar Vladmir, assumindo o trono de Griffen.
Como Vladmir tinha deixado sua esposa Jenna e o filho Erik, meu avô os expulsou junto com todos os vampiros, para as montanhas do Norte para que pudesse ser coroado rei. Sei que parece cruel fazer isso com a cunhada e o sobrinho, mas eram vampiros, e vampiros são inferiores a nós lobisomens.
Após subir ao trono, meu avô se casou com uma estrangeira chamada Luna. Dizem que ela foi uma boa rainha, mas após o nascimento de minha tia Morgana ela foi embora e nunca mais voltou. Enquanto ficou com meu avô, eles tiveram três filhos: tio John, minha mãe e minha tia.
Tecnicamente meu tio deveria ser o herdeiro, mas ele foi adotado, então a primogenitura dele passou para minha mãe. Ela foi a primeira rainha mulher da história, mas essa sorte não aconteceu comigo.
Minha mãe se tornou rainha com dezoito anos, e após um ano de reinado se casou com meu pai, um nobre muito importante em Griffen. Papai foi coroado Príncipe Consorte, e nesse mesmo ano eu nasci.
Recebi o título de Herdeira Presuntiva, pois os homens vêm primeiro na linha de sucessão. Até ai tudo bem, eu seria rainha, mas quando eu tinha um ano de idade meu irmão nasceu. Assim, minha coroa passou para Arthur.
Foi até bom isso ter acontecido. Enquanto ele tem participar de reuniões de cortes orçamentários e planejar estratégias de guerras com meu pai, eu só tenho de me preocupar em curtir minha vida discretamente.
Mas cada dia que passa percebo que minha mãe vem ficando mais rígida comigo. Ela diz que eu também tenho responsabilidades, e vem tentando arranjar algo para eu fazer. Quem sabe eu me torne embaixadora no futuro ou outra coisa, não importa. O que importa é que o clima hoje no café da manhã estava pesado.
Assim que entrei na sala percebi que minha mãe não estava bem. Ela mal tocava em sua xícara de chá enquanto lia um documento. Meu pai não estava presente, o que também era estranho.
Me sentei no meu lugar, ao lado de mamãe e Melody. Por falar nela, minha prima também estava bem quieta, tio John também. Acho que os únicos realmente normais eram Arthur, tia Morgana e Ágata, filha de minha tia.
Aflita com o atual silêncio de minha prima, decidi me pronunciar:
–Mel está tudo bem? – ela me olhou triste, e antes que pudesse me responder meu pai adentrou na sala. Minha mãe automaticamente ergueu os olhos até ele, e pareceu fazer uma pergunta silenciosa. Ele balançou a cabeça e se sentou em silêncio.
–Falamos na aula de arco e flecha. – ela sussurrou e voltou a observar sua comida.
Não queria parecer insensível, mas comi meu pão e tomei minha adorada xícara de café normalmente. Sério, não sabia o que estava rolando, mas não ia passar fome não.
Após terminarmos o café meus pais e meus tios foram para a sala de reuniões, Ágata e Arthur teriam aula de história e eu e Melody seguimos para a arena para termos nossa aula com os arcos.
Ficamos ouvindo nossa tutora nos ensinar por duas horas e praticamos por mais duas. Mel não falou nada, e quando a aula acabou decidi perguntar:
–Melody o que você tem?
–Minha vida acabou de ser arruinada! – ela disse segurando o choro enquanto voltávamos para dentro do palácio. – Meu pai decidiu me casar.
–Como tio John pode fazer isso com você? Melody você tem só quinze anos!
–Lena você sabe que com quinze anos já somos consideradas adultas. Sinceramente eu não ligava muito em me casar, mas meu pai escolheu o pior noivo que existe.
–Quem ele escolheu?
–Alexander, filho do rei de Promatéria. – engoli em seco. Em Promatéria os homens da realeza podiam se casar com várias mulheres, e Alexander já era casado desde ano passado.
–Deve ter um jeito de arrumar isso...
–Infelizmente não existe. O pai de Alexander ofereceu fazer uma aliança com Griffen caso uma princesa da realeza se casasse com o filho dele. Ágata é nova demais, você também e é filha da rainha, só sobrou eu.
–Sinto muito Mel, queria poder fazer algo, mas não posso. – ela sorriu e me abraçou .
–Tudo bem priminha, não ligue para meus problemas, provavelmente você deve ter muito mais. Por falar nisso, o que sua mãe e tio César têm? Estavam bem quietos.
–Não sei, meu pais estão estranhos. Bem, vou ver se consigo descobrir algo.
Fui para o quarto de meus pais. A reunião já devia ter terminado e eles deviam estar descansando, então eu poderia saber o que estava acontecendo. Porém, quando estava virando um corredor, ouvi as vozes deles do outro lado, e decidi me esconder para escutar.
–César tem certeza que eles estão se rebelando? – minha mãe perguntou com uma voz abalada, algo que nunca tinha visto.
–Tenho querida, falei com o general. Cada vez mais vampiros atacam nossa fronteira com as Terras do Norte, e nossas tropas estão acabando. Não sei como, mas parece que eles sabem em que locais da fronteira há menos guardas, e matam todos. Eles não entram, mas ainda não entendi isso também.
–Querem nos enfraquecer, e ainda tem o rei de Tíron com aquela proposta...
–Eu já disse que não! Minha filha não será o preço por uma aliança com aquele canalha! – meu pai se exaltou. Como assim eu era o preço de uma aliança? O rei de Tíron nunca quis ser nosso aliado...
–César não me faça me sentir pior do que já estou. Está tudo acontecendo ao mesmo tempo: meu irmão sacrificou a filha por nosso reino, minha irmã continua discutindo comigo sobre a política, os vampiros estão tentando me derrubar e agora Mark quer...
–Calma Clara – pude perceber que meu pai abraçou minha mãe – Vamos resolver isso juntos. Mas por enquanto acho melhor não falarmos nada para nossos filhos. Arthur tem que se preocupar com o treinamento, e Helena deve estar confortando a prima nesse momento, não vamos perturbá-los.
–Concordo querido, agora vamos tentar pensar em um jeito de convencer Mark a mudar sua proposta.
Entrei rapidamente em uma das salas do corredor. Se meus pais sentissem meu cheiro iriam me matar por ouvir a conversa deles. Fiquei refletindo: como assim os vampiros estavam mais fortes que nós? E que papo era aquele de aliança?
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