Notas iniciais
E ai gente, quem acompanha o blog viu que eu reescrevi o capítulo, por isso a demora. Espero que gostem:)

Eu e Cameron ficamos o que pareceram horas escondidos no acampamento enquanto Jenna e Alexander lutavam com os rebeldes. O príncipe estava bem debilitado, mas eu não pude procurar alguns remédios para ele, o corte em minha barriga doía muito.

–Eu devia estar lá – murmurou Cameron enquanto eu me sentava ao lado da maca onde eu o havia deitado – Devia estar lutando para achar meus pais, não ficar aqui deitado.

–Na sua atual condição acredito que acabaria morrendo antes mesmo de chegar ao castelo.

Observei o corte e fiquei um pouco mais tranquila ao ver que ele não era muito fundo. Cameron me olhou com um semblante misto de curiosidade e irritação.

–Já que vou ter que ficar aqui, me explique como você atravessou o portal?

–Eu ainda não entendi muito bem, mas aparentemente sou uma alfa como meu avô e só nós podemos ir para a Terra, lá consegui um portal para voltar para cá. – mostrei minha pulseira.

–Isso tudo é muito estranho, mas fico feliz que tenha conseguido voltar. Depois de quatro meses já tinha perdido as esperanças que você estivesse viva.

–Por um bom tempo achei que não voltaria mais, eu também não queria.

–Por que não? Erik está sentado no seu trono, e você já se mostrou uma pessoa bastante vingativa.

–E isso me trouce o quê? – suspirei irritada por ter que falar de meus sentimentos – Só sofrimento e destruição. Se eu tivesse escutado minha mãe, ela ainda estaria viva e nada teria acontecido. Eu só voltei porque estavam torturando você e porque iriam executar meu pai e meu irmão, não estou aqui por trono nenhum, sem contar que meu irmão é o herdeiro.

Ficamos um longo período em silêncio até Alexander aparecer do nada na porta da tenda. Como ouvi seus passos já tinha a espada nas mãos e quase decapitei meu cunhado por acidente. Após pedir desculpas ele disse que haviam conquistado a capital e que os vampiros inimigos tinham sido presos na prisão. Alguns médicos vieram buscar Cameron para leva-lo a enfermaria onde seus pais estavam, queriam me levar também, mas apenas pedi algo para o corte e um dos médicos me entregou uma pomada cicatrizante. Em minutos o corte se fechou.

Jenna disse que os soldados precisavam descansar por pelo menos um dia, então ela e Alexander criariam uma estratégia para atacarmos Griffen pela manhã. Não gostei muito de ficarmos parados por tanto tempo, mas não podia fazer nada. Acabei dormindo em uma das macas na tenda, e infelizmente sonhei com Erik outra vez.

Erik estava andando de um lado para o outro na sala do trono. Parecia nervoso e não controlava muito sua transformação, seus chifres eram um pouco visíveis em sua cabeça. Ele deu um grito de fúria e Ryan entrou na sala mancando.

–Senhor, por favor, tenha calma.

–NÃO ME PEÇA PARA ME ACALMAR! AQUELA MESTIÇA ESTÁ DESTRUINDO MEU IMPÉRIO! – Erik pegou um dos escudos de meu pai e o arremessou ao chão. Ryan se encolheu e engoliu em seco.

–Majestade, talvez se nós...

–CALE-SE RYAN! VOCÊ TEVE A OPORTUNIDADE DE CAPTURAR AQUELA CRIANÇA E ACABOU LEVANDO UMA SURRA!

–Perdão senhor – murmurou o general – Foi apenas uma distração, se vossa majestade permitir eu e mais alguns guardas podemos arrastar a menina até aqui.

–A CLARO, AGORA QUE ELA E A TRAIDORA DA MINHA MÃE CONQUISTARAM TÍRON JUNTO COM AQUELE PRINCIPEZINHO DE PROMATÉRIA? ESTÁ QUERENDO ME HUMILHAR AINDA MAIS?

Ryan se encolheu ainda mais. Erik bufou e atirou mais um escudo ao chão. Nesse momento as portas da entrada se abriram, mas na visão do sonho que não podia ver que tinha chegado.

–Saia daqui – disse Erik para Ryan – E não volte até ter aprendido a lutar feito homem!

Ryan pareceu ter se ofendido, mas apenas se inclinou e saiu mancando da sala. Erik suspirou e se sentou no trono de minha mãe.

–O que você quer? – ele perguntou rude, mas um pouco mais calmo.

–Não deveria ficar nervoso assim, reis não podem demonstrar fraqueza. – disse a voz da pessoa desconhecida, e estranhamente ela era familiar, pena que estava um tanto retorcida.

–Eu não sou fraco!

–Eu não disse isso querido. – a pessoa se aproximou de Erik, mas o meu eu do sonho se virou de forma que não pudesse ver o rosto da pessoa, ou melhor, mulher. – Eu tenho uma ideia que pode resolver tudo.

Ele se curvou e a mulher sussurrou em seu ouvido por longos minutos. Quando terminou ele sorriu malignamente e lhe fez um carinho na face.

–Não podia ter uma companheira melhor, agora vá e fique com nossa filha.

–Sim meu rei. – ela se retirou e a imagem do sonho mudou novamente, de forma que eu estava cara a cara com Erik.

–Sei que está me vendo garotinha. – ele disse sorrindo e mirando o olhar por toda a sala. – Quer conquistar Griffen? Tudo bem, mas para fazer isso terá de matar o rei. Como sabe, as leis dizem que alguém só pode se tornar mesmo um rei quando mata o antigo monarca e seus herdeiros. Você não tem mais a coroa, afinal é prometida do filho de Mark. Amanhã de manhã eu serei coroado rei perante a lei, e exibirei a cabeça de seu irmão perante todo o povo!

Ele deu uma gargalhada terrível, e acordei me debatendo na cama. Já era noite, o que significa que eu tinha muito pouco tempo para acabar com esse desgraçado. Saí discretamente da tenda e coloquei o capuz de minha blusa na cabeça, de modo que ninguém me reconheceu enquanto passava pelo acampamento em direção aos cavalos.

Selei Aron e estava pronta para ir em direção a Griffen quando Cameron apareceu. Ele parecia melhor, seus cortes estavam quase cicatrizando, mas tinha algo errado.

–O que está fazendo aqui? Deveria estar descansando.

–Eu não posso descansar. – ele disse com um tom triste. É, tinha algo errado.

–Cameron o que aconteceu?

–O meu pai Helena, ele morreu.

Cameron me olhou e vi que seus olhos estavam marejados. Eu não sabia o que dizer para consolá-lo, afinal quando minha mãe morreu eu não tinha ninguém a não ser minha avó, que não era mestra em consolar pessoas.

–Sinto muito Cameron, muito mesmo. – me aproximei hesitante e lhe dei um abraço. Foi muito estranho, mas vi que ele precisava de algum apoio. Senti uma lágrima do príncipe escorrer pelo meu pescoço, e o sentimento de pena cresceu em meu coração.

–Por que está selando seu cavalo? – ele perguntou com a voz abafada por estar com o rosto em meu pescoço.

–Erik vai matar meu irmão ao amanhecer, tenho que impedi-lo. – respondi me soltando e indo até Aron.

–Você vai sozinha?

–Vou, ele não pode saber que estamos atacando ou é capaz de antecipar a execução.

–Você vai morrer!

–Contanto que eu tire Erik do poder...

–Não fale assim! Eu... Tem muita gente que se importa com você, não pode se arriscar assim!

–Eu não quero discutir com você Cameron, se quer me ajudar volte para o castelo e fique em segurança.

Tentei lhe dar um sorriso confiante antes de Aron começar a correr em direção a Griffen. Eu tinha um plano para entrar no castelo, mas o que faria lá dentro ainda não tinha ideia.

Depois de uma hora galopando pude avistar as muralhas do reino. Desmontei e deixei Aron amarrado em uma árvore, em seguida fui avançando discretamente até estar a 100 metros dos muros.

Vários guardas patrulhavam-no, então tive que ter cuidado ao abrir a porta de um túnel subterrâneo. Tio John tinha me falado que existiam vários deles e que serviam para fugas emergenciais.

Segui por um longo tempo em linha reta, até que cheguei no final do túnel. Abri com cuidado a porta, mas senti alguém puxando meu braço e atirando-me na parede.

–Aqui! – gritou o guarda antes de chutar meu rosto. Não tive tempo para reagir, pois logo chegaram mais uma dúzia deles e me prenderam com algemas de prata. – Levem-na até a rainha!

Rainha? Bem, eles me arrastaram pelos corredores da minha casa em direção ao andar dos quartos. Estava fraca demais para me transformar, sem contar que a algema de prata queimava meus pulsos. Encontrei muitas criadas conhecidas, entre elas Flora, que me olhou horrorizada.

Eles pararam na frente de uma porta, que se não me engano era o quarto de minha tia. Como eles ousam roubar o quarto dela? Um dos guardas bateu na porta e a voz da mulher do sonho pediu que eu entrasse.

A voz estava muito mais nítida agora, mas não podia ser quem eu estava pensando. O guarda que tinha batido na porta abriu-a e me empurrou para dentro, em seguida fechou-a.

–Sinto muito pelas algemas – disse a dona da voz se aproximando, e acabei tropeçando com a surpresa de saber quem era. – Mas você já fez muitos estragos desde que voltou.

–Tia Morgana...?!

Notas finais
Gente desculpem se tiver algum erro, comentem por favor e acompanhem a fic :) Bjs da CorujaMor