EXILED: Quando O Humano Se Torna Demônio

3 Capítulo 3: O garoto de olhos escarlates.


Notas iniciais
Olá, pessoas! o/

Obrigada pelas reviews e favoritadas(?) que vocês deixaram na fic! E muito obrigada Rachel, pela recomendação! Fiquei até emocionada ♥ -qqq

Bem, aqui está o capítulo! Talvez ele tire as dúvidas de vocês e te deixem mais curiosos, não sei! Anyway, boa leitura!

~Vanessa

Fiquei parada por um tempo observando o garoto, tentando assimilar tudo, tentando entender como ele entrara no meu quarto. Os olhos escarlates dele me estudavam euforicamente, me fazendo tremer. Ele emanava algo de seu corpo, parecia algo sobrenatural.

– Q-Quem é você, o que faz aqui? – Perguntei depois de algum tempo em silêncio.

– A primeira pergunta é sempre igual. Todos são iguais. – Ele balançou a cabeça.

– Me responda! – Afastei-me, peguei o canivete sujo de sangue e apontei para ele. – O que faz aqui?!

Ele arqueou a sobrancelha, numa expressão de deboche, como se eu não tivesse coragem de ferí-lo, ou como se eu não pudesse feri-lo. Ele estava me testando.

– Se acalme... – começou ele sorrindo, levantando as mãos como se fosse ser preso – Vamos conversar... Minha linda assassina...

– O que? – Engoli a seco. – Do que está falando?

– Ora! Não finja que não matou aqueles dois!

O garoto então se aproximou de mim e quando tentei afastá-lo, meu corpo não se moveu. Ele colocou o rosto perto do meu pescoço e o lambeu. Senti algo estranho percorrer por todo o meu corpo. Uma sensação que nunca tivera em toda a vida.

– Que tal isso?- Ele então aproximou o seu rosto do meu. Ficamos com os lábios muito próximos um do outro.

Por um momento, vi a figura de Françõis se aproximando de mim. Uma sensação de repulsa e raiva me atingiu, fazendo com que meu corpo reagisse.

– Pare, Françõis! – gritei sem pensar, fincando o canivete em seu peito. Ele se afastou com o canivete no peito e ao contrário do que eu imaginava, me olhou com um sorriso de deboche, como se estivesse bem. E ele parecia bem, de verdade. — Como você... Isso não é possível! — balbuciei observando o canivete fincado até o cabo no peito do garoto. Não era para ele estar de pé.

O garoto riu, como se fosse perfeitamente normal estar ileso depois de uma facada daquelas. Ele levou a mão ao canivete e o retirou, tranquilamente. Eu estava chocada, nenhuma gota de sangue saiu.

– Acho que você não entende ainda, não é? — perguntou, enquanto admirava a lâmina nas mãos — Eu sou aquele que faz o impossível se tornar possível!

– O que você é?! – Perguntei, não sentindo minha voz muito firme.

Ele se aproximou — me fazendo recuar um pouco automaticamente — e olhou em meus olhos.

– Sou aquele que muitos temem, mas pouco se sabe. Aquele que vem para trazer o Caos e o desespero para esses pecadores. — eu fiquei quieta, sentindo o coração palpitar a cada palavra que ele dizia. Ele fechou os olhos e continuou: — Já me chamaram de muitos nomes, mas no geral sou o mesmo, onde quer que esteja. Sou o mal.

– Como assim?! — soltei um riso fraco e nervoso — Você não está querendo me dizer que é ...

– Isso mesmo. – Ele abriu os olhos, que estavam em um tom vermelho intenso. — Sou o demônio!

Um arrepio passou pela minha espinha quando me dei conta do que havia sido dito. — Não estou brincando. — ele disse entre risos.

– Você é só um louco! — ele alargou o sorriso, vendo minha expressão de pânico.

– Você tem certeza disso? – Perguntou.

– Mas é claro... Não! Você não é um louco! Não há como subir pela janela do 1º andar! – deduzi.

– Mas que idiota. – Ele riu.

– Você é só uma ilusão da minha mente! – fechei os olhos com força. – Vamos, vamos! Desapareça! — fiquei com os olhos fechados por alguns segundos. Quando os abri, percebi que não havia mais ninguém — Sumiu... – suspirei aliviada. Eu estava ficando louca, realmente.

Rumei até a porta do quarto, afinal, eu precisava me acalmar para afastar aquelas alucinações, mas quando girei a maçaneta, lembrei-me de que eu estava presa. Bufei em frustração. Onde Françõis jogara a chave? Ouvi um riso abafado, mas não havia ninguém ali, aparentemente.

– Procurando por isso? — olhei para cima automaticamente, seguindo o som da voz. Minha "alucinação" estava deitada no teto ignorando as leis da gravidade, enquanto segurava a chave da porta — Eu te dou a chave, mas primeiro... vamos conversar, sim? — o encarei emburrada — Vamos, você não tem nada a perder, pelo contrário, só tem a ganhar.

Percebi que o garoto, ou seja lá o que ele era, tinha razão. Eu já estava ferrada, não tinha como ficar pior.

– O que você quer? — eu disse, me rendendo. Sentei na cama.

O garoto sorriu e se soltou do teto, caindo de forma sutil, praticamente flutuando.

– É algo simples. – Sentou-se ao meu lado na cama.

– Então me diga logo, e suma! – Falei irritada. Aquele garoto estava me irritando muito já. Eu precisava me livrar dele e fazer algo logo. Caso contrário, uma hora ou outra iriam perceber que Françõis e meu pai foram mortos.

Ele veio ao pé do meu ouvido, e baixinho, como se me contasse um segredo, falou:

– Eu quero que você purifique este maldito lugar... Este planeta imundo!

Olhei para o garoto. Ele parecia estar falando sério.

– Do que está falando?! – Perguntei intrigada.

– Sabe... há muito tempo habito esta terra... Pelo que me lembre há quase 1000 anos...

– Isso é impossível! – Retruquei. – Nenhuma pessoa pode viver 1000 anos. – Eu dei uma risada tremula de pavor.

– Como já disse... – ele segurou meu rosto, e virou para contra o dele. – Eu não sou um reles humano.

Fiquei quieta. Eu estava completamente congelada, a única coisa que conseguia sentir era a mão dele em meu rosto. Era macia, porém um toque diferente de qualquer outra pessoa que já havia me tocado. Foi uma sensação parecida como quando ele havia lambido meu pescoço.

– Sabe... – continuou a falar. – Eu procuro pessoas que sejam dignas de se tornaram meus discípulos...

– Discípulos? – Perguntei. Agora eu já conseguia falar.

– Sim! Ao longo dos séculos, fiz parte da história de vários povos, apesar de quase toda a humanidade não se dar conta. “Ajudei” muitas pessoas a ganharem fama e poder! Estes são os que eu chamo de meus discípulos.

– Então quando me chamou de Hitler foi por que...?

–Isso! – Respondeu. — Hitler foi um ótimo discípulo, porém falhou miseravelmente ao final. Ele realmente podia ter dado certo, porém, quando estava quase alcançando seu objetivo, ele falou que não necessitava mais de mim. Por isso eu tive que... – o garoto pareceu triste por um momento, mas sua expressão se tornou alegre novamente, quando seus olhos pousaram sobre mim — Mas agora eu tenho você, Satoko!

– M-Mas eu não sou assim! — protestei, indignada — Mesmo eu tendo matado essas pessoas... eu... eu sou uma boa pessoa!

Não disse aquilo com muita convicção e o garoto pareceu perceber isso.

– Você pode falar isso, mas seu coração está cheio de ódio e rancor! Seu pai... Françõis... e ainda tem aquela sua "amiga". Todos ao seu redor te machucaram.

Aquelas palavras penetraram em meu coração, aquilo era realmente verdade. O garoto sorriu satisfeito quando percebeu que eu refletia sobre o que ele havia dito.

– Você não acha que a humanidade é cruel? Você não acha que seria muito melhor acabar com tudo isso? Admita... aquele estuprador e o assassino não lhe farão falta.

– Sim... – murmurei. Se Françõis e meu pai não estivessem mortos, eu estaria sofrendo muito mais Essas pessoas que só enganam, matam, roubam e são injustas... não merecem viver.

– Isso! – Alegrou-se. — É esse o pensamento!

Nós dois trocamos olhares.

– Vamos fazer um pacto?

– Pacto? – Perguntei.

– Sim. A partir de agora eu vou te acompanhar e te ajudar. E ambos vamos acabar com o sofrimento do mundo.

Eu assenti, e então ele me estendeu a mão. Um aperto de mão era o suficiente para firmar um... pacto?

– Simples demais? Preferia que cortássemos as mãos? — ele debochou como se lesse meus pensamentos. Eu o olhei irritada e apertei sua mão.

Meu coração bateu forte com o toque. Um cumprimento tão simples e casual trouxe-me uma sensação tão... gélida. Tudo o que partia daquele garoto me trazia aquela sensação estranha. Por um instante, pensei "onde estou me metendo?", mas não tive tempo para duvidar de minha escolha.

Eu soltei sua mão e no mesmo instante me dei conta de que tudo ao meu redor estava estranho, confuso. Minha visão estava turva, minhas pálpebras pesavam.

– O que está acontecendo...? – Perguntei, desconfiada.

O garoto sorriu, levando a mão á minha testa.

– Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo. E é só o começo.

Quando me dei conta, tudo escureceu.