Notas iniciais
Segundo capitulo da fic, é onde a história realmente começa. As coisas são bem "tensas" neste capitulo.
Até o próximo o/
~Jonas

Acordei com os raios de sol atravessando a janela de meu quarto e me remexi nos cobertores preguiçosamente. A casa estava silenciosa e então descobri que meu pai não estava ali, provavelmente saiu mais cedo preocupado com empresa. Rezei que ele voltasse para casa com boas notícias.


Me arrumei rapidamente, tomei um rápido café da manhã e sai para pegar o ônibus que ia em direção à escola. O céu estava nublado, o que não passava uma impressão positiva para aquele dia.


Cheguei na escola 15 minutos mais cedo do que o normal e não perdi tempo e corri para minha sala, sabia que Pietra iria estar lá, ela chega bem cedo.


Ao chegar na porta da sala, vi Pietra ajoelhada ao lado da minha cadeira e percebi que não estava sozinha, havia outras duas meninas junto dela. Pietra se concentrava no que fazia e as outras garotas a observavam. Será que elas fizeram alguma coisa com meu lugar mais uma vez e Pietra ajeitava tudo antes que eu pagasse outro mico? Recebi minhas respostas instantes depois.


– Cola?! Você sempre inova, né Pietra? — disse a gorducha da direita, rindo. Meu coração bateu mais forte.


– Danificar um "patrimônio escolar" todos os dias poderia me dar problemas se me pegassem... Por isso vamos usar algo mais prático, porém eficaz. — a mão de Pietra foi para o alto, tateando a carteira até achar um tubo de cola. Espremeu com vontade e esparramou com a outra mão a gosma branca sobre minha cadeira — Quero ver a cara daquela garota quando sentar aqui. Vai ser muito engraçado.


– Nossa, isso é muito cruel. Você ainda tem coragem de chegar na menina e dizer que é amiga dela.


– Amiga? — indagou Pietra.- Você acha que ia ser amiga daquela tonta? Nunca fui amiga daquilo. A única coisa que aquela garota tem de bom é o dinheiro e as caras de sofrimento que faz quando apronto com ela. Está pronto, só preciso lavar minhas mãos agora. Essa cola é nojenta.


Raiva, angústia, tristeza, choque... nada. Eu não tinha qualquer expressão em meu rosto, eram muitos pensamentos vagando pelo meu cérebro, para que ele administrasse qualquer sentimento. Entrei na sala e o assoalho de madeira velha rangeu sob meus pés, chamando a atenção das garotas, que se viraram na minha direção.


– Satoko?! — disse Pietra, escondendo o tubo de cola atrás de si abruptamente — A quanto tempo está aí?


Em um instante ela estava do jeito que a conhecia. Quanta falsidade... Era demais pra mim.


– Sua mentirosa! Pensei que gostasse de mim de verdade! — gritei, a voz embargada.


Pietra mostrou uma expressão assustada a principio, mas logo um sorriso surgiu em seus lábios e então ela riu. Cruel.


– Não vou mais mentir, tá bom. — disse ela, ainda entre risos, pousando a cola sobre a mesa — Eu te odeio mesmo, só queria me divertir um pouco! Você acha mesmo que eu iria ser sua amiga? Me polpe.


Pietra e suas amigas me fitaram maldosamente, esperando uma reação minha, que nunca veio; eu estava sem fala. Teríamos ficado em um eterno silêncio se o sinal não tivesse tocado.


Instantes depois, os outros alunos começaram a entrar na sala e, por conta disso, Pietra foi para fora lavar as mãos, enquanto as garotas foram para os seus lugares e eu fui atrás de outra cadeira, a minha estava lambuzada de cola pela minha "pseudo-melhor amiga".


Nas aulas não havia ninguém para conversar; no intervalo, ninguém para comer comigo; no trabalho de artes, fui a única a "escolher" a fazer sozinha. As humilhações e xingamentos foram os mesmos, mas dessa vez eu não tinha Pietra para me defender, ou melhor, fingir que me defendia.


Na saída da escola, não me despedi de ninguém, fui direto para o ponto de ônibus, pois não era um dia que Françõis me buscava. Quando entrei no ônibus lotado, as lágrimas que tanto segurei rolaram pelo meu rosto, silenciosamente. Minha única amiga não era de verdade, a única força que me mantinha em pé naquela escola nunca existiu, foi sempre uma ilusão. Não dava para acreditar.


–x-x-x-x-


Quando cheguei em casa e abri a porta, vi meu pai novamente à mesa com um monte de papéis. Do mesmo jeitinho da noite anterior. Estremeci.


– Boa tarde. — arrisquei-me a falar. Meu pai apenas levantou o rosto.


– Acabou... — murmurou ele com um olhar sombrio.


– Quê?


– A droga da empresa faliu! — gritou ele, com uma voz estranha, arrastada. Olhei para a mesa e vi várias garrafas de Whisky vazias.


– Você bebeu? Você não pode beber...


– Cale a boca! — gritou ele, me empurrando contra o chão — Você não é nada para me dar ordens!


Meu pai me olhou com desprezo e voltou a atenção para uma garrafa de Whisky entre tantas, a única ainda cheia. Me levantei com dificuldade — o corpo dolorido por causa do impacto — e tomei a garrafa de suas mãos, antes que ela fosse aberta.


– Chega, pai! O senhor já bebeu demais! — juntei a garrafa contra o meu corpo e rumei até as escadas, começando a subi-las, ignorando a fúria nos olhos de meu pai.


Planejava esconder a bebida em meu quarto e me trancar lá dentro até o dia seguinte, quando ele talvez se desse conta do que estava fazendo hoje e me pedisse desculpas. Porém, no meio da escada, eu ouvi o barulho de vidro se quebrando.


Virei-me, imaginando que ele havia se acidentado de alguma forma.


– Satoko...! — rosnou ele, segurando o resto da garrafa pelo bico, apontando a parte cortante na minha direção — Você merece um castigo, Satoko!


A principio não acreditei que ele fosse mesmo tentar me machucar, mas ele começava a se aproximar de mim ameaçadoramente, me fazendo recuar cada vez mais, subindo as escadas.


– Pai... — comecei, mas ele tentou me acertar com a garrafa. Consegui reagir a tempo, fazendo com que ele arranhasse apenas a minha bochecha.


Ele fitou o corte feito e sorriu, se preparando para um novo golpe. Só então me dei conta de que ele estava sério e me desesperei


– Se afaste! — cerrei os olhos, esperando ser atingida sem piedade, mas ele riu.


– É a segunda vez que ouço isso. — murmurou em seu tom bêbado — A primeira vez foi quando estava prestes a matar a vaca da sua mãe.


Aterrorizei-me com o que meu pai disse. Sempre me disseram que minha mãe havia morrido quando eu era bebê, num acidente de carro. Mas na verdade o assassino da minha mãe sempre esteve junto de mim.


– Seu... monstro! — Berrei empurrando ele com a garrafa contra sua barriga, na tentativa de afastá-lo de mim.


Com o impacto, ele foi para trás — esquecendo-se de que estava numa escada -, e acabou se desequilibrando por conta da embriaguez. Quando me dei conta do que estava prestes a acontecer, tentei segurá-lo, mas não consegui; ele rolou escada abaixo.


Assustada, corri para ver o estado dele. Eu o sacudi e gritei para que acordasse, mas nada. Levei dois dedos à lateral de seu pescoço.


– Está morto.- concluí, ao constatar que ele não possuía mais pulso. Me afastei do corpo e corri para o telefone, eu tinha que chamar a polícia e... Não! No que eu estava pensando? O que iria acontecer comigo se eu chamasse a policia? Fui eu que matei meu pai.


Resolvi então ligar para a única pessoa que eu ainda podia me apoiar.


– Alô? Françõis? Preciso que você venha até minha casa rápido!


Esperei por volta de 20 minutos do lado de fora de casa até Françõis chegar, e já que não conseguia dizer o que havia acontecido, o levei para a "cena do crime".


– Ah... meu Deus... – disse ele, olhando para o corpo no pé da escada — Como isso aconteceu, Satoko?


Ainda não conseguindo proferir qualquer palavra, apenas abracei Françõis, que prontamente me recebeu em seus braços.


Subimos para o meu quarto — eu não conseguia pensar direito com a presença do corpo de meu pai -, e depois de ter bebido um copo d'água trazido por Françõis, contei tudo a ele, até a parte de Pietra, e ele me ouviu e me compreendeu calmamente. Talvez nele eu pudesse confiar.


– Ele realmente não parecia ser um bom pai, nem um bom marido. Mas não se preocupe. Você é menor e tem todo o direito de alegar legítima defesa para o polícia, vai dar tudo certo. — sorriu


– Mas... o que eu vou fazer daqui pra frente? Não tenho mais Pietra, nem uma família! O que vão fazer comigo? Eu não quero isso! E-eu...


– Shh... — Françõis colocou um dedo na minha boca — Esqueça isso, Satoko. Eu estou bem aqui. — e então cobriu minha boca com a dele.


Françõis estava me beijando, sem qualquer espécie de hesitação... E logo já estava deslizando sua mão pela minha cintura, sorrateiramente. Ele não estava nem aí para os meus problemas, só esperou que eu baixasse a guarda. Segundas intenções, sempre. Meu sangue ferveu e eu o empurrei.


– Françõis! N-Não é para isso que eu te chamei aqui. — fui para a porta do quarto, querendo expulsá-lo dali. Ele me seguiu, mas não para ir embora.


– Cansei disso. — disse friamente, fechando a porta, trancando-a e jogando a chave do outro lado do quarto — Chega de ser legal, você é minha agora! — ele segurou meu braço e me puxou em direção a cama.


– Me solta! — fui jogada contra o colchão macio de minha cama e Françõis me olhou maliciosamente. Me dei conta do que estava para acontecer — SOCORRO!!


– Para de gritar! — disse ele puxando um canivete — Se não pode mais me dar sua fortuna, vai me dar o seu corpo.


Françõis sentou-se sobre mim, me prendendo e começou a passar as mãos por meu corpo todo. Se abaixou para lamber meu pescoço e foi descendo, até se deparar com a gola da minha blusa. Ele pegou o canivete e cortou-a, fazendo com que meu sutiã aparecesse.


– São grandes para sua idade.- disse encantado, os olhos cheios de seu desejo reprimido por tanto tempo. Ele agarrou os meus seios com força, se abaixou para enchê-los de saliva, assim como meu pescoço.


Eu gritava, esperneava, o xingava de todos os nomes possíveis, mas nada me tirava daquela situação constrangedora. Parecia que toda aquela resistência só conseguia excitá-lo ainda mais.


– Você é virgem, não é? Deve ser. — ele riu, enquanto retira a camisa polo dele, ainda me mantendo presa — Isso vai ser realmente muito bom... Seja uma boa garota e eu serei legal. Tentarei ao menos.


Homem doente, nojento. Não deixaria que ele tivesse o que queria assim tão fácil.


Ele me beijou mais uma vez violentamente e o correspondi dessa vez, sabendo que ele deveria ficar mais vulnerável. Senti que podia mexer minhas pernas com mais liberdade e então levantei o joelho com força, atingindo em cheio seus órgãos genitais


– HMM! — gemeu ele, desabando ao meu lado, com as mãos entre as pernas.


Num salto, saí de cima da cama e peguei o canivete largado num canto do colchão — que estava sempre ao alcance da mão de Françõis. O próximo passo era encontra a chave, sair do quarto, trancá-lo e ligar para a polícia, mas uma mão me agarrando pelo braço, me deteve


– Vadia...! — xingou Françõis, ainda com uma expressão de dor e com a outra mão ainda ocupada — Você vai pagar caro! Vou fazê-la sofrer! — ele me virou e tentava me puxar para si


– Me... larga! Françõis! — gritei, usando todas as minhas forças para não ser puxada, enquanto tirava a lâmina do bolso traseiro da minha calça. Aquela era a única maneira.


– Satoko! — ele me puxou de repente, com toda a força e eu cedi, caíndo sobre ele.


Colocando a lâmina em frente ao corpo no momento exato.


Um novo gemido de dor, por parte de Françõis. Talvez seu último, afinal, cravei o canivete em seu peito. Em cheio. Ele me olhava assustado, os olhos arregalados, tossia sangue. Eu apenas me ajeitei sobre ele, ficando da mesma forma que ele estava sobre mim.


– S-Satoko...!


– Morra! — foi o que me ouviu dizer. Retirei o canivete para afundá-lo mais uma vez, causando um grito agoniado. Quando retirei o canivete novamente, o sangue espirrou em meu rosto e me incentivei para uma nova sequência, com mais de 20 facadas.


Depois que tive certeza que ele já estava morto, soltei o canivete e olhei para minhas mãos, vermelhas de sangue. Tomei consciência do que eu havia feito.


– M-Meu Deus!- Me levantei e afastei-me do corpo do rapaz.- Matei duas pessoas... eu sou um monstro.


Joguei o corpo pela janela, que caiu direto no quintal dos fundos, ninguém iria vê-lo mesmo. Comecei a procurar pela chave do meu quarto, quando comecei a ouvir uma voz chamando meu nome.


– Satoko! Satoko!


Achava que já estava louca, cheguei a cogitar que a voz era do espírito de Françõis ou até mesmo de meu pai, mesmo sendo diferente, mas de repente, um garoto com cabelos e roupas brancas surgiu na minha frente. Ele me analisou de cima a baixo, com a mão sobre o queixo. Ele abriu um sorriso enigmático e então disse:


– Então... você que é meu novo Hitler, não é?



Notas finais
Deixem reviews \õ/