EScala negra e noiTe na fLoResta

1 Noite em meio a clareira vermelha


Notas iniciais
Em meio a colina, uma legião de pretos corria em direção as estradas, as minas e as vegetações. Uzómi estava logo atrás, com as saraivadas de tiros que derrubavam os escravos fortes como se possem palha. Em meio a fumaça, o preto guerreiro corria junto de Pontianak em direção a selva, rezando para os Exus para que protegessem contra a retaliação do império.

Ao cair da escuridão a selva se transforma em algo sombrio e perigoso. A noite de lua cheia iluminava o caminho, e o jovem escravo descansava contra o tronco de uma grande árvore, junto de sua amiga espírito. Ainda recuperando o folego, Báyzil sussurrou:

— Onde estão o resto dos pretos? Por que só nos resta solidão neste lugar?

O espírito se levantou lentamente para espiar por cima de uma pedra, e em meio ao longe na folhagem não havia nada para ser visto. Olhou de volta para o preto e acenou com a cabeça — O caminho está morto.

O suor corria frio na pele negra do jovem. Olhou ao redor procurando por uma saída. Engatinhou junto a pedra tombada que servia de cobertura até o outro lado e esticou a cabeça pela outra lateral. Foi então que um clarão passou perto de Báyzil junto ao som de uma explosão estilhaçando o silencio da noite — Uzómi estava perto. Pontianak levantou-se, agarrou a mão do garoto e largaram correndo adentro da selva. Clarões e feixes de luz passavam por eles em meio a folhagem, e a floresta urrava na perseguição. Uzómi não estava sozinho, e era provável que soldados da guarda imperial também caçavam os fugitivos. Tamanha rebelião não havia acontecido até o dia em que a Senzala do capim-da-terra pereceu na confusão arquitetada pelo preto guerreiro.

Em meio ao caminho; um brilho em reflexo dum tiro que passou perto de Pontianak — Olhos. Uma enorme besta da floresta! Eram os olhos de uma onça pintada. Pulou para o lado em direção ao chão e rastejou para baixo de um tronco junto do espírito, e em um tempo uzómi os alcançou, mas tudo o que avistou foi a besta selvagem antes de ser atacado brutalmente. Mais tiros foram disparadas enquanto o pelotão de reconhecimento inteiro era estraçalhado. Gritos vindo das distâncias confirmaram a presença da guarda, pois uzómi nenhum é capaz de comunicar-se em língua com tal sotaque nobre. Um pelotão inteiro disparou ao mesmo tempo e depois do clarão, não houve mais nada. O silêncio retornara para seu posto. Báyzil abraçou sua amiga debaixo do tronco, e lá permaneceram até que o sono os pegou.

—

Aos primeiros raios de luz a atravessarem a selva, o preto despertou junto a Pontianak. Entre a terra haviam corpos e mais adiante, pelo caminho em que haviam fugido ha pouco, estava a grande fera, derrotada e decapitada. A vontade de recolher o cadáver fresco do animal e assá-lo em uma fogueira era grande, mas uzómi disparava tiros amaldiçoados. Assim é, a munição que seja armazenada dentro de cadáveres dos inimigos do império.

O espírito estava em seu limite; há dias não se alimentava e no chão permanecia enfraquentada. Assim o preto com sua força de vontade carrou Pontianak em seus braços e caminhou em frente. Abriu os olhos e os direcionou para o rosto do preto. Antes que trenasse dizer algo, Báyzil ditou: "Tive de abandonar tesouros pelo caminho, mas tu Ayu, tu não vai ficar atrás!"

Notas finais
E foi assim que Báyzil levantou-se com Ayu em seus braços, as pernas vacilando, um passo de cada vez, um tormento para seu corpo. Mas o preto guerreiro ergueu sua cabeça e olhou não para o chão nem para cima, mas para a frente.
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