ERRO
2 CAPITULO UM - A CIDADE EM FIOS
O cheiro era o primeiro aviso.
Uma mistura de madeira molhada, flores murchas e mel velho, dava boas-vindas aos visitantes que chegavam à vila de Agata.
O Mercador observou bem a entrada da cidade, e ao sentir os aromas, não pode deixar de comparar o local como um animal ancião. Vivo, mas com cicatrizes.
Os Tauros puxavam a carroça com uma lentidão resignada.
O sol, já baixo, pintava os chifres deles de um cobre sujo. Eles tinham chegado com o entardecer preso nas costas.
As rodas tremiam nas pedras do caminho e, a cada tranco, um rangido escapava da madeira, como um gemido de velho.
Mas isso só até chegarem à entrada da cidade.
A estrada, antes poeira e pedra, dava lugar ao bom e velho concreto. Malfeito, porém, melhor que o que estava antes.
A Vila de Agata não era muito grande, mas já não podia ser chamada somente de vila. Circular, cercada de montanhas baixas e com uma represa logo ao norte a cidade foi construída ao redor de uma grande árvore anciã, a maior e mais antiga de todo o continente.
As casas, redondas e baixas, tinham telhados de madeira curvada. Muros de pedra dividiam quintais silenciosos, e estandartes roxos com desenhos de Ariados pendiam das sacadas como bandeiras de tempos esquecidos. No centro, uma antiga torre de sinos se erguia rachada, enredada por teias grossas que pareciam ter sido tecidas por gerações inteiras de Spinarak.
Sentado à frente, com o capuz até a metade do rosto e os olhos ardendo de poeira, o Mercador soltou um suspiro curto.
Um suspiro que era meio cansaço, meio frustração.
Olhando dali a vila parecia envolta em névoa.
Mas era só teia.
Fios finos, prateados, presos nas copas das árvores, nas estacas de madeira, nos telhados redondos das casas.
O vento balançava os fios, e eles dançavam como se algo acima do céu os puxasse.
— Chuva de Aranhas — murmurou um velho ao portão, sem encarar o Mercado diretamente. — Você chegou no tempo certo.
O entregador só assentiu.
Ele não perguntava. Não pedia explicações.
Continuou seu caminho pela estrada sem olhar para trás.
***
A praça estava lotada. Havia gente por todo lado: mercadores, viajantes, curiosos.
Gente de roupas finas misturada a andarilhos como ele.
Bancas improvisadas ao redor vendiam doce de bagas em potinhos, e um artista de rua fazia Ariados de papel.
O Mercador fez o possível para conseguir caminho livre pela multidão, mas realmente parecia impossível.
Crianças corriam, gritando e pulando entre os fios esbranquiçados que caíam do céu.
A cada passo, a teia grudava em algo — no cabelo, nas roupas, nos olhos — e ninguém parecia se importar. Afinal, era tudo parte da celebração.
O Mercador parou os Tauros num canto da praça, próximo a uma banca de especiarias e desceu.
Um deles bufou, impaciente. O outro apenas mastigava algo invisível. Estes eram Chumbo e Barro, e já estavam com o Mercador faziam cinco anos.
Ele esticou as costas e passou os dedos no rosto, tentando limpar a teia colada na bochecha. Era leve, mas incômoda.
“Como uma lembrança”, ele pensou.
Acariciou Chumbo e murmurou algo como comportem-se, e foi respondido com mugidos baixos.
Puxou uma mochila de dentro do compartimento da carroça, e a colocou no chão enquanto preparava algumas caixas.
A mochila se mexeu um pouco e dentro dela, uma pequena criatura se mexia.
Um Trapinch, pálido e esverdeado, se revirava com a boca semicerrada e os olhos de inseto entreabertos.
O Mercador suspirou ao olhar para o Pokémon, mas não o tirou da bolsa, apenas a colocou nas costas enquanto ajeitava as caixas.
O Trapinch era menor do que a maioria. A coloração, desbotada, como folhas secas.
E o comportamento, o oposto de tudo que os manuais diziam:
Dormia o tempo todo. Raramente cavava. Às vezes rosnava para pedras.
E mesmo assim… nunca saía de perto.
O Mercador o conseguiu em uma negociação três anos antes. Devido à aparência, ele o nomeou de Ferrugem, a formiga.
Ele fitou as barracas ao redor, e os fios invisíveis que flutuavam, como se o céu tivesse sofrido um rasgo e fosse costurado às pressas.
— Cheguei tarde. — Ele disse baixo, para ninguém além do Trapinch ouvir.
O Pokémon emitiu um som rouco. Algo entre um bocejo e desdém com a situação, mas não fez nem questão de abrir os olhos.
Do outro lado da praça, uma criança o viu e apontou para ele.
— Mãe! Mamãe, olha! Aquele Trapinch tá com febre? Com dor de barriga?
O Mercador ignorou a criança. Já tinha ouvido coisa pior.
Uma vez, um comerciante ofereceu três poffins e quatro Hyper-Poções em troca dele.
Ele recusou, claro.
Disse que um Pokémon defeituoso ainda era melhor que nenhum.
Embora… o tempo que passou considerando a oferta deixou Ferrugem bem magoado na época.
Seguiu com os passos pesados até chegar a uma banca maior, mais ao fundo da praça.
Trocou algumas palavras com a mulher alta e loira que comandava o local.
Ela fez uma careta ao vê-lo se aproximar.
— Você chegou tarde – ela disse, antes que ele abrisse a boca. — Mas chegou.
Ele não respondeu.
Ela apontou para a banca vazia, onde ele começou a descarregar frutas exóticas.
A mulher conferiu exageradamente a mercadoria, mas no fim, ficou satisfeita.
Não era a primeira vez que faziam negócios.
— Vai chover fios a noite toda ainda — ela disse, enquanto examinava uma fruta Oran.
Ela então olhou para o alto, fitando as Spinarak que se balançavam pela cidade.
— Dizem que os Spinarak tecem pro céu esquecer o que a terra fez.
À medida que a noite caía, as teias ficavam mais visíveis à luz refletida pelas luminárias da praça.
— E você, rapaz? O que quer esquecer?
O Mercador ficou ali, parado.
O som do vento levando as teias era o único que restava, como se toda a multidão tivesse se calado de uma vez só.
Ele não respondeu. Apenas deu de ombros, e seguiu descarregando as frutas.
Mas, por um momento, pensou que talvez não estivesse querendo esquecer.
Talvez... estivesse na hora de começar a se lembrar.
***
A Chuva de Aranhas era o evento mais temido e reverenciado da Vila de Ágata. Todo ano, no fim da estação seca, as Spinarak maduras desciam em silêncio do topo da Grande Árvore, uma estrutura viva tão colossal que parecia furar o céu. Era como se o céu chorasse fios prateados. As aranhas lançavam teias em conjunto, criando uma espécie de escada viva, conectando galho a galho, telhado a telhado, árvore a poste, como se bordassem o vilarejo inteiro numa rede viva e pulsante. A cena era hipnotizante e sinistra.
Diziam que, nos tempos antigos, a vila queimava essas teias. Matavam os Pokémon aos montes, varriam as ruas, jurando que aquilo era prenúncio de desgraça. O sofrimento da terra como seca, fome, rios mortos refletia esse ódio irracional. Até o dia em que o chão tremeu.
Do ventre da terra, como em castigo ou salvação, surgiu uma Ariados com as cores do entardecer e o tamanho de uma carroça de carga. A criatura arrastava nas costas teias cobertas de musgo, e onde ela passava, brotava água, e assim nasceu o Rio Ágata. Desde então, as aranhas se tornaram sagradas, e a vila, sua guardiã.
O Mercador não se comovia com a história, embora respeitasse a fé dos outros. Pra ele, toda lenda tinha um fio de verdade… e um monte de exagero. Pensou, por um instante, em quanto valeria um Ariados daquele tamanho. Mas a ideia se desfez no mesmo segundo.
“Capturar algo assim seria suicídio”, ele pensou.
A noite enfim engolira o céu. A praça, antes fervilhante, já se esvaziava. Restavam apenas alguns curiosos apontando para os fios no alto das casas e as Spinarak que caminhavam preguiçosamente pelas paredes. Um espetáculo.
Mas só para quem não sabia o que vinha depois.
A segunda noite era outra história.
Era a noite do silêncio. Da floresta agitada. Da mudança. Era quando os Spinarak abandonavam o vilarejo para evoluírem sob a luz das estrelas, em ninhos feitos com teias e terra. E alguns Ariados, costumavam retornar à vila. Não todos, apenas alguns. Os que não conseguiram copular.
Confusos, agressivos. Famintos.
O prefeito da cidade costumava dizer que jamais houvera uma morte sequer por veneno de Ariados.
O Mercador até acreditava na história, pois sabia que o veneno de uma Ariados não era letal ao ser humano. Somente paralisava por um tempo.
— O veneno não mata — murmurou para si mesmo, mexendo nos bolsos do casaco. — O que mata é a dor das picadas… enquanto ainda se está vivo.
Suspirou.
Precisava de um lugar quente.
Atravessou a praça em silêncio, puxando os Tauros. Chumbo e Barro bufavam impacientes por causa das teias no chão. Ferrugem, seu Trapinch, seguia empoleirado sobre a carga da carroça, os olhos atentos e semicerrados.
O primeiro hotel que viu era o “Estalagem do Broto”. Uma construção de madeira escura, com lanternas apagadas e uma placa balançando com o vento. A entrada estava aberta, e ele entrou.
Lá dentro, o caos. Pessoas amontoadas no saguão, cobertas com mantos pesados, tossindo, murmurando, tentando se espremer para conseguir algum canto. Não havia polidez, nem hospitalidade. O cheiro de mofo misturado com fumaça de cigarro e suor dava náusea.
— Uma vaga? — perguntou ao recepcionista, um homem de barba rala e cara de tédio.
— Só se pagar o triplo. Estamos cheios. — respondeu, sem tirar os olhos do caderno de anotações.
— Triplo? Isso é um roubo.
— Pode dormir com os Tauros, se quiser. Ou com os Spinarak. Tanto faz.
O Mercador encarou o homem por um instante. Tinha aprendido a não brigar por coisas pequenas.
— Boa noite — disse, com um meio sorriso, antes de virar as costas e sair.
O frio lá fora era como uma mordida nos ossos. Uma névoa fina começava a descer pelas ruas, misturando-se com os fios pendurados como teias de luz prateada. A vila parecia estar sendo embrulhada por um casulo.
Passou por algumas casas fechadas e chegou a um bar quase apagando as luzes.
Um toldo gasto com o nome "O Casco Quebrado" balançava com o vento. Dentro, risadas roucas e vozes bêbadas escapavam como calor por frestas.
O Mercador se aproximou da porta e bateu de leve.
— Ainda estão servindo?
— Só pra quem não enche o saco — gritou uma voz rindo lá de dentro.
Havia três homens. Dois relativamente jovens, e um velho, com a barba grisalha como neve suja e olhos de quem já tinha visto mais do que gostaria. Este último ergueu os olhos quando o Mercador perguntou se havia alguma outra pousada por perto.
— À essa hora? — ele riu. — Nem que ofereça ouro. Essa noite, ninguém quer ter as portas abertas. E com razão. Mas...
Olhou para os Tauros, depois para o rosto cansado do homem à sua frente.
— Não deixo viajante dormir ao relento. Tenho um quartinho no fundo da minha casa. É pequeno, mas é quente. Comida pro senhor e pros Pokémon. Só me faz um favor.
— Qual seria o preço? — Perguntou o Mercador, já aliviado.
— Amanhã de manhã... Me ajuda a limpar as teias do telhado. Não posso subir sozinho mais.
O Mercador sorriu pela primeira vez naquela noite.
— Temos um acordo.
O velho bateu no balcão com a caneca.
— Então beba uma antes de ir, que amanhã a gente enfrenta os fantasmas de oito patas.
***
A casa era simples, mas acolhedora. Madeira envelhecida, estalos nos cantos e o cheiro reconfortante de chá forte no ar, como se a própria estrutura respirasse lembranças antigas.
Na sala de jantar, três pratos repousavam sobre uma toalha bordada: um para o Mercador, outro para o velho, cujo nome ele descobrira que era Eagun, e o terceiro para Licia, a esposa de olhos atentos e sorriso curto. No colo de Eagun, um Pikachu já de idade mastigava com calma uma fruta seca, os olhos espertos espiando cada movimento como um velho sentinela.
— A cidade cresceu, queira ou não. — dizia Eagun, com a xícara fumegante na mão. — Ainda chamam de Vila por tradição. Mas de vila já não tem mais nada. Desde que conseguimos exterminar as sombras, tem sido um alívio. Mas os caçadores continuam vindo... à procura.
O Mercador assentiu, mastigando em silêncio. Ferrugem dormia ao seu lado, esparramado numa almofada, boca aberta e roncando baixo. Licia o olhava com curiosidade quase científica, ajustando os óculos de meia-lua com cuidado.
— Ele é… diferente, não? A coloração parece desbotada. Mas não parece doente...
— É. Descobri um tempo depois que Trapinch são laranjas. E quase o dobro desse tamanho.
Eagun soltou uma risada abafada.
— E como conseguiu ele?
— Comprei em uma viagem pra Pirita. Me disseram que era um pokémon voador de grande porte. Achei que tava fazendo um bom negócio.
— E não era?
— Não. — A resposta veio seca, sincera. — Três anos, nenhuma evolução. Dorme demais, foge de briga. Come como um Snorlax e não cresce.
Ferrugem soltou um grunhido ofendido, sem abrir os olhos. O Mercador apenas riu e passou a mão sobre a cabeça do Pokémon, tirando do bolso um pedaço de metal. Ferrugem mordeu com força, como se estivesse roendo uma ofensa.
— Acabei me afeiçoando. Mais do que deveria.
Eagun sorriu, meio triste.
— Às vezes, os que ficam não são os mais fortes. Só os mais teimosos.
Antes que o silêncio se acomodasse novamente entre eles, um mugido rasgou o ar da noite.
O Mercador e Eagum se entreolharam, instintivamente alertas. Ferrugem se encolheu contra o Mercador. O Pikachu de Eagun ergueu as orelhas, o corpo já pronto para reagir.
— Os Tauros — disse o Mercador, já de pé, saindo pela porta.
Lá fora, o vento estava mais cortante. As teias que cobriam as casas tremiam de leve, como se sussurrassem. Os Tauros estavam agitados, puxando a carroça como se tentassem se libertar. Seus olhos estavam arregalados, escorrendo suor frio.
— Ei, calma, Barro… Chumbo… — murmurou o Mercador, se aproximando lentamente, mãos estendidas.
Mas os bois não se acalmavam.
Um som seco veio dos arbustos. Depois, outro. Como metal sendo arrastado contra pedra.
— Cuidado — sussurrou Eagun. — Pikachu, pronto.
E então, ele surgiu.
Do mato, emergiu um Spinarak. Mas não como os que haviam descido da Grande Árvore.
Seus olhos eram negros, vazios, como poços sem fundo. As pernas tremiam como antenas quebradas, mas pulsavam com veias de sombra que se espalhavam como rachaduras. Sua carapaça parecia rachada em alguns pontos, soltando um vapor escuro.
Raiva.
Uma raiva silenciosa e animalesca. Era como se odiasse estar vivo, ou então, odiasse tudo que ainda estivesse.
O Pokémon avançou num salto seco.
— Droga! — rosnou o Mercador, jogando-se de lado enquanto o Spinarak voava rente ao seu rosto.
Pikachu reagiu, disparando um Thunderbolt que iluminou a noite e explodiu contra o chão. O Spinarak desviou por um triz, se contorcendo com um chiado grotesco. Ele bateu contra uma pedra, se virou de novo e saltou contra o Mercador com as presas arreganhadas.
O homem tentou puxar sua pequena faca, mas caiu de costas, e o Pokémon quase em cima dele. Outro raio explodiu no ar. O corpo do Spinarak foi lançado para o lado, tremendo, contorcendo-se. Mesmo paralisado, tentava se mover, lutar, matar. A espuma escura escorria de sua boca.
Eagun se aproximou, sem pressa. Com a firmeza de quem já fez aquilo antes, ajoelhou-se ao lado do monstro. E, com um golpe seco, cravou uma faca em sua carapaça.
O grito do Spinarak foi como um soluço seco. Depois, só o silêncio. Um silêncio duro e pesado como pedra molhada.
Licia apareceu à porta, ofegante.
— Eles… eles estão voltando?
Eagun apenas assentiu, puxando um pano para limpar a faca.
— Me ajuda a queimar.
O Mercador olhou para o corpo distorcido da criatura. Ainda respirava. Levemente. Mas não havia nada ali de vivo. Nenhum brilho, nenhuma centelha.
— Não dava pra purificar? — perguntou, quase sem emoção.
Eagun suspirou.
— Dava. Antes da invasão. Mas quando destruíram a Pedra Relíquia, perdemos essa chance.
O Mercador não respondeu. Apenas observou em silêncio o corpo sendo jogado no fogo. O estalo da carapaça rachando fazia um som que ele pensou ter esquecido. O som que ele lutara fazia anos para esquecer. E agora ele havia voltado, para ficar e não ir embora mais.
***
A fumaça da noite ainda pairava entre os telhados quando o sol começou a nascer. A vila, coberta de fios prateados, parecia suspensa entre sonho e pesadelo.
O Mercador, já desperto, terminava de ajudar Eagun no telhado, retirando as teias endurecidas da noite anterior. As fibras estavam úmidas e frágeis, como se a escuridão as tivesse corroído. Ao descer, o velho o agradeceu pelo trabalho.
Ferrugem mastigava uma corda. Chumbo e Barro estavam presos à carroça, já prontos para seguir.
— Você vai cedo. — disse Eagun, ao vê-lo apertando a lona.
— Ainda tenho três entregas até terminar o deserto.
O velho assentiu.
— Se passar por Phenac, procure uma moça chamada Vela. Ela sabe onde as sombras dormem. Pode te ajudar… se quiser entender o que viu ontem.
O Mercador fez um gesto vago com a mão, quase um aceno, e subiu na carroça. Quando os Tauros começaram a andar, Eagun deu um último aviso:
— E seja paciente. Seu Trapinch ainda vai te surpreender.
O Mercador riu, um som curto e abafado.
— Talvez.
E seguiu caminho.
Mas, mesmo enquanto o vento da manhã soprava as teias das árvores, e a luz alaranjada do sol tocava a terra…
Os olhos vazios do Spinarak ainda o seguiam.
E não importava o quanto ele tentasse afastar a imagem.
O olhar daquele monstro continuava ali.
Fixado na sua memória. Como se ainda estivesse vivo.
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