Notas iniciais
Esqueci de contar que o meu novo sobrinho quase foi uma MILENA! Bom, o nome dela tava na lista até que descobriram que é um menino. E não, não coloquei o nome do Murilo, PORQUE EU NÃO SABERIA LIDAR. REAL. Já tenho (TEMOS) um Murilo que é o bastante - que não sabe se isso é um elogio ou uma ofensa, coitado hahaha *muda de assunto* VAMOS FALAR DE FESTA? HORA DE ATIVAR O MODO PLAYLIST e declarações!

Numa coisa eu vejo como alívio nesse plano que a Daniela me revelou – eu já não tinha mais a função de distrair o aniversariante, o que nos deu espaço para digerir a pizza e nos preparar para subir ao palco. Enquanto isso, Iara tirava fotos do Vinícius circulando pelas mesas e conversando com os seus convidados, sem precisar eu ir junto. Pra todo caso, o Murilo acompanhava esses dois para o Vini não dar conta do que acontecia (ou do que iria acontecer).

O namorado sabia que haveria cantoria, não sabia era o que nós iríamos aprontar nesse karaokê. A banda se apronta aos poucos e eu termino de fazer uns exercícios de respiração com a Daniela. Já os meninos, Sávio e Bruno, fazem uma barreira para que Vinícius não nos veja subindo. É pra pegar de surpresa já lá em cima mesmo.

— Hora do show, Lena!

Dani dá um último beijo no Bruno e salta para ir dar o ponto com o CK.

Sávio me cutuca pra eu relaxar.

— Ei, vai ficar ótimo. Vocês são muito boas juntas.

— Duvido se tu não vai tá assim quando for a tua hora de subir.

Ele olha de mim pro Bruno e de volta pra mim, encarando-me meio nervoso.

Viu só?

— Mas vocês sabem que eu não vou subir.

— Não vai é cantar e...

Imagine Dragons – Radioactive (cover feminino)

Sem aviso algum, as luzes abaixam um pouco na área próxima à banda e CK se anuncia devagar com o início da música na guitarra, acompanhado do Léo, o cara do teclado. Daniela se posiciona bem à frente do espaço e chama todas as atenções para si quando começa os primeiros versos.

— Ai, meu Deus, é agora!

I’m waking up to ash and dust

I wipe my brow and I sweat my rust

Vislumbro o Vinícius levantando a cabeça de repente, ele de pé na mesa com os amigos da faculdade e abrir aquele seu mega sorriso embasbacado.

I’m breathing the Chemicals

whooooah

Enquanto Dani faz graça para o público no terceiro verso e a música dá uma certa pausa, eu pulo os degraus do palco, serpenteio pelos instrumentos, pego o segundo microfone com ela e firmo na segunda estrofe, encarando diretamente o namorado. Porque isso é pra ele. É hora de sermos felizes – de novo!

I'm breaking in, shaping up

Then checking out on the prison bus

This is it, the apocalypse, ooh

Vinícius se aproxima do palco, assim como outras pessoas que vão se pondo de pé e eu e Dani armamos para que ecoem conosco o refrão, enquanto seguimos alternando os versos e arriscando uns passos. Logo um grupo de gente se torna um amontoado que balança com força os braços, e a gente vai dominando o lugar.

I'm waking up

I feel it in my bones

Enough to make my system blow

Welcome to the new age, to the new age

Welcome to the new age, to the new age

Oh, oh, oh, oh, oh

Oh, oh, oh, oh

I'm radioactive, radioactive

Oh, oh, oh, oh, oh

Oh, oh, oh, oh

I'm radioactive, radioactive

Daniela puxa as palmas de geral, e vai pro lado, abrindo mais espaço pra mim, que eu vou no meu instinto – ou adrenalina? Coloco o pé bem no batente que divide o palco do público, mexendo o braço conforme o ritmo poderoso da música. Me concentro no Vinícius batendo palmas, às vezes apenas conferindo rapidamente a letra no telão da parede e mando bala!

Logo mais repasso a outra estrofe pra minha amiga, que retorna ao meio e fica na mesma pose, com o pé no batente, animando mais e mais a galera. Ao retomarmos o refrão, todos vão cantando junto.

Mas no ponto clímax, em que eu deveria me unir à Dani, tipo, abraçar ela e entoar os versos, eu me abaixo, me apoiando nas caixas de som, e beijo o Vinícius ali mesmo, o que leva geral à loucura. É um algo meio apressado, porém com paixão e no máximo que poderíamos demonstrar em público. Ouço a gritaria dos UHU, dos AAAAA, as assoviadas, a risada enlouquecida da Daniela se perdendo no ato, mas a garra desse beijo me faz sair de mim e desse mundo. Me eletriza completamente que quase não o solto a tempo de retomar. E ainda digo um:

— Preciso voltar!

Me junto à Dani, dessa vez abraçadas, ombro a ombro, ora dando socos ao ar, com mais intensidade ao refrão, ora incitando o público ao delírio.

I'm waking up

I feel it in my bones

Enough to make my system blow

Welcome to the new age, to the new age

Welcome to the new age, to the new age

Oh, oh, oh, oh, oh

Oh, oh, oh, oh

I'm radioactive, radioactive

Oh, oh, oh, oh, oh

Oh, oh, oh, oh

I'm radioactive, radioactive

Mal finalizamos, com uma gritaria que domina o salão entre flashes e surtos, e já emendamos a segunda música, da mesma banda, batendo palmas para todos seguirem o arranjo. Isso ao menos me dá tempo pra recuperar um pouco do fôlego e pegar dessa vez a primeira estrofe. Na parede do fundo, graças a Deus, tem a letra passando, porque eu tenho a plena certeza de que eu vou esquecer tudo!

Imagine Dragons – It’s Time (cover feminino)


So this is what you meant

When you said that you were spent

And now it's time to build from the bottom of the pit, right to the top

Don't hold back

Packing my bags and giving the academy a rain check


De novo, canto encarando o Vini, o meu Vini, que um dia dançou N’sync na minha sala sem se importar com meus familiares e me deu ânimo, coragem e entusiasmo quando achei que nada mais poderia vir de mim. Que me faz rir e me faz feliz nesse momento. Jogo beijo ao ar pra ele depois de passar a estrofe pra Dani.

Ao refrão, deixamos a galera soltar a voz e cantar. No intervalo antes das estrofes seguintes, eu me separo da Dani, como combinado, e andamos pelo palco anunciando a abertura do karaokê, que quem quiser subir tem que colocar o nome na lista e agradecemos à banda Mp3co (ême-pê-éco) pelo som maravilhoso.

Nas estrofes que se seguem, que mais uma vez alternamos, aproveitamos essa hora pra fazer poses com os integrantes da banda, também anunciando o nome ou apelido de cada um, e os nossos. A Iara tá bem no pé do palco, ao lado do Vinícius, tirando fotos na sua câmera profissional.

Repetimos o mesmo do primeiro refrão, com as pessoas cantando no nosso lugar. Já para a ponte final, me junto à Daniela pra encaminhar a música e retomar as palmas ritmadas. No último refrão, pulamos conforme o espaço permite, segurando o fôlego conforme dá e finalizamos, para arraso geral. Dieguito, na bateria, faz um alarde enorme quando eu e Dani saudamos todos como fazem os artistas de teatro – de mãos dadas, levantadas ao alto, então baixamos o corpo em reverência.

Assim que me encaminho para a lateral esquerda, acho maravilhoso que o Vinícius aparece ali pra me receber e não nota seu avô subindo do outro lado com seu pai. Dá tempo de a gente se abraçar e se beijar aos risos no meio daquela bagunça de gente.

Mas aí o CK toma a vez com um violão, numa pegada acústica, e a voz do seu Júlio toma o lugar, com Filipe. Vinícius falta cair pra trás e a boca quase vai ao chão. Arrasto-o com certa resistência de volta ao lugar anterior, ao centro, bem de cara com o palco.

Legião Urbana – Tempo Perdido (cover masculino)

Topo com Sávio e Bruno por ali, que abraçam a gente pelos ombros e seguem as pessoas balançando os braços ao alto. Dou apoio ao sogrinho e vô-sogro, faço gestos de que estão indo bem. Eles não arranham, nem nada, só estão mal segurando o microfone e de voz um pouco trêmula. Seu Júlio às vezes se atropela num verso ou sai do tom, mas faz parte. Uma noite de karaokê é exatamente isso, não é pra se exigir. E o CK fez na versão acústica, bem mais leve, pra eles se sentirem mais à vontade.

Melhoram bem mais já nas partes finais, se por estar acabando a música ou se por terem atravessado o pior do nervosismo, não sei, só sei que mais animados e mais realizados. São aplaudidos com o mesmo alvoroço de antes e nem eu tenho mais palavras pra descrever como o Vinícius fica. Estarrecido. Chocado. Impressionado. Mal consegue andar quando o levo para receber os dois ao pé do palco.

Mas nem dá tempo de eles se falarem direito ou o Vini soltar uma palavra sequer, se a banda recomeça, CK de volta na guitarra, Caio no baixo, Dieguito na batera, eles ditando a próxima música e Renato super empolgado com uma Djane duríssima no palco. Subiram também pelo outro lado!

Skank – Vou Deixar (cover masculino e feminino)

— MEU. DEUS.

Renato detona pulando, mesmo quando lhe falta ar, e não deixa de segurar a mão da amada e tentar fazer ela se soltar. Puxo os outros junto para voltar ao nosso ponto e dar mais apoio moral. Bruno começa um coro de “Djane, Djane, Djane” que a põe mais risonha e também sem graça, mas já na parte instrumental perto do fim ela se deixa dar uma voltinha e uma dançadinha. Renato praticamente não deixa de pular e endossa o coro.

Eles descem logo após acabar os versos, com Djane nervosa demais, mas a banda continua para finalizar. É tudo tão doido e bom e gostoso que eu também fico impressionada com tudo. Por fim, puxo o Vinícius, doidinho, que nem consegue sair do lugar. Nem pra receber sua mãe pela lateral que ela subiu.

— VEM, VINI!

— EU JÁ TÔ É COM MEDO DE VOCÊS.

Djane recuperava mais fôlego do que o boy dela e felicito eles pelo experimento. Foi um bom parto convencer ela de participar disso, que foi mais levada pelo Renato do que outra coisa. Ele que garantiu a participação. Eu só pedi uma música e nada mais, já que até o seu Júlio topou.

Bon Jovi – It’s My Life (cover feminino)

E, outra vez, não dá tempo do Vini falar um A com a mãe porque o grupo já anuncia uma nova música, o que nos faz nos voltar para o palco e ainda não tem ninguém. Porque o Filipe tá falando algo pra Iara na outra ponta e o Vinícius puxa os cabelos ao alto, sem nem mais saber o que tá acontecendo ou o que esperar. A banda segura a introdução até a I e o Murilo subirem devidamente.

A Iara que basicamente canta com o CK e o meu irmão só ecoa, impulsionando os outros a pirar junto. Ela parece nervosa, mas muito determinada de se jogar como nunca vi, mais do que nos ensaios. Ousada mesmo! Às vezes dança, joga cabelo, às vezes rodeia o Murilo e reforça socos no ar. Na hora do solo, meu mano também zoa lá em cima, como se tivesse uma guitarra, imitando o CK.

Nessa hora a I convida o Vini pra subir, mas ele não acredita e quem vai é a Dani e até o Renato! Meu Deus, nem eu acredito. O professor e a Iara dividem o microfone e os versos de ponte antes do refrão e Dani solta o vozeirão pra dar mais força.

Murilo se junta com Renato pra pular e elas se firmam pra finalizar a música, enquanto a gente pira bonito no salão. E a Iara encerra no estilo!

— IT’S... MY... LIFE! Te pegamos, irmãozinho!

E pegando até eu no pulo, Dani conversa algo com a banda rapidamente e já começa a introdução dos oh yeah, yeah yeah de Locked Out Of Heaven (cover) que aumenta a baderna lá em cima e anuncia que é a hora do parabéns. Havíamos programado para depois, então não sei o que houve, sei é que o bolo chega de carrinho ali pelo salão e as pessoas se dispersam para dar espaço. Me junto à Iara, que já desceu, pra colocar o Vinícius bem na zona entre o palco e o carrinho para cantar seus parabéns. Logo aparece seus pais e todos os convidados se juntam ao redor para fazer coro e urros à banda.

— Parabéns pra você – UH – nessa data querida – UH – muitas felicidades – UH – muitos anos de vida – UH – Parabéns pra você – UH – nessa data querida – UH – muitas felicidades – UH – muitos anos de vida – UH!

Sávio que assume a câmera nessa hora tirando as fotos e acho que é o Bruno que tá filmando. Não sei, é tanta coisa ao mesmo tempo que é difícil assimilar tanto e tudo duma vez. Como Dani continua no palco, ela se faz de apresentadora e faz a pergunta certa esse ano (no ano anterior, ela quem puxou o Com quem será?):

— Pra quem é o primeiro pedaço de bolo?

Vinícius segue tão estarrecido que sequer assoprou as velinhas, só assopra porque eu e a Iara empurramos ele.

Daniela repete a pergunta:

— E o primeiro pedaço vaaaaaaaai para...?

Ela se abaixa para poder colocar o microfone perto dele, que fica mais do que desbaratinado.

— Hãaaaa... O primeiro pedaço vai para... para a cabeça... ou o cabeça... que armou essa festa. Que é...

Bruno e Renato puxam o coro entregando a nossa Pimentinha.

— IARA, IARA, IARA, IARA! AEEEEEE!

Os irmãos se abraçam e só assim o Vinícius recebe o utensílio para cortar o pedaço e entregar para essa ruivinha danada. Para não atrapalhar a movimentação pelo salão, CK anuncia que esse é o estilo de aniversários que a pizzaria está aberta e Filipe sai empurrando o carrinho do bolo, junto de Djane, para voltarem à mesa principal, dos familiares, os convidados indo junto. Eu que ainda permaneço no mesmo lugar com o Vinícius, de boca aberta, sorridente, melado de bolo e abismado demais.

Nem se liga que o CK chama mais candidatos ao karaokê.

— A próxima da vez é... Olívia. Olívia Gentil! Pode subir!

Fico de cara que é uma música que muito bem conhecemos – Complicated (cover), da Avril – na voz de uma pessoa aleatória que tava na pizzaria e me junto ao Vini pra dançar essa juntinho enquanto ele absorve a empreitada.

Vez que meu Vini demora a se manifestar, eu mesma pergunto.

— Curtiu a surpresa?

Ele segura a cabeça que segue explodindo de informações e imagens surreais.

— Eu... ainda... O que vocês... CARAMBA!

Missão cumprida.

~;~

Só tem uma pessoa nesse mundo que pode me melar o rosto com cobertura – tá, foi só a pontinha do nariz – e eu não estar disposta a tacar meu pedaço de bolo de volta na sua cara. Na verdade, duas pessoas, mas minha mãe não teria essa audácia do Vinícius.

— O que tu tanto olha na outra mesa?

Vez que fomos os últimos a receber nossos pedaços de bolo, como o meu devagar, apreciando a vista atrás do namorado, que se trata da mesa onde estão seus familiares. Além dessa, nossa reserva contava com a mesa dos Oliveiras com os outros convidados do Vinícius. Mas a gente trocava de lugar de hora em hora. No momento, estamos sozinhos na mesa da galera, vez que os outros estão curtindo o karaokê mais perto da banda.

Passo o guardanapo ao nariz, rindo comigo mesma.

— Só... observando os seus pais.

Vinícius, que terminava seu bolo, vira rapidamente para eles, sem entender.

— O que tem eles?

— Estão unidos e alegres. Participativos. Bem diferente do aniversário anterior.

Quando ele se volta pra mim, traz o mesmo sorriso bondoso.

— Tem muita coisa diferente do ano passado.

— Isso com certeza. Dessa vez, a Iara que tomou a frente. E dessa vez não teve nenhum amigo teu despertando meu passado.

De amigos homens, afora o Wellington, teve o Tuco e o Namir. Só o Tuco mesmo que eu não conhecia ao vivo, porque o Namir mora perto da minha casa e algumas vezes já passou lá para deixar algo pro Vini. Das mulheres, além da Wanessa e da Suzana, teve a Thalia, que também faz Arquitetura. E teve a Ohana, esposa do Tuco.

Ia complementar com um “faltei ter um ataque do coração? Sim, mas de felicidade”, só que acho que o Vini não curte minha referência à triste coincidência que foi reencontrar o Anderson ano passado, pois ele nada diz e só crava o garfo no brigadeiro. Nem teve docinhos de aniversário, teve só uns poucos brigadeiros enfeitando seu bolo e eram dele, claro. Mas capei um pra mim também.

— E eu não precisei roubar o teu pen-drive.

O que era apenas uma linha de pouca expressão em seu rosto, ela se curva por essa lembrança curiosa.

— Enquanto tava tocando o Matchbox, até cheguei a achar que não teria mais o karaokê e que o atendente tinha me enganado.

Sorrio, levando a mão à boca, por uma nova garfada generosa. Mesmo assim, ouso falar, vez que a massa tá bem macia e não interrompe a pronúncia de minhas palavras.

— Mas ele enganou, justo pra te despistar. Só que não foi laaaá tão efetivo, porque bagunçou a nossa programação.

Em seu modo intrigado, de olhos um tanto cerrados, ele me aponta seu garfo, como se estivesse juntando as peças de um mistério, já se deliciando com o brigadeiro.

— Então até o atendente tava no meio pelo jeito.

Terminando de mastigar, revelo mais.

— Até o Fred tava no esquema!

Segurando o riso pelo docinho na boca, Vinícius entrega seus receios.

— Tenho até medo... de perguntar como.

— Ah, nada demais. Teu avô usou o Fred de desculpa com aquela história de terrário e de reformas pra te prender em casa enquanto a gente ensaiava.

Falso bravo com aquele senhorzinho malandro, ele insinua:

— Então não vai ter terrário?

— Vai, porque é algo pra Iara também. Mas ele tava aprontando esse precedente desde aquele dia da poda.

— Mas que... safado! E olha que domingo passado ele me colocou pra tirar tudo do lugar, tirar tudo que é medida, pegar as referências, mexer no jardim... Tirou o dia pra me dar trabalho. Eu me sujei inteiro!

— Ele me disse que tu tava muito do empolgado com as atividades.

— Que eu tava, tava, ué, mas... No fim, era pra me enrolar.

Dou de ombros.

— Foi a função dele, o que eu posso dizer?

Vinícius se chega mais pro meu lado pra me desafiar.

— Pode me dizer o que foi verdade e o que foi mentir...

De repente seus olhos se concentram em algo bem além de mim e ele exclama baixo e quase pausadamente:

— Ai, meu Deus.

Volto para trás pra saber do que se trata, mas tem muita gente espalhada pra sacar o que ele tá olhando.

— O quê? Onde? O que foi?

— O Silveira ali, conversando com a Dani, sozinho.

O namorado se levanta depressa e eu vou atrás com bolo e tudo – no guardanapo, claro. A preocupação não é que esse senhorzinho fosse revelar algo, mas poderia deixar umas entrelinhas pra Dani e isso remexer com algumas estruturas emocionais. Desde a virada, o acordo era de ele assistir as apresentações, vê-la, mas que evitasse contatos que não fosse acompanhado. Nos apressamos pra atravessar o salão, quase perto da porta para a cozinha, e diminuímos o passo ao chegar na conversa deles.

Apesar da barulheira da banda, dá pra ouvir o que diziam quando nos unimos à bolha deles:

— Ah, era o senhor no vídeo!

— Isso, isso, a menina Iara...

Vinícius toma o Silveira pelos ombros como quem não quer nada.

— Meu pai tá procurando o senhor, sabia?

— Só fui ao banheiro. E encontrei essa jovem aqui.

Não apenas encantado, Silveira estava estonteante de conversar com a Dani. Minha amiga faz um pequeno charminho, sem se ligar na situação – ainda bem.

— Acho que tenho mais um fã, gente.

— Com certeza!

— E o senhor não vai experimentar o karaokê? A família do Vini fez sucesso hoje.

— Ah, acho que não devo. Faz tempo que não arrisco nada. Desde que perdi meu piano, eu n... Não faço muita coisa.

Mesmo assim, Dani se deslumbra e eu e o Vini só permanecemos ouvindo e observando como a conversa vai, de bom semblante.

— O senhor toca piano? Que incrível! Acho um instrumento bem subestimado. Não que eu queira aprender a tocar algo, porque me lanço em outras partes, mas sei lá... É um fascínio particular. Por aqui, o máximo que temos é um teclado mesmo.

Ela aponta para o palco e se volta para o Silveira com uma ideia que faz eu e o Vini nos encararmos atônitos.

— Mas se quiser tocar um pouco, posso falar com o Léo. Acho que daqui a pouco eles vão fazer uma pausa.

— E daria mesmo? Mas o que eu poderia tocar? Quem cantaria?

Silveira olha da Dani pra mim e é minha amiga que se pronuncia.

— Não precisaria alguém cantar, mas se eu souber, eu canto. O senhor teria alguma música em mente?

Nesse momento, Vinícius me olha, ainda segurando os ombros desse senhorzinho, e é como se me perguntasse o que fazer. Eu também não sei e, nessa altura da conversa, não acho que dê pra impedir. Não acho até que seja para impedir. Mas é o Silveira quem deve dizer, não a gente.

Acanhado, ele mesmo acredita que não tem como rolar. A Dani, por outro lado, pelo jeito quer muito agradar o seu fã.

— Eu só sei música antiga, menina.

— Ué, mas vai que eu conheço? Diz aí um artista que o senhor goste.

— Hmmm... Billy Joel.

— O senhor saberia tocar Vienna? É a que toca no filme De Repente 30.

— Sei a música, não sei o filme.

— É o bastante pra mim. Vou ver como tá a lista e falar com os meninos. Aí vou na sua mesa te chamar. Pode ser assim?

De brilho diferente no olhar, ele assente, feliz, e o Vinícius o faz retornar à mesa, acompanhando-o de volta. Eu permaneço ali meio descrente do que acaba de acontecer, tanto que continuo segurando o final do meu pedaço de bolo.

— Muito simpático esse vôzinho, né? Lena?

— Oi? Sim, sim... Muito... mesmo.

— E por que tá com essa cara aí? Estranha de repente.

— É que... eu fiquei tocada por ele ter falado da história do piano. Faz uns bons anos que... e teve um incêndio também que...

Essa parte é divulgável, então tudo bem deixar escapar.

— Sério? Que triste. Acho que lembro dele aqui na virada. Dançou com a Iara algumas vezes. Agora até eu quero rever aquele show. Acho que sai até o fim de semana, pelo menos a primeira parte. Esse bolo tá muito gostoso, né?

Dani se diverte por, na hora de eu dar a mordida final, a cobertura me melar na bochecha – de novo. Ela até tira um pouco com sua mão mesmo e eu limpo o restante (assim como a ela) com o meu guardanapo.

— É por isso que eu comia com tanta parcimônia.

— Tô quase pedindo pra levar mais um pedaço pra mim.

— Tem bastante bolo, pode pedir de boas. Djane encomendou pra um batalhão!

Diz ela que não queria pra faltar, já que ano passado quase não deu. Dessa vez foi um bolo de quatro quilos gigante, por isso tava tão pesado pra levar.

— Não sei se eu teria essa cara de pau. Tenho pra muita coisa, mas não pra isso. No máximo pediria a referência do lugar.

— Ah, é naquele restaurante do Center, lá no fundão, que dá na escadaria do supermercado. Mas se quiser, eu pego pra ti.

— Já que ofereceu, eu aceito. Aliás, já fez as pazes com a sogrinha?

Durante a hora da pizza, Vinícius contou na mesa o que Djane fez conosco e que ficou uma batalha entre mim e ela.

— Tô enrolando um pouco. A vingança da vingança. Ela foi querer brincar logo comigo!

— Logo as duas mais teim...

Nessa hora o CK anuncia mais uma pessoa, o que me chama atenção de imediato.

— E agora vamos com... Tuco Lacerda! Sobe aqui!

Viro para trás exatamente quando Vinícius vem vindo. Grito pra ele correr:

— É o Tuco! É a vez dele!

Antes do Vini nos alcançar, Dani se despede:

— Vão lá que eu vou logo puxar papo com o Léo. Mas pega meu bolo depois!

Faço sinal de positivo e sigo com Vinícius para o meio da galera. Logo a banda eletriza todo mundo ao dar partida no som de The Killers com Somebody Told Me.

— Caramba, ninguém vai acreditar nessa!

Vinícius puxa o celular pra abrir a câmera enquanto Tuco vai dando pulinhos para entrar na onda, meio nervoso. Quando começa, ele não olha pra ninguém na plateia, só para o telão, onde vai passando as letras – lá no palco, é o que dá o mínimo de confiança para as pessoas tentarem cantar. É no refrão que consigo avistar Ohana, pois ele acena animado pro lado dela, que grita de volta e puxa as palmas do salão. Arrasto o Vinícius comigo para a gente se unir ali e aumentar a gritaria de apoio.

No segundo refrão, Tuco faz o mesmo que Renato, pula demais e fica sem fôlego pra uma parte da música, porém, não deixa de curtir a sensação, dançando e dramatizando. Já na estrofe de ponte, antes de se encaminhar pro final, ele se abaixa entre as caixas de som, incitando a galera a cantar, e aponta o microfone pra esposa, que no final das contas, canta! Eles dividem o microfone assim mesmo, no improviso e numa fofura única. Por fim, pros refrões finais, ela o encontra lá em cima e cantam juntos. Também seguem meu exemplo com a Dani ao reverenciar o público como no teatro.

Antes de deixar o palco, ele diz no microfone:

— Obrigado, obrigado. Vou querer esse vídeo, hein, Vini!

Nisso, Dieguito faz barulho na bateria enquanto o CK verifica a lista do próximo candidato num notebook do lado. Eu ainda tava gritando pelo arraso do Tuco e da Ohana quando o CK de repente anuncia minha gangue. Só que ele fala de um jeito engraçado, mais como uma pergunta do que uma afirmação.

Pensei que a Dani já tivesse entregado nosso nome (ou apelido) faz tempo.

— O próximo é... os Oliveiras?!

Bruno, bem atrás de mim, anima-se dizendo “aqui, aqui” enquanto abre espaço pra passar. Em pronto desespero, Vinícius me olha com uma cara de “eu também? como assim eu também?”. Dou um beijo rápido no seu rosto e digo logo que não é pra ele subir, é pra ele assistir. Antes de seguir o caminho do Bruno, cutuco o Sávio, que também tava logo atrás. Só que ele resiste, claro, e de novo.

— Bora, cara, nossa vez.

— Mas... eu não canto!

Com as mãos aos bolsos da calça, ele se encolhe todo, coitado, quase com a mesma expressão de desespero do Vinícius a segundos atrás. Eu já ia revelar que era só mais um convite quando a pentelha ruiva surge ali, animada, pegando-o pela mão. Quer dizer, enganchando-se no braço dele para que ande.

— Bora, bora, que o povo nos espera. A gente ensaiou por isso mesmo!

Aquele ensaio que ele mais contornou do que participou, principalmente quando se tratava de assumir a posição com um microfone. Até mesmo para brincar com a banda, o Sávio simplesmente não conseguia, não fluía. E por mim tava tudo bem isso, ele não precisa cantar – mesmo! A Iara que inventou essa história de provocar seu namorado pra ver se na hora, com algum incentivo e adrenalina, se ele subiria ou não. Eu apostei que não e já achava que era pra avisar que isso era brincadeira.

Acho não, era mais do que hora de deixar isso claro!

Até porque o Sávio começa a dar pra trás, receoso. Lívido até, como se a gente estivesse encurralando-o. Desse jeito, eu já ia amenizar o tom, tirando dele o que parecia ser uma obrigação (que não era!), quando a Iara tenta mais uma vez, pendurando-se nele.

— Vamo, amor, é só pra subir. Só isso. Tu sabe que nem tem microfone pra ti.

Não tinha mesmo, porque ao público foi disponibilizado apenas dois dispositivos. Para mais pessoas, teria que dividir e às vezes o CK até cedia o seu. Dependia da canção.

Iara outra vez tenta puxar a mão de seu namorado, do bolso, o que ele até tira, mas dá um passo para trás, apreensivo. Ela ainda captura a mão dele nessa e pede de novo.

— Bora, tu consegue. Eu tô contigo. Vai ser legal!

Percebo que o Sávio tá tão nervoso que até mesmo para encarar o palco logo a sua frente, parece que ele não consegue. O modo como pisca, de um jeito tão agoniado, até eu fico agoniada junto. A I não tá vendo isso não?

— Acho que...

Sávio se força a dizer algo, mas nessa hora o Bruno nos chama do palco, acenando para sermos rápidos, e pra mim já deu isso de brincar com coisa séria. Uma coisa é colocar Djane, Filipe e até seu Júlio no palco, porque eles fariam – e fizeram – pelo Vinícius, mas pedir isso do Sávio é outro paranauê.

Não que o Sávio não pudesse fazer algo por seus amigos e, olha, ele já fez bastante, fez até demais, mas nesse ponto, de colocá-lo numa zona de embaralho e de vergonha, já não acho justo. É preciso respeitar os limites do outro. Especialmente se ele já deu todos os sinais de resistência, medo de palco e de que tá procurando rota de fuga. Mas eu também não queria expô-lo tanto.

Assim, atravesso entre o casal, para eles se afastarem um pouco, e dou um aceno de positividade pro Sávio, pra ele saber que não precisa ir, que tá tudo bem ele não ir. Em seguida, para nossa ruivinha, eu afasto mais ela dele e até vou empurrando essa doida, como se já estivesse indo pro palco. Pra ver se essa criatura nota melhor o climão, digo baixinho pra ela:

— Ele não quer, I.

Mas essa pimentinha insiste, me impedindo de levá-la pro nosso posto.

— Ah, mas eu queria tanto que a gent...

Pra contê-la, eu também persisto e volto a pegar seus ombros para direcioná-la no nosso caminho.

— Vamos só nós mesmo. Não tem problema.

Lá do palco, Dani e Bruno acenam pra subirmos logo e o baixista manda um som aleatório no instrumento, demonstrando que já tava todo mundo no ponto e que a gente que tava demorando. Nisso, o Vinícius intervém com uma ideia:

— Ele pode filmar. Não pode, Sá...?

Na pressão, meu amigo assente rápido demais e eu volto a empurrar essa ruiva, que, derrotada, anda meio aos tropeços comigo. Como estamos atrasadas, nem dá mais tempo de eu dizer algo, porque a Dani dá o sinal e a banda começa. CK dá a entrada na guitarra, o que faz o público entrar em alvoroço de novo por nossa escolha – Razões e Emoções (cover masculino e feminino), do Nx Zero – e aponta para eu pegar o microfone dele quando passo na sua frente.

Para interagir com a galera, Dani diz para as pessoas seguirem o ritmo com as palmas, como ela. Bruno, mais solto, começa os primeiros versos e ela prossegue, abraçando o namorado. Eu e Iara vamos ecoando até integrar o refrão com eles.

Como essa música tem uma letra mais fácil, não preciso ficar olhando pro telão. Ao conferir como estavam as coisas lá no salão, no pé do palco, vejo o Vinícius filmando e o Murilo conversando com o Sávio. Quer dizer, meu amigo seguia incomodado e o meu irmão falava algumas coisas no pé do ouvido dele, como que o acalmando.

Aproveito o intervalo instrumental entre o refrão e as outras estrofes e dou uma cutucada na Iara, pra ela ver o que tava rolando ali e, é, acho que bate o arrependimento nela. Canto a primeira parte da segunda estrofe com o Bruno, balançando os braços ao alto de um lado para o outro.

Seeeeentir, o que posso seeeentir

Se em um segundo tudo acabar

Eu não vou ter como fugiiiir


A segunda parte seria a Daniela com a Iara, mas a I de repente se coloca bem no meio da gente e diz:

— Olha pra mim, Sávio!

E ela vai sozinha nos versos seguintes, encarando diretamente ele. Justo os versos mais dramáticos e que funcionam bem como uma declaração.

É, é que às vezes acho

Que não sou o melhor pra você

Mas às vezes acho

Que poderíamos ser

O melhor pra nós dois


Entramos de volta à canção ao nos aproximar e entoar com ela o “só quero que saibaaaa” e todo mundo cantar junto o refrão. Mas no ponto clímax da música, antes do solo da banda, a Iara sai correndo pelo palco, desce e vai abrindo espaço entre as pessoas para chegar no Sávio. A gente fica na expectativa do reencontro deles como se fosse um filme e eu até perco o fio da meada da música, que fica por conta do Bruno e da Dani mesmo. Só retomo nos últimos versos, em alívio, quando os pombinhos se abraçam.

Assim que desço para o pavimento do salão, de volta para os braços do Vinícius, assistimos os dois se distanciarem. Apesar de estarem juntos, pelo que dava pra ver, Sávio permanecia inquieto, na dele, e a Iara grudada, falando alguma coisa. Talvez pedindo desculpas mais uma vez. Murilo, que continuava por perto, pergunta:

— A gente faz alguma coisa?

E é o Vinícius que responde, surpreendo-nos:

— Melhor não. Eles têm o jeito deles.

Com essa, meu irmão avisa que vai ao banheiro e Vinícius continua observando sua irmã seguindo para a portaria. Talvez se certificando de algo? Não sei. Para distrai-lo disso, puxo o seu rosto para mim, toda malandra, justo para ativar outras malandragens.

— Fora essa DR, tá curtindo o teu aniversário?

A emoção volta a ele, que procura palavras pra me responder. Até vislumbra um pouco do palco, onde uma garota começa a cantar Bring Me To Life (cover feminino) do Evanescence, e, mais uma vez nessa noite, puxando os cabelos ao alto, ele segue meio fascinado com todo o evento e o que as pessoas fizeram nessa noite.

— Eu já nem sei o que dizer! Toda hora é uma coisa diferente, uma surpresa diferente e... Meus pais! E o Silveira. O vídeo. Vovô no palco! E tu me beijando no meio da música. Sabe? Eu já não sei mesmo o que dizer, como posso agradecer tudo isso.

Vinícius acaba me abraçando o rosto, de sorriso aberto, para encostar sua cabeça na minha e eu passo meus braços por seu pescoço, também para me aproximar mais, porque ali no meio daquela pequena multidão que ronda o palco, eu não quero gritar para ser ouvida, eu quero ser envolvida por ele e só estar na nossa bolha.

— Diz se tá feliz, ué.

O namorado inclina a cabeça para trás, safado e faz que pensa nessa. Mas logo volta a mim, de semblante leve e maravilhado.

— Eu tô feliz. Muito. Incrivelmente feliz. De um modo que eu não imaginaria estar. Não que achasse que...

Ele não completa e nós rimos juntos. Até porque alguém sem querer topa na gente e quase cai. Com essa, Vinícius me puxa daquela aglomeração toda, ficando mais à lateral do salão. Para melhor a gente se ouvir, ele me abraça por trás, e eu deito nele, a gente assistindo mais ou menos a apresentação da garota com o CK.

— Então, tu dizia... que tava... infinitamente feliz.

— Só me admirou que tu não foi a cabeça esse ano.

— A Iara que pediu e que bom que pediu. Ela precisava liberar o lado doido dela.

Eu diria mais do que doido, só que isso é outro papo.

— Mas eu contribuí muito, viu?

Ele me beija o ombro, todo interessado.

— Foi é? Quero saber disso aí.

— Quer, né? Tava pensando aqui... em revelar na minha surpresa... na sexta. Me pega na minha casa umas 18h30?

Falo como quem não quer nada, porém, querendo tudo e mais um pouco. O namorado, por outro lado, quer dar uma de sabichão comigo.

— Mas se tu tá me contando, não é uma surpresa.

— Eu não disse o que eu vou aprontar, eu só disse que eu vou aprontar. Enquanto isso, a gente se diverte com os nossos amigos e a sua família, porque na sexta, vamos ser só eu e você.

— Disso eu gosto. Gosssssto de tudo isso, na verdade.

Notas finais
TÁ LIBERADO IR DE VOADORA NA DONA IARA e TÁ LIBERADO ANSIAR PELO PRÓXIMO, QUE VAI ABALAR ESTRUTURAS da parte divulgável, deixo uns trechinhos de pilantragem: "- Tu não me tenta, que eu termino aqui e saio só pra ser do contra. Ele ri, o safado. Ri e demonstra que seu aperto em mim tá bem firme. Ousa também me desafiar com seus olhos provocantes. - Tu pode até tentar, bonitinha, conseguir é outra história. Acha mesmo que consegue me driblar aqui e agora? Com muita firmeza em todo o meu ser, afirmo: - Acho! - Então vai, me dribla, que eu quero ver." e "- Mal te dou umas ervilhas e tu já se acha no direito de um cárcere privado, é? - Um cárcere teria gelatinas e morangos com leite condensado de sobremesa? - Em alguns lugares do mundo, eu acho que sim. - Teria um namorado dedicado como eu? - Olha, considerando algumas regiões da Ásia... Tem uma galera rica que faz umas coisas meio complicadas enquanto entregam uns luxos diferentes. Vendo que eu tinha respostas malucas para as suas perguntinhas capciosas, ele para um momento, fecha os olhos, suspira risonho, e volta a me fitar, dessa vez com mais amorosidade e menos picuinha." e só não tá de todo revisado, então volto assim que puder!