ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS

10 Capítulo 10 – A Volta da Luz


O sol entrava timidamente pela janela da sala de treinamento adaptada. Clary, com o braço ainda enfaixado, estava de pé em frente a uma mesa tática, digitando com uma mão só — e com a mesma velocidade de sempre.

— Você sabe que isso é irritante, né? — disse Alex, encostado na parede com os braços cruzados e um sorriso no canto da boca.

Clary lançou um olhar provocativo.

— Se eu ficar parada, eu surto. E você não quer ver isso.

Ele se aproximou, pegando um elástico de cabelo da mesa e amarrando o cabelo dela com delicadeza.

— Sabe que ainda me impressiona… você com uma mão tá mais rápida que a maioria com as duas.

Ela sorriu.

— Talento é pra poucos, sr. Assassino.

Antes que Alex pudesse responder, a porta se abriu com um estrondo.

— Cadê minha cunhadinha favorita?! — disse uma voz animada.

Um homem de cerca de 30 anos, elegante, com um sorriso cheio de malícia e olhos idênticos aos de Alex entrou como se a base fosse dele.

— Arthur — Alex disse com um suspiro — Não invadiu lugar errado não?

— Lugar certo, hora certa. Fui chamado pra completar o esquadrão — disse ele, já se aproximando de Clary. — E me disseram que você é uma hacker lendária, pequena… mas perigosa.

Clary ergueu uma sobrancelha, divertida.

— Se continuar me chamando de pequena, vou provar que sou perigosa mesmo com um braço só.

Arthur riu e piscou.

— Pronto, tô oficialmente encantado. E mais: acho que descobri como tirar meu irmãozinho do sério.

Alex apenas resmungou, mas um leve sorriso escapou.

Mais tarde, com a equipe reunida, uma nova análise foi colocada na mesa: movimentações estranhas nos territórios antes dominados pelo chefe do crime que Alex eliminou.

— Estão testando os limites — disse Nate — Tem gente querendo descobrir o quanto o ‘Assassino’ ainda sangra.

— Então vamos mostrar que ele ainda mata. — Arthur completou com um brilho nos olhos.

Alex ficou sério.

— Mas desta vez... eles não vão chegar perto dela. Nunca mais.

E com Clary de volta — mesmo com um braço a menos — todos sabiam:

O esquadrão estava completo.

E o mundo do crime… que se preparasse.


**


A missão era clara: se infiltrar em um leilão clandestino de tecnologia militar realizado por um dos braços do mercado negro que havia se fortalecido após a queda do antigo chefe do crime. O local: um hotel de luxo disfarçado de centro de eventos.

Arthur seria o rosto da operação. Disfarçado de um comprador europeu, elegante e arrogante, sua entrada no evento era garantida.

Mas o cérebro por trás da missão... era Clary.

Mesmo com o braço ainda enfaixado, ela havia preparado um sistema de monitoramento remoto escondido em um broche de lapela — que Arthur usaria.

— Vai com calma nas piadinhas, Arthur. Isso aqui é sério — disse ela, digitando com precisão e concentrada.

— Sério? Isso vindo de alguém que nomeou meu broche de monitoramento de “Flor do Desastre”? — ele disse, colocando o acessório no paletó.

Clary sorriu de canto.

— Só quis combinar com você.

Alex cruzava os braços atrás deles, observando os dois com uma mistura de orgulho e tensão.

Arthur, claro, notou e não perdeu a chance.

— Relaxa, irmãozinho. Eu só flerto com o perigo. Nunca com propriedade alheia.

— Você já teve dentes quebrados por menos — Alex respondeu, seco.

Clary apenas fingiu que não ouviu, escondendo o sorriso.

Horas depois, Arthur estava no salão do hotel, circulando entre empresários corruptos, mafiosos e criminosos engravatados.

Clary, do outro lado da tela, guiava cada passo.

— Três metros à sua esquerda. Cabelo grisalho, terno roxo. Ele é o vendedor — ela disse no fone.

Arthur desviou como um dançarino, se misturando com naturalidade.

— Esse cara tem cheiro de cigarro barato e perfume de bilionário... estou enjoado. Você me deve chocolate por isso, hacker.

— Se conseguir o pen drive e sair vivo, eu te dou até cobertura de morango — Clary respondeu, digitando com uma mão só, o rosto iluminado pela tela.

Na saída, Arthur foi confrontado por dois seguranças.

Antes que a confusão começasse, um sinal no fone:

— Agora, Arthur. Rota B. Porta de serviço, corredor leste.

Ele correu, saltou uma divisória, e escapou como um fantasma.

No carro, ao reencontrar Clary, ofegante, ele a olhou com admiração sincera.

— Tá aí. Você é realmente tudo o que dizem. Inteligente, rápida e… impossível de intimidar.

— E você é menos irritante do que eu imaginava — ela respondeu.

Alex apareceu logo depois, pegando o pen drive da mão do irmão.

— Missão cumprida.

— Irmãzinha tá aprovada? — Arthur provocou.

Alex olhou para Clary com um olhar que dizia tudo.

— Ela já era aprovada antes de você chegar.

Arthur apenas riu, erguendo as mãos.

— Ok, ok... mas vou continuar perturbando. Isso é parte do meu contrato.

Clary balançou a cabeça, rindo.

Aquela missão foi a prova: mesmo machucada, mesmo incompleta, ela era o coração do time.

E agora, com o mestre dos disfarces a bordo, o jogo estava só começando.