ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS
19 Capítulo Final – A Nova Missão
Clary vinha se sentindo… estranha.
Há semanas, passava mal pela manhã, com o estômago embrulhado e uma fome inexplicável que surgia e sumia sem aviso. Estava mais cansada, mais sonolenta. Por vezes irritada, por outras... chorava vendo vídeos de gatinhos.
Mas, como sempre, manteve tudo em segredo.
Afinal, era Clary. A mente de ferro. A intocável.
O que ela não sabia… é que Alex estava observando tudo.
Os olhares dele estavam mais atentos que nunca.
As pequenas mudanças, os cochilos inesperados, os doces escondidos em sua gaveta, a forma como ela às vezes tocava a barriga distraída…
Ele via tudo.
— Tá tudo bem com você? — perguntou ele, num fim de tarde qualquer, quando ela recuou o prato de comida.
Clary forçou um sorriso.
— Só um pouco cansada. TPM, talvez.
Ele apenas a observou. Sem comentar.
Mas a preocupação já estava registrada.
Foi naquela noite.
Estavam sozinhos em casa, rindo de um filme idiota, quando Clary se levantou de repente, cambaleou e caiu.
Alex correu até ela, ajoelhando-se ao lado com o coração acelerado.
— Clary?! Amor, fala comigo! Respira... olha pra mim!
Ela não respondeu. Estava pálida, suando frio.
E então, o mundo dele parou.
Acordou no hospital.
Luz branca. O zumbido de aparelhos.
Clary piscou devagar e viu dois rostos ao seu lado: Alex, tenso, com os olhos vermelhos, e Joe, segurando sua mão com força.
— Oi… — ela murmurou, a voz fraca.
Alex se aproximou, beijou sua testa, a voz embargada:
— Você me assustou, hacker. Não faz mais isso comigo. Nunca mais.
Joe não dizia nada. Mas o olhar dele dizia tudo.
E então, o médico entrou. Sorrindo.
— Bom dia. Já podemos dar os parabéns?
Os três olharam para ele em uníssono.
— Parabéns? — Clary repetiu, confusa.
— Sim — disse o médico, mostrando o exame. — A senhorita está grávida. Pouco mais de 8 semanas. Enjoo, sono, desmaio... tudo explicado. Um bebê forte. E muito amado, pelo que posso ver.
Silêncio.
Alex ficou imóvel. Os olhos arregalados. Depois se virou pra Clary.
— Você tá... grávida?
Ela piscou.
— Eu... não sabia. Juro. Só achei que era estresse. Missões demais. Você demais...
Joe começou a rir. Um riso leve, verdadeiro.
— Então é isso… Eu vou ser avô.
Clary olhou pra Alex, os olhos marejando.
— Você tá bravo?
Ele balançou a cabeça, se sentou na beira da cama e puxou o rosto dela entre as mãos.
— Eu tô… em choque. Mas tô feliz. Muito. Nunca pensei que algo pudesse me fazer tremer mais do que uma missão suicida. Mas saber que vou ser pai? Isso me destrói e me constrói ao mesmo tempo.
Ela sorriu.
— Acha que vai sobreviver?
— Por vocês dois? Eu sobrevivo a tudo.
Joe limpou os olhos com a manga do casaco.
— Esse bebê já nasceu num lar melhor do que eu imaginava. E vai ter o que a Clary não teve por muitos anos: amor, apoio… e dois pais malucos ao lado.
E assim, entre missões, armas, e segredos…
Clary e Alex iniciavam a jornada mais louca de todas:
Ser família.
Porque naquele mundo de caos, a única coisa verdadeiramente invencível… era o amor que eles construíram.
**
O silêncio no hospital era quase sagrado.
Depois de longas horas de trabalho de parto, Clary descansava com o corpo exausto, mas o olhar brilhando. Nos braços, um pequeno embrulho que respirava devagar… e mudava tudo ao redor.
Alex estava parado à beira da cama. Os olhos, sempre frios e analíticos, agora estavam marejados. As mãos tremiam levemente quando ele se inclinou para ver melhor aquele rostinho minúsculo e perfeito.
— Ele... é tão pequeno.
Clary sorriu, cansada, mas apaixonada.
— Metade de mim. Metade de você. E 100% teimoso, aposto.
— Já nasceu encarando. Igual você. — ele brincou, a voz embargada.
— Quer segurar?
Ele hesitou por um segundo. Mas então estendeu os braços.
E quando o pequeno foi colocado em seu peito, algo nele quebrou — e ao mesmo tempo se reconstruiu.
— Oi, pequeno hacker — sussurrou. — Eu sou o seu pai. E vou te proteger com tudo que tenho.
O bebê bocejou, tranquilo.
Alex sorriu. Um sorriso cheio de amor, reverência e medo.
— Nunca imaginei que algo tão pequeno pudesse ser tão poderoso.
Do lado de fora da maternidade, o esquadrão esperava.
Nate andava em círculos, impaciente.
— Será que nasceu com o olhar da Clary? Se for, ninguém vai conseguir mentir pra ele.
Billy ria.
— Ou com a cara fechada do Alex. Aí o bebê já nasce intimidando o pediatra.
Arthur bufou.
— Não importa. Vai ter três tios malucos e completamente dispostos a dar um soco em qualquer um que olhar torto.
A porta se abriu.
Joe apareceu primeiro, sorrindo de orelha a orelha.
— É um menino.
Gritos, aplausos, risos.
— Forte? — perguntou Nate.
— Saudável. E vai ser uma mistura explosiva de cérebro, agilidade, e brutalidade — respondeu Joe, orgulhoso.
Horas depois, todos puderam vê-lo.
O pequeno dormia entre os braços da mãe, enquanto o pai observava com adoração.
Clary olhou para os três amigos e disse:
— Conheçam nosso filho. E preparem-se… ele vai ser mais rápido que eu, mais certeiro que o Billy, mais disfarçado que o Arthur… e com a mania de perseguição do Alex.
— Então já nasceu um agente de elite. — disse Nate, sorrindo.
— Nasceu amado. — corrigiu Alex, com firmeza.
E assim, entre armas e abraços,
entre sombras e luz…
nasceu um novo capítulo.
Porque no fim, não foram as missões que fizeram história.
Foram as pessoas.
E aquele pequeno menino, filho de uma hacker e de um soldado, seria a prova viva de que até os corações mais endurecidos… podem se tornar lares.
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