ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS
18 Capítulo 18 – A Armadilha Reversa
— Alex… — Clary chamou, os olhos fixos no monitor. — Eu achei.
Ele se aproximou rapidamente, olhos acompanhando os dados.
— Onde?
— Armazém abandonado na Zona 5, fachada de empresa desativada. Mas o tráfego de dados é constante. Encriptação pesada, mas consegui mapear. Tem servidor, movimentação armada e rota de escolta ativa nas últimas 48 horas.
Alex passou a mão pelo queixo.
— Ele se escondeu bem. Mas agora a gente tem a vantagem.
Ela virou-se para ele, o brilho no olhar misturando adrenalina com orgulho.
— Vamos derrubar esse desgraçado.
A operação foi montada em tempo recorde.
Nate, Billy e Arthur foram designados para o perímetro e entradas táticas. Alex, como sempre, lideraria a invasão. E Clary operaria do centro de controle remoto — uma sala segura equipada por ela mesma, conectada aos drones, escutas e circuitos internos do alvo.
— Vai dar certo — garantiu Clary, já posicionada diante de quatro telas, headset no ouvido. — O protocolo de bloqueio está pronto. Assim que entrarem, eu isolo os dados e intercepto qualquer tentativa de fuga.
Alex parou à porta da sala e olhou para ela.
— Se algo parecer errado... você me avisa. E sai.
— Prometo.
— Clary.
— Alex.
Ele respirou fundo, depois sorriu de lado.
— Você é minha força. Lembre disso.
Ela piscou, emocionada.
— Sempre.
A invasão aconteceu como planejado. Rápida. Precisa.
Mas boa demais para ser verdade.
Enquanto operava, Clary notou um padrão sutil nos servidores. Linhas duplicadas. Eco de sinal.
— Espera… isso não faz sentido. — murmurou, correndo os olhos pelos dados. — É uma armadilha.
Quando se levantou para sair, já era tarde.
A porta da sala se fechou automaticamente. E ao virar-se, ele estava ali.
Hale Vorkin.
Frio. Com um sorriso quase preguiçoso, apontando uma arma diretamente para ela.
— Olá, pequena gênia.
Ela manteve a postura.
— Você está morto. De novo.
— E você continua se achando mais esperta do que é.
— Eu sou mais esperta. Você só não percebeu ainda.
Ele avançou devagar, ainda sorrindo.
— Alex te tornou mole. Emoções... apego. Tudo isso te faz lenta. Previsível.
Ela recuou um passo.
— E é aí que você erra. Ele não é minha fraqueza. Ele é meu gatilho.
Nesse instante, tiros soaram no andar de cima. Portas arrebentaram.
Hale se virou.
— O quê…?
Clary sorriu, mesmo com a arma apontada pra ela.
— Você achou que eu estava operando de fora. Mas eu estava dentro. Sempre estive.
O teto explodiu em uma chuva de luz vermelha quando Arthur e Nate desceram de rapel. Billy invadiu pela porta lateral com uma granada de luz.
E por fim… Alex surgiu atrás de Hale, arma em punho.
— Largue a arma. Agora.
Hale congelou. Virou-se devagar.
— Você devia estar desesperado. Eu usei a sua mulher como isca.
Alex não hesitou.
— Ela se deixou usar. Pra te levar até mim.
Hale apertou os olhos.
— Você é mais frio do que eu lembrava.
— Não. Eu só tenho mais a perder agora. E isso me tornou ainda mais letal.
Hale tentou girar a arma, mas o disparo de Alex foi mais rápido.
O vilão caiu. Vivo, mas sangrando.
Alex correu até Clary e a envolveu nos braços, a respiração ainda acelerada.
— Eu disse pra você sair se parecesse errado.
— Eu disse que prometi. Não que ia cumprir.
Ele riu, aliviado, colando a testa na dela.
— Você me mata do coração, hacker.
— E você me salva… todas as vezes.
Atrás deles, o esquadrão já começava a algemar os capangas restantes.
Hale, caído no chão, olhou para o casal com ódio.
— Isso vai te destruir, Alex. Você ainda vai perder tudo por causa dela.
Alex o encarou.
— Você nunca entendeu o que é ter algo pelo que vale a pena morrer… e matar.
—
Clary não era mais vista como uma vulnerabilidade.
Ela era o centro do esquadrão.
A mente da guerra.
A razão do comandante.
E a força que ninguém ousaria subestimar novamente.
**
A repercussão foi imediata.
A prisão de Hale Vorkin, um dos criminosos mais procurados e “teoricamente mortos”, tomou as manchetes. A operação liderada por Alex e realizada por seu esquadrão de elite foi considerada uma das mais bem executadas dos últimos anos.
Clary, mesmo não aparecendo nas fotos, foi mencionada em todos os relatórios como o cérebro por trás da ofensiva.
Alex foi chamado pelos superiores para uma cerimônia discreta, mas simbólica, onde recebeu uma honraria de liderança.
Ele a dedicou publicamente ao time.
E em particular… a Clary.
Joe esteve presente. De terno. Sério. Orgulhoso.
Clary ficou no fundo da sala, discreta. Mas quando ele a encontrou, estendeu o braço e ela foi até ele sem hesitar.
— Você me orgulha todos os dias, hacker. — ele sussurrou.
E pela primeira vez, ela se sentiu em casa.
A base do esquadrão agora tinha outro clima. As paredes ainda eram de concreto, os protocolos ainda rígidos. Mas as risadas se tornaram comuns. O café sempre era reposto. E a sala de descanso? Vivia ocupada.
Alex e Clary estavam mais íntimos, mais unidos. Dormiam juntos todas as noites — fosse em casa ou numa base móvel em missão. As brincadeiras e provocações continuavam, mas agora envolviam beijos, olhares longos e uma cumplicidade silenciosa.
Nate havia se apaixonado por uma médica forense de humor ácido, que adorava provocar Clary com teorias de conspiração.
Billy estava namorando uma analista de perícia balística, especialista em armas e obcecada por biscoitos.
Arthur? Estava com uma professora de artes marciais, que batia mais forte que ele. Todos eles se reuniam com frequência, e Clary virou o elo entre as garotas.
As três formaram um trio inseparável — e as piadas internas entre elas renderam olhares confusos e muitos suspiros de resignação dos rapazes.
Clary e Joe haviam estabelecido um ritual.
Toda sexta-feira, ao meio-dia, ele passava na base ou na casa dela.
Iam almoçar juntos. Depois, tomavam sorvete. Sempre os mesmos sabores.
Era o momento em que o passado dava lugar a algo novo. Algo bom.
Missões?
Muitas.
E todas vencidas com precisão, lealdade e inteligência.
O esquadrão virou referência.
Mas, acima de tudo… eles viraram uma família.
Alex ainda era o comandante. Frio quando necessário.
Mas com Clary, havia suavidade nos olhos. Uma calma que só ela trazia.
E quando ela dizia “vem comigo”, ele seguia. Sem hesitar.
Porque no fim das contas, o maior troféu deles… era o que tinham um no outro.
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