ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS

16 Capítulo 16 – Revelações e Intenções Duvidosas


A base estava movimentada, mas o clima era outro. Clary havia retornado. Ainda com curativos, ainda em observação médica, mas... de volta.

Sentada no centro de inteligência, os dedos voltando à dança veloz sobre o teclado, Clary invadiu uma rede criptografada recém-descoberta que Daniel ajudava a proteger. Os códigos eram densos, quase impossíveis de decifrar.

Mas ela era Clary.

Minutos depois, ela empalideceu.

— Achei o nome — murmurou. — E tenho um rosto.

Alex, que estava ao seu lado, virou imediatamente.

Na tela, uma imagem granulada tomou forma. Um homem de olhos vazios, sorriso macabro, cicatriz na mandíbula. E um nome abaixo: Hale Vorkin.

Alex parou. O ar foi sugado de seus pulmões.

— Isso… não pode ser. Ele morreu. Eu vi o corpo. Eu estive lá.

— Está vivo. E tá jogando com a gente. Usando Daniel, usando tudo.

Alex se afastou, os punhos cerrados.

— Ele foi o responsável pela emboscada em Valensk. Perdi três homens naquele dia… E ele me chamou de “irmão de sangue” antes de morrer.

Clary tocou levemente sua mão.

— Agora a gente termina o que começou.

Alex assentiu, mas a tensão em seus olhos deixou claro: o jogo ficou pessoal.

Horas depois, a equipe estava reunida no lounge da base para um momento raro de pausa. Nate, Billy e Arthur estavam espalhados pelo sofá, enquanto Clary mexia distraída em um tablet.

— Vamos lá, pequena hacker. Agora que sobreviveu a dois tiros e descobriu um fantasma, conta uma coisa importante — disse Billy, com um sorriso preguiçoso.

— Alguma vez na vida… você já ficou bêbada?

Clary levantou os olhos devagar.

— Nunca bebi nada alcoólico.

Silêncio. Três pares de olhos arregalados. Uma explosão coletiva:

O quê?!

Nate sentou-se ereto.

— Você tem 21 anos, é agente de elite, hackeia satélites da NASA, e nunca ficou bêbada?

Arthur já sacava o celular.

— Isso vai virar operação: “Derrubar a Hacker”.

Billy riu alto.

— A gente precisa disso. Experimento científico.

— É pelo bem da equipe — acrescentou Nate.

— Pela ciência — concluiu Arthur, solene.

Clary revirou os olhos.

— Vocês são ridículos.

— Ridiculamente empenhados em te ver solta. — disse Billy, já puxando uma garrafa imaginária.

Alex entrou no cômodo nesse exato momento.

— O que vocês estão tramando?

Os três apontaram para Clary como meninos pegos no flagra.

— Ela nunca bebeu. — disseram em uníssono.

Alex suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Ah, não…

Clary cruzou os braços.

— Eu topo.

Todos a encararam.

Alex arregalou os olhos.

— Você o quê?

— Eu topo beber. Desde que vocês parem de agir como se eu fosse feita de porcelana.

— A gente não acha isso, hacker — disse Nate. — A gente só acha que vai ser hilário.

E Alex, vencido, só murmurou:

— Isso vai dar tão errado…

Mas no fundo, ele sabia. Ela já tinha enfrentado armas, traições e fantasmas do passado.

Um porre com os “irmãos”?

Seria só mais um capítulo caótico… e inesquecível.

**

A casa de Alex estava mais viva do que nunca.

Nate, Billy e Arthur haviam invadido sua sala com sacolas cheias de garrafas, copos coloridos, petiscos, música ambiente e uma animação que parecia impossível de conter.

Clary estava sentada no sofá com as pernas cruzadas, parecendo entediada... até que Alex colocou um copo na mão dela.

— Se for pra fazer, que seja direito — ele murmurou no ouvido dela, a voz grave e arrastada.

Ela o encarou com um sorriso torto.

— Só não reclame depois.

Três horas depois, Nate estava cantando Lady Gaga com um controle remoto, Arthur debatia filosofia com um porta-guardanapos e Billy gritava pelo telefone:

— Mãe, eu tô bem! A Clary ainda tá sóbria!

Clary, no entanto, permanecia impassível. Bochechas levemente coradas, os olhos brilhando… mas firme. Copo após copo.

— Isso é bruxaria. — resmungou Arthur.

— Ela bebe mais que a gente e não tropeça! — disse Billy.

Clary apenas deu um gole.

— Anos treinando em silêncio. Observando os fracos caírem. — respondeu, com ar misterioso.

Alex, do canto da sala, só observava com um meio sorriso. Orgulho e tensão misturados em cada gole que ela dava. Sabia que em algum momento o álcool bateria.

E bateu.

Depois que os meninos se despediram, ainda aos risos, Alex foi até a cozinha. Estava pegando água quando ouviu passos atrás dele.

Clary.

Ela estava descalça, os olhos agora um pouco mais pesados. Mas o sorriso?

Lento. Faminto.

— Alex...

Ele se virou, e ela já estava perto. Perto demais.

— Tá se sentindo bem?

— Melhor do que nunca.

Ela deslizou os dedos pela barra da camiseta dele, os olhos azuis fixos nos seus.

— Sabe o que eu tava pensando?

— Clary...

— Que você me deseja há muito tempo. E que hoje... não tem ninguém pra nos interromper.

Alex cerrou os olhos, tentando manter o controle.

— Você está bêbada.

— Estou... livre. — ela murmurou, subindo nos pés e mordendo o lóbulo da orelha dele.

Foi o fim da resistência.

Alex a carregou no colo até o quarto como se fosse feita de vidro, mas assim que a deitou, tudo mudou. O olhar dele escureceu. A calma sumiu.

Ele puxou a blusa dela com precisão e lentidão cruel, revelando centímetro por centímetro da pele quente.

— Você quer que eu perca o controle? — ele murmurou, voz grave, arrastada.

— Não. — ela sussurrou, já arqueando sob ele — Eu quero que você mostre o que tá guardando desde que me viu.

Alex sorriu. Um sorriso de predador.

E então a noite começou.

Suas mãos traçaram o corpo dela como se memorizassem cada curva. Sua boca era quente, possessiva, e cada toque arrancava suspiros baixos e palavras entrecortadas. Ele a virou de bruços, segurou seu quadril e sussurrou no ouvido:

— Essa noite, você não vai esquecer quem você pertence.

Ela gemeu. Forte.

Ele foi intenso. Profundo. Dominador.

Seu nome nos lábios dela virou súplica.

O corpo de Clary tremia sob ele, entregue. E mesmo assim, faminta.

Horas se passaram.

E ainda assim, ela não se cansava de dizer:

— Mais.

E ele deu. Mais. Tudo.

Aquela noite não foi só sobre sexo.

Foi sobre posse.

Sobre entrega.

Sobre almas colidindo.