ENTRE SOMBRAS E CÓDIGOS
8 Capítulo 08 – Armadilha Silenciosa
Já sentada com Alex na sala de monitoramento, Clary estava mais quieta que o normal. Ela brincava com o colar no pescoço — um movimento nervoso que Alex já havia notado outras vezes.
Ele estudava o rosto dela. Havia algo errado.
— Clary — ele disse com a voz baixa, firme — aconteceu alguma coisa?
Ela hesitou. O olhar azul encontrou o dele por um breve momento antes de desviar.
— Eu... não sei — sussurrou. — Pode ser só coisa da minha cabeça.
— O que exatamente?
Ela respirou fundo.
— Tenho sentido... como se alguém me seguisse. Às vezes vejo sombras. Ou ouço passos que param quando me viro. Mas nunca vejo ninguém.
Alex já estava de pé antes mesmo dela terminar de falar.
— Por que não me disse antes?
— Porque pode ser só... paranoia. Sei lá. — Ela forçou um sorriso. — Eu ando mais sensível. Com tudo que tem acontecido... não queria parecer fraca.
Ele se aproximou, ajoelhando diante dela para ficar à altura de seus olhos.
— Nunca pense isso. Se você sente, eu acredito. E isso já é o suficiente pra mim.
Ela engoliu em seco, tocada pela seriedade nos olhos dele.
Mas antes que pudessem dizer mais alguma coisa, a tela do monitor piscou com um alerta vermelho.
“AÇÃO EM ANDAMENTO – NÍVEL 3 – POSSÍVEL ENVOLVIMENTO DE FACÇÃO ARMADA”
A voz de Nate soou pelo comunicador:
— Alex, temos que ir. A movimentação é no Porto Sul. Informações dizem que pode ter ligação com o cartel venezuelano.
Alex se levantou, mas seus olhos não saíram de Clary.
— Vamos conversar melhor depois. Mas prometa que não vai andar sozinha até eu averiguar isso, entendeu?
Ela assentiu, e ele se inclinou, roçando os lábios na testa dela em um gesto protetor.
— Ninguém encosta em você. Nunca mais.
E com isso, Alex saiu, já com o olhar de aço.
Enquanto Clary ficava, observando a tela... e sentindo novamente aquele arrepio nas costas.
Alguém a estava caçando.
E logo, ela descobriria quem.
**
O Porto Sul fervilhava sob a luz pálida da madrugada, com contêineres empilhados e caminhões cruzando apressados. A equipe chegou rápida, cercando o local indicado pelos informantes. Mas, algo não se encaixava.
Alex franziu o cenho ao receber o relatório.
— Muito fácil até agora — murmurou, a voz baixa e tensa.
Do lado oposto, no centro de comando, Clary estava sozinha. Ela havia pedido comida chinesa para o jantar — o raro momento de pausa no meio da tempestade. Entre uma tela e outra, digitava códigos, sua mente focada no que parecia uma rotina.
Quando o entregador chegou, ela levantou para buscar o pedido. Ao abrir a porta do centro de comando para receber a sacola, não percebeu a sombra que a aguardava.
Em poucos segundos, mãos fortes agarraram-na pelas costas. Um pano com cheiro forte pressionou seu rosto.
Do lado de fora, Alex tentou contato via rádio.
— Clary, confirma status? — a voz firme.
Nenhuma resposta. Apenas o silêncio.
Ele tentou novamente, o estômago apertado.
— Clary!
O pressentimento se confirmou. Algo estava muito errado.
— Nate, Billy, me acompanhem — ordenou, a voz cortante — Vamos encontrar nossa hacker.
Enquanto isso, no silêncio forçado do centro de comando, Clary lutava para não desmaiar, sentindo o medo apertar seu peito como uma armadilha invisível.
Alex sabia que o jogo havia mudado. E a caçada começava agora.
O silêncio no rádio cortava o ar como uma lâmina. Alex olhava para a tela de comunicação do centro de comando, o nome de Clary piscando em vermelho: “sem resposta”.
Seu maxilar travou.
— Isso foi armado. Desde o começo — disse, já se movendo com precisão militar.
Billy e Nate vinham logo atrás, ambos prontos para o que viesse.
— Todas as câmeras de segurança estão desativadas. Isso não é coincidência — Nate disse, analisando o painel.
Alex parou por um segundo, seus olhos escurecendo.
— Foi uma distração. A missão no porto... eles sabiam que estaríamos longe dela.
Ele não gritou. Mas a tensão em sua voz dizia mais que qualquer explosão.
— Ativem o protocolo de rastreamento completo. Todos os satélites privados. Câmeras urbanas. Trânsito. Chaves de acesso. Clary não desaparece sem que eu derrube esse maldito mundo pra encontrá-la.
Billy soltou um leve “sim, senhor” — dessa vez, não por respeito ao comandante… mas ao irmão que acabava de entrar em modo de guerra.
Em algum lugar escuro e abafado, Clary recobrava a consciência.
Seu pulso doía. Estava presa com uma braçadeira plástica. A boca seca, a cabeça pesada pelo sedativo.
A iluminação era fraca. Um porão? Um depósito?
A porta se abriu.
O homem que entrou era o mesmo que tentara se aproximar dela na boate. Traje caro, postura arrogante… e olhos doentios.
— Finalmente acordada. Pensei que perderia mais tempo — ele disse, se aproximando — Sabia que você era boa, mas não imaginava que fosse tão... requisitada.
Clary manteve a respiração sob controle. Não mostraria medo. Mas por dentro, tremia.
— Você não vai sair vivo disso — ela disse com frieza.
O homem riu.
— Ah, pequena... Não sou eu quem está em perigo.
Ele se abaixou, segurando seu rosto com a ponta dos dedos.
— O que Alex sente por você... é exatamente o que eu quero usar contra ele.
Clary desviou o olhar, enojada.
Mas por dentro, uma única certeza a mantinha firme:
Ele viria.
Alex viria.
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