Lorenzo tinha acabado de completar um aninho e já reinava absoluto entre os corações daquela casa.

Ele andava com passos decididos, caía com classe e chorava com dignidade… só quando percebia que não conseguiria manipular os pais.

O olhar? O mesmo do pai. Intenso, penetrante e com aquele brilho de “eu já sei tudo que você tá pensando”.

— Lucca, ele tá tentando manipular o Harry de novo. — Hana murmurou, escondida atrás da porta.

— De novo não. Isso é a terceira vez só hoje. — ele respondeu, com o sorriso torto que Lorenzo também já dominava.

E lá estava Harry, ajoelhado, babando:

— Quem é o bebê mais lindo do mundo? É você, meu príncipe! Quer mais um brinquedo? Quer? Eu te dou! Eu dou minha alma, é só pedir!

— Uuuhhh! — respondeu Lorenzo, apontando para a prateleira. Estava claro quem era o verdadeiro CEO da situação.

Hana e Lucca se entreolharam. Eles sabiam muito bem com quem estavam lidando.

O tempo passou. Lorenzo agora com seus 5 anos era encantador, educado (até certo ponto) e amava os pais.

O evento beneficente da empresa estava um luxo. O salão elegante, os flashes de câmeras, os olhares curiosos — e ali no centro, o pequeno Lorenzo vestido igualzinho ao pai.

Terno preto. Gravata. Sapato engraxado. Expressão de “estou entediado, mas educado”.

Uma senhora se abaixou para apertar suas bochechas.

— Mas você é um bonequinho! Posso morder essas bochechas?

Lorenzo apenas arqueou uma sobrancelha, idêntico ao pai.

— Prefiro que não, senhora. Isso seria uma invasão de espaço pessoal.

A mulher ficou estática. Hana, grávida de sete meses, quase afundou no sofá.

— Lucca! Olha o que ele tá fazendo de novo! — ela sussurrou, enterrando o rosto nas mãos.

— O que foi? Ele foi educado. — Lucca respondeu, cheio de orgulho.

— EU CULPO VOCÊ! — Hana soltou.

Mas no fundo? Ela achava a miniatura do marido irresistivelmente adorável. Mesmo com as respostas afiadas, Lorenzo sempre vinha correndo logo depois para dar um beijo na barriga da mãe e dizer:

— Oi, maninho. Tô cuidando da mamãe até você chegar, tá?

~*~

Era fim de tarde de domingo. A família estava reunida na cozinha. Hana enrolava bolinhos de arroz enquanto Lorenzo ajudava Lucca com o molho da massa — ou melhor, comia mais tomate-cereja do que colocava na panela.

— Eu sou o chefe! — Lorenzo anunciou, com a colher de pau em punho.

— Não, você é o ajudante do papai. — Lucca corrigiu.

— Mas eu sou mais bonito. — ele rebateu, sorrindo com aquele charme herdado. Hana apenas riu e revirou os olhos.

Depois do jantar, os três se jogaram no sofá. Hana colocou a cabeça no ombro de Lucca, Lorenzo no colo dos dois.

Lucca beijou a testa dela com carinho.

— Eu nunca imaginei que um dia teria tudo isso. Você me deu a minha melhor versão, Hana.

Ela sorriu, os olhos marejados.

— E você me ensinou o que é ser amada de verdade.

Então, Lorenzo se intrometeu, como sempre:

— E EU amo vocês dois! E meu maninho também ama!

— Ah é? — Lucca perguntou, sorrindo. — Como você sabe?

— Porque ele chuta toda vez que eu falo com ele. Ele já me ouve, papai.

Lucca se inclinou e beijou a barriga de Hana com carinho. Ali estavam os seus maiores tesouros, sua família. Seu mundo inteiro.

E naquele momento, tudo estava exatamente como deveria ser.

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