ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

10 Capítulo 10 – O Primeiro Beijo


A madrugada era calma.

Lá fora, a cidade dormia em silêncio. Mas dentro da cobertura de Lucca, uma respiração acelerada cortava o sossego.

Hana se revirava no colchão, coberta de suor frio. As imagens era do incêndio, porém ela estava dentro do apartamento — o calor, a fumaça, o som abafado das chamas, ela tentando chegar a porta, tentando gritar por ajuda. E então… olhos escuros, mãos a puxando, a sombra de Dylan ameaçando de novo.

Ela acordou com um grito sufocado, sentando-se de repente.

Antes mesmo de perceber, a porta se abriu.

Lucca estava ali. Descalço, camisa entreaberta, cabelo bagunçado e expressão grave.

— Hana?

Ela o olhou, assustada. Os olhos cheios de lágrimas.

Ele atravessou o quarto em dois passos.

— Foi só um pesadelo. Você está segura. — disse, com a voz baixa.

Mas ela apenas se jogou contra ele.

Os braços envolveram o pescoço dele com força, como se ele fosse a âncora que impedia o mundo de desmoronar. Lucca a segurou pela cintura, sentindo o coração disparar. Ela tremia.

E estava usando um pijama. Curto. Muito curto.

A pele quente tocava a dele. As pernas nuas pressionadas contra suas coxas. O perfume adormecido dela misturado com o cheiro da casa. O rosto encostado no peito dele.

Era demais.

Ela não sabia, mas ele estava no limite.

— Desculpa. — sussurrou, sem soltá-lo. — Eu… só precisava sentir que estava segura.

Lucca não respondeu de imediato.

Seus dedos passaram devagar pelas costas dela.

O coração dele martelava tão forte que tinha certeza que ela ouviria.

Quando ela afastou o rosto por um segundo e ergueu os olhos para ele, encontrou aquele olhar que não era mais frio. Era intenso.

— Você está. — ele disse. — Comigo… sempre vai estar.

O silêncio caiu entre eles.

Só o som do ar-condicionado. E das respirações que se sincronizavam.

Então, aconteceu. Ele inclinou o rosto devagar.

Ela não recuou. O primeiro toque foi hesitante. Teste.

Depois... urgência.

As bocas se encontraram com um calor abafado, os dedos dele se enterrando nos fios do cabelo dela, os lábios se movendo em uma dança que falava tudo o que eles não conseguiam dizer.

Hana sentiu o mundo girar.

Não havia mais medo.

Não havia mais dúvida.

Só ele. E aquele beijo.

Quando se afastaram, ofegantes, os olhos dela estavam arregalados… mas havia um brilho diferente neles.

— Isso… isso foi...

— Real. — disse ele, a voz rouca. — E inevitável.

Ela sorriu, tímida.

Ele a segurou pela nuca, com carinho, e encostou a testa na dela.

— Agora durma. Eu fico aqui. — murmurou.

E assim ela fez.

Nos braços do homem que não sabia como amava… mas já não conseguiria viver sem.

~*~

O dia seguinte foi… estranho.

Hana acordou com o coração disparado, o rosto quente, e a lembrança do beijo ainda pressionada nos lábios.

O beijo.

Aquele beijo que foi quente, urgente, real.

E que agora… era um silêncio gigante no ar entre ela e Lucca.

Ela tentou agir normalmente.

Fez café, colocou um vestido leve e penteou o cabelo como se não estivesse em combustão interna. Mas cada vez que passava perto dele, cada vez que o via cruzar o corredor com aquela camisa meio aberta e o olhar sempre intenso, ela sentia tudo de novo.

E Lucca?

Lucca estava em guerra.

Ele olhava pra ela e só conseguia lembrar do calor dos lábios dela nos seus. Do cheiro da pele. Da forma como ela o segurou como se pertencesse a ele.

E isso o deixava louco.

Toda. Santa. Vez. Que ela aparecia.

E, como se o universo quisesse torturá-lo, Hana aparecia em todas as direções.

Harry?

Harry estava se divertindo como nunca.

— Chefe, tá tudo bem aí? — perguntou enquanto tomava café e observava Lucca secar a mesma planilha há cinco minutos. — Ou você tá tentando hipnotizar a tabela até ela virar a Hana?

Lucca ignorou.

Ou tentou.

— Aposto que foi um sonho, né? Daqueles que deixam sequelas emocionais. — continuou Harry, malicioso.

Lucca lançou um olhar afiado.

Harry ergueu as mãos.

— Ok, silêncio confirmado. Então rolou mesmo.

Era dia de folga. E Hana, por milagre, tinha planos.

Ela terminou de passar um batom suave, pegou a bolsa e foi para a sala. Lucca estava na cozinha, com a camisa dobrada até os antebraços e uma xícara nas mãos — o olhar focado nela assim que apareceu.

— Onde você vai? — ele perguntou.

Mas do jeito Lucca de perguntar: parecendo um interrogatório da máfia.

Hana arqueou uma sobrancelha.

— Vou passar o dia com a minha avó. Ela tem exames de check-up e depois uma volta no shopping.

Lucca apertou os lábios.

Por dentro, a palavra shopping soou como “lugar onde homens desconhecidos olham para Hana”.

— Sozinha?

— Eu e minha avó. Não se preocupe.

Lucca ficou quieto por um segundo. E então... baixou a guarda.

— Tenha cuidado. — disse, mais baixo do que o tom usual. — Se precisar… me liga.

Hana sorriu, aquele sorrisinho que fazia ele querer puxá-la de volta pra dentro e beijá-la até ela esquecer o próprio nome.

— Ok.

— Promete?

— Prometo.

E então ela saiu.

Harry, que apareceu do nada como um ninja espião, bateu nas costas de Lucca.

— Isso aí, chefe. Controle emocional nota 5, possessividade nota 10. Mas a tensão sexual… tá indo pra 100.

Lucca virou lentamente.

— Eu deveria te demitir.

— Você deveria. Mas sabe que não vive sem mim. Agora… vai dar um jeito nisso. Ou no beijo, ou em você.

Lucca olhou pra porta onde Hana tinha passado.

E sabia:

Ele estava perdido. Mas nem queria se encontrar.