ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

17 Capítulo 17 — Quando o Ódio Veste Gravata


A casa dos Smith estava em silêncio. Um silêncio incômodo.

Antony andava de um lado para o outro no escritório, os olhos fixos na tela do celular, onde as ações da empresa ainda despencavam.

Nada do que faziam parecia funcionar. Nenhuma coletiva de imprensa, nenhuma tentativa de contato.

Nada conseguia deter Lucca Palezo.

E pior… Hana.

A filha renegada. A vergonhosa. A esquecida.

A maldita que agora era o centro do mundo.

— Isso tudo está acontecendo por causa dela… — ele murmurava entre os dentes.

Então resolveu o óbvio: pedir ajuda à mãe.

Ela estava no jardim, cuidando das flores, como se o mundo não estivesse desabando.

— Mãe… eu preciso que a senhora fale com a Hana.

— Pra quê? — ela perguntou, sem sequer levantar o olhar.

— Ela… precisa entender que está sendo usada. Que está nos prejudicando! A senhora pode convencê-la a voltar pro lugar dela.

Mya finalmente ergueu o olhar.

E o que Antony viu foi uma decepção profunda refletida nos olhos dela.

— Voltar pro lugar dela, Antony?

— É. Longe daquele homem.

— E onde é o ‘lugar’ de Hana, meu filho? Esquecida? Humilhada? Ou agredida psicologicamente como vocês sempre fizeram com ela?

— Mãe…

— Você acha que o que ela conquistou foi por sorte? Por ‘se vender’? Você sabe o que ela passou? O que ela sofreu?

Antony se calou.

Os olhos da mãe estavam cheios de uma dor que ele não reconhecia.

— Eu errei. Muito. Por não tê-la protegido. Mas você… você está errando por escolha.

Ela largou a tesoura e saiu andando, deixando o filho ali, com a alma ferida e o orgulho em frangalhos.

Antony socou a parede.

A raiva crescia. A inveja transbordava.

— Nada disso está dando certo… nada!

Ele voltou para o escritório e fechou a porta.

As luzes apagadas, o whisky cheio.

E os pensamentos, os piores possíveis.

— Parece que te assustar com a casa em chamas não funcionou… — ele murmurou, com um sorriso sombrio. — Será que sequestrar e quebrar essa carinha de santa resolve?

A sombra no olhar dele era pura maldade.

E o plano, agora, era muito mais perigoso.

Ele queria ver o medo nos olhos de Hana.

E não sabia... que a fera dentro de Lucca já estava em alerta.

~*~

O dia amanheceu estranho. Lucca sentiu. Harry sentiu.

O mundo parecia em silêncio. Um silêncio de alerta.

Hana não apareceu depois do almoço.

Seu celular estava desligado. A recepção não a viu sair.

Nada. Nenhum sinal. O relógio parecia zombar da espera.

Horas viraram dias.

E com cada minuto que passava, Lucca se transformava em algo perigoso.

Incontrolável.

— A gente vai encontrá-la. — Harry disse, tentando manter a própria sanidade.

Lucca ergueu os olhos. Vermelhos. Frios.

— Se algo tiver acontecido com ela, Harry… eu vou destruir o mundo.

Do outro lado da cidade. O galpão estava escuro.

Cheiro de poeira e ferrugem. Cadeado na porta.

Hana, amarrada e caída no chão frio.

A dor era tanta que ela mal conseguia abrir os olhos.

Os homens que a sequestraram não falavam muito. Só riam. Eles haviam sido pagos — bem pagos — para "dar um recado".

E deram.

Chutes.

Socos.

Xingamentos.

Tudo com uma crueldade calculada.

Hana chorava baixinho. Não por dor.

Mas por se sentir de novo... como antes.

Sozinha. Quebrada. Esquecida.

Ela pensava em Mya.

Em Harry.

Em Lucca.

E desejava… que ele não a visse assim.

Mas no fundo, uma única coisa gritava:

"Ele vai me encontrar."

Na manhã do segundo dia, Lucca recebeu uma mensagem anônima.

“Rua 27. Galpão 13. Venha sozinho. Ou não a verá viva de novo.”

Harry viu o celular cair no chão.

— Harry…

— Lucca, o que foi?

— Achei ela.

Quando Lucca arrombou o galpão, a visão quase o fez cair de joelhos.

— Hana…

Ela estava caída, a roupa rasgada, o rosto machucado, os lábios partidos… mas seus olhos — quando o viram — ainda brilharam.

— Você veio…

Ele correu, a pegou nos braços com delicadeza, como se ela fosse feita de cristal.

— Eu te amo… eu te amo… eu te amo…

— Desculpa… — ela murmurou.

— Você não tem que pedir desculpa por nada, minha pequena.

Ela desmaiou.

Mas Lucca já havia visto o suficiente.

No hospital, os médicos correram.

Hana teve costelas trincadas. Cortes profundos. Hematomas antigos e novos.

Lucca ficou na sala de espera com as mãos cobertas de sangue — o dela.

Harry chegou e tentou falar, mas Lucca só disse uma coisa:

— Eles tocaram no que é meu. Agora, não vai sobrar ninguém.