ENTRE DIAMANTES E DESTINOS
14 Capítulo 14 – As Peças se Movem
O dia estava fluindo normalmente para Hana, apesar do leve desconforto que sentia com alguns olhares a mais nos corredores. Desde o evento, parecia que todos queriam saber mais sobre “a garota que encantou Lucca Palezo” — mas Hana, ingênua em sua doçura, acreditava que era só a curiosidade passageira dos colegas.
Mal sabia ela o que se espalhava lá fora.
Na sala de reuniões, um novo cliente aguardava com um sorriso que parecia mais provocação do que simpatia. Hana entrou com sua pasta de anotações e educação impecável, pronta para apresentar o projeto. O homem, com fala lenta e gestos escorregadios, parecia mais interessado nela do que nos esboços à sua frente.
— Você é mais bonita ao vivo do que nas fotos… — ele murmurou, como quem testa limites.
Hana gelou. Fotos? Que fotos?
— Com todo respeito, senhor, podemos focar na proposta?
— Claro, claro… só acho que é perda de tempo uma mulher como você se esconder atrás de croquis... quando claramente tem outros talentos.
Ele se levantou e deu a volta na mesa. Hana recuou, mas antes que sua mão tocasse nela, a porta se escancarou.
— Um passo a mais e você vai aprender o real significado de contrato quebrado. — A voz de Lucca ecoou como uma lâmina.
Atrás dele, Harry entrou, com o celular em punho e uma expressão cínica.
— Quer que eu grave? Isso pode render ótimas manchetes… ou talvez uma prisãozinha rápida.
O cliente arregalou os olhos, recuando.
— Eu… eu achei que ela era... bom, li nos sites, nos comentários... disseram que —
— Que ela se deitou comigo pra conseguir a vaga? — Lucca interrompeu. A frieza em sua voz era cortante.
Hana engoliu em seco, envergonhada e confusa.
Lucca então puxou o celular do bolso e o jogou sobre a mesa. A tela já mostrava as manchetes que a mídia havia começado a espalhar — com detalhes e “fontes próximas” que não deixavam dúvidas: os Smith estavam por trás disso.
— A família dela quis brincar com fogo… — ele disse, encarando o cliente. — e agora vão assistir enquanto tudo que construíram vira cinzas.
Hana estava em silêncio quando eles saíram da sala. Andou ao lado de Lucca, ainda sem saber como reagir. Quando chegaram ao elevador, ele a puxou gentilmente para dentro antes das portas se fecharem.
— Você sabia disso? — ele perguntou, o olhar fixo nela.
— Não… — sua voz saiu falha. — Eu… eu nunca imaginaria que eles…
Lucca respirou fundo, segurando o controle que estava por um fio.
— A partir de agora, você não precisa imaginar nada. Eu vou mostrar o que acontece quando mexem com o que é meu.
A frase ficou no ar como um voto silencioso, mas pesado.
E Hana, mesmo sentindo o coração bater acelerado, pela primeira vez não teve medo do que viria a seguir.
Ela confiava nele.
E Lucca… estava prestes a provar que, por Hana, ele moveria o mundo — mesmo que, para isso, precisasse destruí-lo primeiro.
~*~
As notícias correram como rastilho de pólvora.
No início, o burburinho era apenas sobre a beleza e o “suposto relacionamento” de Hana com o temido CEO. Depois, vieram os rumores sórdidos, sussurrados por corredores e alimentados por postagens anônimas. Mas agora… tudo começava a mudar.
E Lucca Palezo sabia jogar.
— Solte isso na imprensa. E avise que estamos cooperando com a polícia. — Lucca falou com frieza, os olhos fixos no tablet em sua mesa. — Destaque que o incêndio no apartamento de Hana Smith tem fortes indícios de ter sido criminoso. Ainda sem confirmação, mas... já basta para acender os holofotes certos.
Harry, do outro lado da sala, ergueu uma sobrancelha.
— Quer levantar a poeira antes do soco?
— Não. — Lucca respondeu. — Quero que o soco venha quando todos estiverem prestando atenção.
O efeito foi imediato.
Em menos de 24 horas, portais de notícias de negócios, design e até crônicas policiais compartilhavam manchetes como:
“Design brilhante e alvo de sabotagem? Hana Smith e o mistério do incêndio.” “Filha renegada dos Smith brilha na Palezo Designs enquanto tragédia acende suspeitas.”Nos corredores da empresa, os olhares se tornaram outros.
A garota que antes era vista como “a protegida do chefe” agora era admirada. Era a mulher que, apesar dos boatos, entregava projetos impecáveis. A funcionária que mesmo sob pressão... não se afastou da sua mesa. Que sorria para todos, mesmo quando claramente não recebia sorrisos de volta.
Os cochichos agora vinham com tons diferentes:
— Você viu o esboço dela? Aquilo é arte.
— Ela tá passando por tudo isso e ainda entrega no prazo? Eu mal consigo revisar meus e-mails.
— Talvez a gente tenha julgado errado...
Enquanto isso, Hana... tentava processar tudo. Quando encontrou sua própria história numa reportagem online, seu peito apertou. Ela sabia que não havia confirmação nenhuma, mas as palavras "possível atentado", "conexões familiares tensas" e "relacionamento discreto com o CEO" estavam ali. Cravadas como pregos na alma.
Naquele fim de tarde, sentada na varanda da cobertura de Lucca com um café nas mãos, ela sussurrou:
— Por que está fazendo tudo isso por mim...?
Lucca, parado à porta, respondeu sem rodeios:
— Porque ninguém mais fez.
E então ele se aproximou, sentando-se ao seu lado. Tocou suavemente o queixo dela, obrigando-a a olhar em seus olhos.
— Você não precisa se justificar por ser brilhante, Hana. Eles é que deveriam se envergonhar por nunca terem enxergado.
Naquele momento, ela não era mais a garota excluída.
Ela era a peça central no tabuleiro.
E Lucca Palezo acabara de declarar guerra em nome dela.
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