ENTRE DIAMANTES E DESTINOS
13 Capítulo 13 – O Brilho que Cega
O salão do Grand Royal Hotel estava sendo preparado há dias. Cada detalhe — dos arranjos florais às luzes cintilantes — estava perfeitamente ajustado, como uma joia prestes a ser revelada. A empresa Palezo não fazia nada pela metade, e Lucca menos ainda. Ele queria que aquela noite fosse inesquecível.
Nos bastidores, havia tensão.
Alguns colegas, ao verem que o colar de encerramento era assinado por Hana, não conseguiram esconder a frustração. Mas não podiam negar o óbvio: só de olhar para a peça, algo no peito apertava. Era sentimento bruto, transformado em beleza.
E isso… era inegável.
Horas antes do evento, Lucca terminava de ajeitar os detalhes com Harry.
— Todos os convites foram enviados? — ele perguntou, ajeitando os punhos da camisa.
— Sim. Inclusive o envelope dourado para a família Smith.
Lucca apenas assentiu, mas o olhar era puro veneno gelado.
— Vai dar confusão — Harry comentou, entregando um copo de whisky.
— Que comece o espetáculo.
No apartamento, Hana observava o próprio reflexo.
O vestido vermelho moldava seu corpo como se tivesse sido costurado diretamente sobre sua pele. Sexy, ousado, provocante… mas ainda assim, elegante. Com fenda lateral, costas nuas e um decote que sugeria sem escancarar, ela parecia saída de um sonho. Um que poderia facilmente virar um pesadelo — afinal, hoje sua família estaria lá.
E ela não sabia com que intenção.
Quando desceu as escadas do prédio para encontrar Lucca e Harry, a cena foi digna de filme.
Lucca perdeu o ar. Literalmente.
Harry, que estava ao lado, estendeu um lenço sem olhar para ele.
— Vai precisar.
Lucca pegou o lenço com um meio sorriso contido.
— Esse vestido deveria ser ilegal.
Hana corou.
— Achei que fosse apropriado.
— É perigoso. — Ele se aproximou e sussurrou. — Mas... só seu.
No evento, os flashes começaram antes mesmo de entrarem no salão.
Fotógrafos gritaram os nomes deles, perguntas foram disparadas como tiros:
— Quem é a musa misteriosa de Lucca Palezo?
— Lucca, vai se casar?
— Senhorita, qual a sensação de estar ao lado do CEO mais cobiçado da cidade?
Lucca, calmo como sempre, envolveu a cintura de Hana com o braço e respondeu à multidão:
— Hoje, o foco é o nosso lançamento. E essa mulher ao meu lado... é a razão de tudo isso.
O salão parou quando eles entraram. Era como se a realeza tivesse chegado.
No clímax da noite, o colar criado por Hana foi exibido. Luzes brancas desceram como cascatas sobre a peça, que parecia pulsar no ar.
Lucca subiu ao palco.
— Essa peça foi feita por alguém que não apenas entende de design… mas entende de emoção, alma e significado. Senhoras e senhores… com orgulho, apresento a autora dessa obra: Hana Smith. Nossa nova designer chefe.
O salão explodiu em aplausos. Exceto em um canto.
Onde a família Smith observava com os olhos faiscando de ódio.
Michele bufou. Kim revirou os olhos. Kyle mordeu o lábio com raiva.
E Sr. Smith… apenas levantou.
Hana foi chamada por alguém da organização para uma sala nos bastidores, dizendo que alguém queria cumprimentá-la.
Era seu pai.
Ele trancou a porta atrás de si.
— Tinha que ser você pra manchar nosso nome dessa forma — ele começou, com voz baixa, cortante. — Só podia ter conseguido tudo isso… deitando com o CEO. É isso que você faz, Hana? Se vende?
As palavras atravessaram o peito dela como lanças. Ela sentiu a respiração falhar, a vontade de chorar... de gritar. Mas então...
A porta se abriu com força.
Lucca entrou.
O olhar dele era um misto de fúria e proteção.
— Acho que a conversa terminou.
Sr. Smith virou, pronto para confrontar, mas parou ao ver a expressão de Lucca. Um lobo no limite.
— Como se atreve a falar assim com ela? — Lucca se aproximou, devagar, cada passo como um aviso. — Hana conquistou isso com talento. Com alma. E a única coisa que você vai fazer agora… é sair por aquela porta antes que eu esqueça que ainda tenho reputação.
O velho tentou responder, mas foi o olhar de Hana — firme, mesmo trêmula — que o silenciou.
— Eu não preciso mais do seu reconhecimento. Nunca precisei.
Sr. Smith saiu, sem glória. Sem honra. Só com vergonha.
Lucca virou-se para Hana e a segurou com delicadeza.
— Tá tudo bem… você tá segura. — Ele disse, tocando seu rosto.
Ela o abraçou, e ali, no meio do caos, ela sentiu que finalmente... pertencia a algum lugar.
A ele.
~*~
O carro seguia em silêncio pelas ruas iluminadas da cidade, mas dentro dele, o clima era tudo, menos calmo.
Hana olhava pela janela com os olhos fixos, mas sua mente estava longe dali. As palavras de seu pai ainda ecoavam. Como sempre, ele sabia onde atingir — e dessa vez, tinha acertado com crueldade.
Lucca, ao volante, lançava olhares disfarçados na direção dela. Não precisava perguntar o que ela sentia. Estava tudo estampado no silêncio, nas mãos apertadas no colo, no lábio inferior que tremia levemente.
Ele estacionou em frente ao prédio e saiu primeiro, contornando o carro para abrir a porta para ela. Hana não se moveu.
— Hana?
Ela virou o rosto lentamente, com olhos marejados, mas um sorriso cansado nos lábios.
— Eu tô bem…
— Não, você não tá.
— Eu só… — sua voz falhou. — Eu só queria que um dia ele dissesse que tem orgulho de mim. Só isso. É idiota, né?
Lucca agachou-se na altura dela, ignorando o blazer de grife que provavelmente estava encostando no chão.
— Não é idiota. — Sua voz foi baixa, firme. — Mas você não precisa do reconhecimento de quem não soube te ver. O mundo inteiro viu você hoje. Eu vi.
Ela soltou o ar preso no peito. E, enfim, as lágrimas caíram.
Ele apenas abriu os braços. E ela foi.
Mais tarde, no apartamento de Lucca, Hana já estava com um moletom largo, sentada no sofá, abraçada a uma almofada. O cabelo solto, ainda com um leve brilho do evento. O rosto limpo, sem maquiagem, mostrava a mulher que ele mais gostava de ver: real, vulnerável… linda.
Lucca apareceu da cozinha com uma caneca fumegante.
— Chocolate quente. Achei que precisava de algo doce.
— Obrigada… por tudo — ela disse, com um sussurro.
Ele se sentou ao lado dela, mas ficou de lado, olhando-a com mais atenção do que deveria.
— Hana, você é diferente de tudo que eu conheci. Forte de um jeito silencioso… bonito de um jeito que ninguém entende até prestar atenção.
Ela desviou o olhar, envergonhada. Mas ele continuou:
— Eu não sou bom com sentimentos. Nem com palavras. Mas… desde que você entrou na minha vida, tenho tentado ser alguém que merece o seu olhar.
A caneca tremia nas mãos dela.
— Você já é, Lucca.
A frase pairou no ar, como um feitiço.
E o beijo veio.
Não intenso, nem desesperado. Mas lento. Como um agradecimento. Como uma promessa.
Na manhã seguinte, Harry entrou no escritório assobiando, e parou assim que viu Lucca com um leve sorriso no rosto, segurando uma caneta como se estivesse desenhando alguma ideia nova.
— Dormiu com a alma em paz, chefe? — ele provocou.
— Dormi com a consciência tranquila.
— Ahhh, então teve reconciliação com os seus próprios sentimentos, é isso?
— Cale a boca, Harry.
Harry apenas riu.
Mas quando viu Hana entrando na empresa mais confiante, com a postura ereta e os olhos firmes… ele entendeu.
Lucca não estava mais apenas protegendo uma funcionária.
Ele estava protegendo a mulher que, dia após dia, estava se tornando a joia mais valiosa da sua vida.
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