ENTRE DIAMANTES E DESTINOS

11 Capítulo 11 – O Jeito Mya de Amar


Hana apertou suavemente a mão da avó enquanto saíam do consultório médico. Mya estava sorridente, e seus olhos brilhavam como se a vida estivesse sempre começando.

— Está tudo ótimo, minha flor — disse, com a voz doce e forte. — Ainda tenho energia pra ver você feliz.

— Graças a Deus — respondeu Hana, visivelmente aliviada.

Elas seguiram animadas para o shopping. Mya andava com elegância, mas com a naturalidade de quem já sabia o que queria: tempo de qualidade com a neta.

Enquanto Hana olhava distraída uma vitrine de vestidos de verão, Mya, sorrateira como uma espiã de filme, sacou o celular e tirou uma foto da neta sorrindo de leve, com o reflexo do vidro destacando ainda mais a beleza sutil dela.

— Vovó! — Hana flagrou outra tentativa quando ela tentava registrar mais um clique. — Para com isso!

— O que foi? Eu tenho que mostrar pro mundo como minha neta tá linda!

— Mostra pra quem, vovó?

— Pros contatos certos, ué.

Hana riu. E entre passos leves e conversas profundas sobre a infância, as dores e até as esperanças, Mya parou de repente em frente a uma loja de lingerie.

— Vamos entrar.

— O quê?! Vovó! — Hana arregalou os olhos.

— Você tem um homem gato, rico, protetor e com cara de pecado. Aproveita. Compra algo que faça ele esquecer o nome dele por cinco minutos.

Hana cobriu o rosto de vergonha.

— Eu não preciso disso!

— Você precisa é parar de ser modesta. Vai, escolhe. A vovó paga.

Duas horas depois, já no carro a caminho de casa, Hana estava com um sorriso bobo no rosto e algumas sacolas que escondia como se fossem explosivos ilegais.

Ao chegar no prédio, fez uma missão digna de filme de espionagem tentando passar pela sala sem Lucca ver.

— Hana? — ele chamou do corredor, ouvindo o barulho da porta do quarto.

— S-só fui guardar umas coisinhas.

— Comprou alguma coisa?

— Não muita coisa…

Lucca franziu o cenho. Algo estava definitivamente estranho.

Foi então que o celular dele apitou.

Nova mensagem de número desconhecido

"Não pergunte meus métodos de conseguir seu número. Só quero que veja como minha neta está feliz. — Mya 💎"

Lucca olhou as fotos.

Hana, distraída, sorrindo. Uma comendo sorvete. Outra mexendo no cabelo.

E uma de frente pra vitrine da loja de lingerie, com uma sacola muito comprometedora na mão.

Lucca levantou uma sobrancelha e mordeu levemente o lábio.

— Mas o que…?

Antes que pudesse reagir, Harry entrou com ares de quem sentia que algo bom estava no ar.

— Chefe, a senhorita Smith foi vista contrabandeando algo?

— A avó dela me mandou fotos.

— Ah, então já é oficial. Vovó é time "Vamos Seduzir o CEO".

Lucca bufou.

— Harry, só faz seu trabalho.

— Já tô fazendo. Analisando o clima da casa e prevendo aumento no nível de tensão sexual.

Lucca lançou um olhar mortal.

— Não testei ainda a segurança da sacada, mas você pode ser o primeiro.

— Bruto, possessivo e visualmente perturbado... — Harry fingiu anotar —, sim, os sintomas são claros: CEO completamente apaixonado.

E do outro lado da casa, Hana sorria para o celular.

Mya tinha mandado uma mensagem para ela também:

"Só cuide bem do seu lobo. E se ele rosnar demais, amansa com charme."

Hana riu, com o coração aquecido.

Ela ainda não entendia tudo o que sentia por Lucca, mas uma coisa era certa… ele estava tomando conta de partes do coração dela que ela achou que ninguém nunca tocaria.

~*~

O clima no escritório era de rotina, até que Harry, do nada, levantou os olhos do monitor e ficou rígido como uma estátua.

— Mas não é que o demônio usou salto alto pra hoje… — murmurou ele.

Lucca, que lia um contrato, levantou o olhar em direção à recepção com o mesmo entusiasmo de quem vê um aviso de apocalipse. E o que viu fez seus olhos gelarem.

— Não… — disse ele, quase em um rosnado baixo.

Ela estava ali. A ex-noiva.

Cabelos impecáveis, maquiagem milimetricamente preparada, sorriso forçado de quem tenta parecer humilde, mas exala arrogância. Como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse o traído no altar.

— Lucca — disse ela, com voz melosa, tentando cruzar a sala. — Precisamos conversar.

Harry deu um passo à frente com a elegância de um cavaleiro medieval... se cavaleiros usassem sarcasmo como espada.

— Nossa, será que errei o horário do teatro? Pensei que o espetáculo de drama barato fosse só às sextas.

A mulher lançou um olhar mortal para Harry, mas foi ignorada. O verdadeiro problema era Lucca.

Ele levantou-se com lentidão, como um vulcão que começava a borbulhar por dentro.

— Você tem exatamente 10 segundos pra sair antes que eu mande a segurança.

— Lucca, por favor, eu... eu errei, eu sei disso. Mas eu mudei.

Hana estava passando com uma pasta nas mãos e parou ao ver a cena. O olhar de Lucca era tão frio que chegava a doer. Harry estava com o punho cerrado e a expressão sombria. E aquela mulher… causava algo estranho até em Hana.

Ela não sabia por que aquilo a incomodava tanto. Mas saber que Lucca tinha sido ferido por aquela mulher a deixou... em alerta.

— Eu me arrependi, Lucca. Eu precisava te ver — a mulher insistiu. — Ainda temos uma ligação. Eu sei que você ainda sente algo.

Foi aí que Hana agiu.

Sem nem perceber, se colocou entre Lucca e a ex-noiva.

— Sabe o que é engraçado? — Hana disse com calma. — Tem gente que só sente saudade do que perdeu quando percebe que não tem mais o controle.

— Quem é você? — a mulher retrucou, com desdém.

— Alguém que está vendo muito bem que você não está arrependida. Está apenas... incomodada com o fato de que o homem que você jogou fora agora tem alguém que se importa de verdade com ele.

Harry segurou um riso abafado, enquanto Lucca... simplesmente parou.

Era a primeira vez que Hana o defendia. Que alguém o defendia.

— A senhorita Smith falou. Agora saia — disse ele, sem tirar os olhos de Hana.

A ex-noiva deu um passo para trás, surpresa com a união inesperada à frente dela. Então, girou nos saltos e saiu, sem olhar pra trás.

Silêncio.

— Você... — Lucca começou, mas não sabia nem o quê dizer.

Hana apenas deu um pequeno sorriso.

— Você me defendeu antes. Era minha vez.

Harry suspirou alto, teatral:

— Eu vou ali chorar no banheiro rapidinho. Isso foi mais lindo que final de dorama.

Lucca ainda olhava Hana com algo novo nos olhos. Um calor estranho, um reconhecimento, um misto de... gratidão e desejo.

Ele havia passado anos criando muralhas ao redor do coração.

Mas Hana... Hana estava detonando cada tijolo com gestos pequenos e corajosos. E agora, ela era a muralha dele.

E talvez, só talvez... ele quisesse mesmo que ela ficasse lá para sempre.