Notas iniciais
Uma mente brilhante está para ser explodida, e isso custará a vida de milhares de inocentes.

– Qual motivo levaria uma criança à fugir de casa?

Consumido pela angústia, o pequeno Marcos com seus oito anos e meio, andava por uma rua pouco movimentada. Era fim de tarde, entre cinco e seis horas.
Passos vacilantes, sem um caminho ou destino para seguir. O frio o condenava, e ele conversava consigo mesmo.

" — Nunca entendi como é realmente viver... Não se planeja um filho, o futuro não é algo que a gente possa definir. Sempre me trataram como um fruto podre de uma relação inconstante... "

O garoto passava por uma igreja e reparava em cada pessoa, todas com uma expectativa diferente — Todas desejando um milagre, e mesmo não merecendo, elas aguardam tal acontecimento — Abaixa a cabeça e volta a conversar com seu interior.

" — Meus pais nunca tiveram afeto por mim. Sabendo disso, decidi seguir em frente sem eles, após alguns dias longe de casa, eu já me acostumei com o fato de estar sozinho. E de que ninguém liga para alguém como eu.
Agora estou sozinho? Não... Na verdade sempre estive, só não enxergava... O real motivo de querer vingança, não é por coisas que eles fizeram... É pelo que não fizeram. "

O garoto se agacha num canto, e envolve os braços em suas pernas, abraçando-as. Sujeira e cheiros quase insuportáveis o cercavam. A rua não era iluminada o bastante, um dos postes de luz falhava, e outro não funcionava. Os poucos carros que ali passavam, iluminavam o semblante sombrio do pobre garoto.

Alguns mendigos e moradores de rua, passavam próximo. E mesmo que um ou outro reparasse naquela criança, nenhuma ação solidária era feita. A noite ganhava vida, tal que poderia ensurdecer qualquer mente frágil.

" — Será que eles já pensaram em alguma desculpa por eu não estar lá? Aposto que os vizinhos já estão desconfiando de alguma coisa... Não ligo! Quero mesmo que eles sejam culpados. Não sei se pensarei assim no futuro, mas, eu preferia que fosse abortado. "

As explosões de pensamentos o transformava numa criança psicótica e perturbada. Ele viajava até o limbo de sua mente, e parecia sentir um enorme prazer. Permanecia a noite toda assim, até o sono o dominar.

Na manhã seguinte, o garoto acordava. Apesar dos ruídos vindo das construções próximo dali, ele parecia ignorar. Marcos continuava a andar, e mesmo sem dar atenção por onde passava, desta vez, parecia saber onde estava indo.

Numa calçada movimentada, ambulantes e vendedores se aglomeravam. Populares passavam por ali a todo momento. E o pequeno se aventurava entre aquela zona de desconforto. Uma jovem mulher, cruza seu caminho, ele vira o rosto e observa a mulher indo na direção oposta. Sem olhar para frente, esbarra em um homem. Ao cair, ele observa aquele homem, e sente que há algo de errado.
– "Ê pivete", se liga porra! — O homem dizia, se ajeitando e indo na direção da mulher. O jeito que ele andava, a maneira que ele olhava para os lados com desconfiança, aquele homem tinha alguma intenção ruim. O garoto então, levantou-se e ficou observando o homem. Inseguro, Marcos respira fundo. Pouco mais a frente, a mulher diminuiu a intensidade dos passos e parou, aparentando estar confusa.

Ao se aproximar dela, o homem agarrou sua bolsa, e puxou. A mulher foi ao chão devido à força usada pelo homem. Ele correu, e sumiu entre os populares. O garoto se aproximou da mulher, ajudando ela a levantar-se. — Obrigada. — disse a mulher, chorando e tremendo. Pessoas foram se aproximando, na maioria curiosos. Desesperada, a mulher pedia ajuda. Quanto mais ela pedia ajuda, mais pessoas a ignoravam.

– "Duvido muito que a polícia resolva... Ainda mais aqui nessa zona."

A mulher volta a olhar para o garoto — Qual seu nome?.
– Markos! — Ele respondia, sua voz era baixa.
– Ah... Obrigada. — Ela continuou. Marcos soltou um breve sorriso, e saiu dali. E tornou a pensar.

– "Nunca gostei muito do meu nome... Parece normal demais, mas eu realmente não gosto. Eu acho estranho um nome no plural... Marcos...
Ah! Que saudade da minha mãe, do meu pai... As vezes me arrependo, mas não vou voltar. Meu orgulho é maior. Não sei se posso descontar minha dor naqueles que me deram a vida... Será que posso?"

Sua mente o torturava sem piedade. E isso criava uma personalidade perturbada no pequeno Marcos. Orgulhoso, ele não sabe o que significa responsabilidade, ou apenas ignora.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.