ENDGAME - oneshot Klaroline

1 Capítulo 1. Diga sim pra mim


Notas iniciais
Depois da cena Klaroline no carro eu quis prolongar um pouco esse momento de amor e adicionei essa parte ao episódio da série original. Afinal, de que servem a fanfics se não for pros episódios terminarem como eu queria! :)

Subo as escadas devagar sabendo que preciso me preparar mentalmente. Pobre Hope, tão nova, tão inocente, tanta vida pela frente para viver sem a mãe. Ela já perdeu tanto sendo tão novinha, e agora a vida vem e arranca seu chão mais uma vez. É tão assustador saber que por mais que tentemos protegê-los de tudo, mantê-los longe de todos os perigos, ainda assim em algum momento eles vão sofrer. É impossível manter os perigos a distancia. É impossível manter o sofrimento longe de suas vidas. O sobrenatural está intrinsicamente ligado ao sofrimento. Meu coração está pequeno de dó, e de empatia. Perder minha mãe para uma doença não foi fácil, mas deve ser infinitamente mais difícil saber que sua mãe poderia ter vivido para sempre e alguém simplesmente a tirou de você a força. Se ela tiver um décimo da determinação e génio dos pais em breve teremos problemas. Ela vai querer vingança e isso pode ser o primeiro passo para um longo e obscuro caminho. Hope é demasiado poderosa para ser movida a ódio e vingança. Ela não atingiu nem um terço do seu potencial ainda, mas quando isso acontecer, ela será incomparável.

Sinto o cheio de álcool antes mesmo de abrir a porta do quarto. E já entro pronta pra fazer um escândalo, gesticulando com as mãos e expressões de desgosto estampadas na cara.

— É sério isso Klaus? – digo apontando para o quarto todo destruído à minha volta, e parando a cabeça na direção das garrafas vazias, algumas quebradas no chão.

— Você é impossível. – decreto caminhando duro em sua direção e arrancando a garrafa de sua mão. Dou um gole longo fazendo uma careta para a amargues em minha boca e volto a focar num Klaus nada contente e nem um pouco impressionado com a minha atitude.

– Eu estou nervosa, me deixa. – respondo antes mesmo dele tecer algum comentário, e ele descarta a resposta com as mãos sem vontade de argumentar.

— Você precisa se recompor, a sua filha precisa de você! Ela nunca precisou tanto de você como agora. Os próximos dias serão cruciais para ela. Você precisa mostrar que está com ela, agora e para sempre. Que ela não está sozinha, que é normal sentir medo, ódio, raiva, mas que ela não pode se deixar vencer pelos sentimentos ruins, se ela entrar numa de vingança, ela vai se destruir no caminho, e se você não fizer alguma coisa, você vai ter permitido que isso aconteça Klaus. – digo as ultimas palavras quase gritando exasperada com a cara impávida e serena que ele exibe, como se eu fosse um inseto barulhento que ele não quer se dar ao trabalho de enxotar.

Começo a arrumar a bagunça a minha volta por puro reflexo, quando tudo está um caos, organizar o ambiente me faz sentir em controle da situação, por mais ridículo que seja. Junto os cacos de vidro rapidamente, e as coisas quebradas e as amarro num lençol fazendo uma trouxa sem olhar na direção dele. Estava tudo tão bem hoje cedo, falamos do passado, ficou mais do que claro que o que nos atraia nos passado ainda está lá, eu sempre me perguntei se era só fogo de palha, e sempre tive a esperança de que não fosse, de que ele estivesse de fato, de alguma forma, ainda me esperando após esses anos todos. E ver que era verdade, que ele realmente me notou e me guardou de entre todas as pessoas que passam pelos seus mais de mil anos de idade me comoveu de um jeito indescritível. E agora, depois de um momento de luz, vem de novo a escuridão levando tudo pela frente, expulsando do nosso caminho o que era bom e confortável e levando para longe como a memória de um sonho intenso ao acordar. Mas dessa vez não vou permitir que a vida fuja das minhas rédeas de novo.

— Klaus. – chamo sua atenção de novo. Agora tenho sua atenção. Ele está com raiva, dá pra ver nos seus olhos, as pupilas contraídas de uma forma tão gritante que seu olhar é todo cor. Um azul vivo e escuro, capaz de congelar o inferno.

Não me deixo intimidar e me aproximo dele, tocando sua mão de um jeito firme, ele treme sob o contato claramente tendo dificuldades em se conter e não querendo explodir para cima de mim. Mas algumas coisas nunca mudam, e é quando ele se sente mais vulnerável que ele ataca as pessoas que gosta. Ele segura o meus braços com força e levantando e me puxando pra cima a força e dizendo baixa e venenosamente, como se eu fosse de Marte e não entendesse a língua completamente:

— A mãe da minha filha morreu. Minha amiga. Minha parceira nessa loucura que amar alguém mais do que a si mesmo e ser responsável pela felicidade de alguém. Agora sou só eu, a felicidade da minha filha depende só de mim. E nós os dois sabemos que eu não sou um bom exemplo de como ser feliz pra sempre, Caroline. Então, se você já disse tudo o que tinha a dizer, a porta da rua é serventia da casa. – suas palavras tem tom ofensivo, mas eu sei que ele só quer que eu saia daqui porque eu aumento suas vulnerabilidades e no momento ele precisa ser forte, por ele, por Hope e até por Hayley por quem eu imagino, que ele sendo ele, está preparando uma vingança digna de um filme de cinema sanguinário e violento, porem sem a necessidade dos efeitos especiais. Forço suas mãos para fora dos meus braços e os cruzo me protegendo e o enfrentando.

— Você não está sozinho. – sua boca se contrai antes que eu continue — Eu estou aqui com você. – declaro simplesmente, vendo-o negar minha declaração com a cabeça antes de rebater.

— O que você está oferecendo? – ele pergunta gesticulando – Conselhos? Sermões? Uma intervenção ou outra quando eu fizer merda? – Klaus enumera como que dando uma explicação para um aluno inconveniente.

— Muito obrigada, mas isso não é o suficiente. – determina cruelmente.

— Eu estou oferecendo o suficiente. – insisto, sabendo que ele ainda não entendeu minhas intenções, e ganhando forças e coragem para ser bem clara e cristalina. Qualquer reticencia no meu discurso e ele vai descartar tudo que eu disser como se eu tivesse ficado louca.

— O quê? O que você quer dizer com isso? – ele questiona acompanhando minha respiração lenta e pesada procurando foco em meio ao nervosismo da grandiosidade do que estou prestes a dizer.

— Eu estou oferecendo mais. – respiro devagar, consciente de cada pedaço de ar enchendo meus pulmões apertados de tensão e expectativa.

— Eu estou te oferecendo eternidade Klaus. – digo agora com confiança e olhando em seus olhos. Sincronizando o que sai da minha boca, com o que vai na minha alma.

— Eu estou te oferecendo o último lugar da fila. Como você mesmo disse há alguns anos atrás. Você queria ser o último. – relembro o do que me disse no dia da minha formatura. Que parece agora ter sido há milhões de anos atrás. — Pois seja. – Concluo, não num tom de pedido, e sim imperativo, que cobre minhas inseguranças querendo pular para fora e fazer parte dessa conversa, mas as aperto de volta para dentro. Elas não foram para aqui chamadas. Não hoje, não agora.

— Você ao menos sabe o que está dizendo? – ele começa incrédulo, como eu esperava que fizesse. — Você não viveu nem um século ainda, você tem uma vida toda pela frente Caroline. – Ele começa a enumerar enquanto anda de um lado para outro, como que se convencendo a si próprio. — Você não é mais uma menina, é verdade, você é uma mulher, em todos os sentidos da palavra, mas ainda assim, você ainda não está pronta para fazer esse tipo de oferta. – ele sabe que quer, mas ainda tem um pedaço dentro dele que não consegue aceitar um sim de coração aberto. O filho rejeitado que seus pais criaram sempre tem parte em seus pensamentos e suas reações. — Não me entenda mal, eu quero você, em qualquer tempo, por quanto tempo for, mas eu te quero mais pra sempre, e eu te quero inteira, sabendo que não deixou nada por fazer, nada por viver, eu te quero de todos os jeitos e todas as maneiras, mas eu te quero inteira só pra mim. Uma vez que você seja minha, você vai ser minha pra sempre. – ele explica, quase me ameaçando, me amedrontando. Com medo de me aceitar do jeito que estou e ser culpado pelo que pode e provavelmente vai dar errado no caminho. Para sempre é muito tempo, e ele sabe disso. Mas eu não vou deixar que suas covardias façam parte desse momento. Da mesma maneira que não deixo que as minhas inseguranças me façam me fazer de louca e desentendida e sair correndo daqui e só parar em Mystic Falls.

— Talvez eu tenha sido sua desde da primeira vez que eu te vi. – digo calmamente, como que contando cada passo que me trouxe até aqui. — Você foi me possuindo aos poucos, até que a parte que te pertencia ficou maior do que a que ficou comigo, e o que sobrou veio atrás da parte que você trouxe para tentar ser inteira de novo. Eu estou apenas voltando pra casa. Te dando a mão pro resto do caminho. – paro de falar apenas para me aproximar e segurar suas mãos, quero que ele veja meus olhos de perto antes de continuar.

— Você aceitando ou não, entendendo ou não, concordando ou não, não vai mudar a realidade.

— O que você tem agora, que não tinha antes? Porque agora? – ele questiona, genuinamente intrigado não sei se com a minha sinceridade escancarada ou apenas seu interesse natural em tudo que tem a ver comigo.

— Não é o que eu tenho que mudou. É o que eu perdi. – explico deixando suas mãos e dando um passo atrás. — Eu perdi o medo. Eu não tenho medo de você, ou de quem eu posso me tornar a seu lado. – e pronto, nessa pequena frase exponho minha alma, verbalizando um medo que sempre ficou restrito aos meus mais profundos e solitários pensamentos, até agora.

— Eu posso te mudar. – ele declara, agora apenas a titulo elucidativo. O tom de ameaça, deu lugar a um tom esperançoso mais sincero. — Talvez ao meu lado você se torne a vilã da história de alguém, você está preparada pra isso? – ele me pergunta, pondo a prova todas as minhas declarações anteriores com uma simples pergunta básica. Mais uma vez não me deixo intimidar. Eu não sou mais essa pessoa.

— Uma vez você me disse que nós éramos iguais, e isso me acertou como um soco no estomago. Eu passei dias remoendo isso, mais do que o que eu gostaria de admitir, isso me afetou de um jeito avassalador porque era verdade. – declaro para sua surpresa. — Você tinha razão. – vejo um sorrisinho de lado nascer no canto esquerdo da sua boca e logo morrer com a minha frase seguinte. — Mas você não estava certo. Nós somos iguais sim. Mas você é mais igual a mim do que eu sou igual a você. E tudo que você tem de ruim está sim dentro de mim, — aponto para o meu peito, — dentro de todo mundo, — aponto pra fora, para o que nos rodeia. — Mas é a escolha de qual monstro eu decido alimentar a cada dia que nos faz diferentes.

—Você acha que você é o único que quer matar todo mundo que se torne um problema ou irritação? – questiono retoricamente com um tom levemente debochado. — Não. – respondo a mim mesma. — Algumas pessoas simplesmente escolhem não o fazer, talvez eu possa te ensinar isso. – concluo. Mas retomo o raciocínio antes que ele tenha oportunidade de rebater.

— Talvez eu me torne a vilã de algumas histórias, ou talvez você seja o vilão de menos algumas. A gente nunca vai saber se não tentar. E a gente tem algo que a maioria das pessoas não tem.

— O quê?

— Uma eternidade pra acertar, Klaus. Uma eternidade para acertar. – repito para que não haja dúvidas.

— Você está me pedindo em casamento Caroline Forbes? — ele indaga já sorrindo — Até que a morte nos separe? – completa num tom sarcástico.

— Sim. Talvez até depois disso. – eu respondo simples e sinceramente. Quebrando a última das suas defesas. E me apoiando na mesa atrás de mim, sem mais argumentos se eles forem necessários.

— Eu diria que é um pequeno detalhe que nós sejamos imortais. – ele diz enquanto se aproxima de mim, segura minha cintura e me senta na mesa ocupando o espaço entre as minhas pernas, acariciando a minha coxa com uma mão e o meu pescoço com a outra que me guia para um beijo que diz mais do que todas as suas palavras e me mostra o que o que eu sempre soube. Ele me quer de qualquer jeito, em qualquer lugar, a qualquer hora, agora e para sempre. Algumas coisas nunca mudam. Outras estão prestes a mudar.

— Klaus — ouvimos Rebekah gritar subindo as escadas e abrindo a porta uns segundos depois. Eu tento me afastar, mas Klaus termina seu plano de beijo como se não houvesse mais ninguém ali além de nós dois.

— Klaus — se você puder dar um tempo nos amassos eu queria te lembrar que nós temos um funeral para planejar.

— E um casamento – ele interrompe.

— O que? – Rebekah pergunta desconfiada, olhando diretamente para mim que fico tímida de repente.

— A Caroline acabou de me pedir em casamento. – ele se exibe. E para minha surpresa, Rebekah sorri apesar da situação.

— Bom, uma vez que o seu padrinho de casamento quebrou o pescoço da sua noiva e está mais perdido que cego em tiroteio, e preto não combina com o tipo de decoração que eu imagino pro seu casamento, eu acho que nós vamos ter que cuidar do funeral primeiro, e dar as boas vindas a Caroline à família depois. Se bem que — ela se detém, ainda sorrindo. – Irmão problemático. Marido problemático. Funeral no dia do noivado. Eu acho que se ela está aqui sabendo de tudo isso, é melhor que você enfie um anel no dedo dela de uma vez para que ela não fuja quando acabar a compulsão. – Rebekah provoca para leve desgosto de Klaus.

— Bom pelo menos ela não tem que passar pelo constrangimento de pedir sua mão em casamento ao papai. – ela ri agora abertamente, apenas de imaginar essa situação. E eu tenho arrepios. Rebekah tem um humor acido.

— Me encontre no Bayou, Hope decidiu que quer fazer um funeral apropriado para lobos. Uma vez que essa era a natureza da Hayley, e o lugar onde ela mais se sentiu parte de algo na vida.

Klaus acena em confirmação e Rebekah desce com a mesma rapidez que subiu. Klaus inspira profundamente e sinto a nuvem negra tomar conta do ambiente de novo. Como deve ser num dia como esse.

— Vamos lá, encarar o pior dia da vida da minha filha. – ele diz mais para si mesmo do que para mim. Encarando a porta aberta. Me coloco a seu lado e lhe dou a mão.

— Tudo que você pode fazer no momento, é estar lá com ela, para ela. Mostrar que ela não está sozinha nem no sofrimento, nem no medo. E dizer que tudo bem chorar, ela não precisa ser forte. Não agora. Ela pode ser apenas a sua garotinha hoje.

Ele desce a cabeça até minha boca me calando antes que eu terminasse.

— Você fala de mais. É uma droga que a maioria das vezes você diga coisas acertadas. E pensar que eu vou ter uma vida inteira disso. – ele ironiza.

— Está reclamando? Já?

— Disso? Sim. Sempre reclamei, desde a nossa primeira conversa, mas se isso não me impediu de ir atrás de você antes, não vai me impedir de estar ao seu lado agora, mas que é irritante é.

— Mas você me ama, mesmo irritante. – declaro.

— Sim. Eu amo você Caroline. – ele confirma.

— Ótimo. – corto para sua surpresa. E com sorrisos leves e corações pesados descemos as escadas. Nossas expressões endurecendo a cada degrau até o quarto de Hope. Onde deixo sua mão livre para que entre. Ele não insiste para que eu entre junto, sabendo que nesse momento ele deve estar sozinho com sua filha. Para ouvir e partilhar da sua dor. Ele entra no quarto com a mesma certeza que eu levo comigo enquanto desço as escadas:

Esse é o primeiro dia do resto na nossas vidas.

Notas finais
Gostaram? Façam essa autora feliz e comentem alguma coisa :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!