Notas iniciais
Oi gente, como estão? Faz tempo que eu não apareço, não é mesmo? Eu peço mil e um perdões por essa absurda demora para atualizar. Não vou explicar tudo o que aconteceu, apenas vou dizer que o que houve me desanimou de uma maneira que me fez a perder a vontade de fazer muitas coisas, inclusive escrever. Eu tentava ao máximo escrever algo, mas não saia mais do que uma frase e isso me deixava muito frustrada. Estou voltando aos poucos, tentarei postar pelo menos uma vez por semana. Vou me esforçar, mas também vou precisar do apoio de vocês. Aqui está o capítulo novo e espero que vocês gostem. Peço desculpas por qualquer erro ortográfico existente.

Enquanto esperava pelo marido, Laura se encontrava encostada no capô do carro, olhando para a floresta escura e para a estrada vazia tentando enxerga alguma alma viva (apesar de tal esperança ser praticamente zero).

O pequeno Brandon permanecia dormindo no banco de trás do carro, com sua mãe velando seu sono. O olhar assustado ainda era evidente nas expressões do menino. Ultimamente seus sonhos que, um dia já foram cheios de vida e de diversão agora são pesadelos horríveis dos seres mortos que vagam pela terra, com um desejo insaciável de comer carne fresca e quente.

Brandon sempre acorda quase todas as noites gritando e chorando assustado. Laura estava prevendo que o seu pequeno iria acordar a qualquer momento. Não demorou muito e o garoto estava mais uma vez gritando.

—Não! Não! Para! Por favor! Para! — começou o menino gritando aos prantos ainda adormecido. — Isso dói! Para! Para!

Laura ouviu os apelos do filho e logo estava abrindo a porta de trás do carro, indo ao lado do pequeno e o sacudia delicadamente.

—Brandon! Brandon! Filho acorda! Acorda meu amor! É só um sonho ruim! Acorda! — o menino ainda estava dormindo e se debatia. Laura ainda tentava acordá-lo. — Querido!

—Nãããão!!! — gritou o menino acordando sobressaltado, tremendo e ofegante.

—Hey, calma querido... Calma, já passou, já passou. -diz Laura com a voz doce e tranquilizadora, enquanto puxava Brandon para o seu colo e o abraçava protetoramente. — Eu estou aqui... Eu estou aqui... Mamãe está aqui...

O pequeno se agarra ao pescoço da mãe, afundando seu rostinho no mesmo. Suas lágrimas molhavam a blusa de Laura, mas a mesma não se importou com aquilo. A única coisa com o que se importava era acalmar seu pequeno menino, que estava trêmulo.

—Quer contar pra mamãe o que você sonhou? -Ela pergunta gentilmente, com uma voz serena e calma, passando as mãos nos fios loiro escuro do menino.

Brandon vai se acalmando aos poucos, enquanto Laura dizia palavras tranquilizadoras. O coração, antes acelerado e palpitante, vai diminuindo o ritmo até se normalizar. Sua respiração também vai se normalizando e seu choro vai diminuindo até cessar. O menino usa a manga da blusa vermelha para limpar suas bochechas molhadas, logo virando seu rosto para sua mãe.

—E-Eles... Eles... –Apontava o pequeno, com a voz um pouco trêmula, para a pilha de corpos dos zumbis. Laura havia feito a pilha para passar o tempo, enquanto esperava por Tony e Alice, e também para liberar o caminho quando fosse sair com o carro. – Machucavam a gente... Mordia a gente... U-um deles... Me... Me... –Brandon tentou ao máximo se controlar, mas logo estava chorando e abraçando a mãe novamente.

Laura respirou fundo e fechou seus olhos, o reconfortando em seus braços e fazendo carinho em seus cabelos. Ele nem precisava continuar a contar seu sonho, pois ela já sabia o que havia acontecido no final dele. Ela queria poder tirar todas as imagens, todas as cenas de cada pesadelo com os devoradores que Brandon já teve e substituir pelos sonhos alegres que ele sempre teve, como, por exemplo, o dia em que o pequeno sonhou que seria um famoso jogador de futebol, igual ao seu ídolo Lionel Messi. Abriu um leve sorriso ao se lembrar disso, mas logo o desfez ao analisar a nova realidade de agora. Uma realidade na qual, seu filho mais novo não poderia ser o jogador de futebol famoso que tanto sonhou, assim como sua filha não poderia fazer a faculdade de arquitetura que tanto estudou para poder entrar.

Ao pensar em Alice, ficou se perguntando onde estaria a jovem? E seu marido Tony? Onde eles estavam? Por que não chegavam logo? Será que algo aconteceu com eles? Será que... Não! Laura tratou de afastar esses tipos de pensamentos. Precisava acreditar que Tony e Alice irão conseguir voltar bem e salvos.

—Mamãe? – Chamou o pequeno em um tom de voz baixo, despertando Laura de seus pensamentos.

—Oi, meu amor. – Diz carinhosamente, acariciando os cabelos do filho.

—Cadê o papai e a Alice?

Laura solta um longo suspiro. Essa era a mesma dúvida que tomava conta de sua mente.

—O papai foi procurar a Alice, meu bem... Lembra? Sua irmã está perdida e sozinha, e seu pai foi atrás dela.

—Ah, é mesmo... –Responde, mordendo os próprios lábios, enrolando os dedos uns nos outros, indicando nervosismo. — Eles vão demorar?

—Eu espero que não, meu filho... Eu espero que não...

***

Há pouco mais de 50 metros do local onde Laura e Brandon estavam com o carro, um homem de cabelos loiros e uma jovem de cabelos ruivos, corriam com uma certa pressa e desespero.

—Vamos, Alice! Corra mais rápido, minha filha! Estamos quase chegando ao lugar onde deixamos o carro! – Diz Tony, forçando a voz e puxando a garota pela mão.

—Pai... –Diz ela, com a voz fraca, sentindo seu corpo pesado e recuperando o fôlego. – Eu não consigo... Eu não... Não tenho mais... Força...

Alice solta à mão do pai, se deixando cair de joelhos, com ambas as mãos apoiadas ao chão, respirando de forma irregular. Sua garganta doía e arranhava de tão seca que estava. Tosse uma ou duas vezes, deixando um pouco de saliva escorrer de sua boca. Tony se agacha ao seu lado, colocando a mão no queixo da menina e o erguendo para fitar seus olhos verdes, que eram exatamente iguais ao de sua mãe.

—Meu amor, aguente firme. Estamos quase chegando, falta muito pouco. Muito pouco mesmo e assim que chegarmos ao carro, você vai poder descansar, okay? –Dizia com um tom de voz calmo. — Eu prometo filha. Mas você precisa ser forte, assim como você foi quando atraiu os devoradores para longe de seu irmão. Você lembra? Bran está bem, graças a você. E agora, ele tem medo de não poder mais te ver. Ele precisa de você, assim como eu e sua mãe precisamos de você, filha. Seja forte.

Ela prestou atenção, absorvendo cada palavra dita por seu pai. Sempre foi muito grata pelos pais que tem, eles podiam dar tudo o que ela e seu irmão quisessem, mas Laura e Tony os ensinaram a darem valor as coisas que já tinham e que só teriam algo novo se fizessem por merecer. Pode-se dizer que, tanto Alice quanto Brandon, são os poucos jovens criados dessa maneira.

Respirando fundo, a garota se levanta, segura a mão do pai, acenando positivamente para que possam continuar. Tony aperta firmemente sua mão, olhando para trás. Mesmo meio distante, era possível ver seis silhuetas de passo desengonçado na direção deles. Ele abriu um sorriso, passando confiança para a filha e logo estavam correndo novamente até o carro.

***

Depois de alguns minutos de um silêncio infernal, o pequeno Brandon voltou a dormir, agarrado ao pescoço de sua mãe. Com muito cuidado, Laura conseguiu ajeitá-lo no banco de trás do carro, o cobrindo com o seu casaco para deixá-lo mais confortável. Depositou um beijo em sua testa e sussurrou um “Durma bem, meu filho” para ele.

Fechou a porta de trás do carro, escorando na mesma e deixando um longo suspiro escapar de seus lábios. Era evidente a preocupação em seu rosto.

—Tony... Alice... Onde estão? – Falava mais para si mesma do que para o nada. Olhava para o céu, que ainda estava escuro, mas cheio de estrelas. Talvez até tivesse mais do que antes de tudo aquilo acontecer.

Ela não conseguia se lembrar, muito menos pensava nisso. Sua mente só conseguia pensar no seu marido e na sua filha.

“Onde vocês estão? Por favor, voltem logo! Por favor!”, era o que ficava repetindo mentalmente para si mesma, sentindo seu coração apertar em seu peito e seus olhos lacrimejarem. Desde que Tony havia saído para ir atrás da filha, Laura tem segurado seu choro, mas agora não conseguia mais se conter e deixou tudo aquilo sair de uma vez. Colocou as duas mãos na boca, a fim de abafar seus choramingos, não podia atrair mais zumbis. Estava sozinha e tinha que proteger seu filho.

—Por favor, meu Deus... Por favor... –Falava aos prantos, com a mão no peito. – Por favor... Faça meu marido e minha filha voltarem para mim e para meu filho... Por favor... Por favor, eu suplico meu Deus...

Talvez os próximos dois minutos tenham sido uma obra de Deus, ou simplesmente foi alguma espécie de sorte momentânea, pois dentro desse tempo, duas sombras surgiram por entre as árvores e corriam em sua direção. Laura não conseguia enxergar os rostos, mas percebeu que um deles era grande e o outro era um pouco menor.

“Será que são... São eles?”, pensou no mesmo instante. Mas logo também pensou que poderia ser algum louco, como intuito de ameaçá-la ou até mesmo matá-la. Não querendo arriscar, Laura abre a porta do motorista e, rapidamente, pega uma Magnum 44., já carregada e se preparando para qualquer problema.

***

As duas pessoas se aproximavam cada vez mais rápidos, com as mãos dadas. Eles estavam cansados e não estavam mais aguentando as próprias pernas. A qualquer momento, um deles poderia cair, resultando na queda do outro.

—Estamos chegando... Estamos chegando... – Repetia Tony, como se fosse algum tipo de mantra, enquanto apertava o passo, juntamente com Alice, que estava tão exausta quanto seu pai.

Tony olhou para trás por alguns segundos, sem interromper a corrida, e logo avistava o pequeno bando de zumbis se aproximando. Nem sabia dizer quantos estava vendo, não era mais relevante, pois assim que saiu da floresta escura, conseguiu ver sua esposa Laura, encostada ao carro e com uma arma em mãos. Provavelmente era sua Magnum 44.

—Laura! LAURA!!! – Gritou Tony o mais alto que sua voz permitia, torcendo para ser o suficiente para a esposa ter escutado.

***

Ao escutar a voz do marido, Laura relaxou, abrindo um suspiro de alívio junto com um sorriso, mas logo o desfez ao ver a situação em que seu marido e sua filha se encontravam. Os mortos pareciam se aproximarem cada vez mais rápido.

—TONY!!! ALICE!!! – Gritou ela em desespero, correndo até eles com a arma em mãos.

—NÃO!!! FIQUE NO CARRO!!! – Gritou Tony, aumentando a velocidade, com Alice fazendo o mesmo. – LIGA O CARRO! LIGA O CARRO!

Mesmo com os gritos insistentes do marido, Laura ignorou e continuou correndo até eles.

—Mãe! Mamãe! – Chamava Alice, soltando a mão do pai e correndo mais rápido, em direção aos braços de Laura, que a apertou em um forte abraço, beijando seu rosto e seus cabelos.

—Minha filha... Minha filhinha... – “Obrigada, Deus!”, agradeceu mentalmente. Lágrimas não paravam de escorrer pelas bochechas de ambas.

Tony chegou logo em seguida, as puxando pelo braço. Não queria perder mais um segundo sequer, precisava sair daquela estrada com sua família o mais rápido possível.

—Vamos! Rápido! Rápido! Depois todos nós nos abraçamos, agora precisamos sair daqui! E tem que ser agora! — Laura e Alice assentiram, e correram juntos até o veículo. – Laura! Dê-me as chaves! — Ela as tirou do bolso e jogou para ele, que rapidamente as pegou e entrou no lado do motorista, colocando o machado aos seus pés, enfiando as chaves na ignição, o ligando.

Alice entrou na parte de trás do carro, se sentando bem atrás do banco de seu pai, ao lado de seu irmão, que continuava adormecido. Laura entrou do lado oposto de Tony, se sentando no banco do passageiro. Ele olha rapidamente no carro, para ver se todos estavam realmente ali.

—Papai! – Gritou Alice, ao ver um devorador a pouco mais de dois metros e meio deles.

Não perdendo mais tempo, Tony engata a marcha e segue adiante. Um momento de tranquilidade pousou em suas mentes. Não era muito, mas o pouco já era o bastante para acalmar o coração de todos ali presentes.

Notas finais
Por favor, comentem. Espero que não tenham me abandonado. Um beijo a todos e até o próximo capítulo.