...E um hamister chamado...
7 Vai nos salvar
Notas iniciais
As coisas estavam completamente fora de controle.
Não havia como eles conseguirem resolver aquilo desta vez.
Todos os seus amigos haviam sido derrotados e seus Miraculos retirados por Hawk Moth menos o de Nino que havia o retirado e se escondido, almejando o utilizar para proteger sua namorada e a quem precisar caso as coisas ficassem piores ainda.
Ele a olhava com o mesmo olhar fiel de sempre, acreditando que ela conseguiria dar um jeito naquilo como sempre, que não demoraria para essa pensar em um plano e tudo acabaria bem, mas ela não conseguia pensar nada.
Estava presa em seu pior pesadelo.
O poder deste novo akumatisado extrapolava as noções de realidade.
Todos eles sempre tinham alguma relação com o problema que gerou sua raiva e juntamente da sua personalidade; mas eles sempre conseguiam resolver o incidente sem ter de saber exatamente cada detalhe, mas podiam deduzir pela forma tomada ou o que o próprio akumatizado os revelava.
Entretanto este estava completamente mudo.
Estava difícil de eles conseguirem entender…
Como um akumatizado poderia fazer aquilo?
De fato o inimigo havia se aperfeiçoado com o tempo e de longe aquele era o seu melhor (pior) trabalho. O poder do Akumatizado estava em outros patamares, parecia ate mesmo que este possuía um Mirakulos ou que alem do poder do Akuma estava contando com o poder de um Alog, mas não eles não conseguiam encontrar nenhum vestígio de sentimonstro.
― Hoje esta bem... interessante. Não? ― Ele para a seu lado mantendo o bom humor como sempre. ― Conseguiu alguma pista pra usar o seu talismã?
― Pior que ainda não. ― Ela diz ao achar que já tinha demorado de mais para ativar seu primeiro poder. Mas as coisas estavam muito alheatórias para saber se teria tudo o que precisava ali.
Só que não tendo outra escolha ela o ativa.
Não podia mais ver as pessoas sendo capturadas e dragadas para dentro daquele pesadelo coletivo, enquanto que a cidade era vagarosamente destruída e convertida em algo que parecia sair de um filme de terror dos mais escatológicos.
Nas paredes de pedra rostos gritavam enquanto o chão era coberto por uma gosma espessa em um tom esverdeado que exalava um odor fétido.
― Qual a idéia? Se for fazer algo, faz logo! ― Ela pode ouvir Alya gritar de longe enquanto se escondia junto do namorado que tentava a manter segura.
Como sempre todos os olhos estavam voltados para ela. Contando com ela.
― Talismã! ― Gritou esperando que mais um objeto alheatório surgisse. Algo que fizesse parte de algum quebra cabeça engenhoso e divertido de decifrar.
Mas não.
Não desta vez.
― Eita. Seu talismã esta bem? Ele parece de mal humor... ― O sempre vivax companheiro brinca surpreso ao ver o objeto que surgia nas mãos da companheira.
Estranhamente em suas mãos estava um bastão muito semelhante com o utilizado por seu companheiro, e junto dele uma corda havia surgido.
― Dois? ― Ela não compreendia. Afinal o poder do talismã a entregava apenas o ultimo item que faltava no quebra cabeça.
Aquilo estava muito estranho e ela sentia.
Teria evoluído seus poderes?
Hawk Moth ria vitorioso.
Ele se mostrava sem medo algum de ser capturado.
Pegar os demais miraculos nada mais era que um simples capricho: demonstrar que havia conseguido derrotar os demais facilmente, impondo sua força para tentar intimidar a dupla. Afinal os únicos que o interessava eram os dois principais; principalmente o da joaninha.
― Cansei de pedir. Desta vez irei tirar seus miraculos à força. Não importa como! ― O homem parecia ensandecido, como se algo o tivesse deixado ainda mais lunático. Se importando ainda menos com as conseqüências de seus atos.
― Achei o sentimonstro... ― Ela diz ao se aproximar do companheiro. ― Ele é esse cenário doentio. Eu só não consigo adivinhar onde pode estar o Alog. Você quem estava no inicio da briga. Faz alguma idéia?
Mas ele não responde de imediato.
Se põe a pensar e voltar mentalmente ao inicio de tudo refazendo o que havia visto.
― Acho que o Alog pode estar no celular e o Akuma na gravata dele. ― Responde ao conseguir pensar voltando para junto da companheira ao se esquivar de todos os ataques.
Estava complicado pensar e se manter fora de perigo, mas eles já estavam acostumados a essa vida; a única dificuldade desta vez era o nível de violência e aparecia do inimigo. Mas em suma ambos estavam tranqüilos e seguros que venceriam, como sempre.
― Você sabe quem é a pessoa? Por que não me disse antes?! ― Ela briga em alto tom, imaginando que teria mais idéias se soubesse mais.
― Desculpa. ― Diz meio sem graça ao tentar se aproximar do Akumatizado inutilmente tendo de voltar a se esconder atrás de um dos carros que logo é afetado pelo poder do inimigo, tendo de saltar dali. ― Não achei relevante.
― Sempre é relevante! Tudo é relevante. ― Ela bronqueia ao utilizar seu talismã para tentar se aproximar do akumatizado que se mantinha muito alto no céu.
― Desculpa. ― Ele diz com um tom sentido que ela logo percebe. Mas não tinha tempo ali para resolver isso ou pensar sobre o que os Kwamis haviam a alertado sobre o estado psicológico de seu parceiro fiel.
― E então? ― Questiona sem paciência ao ser derrubada e ter de se esquivar de uma chuva densa que parecia ser sangue.
― É aquele cara que estava nas noticias como sendo o filho do Gabriel Agreste. Conhece? Irmão daquele modelo juvenil o Adrien? Tem foto em todo canto dele você tem que conhecer! ― Ele diz tentando parecer não se importar sentindo um nó apertar sua garganta.
― Felix? ― Mas ela olha para ele assuntada. ― Sim eu vi as noticias. ― Volta a se focar, sem se dar conta do incomodo nítido do companheiro, estando focada de mais sobre os ataques que caiam sobre si.
O poder do Akumatizado não apenas evocava medo usando as historias de terror pop, mas sim manipulava esses horrores como se este fosse o mal supremo, seguindo o verdadeiro significado de Akuma.
E ela não consegue entender o por que... O porque de desta vez isso ter ficado dessa forma, mas invés disso pode ter uma idéia do que fazer com seu talismã.
Olhando os destroços da cidade que sempre protegeu, pode encontrar fragmentos para a ajudar a criar um meio de o capturar e o descer. E utilizando juntos os dois bastões como se fossem pernas de pau que esticam, podia desviar dos ataques inimigos e subir em sua direção conseguindo o enlaçar com as inúmeras habilidades que Chat Noir sempre demonstrava. Agindo naturalmente como sempre sem se importar em mais uma vez ficar tão próxima a ele, literalmente atando seus corpos utilizado do cinto dele para que dessa forma pudessem agir como um.
― Perfeito como sempre My Lady. ― Diz ao conseguir capturar o akumatizado que urrava como um animal preso. ― Hora de acabar com esse inferno.
― Sim! ― Diz ao ir lançar seu talismã, feliz por ter conseguido evocar dois desta vez como se suas habilidades tivessem em fim evoluído, se esquecendo completamente da presença de Hawk Moth que sempre ia embora após perder.
Mas desta vez não.
As coisas estavam mesmo diferentes.
E antes que ela pudesse terminar seu movimento, ainda de guarda baixa o inimigo salta acertando primeiro Chat Noir o lançando sobre as poças verdes e destroços, partindo pra cima dela e a segurando pelo pescoço.
― Gyck. ― Ela quase sufoca de imediato com o solavanco de força que recebe. De fato teria o pescoço quebrado se não fosse pelo traje especial.
― Cansei de ser bonzinho com crianças! ― O inimigo grita ao soltar o Akumatisado com seu bastão acertando Larybug no chão com todas as forças; indo por fim tirar seus brincos na base da ignorância.
Ela por sua vez luta com todas as forças que ainda lhe restavam, mas mal conseguia respirar pois o inimigo jogava todo seu peso ao se apoiar sobre seu pescoço enquanto tentava arrancar seus brincos sem se importar em rasgar suas orelhas para isso.
E ao ver sua amada em real risco de vida ele não vê outra escolha.
Seu corpo tremia de dor por conta de todos os golpes e esforços anteriores, mas principalmente pelo ultimo dano, mas essa não seria a primeira vez que isso ocorria. Ele sabia que sua amada sempre daria um jeito de o salvar no fim. E por pura fé fez o impensável.
Arrastou-se ate próximo de seu amigo e lhe pediu seu miraculos. Alya apenas olha aquilo sem deixar escapar o detalhe de que para fazer tal ato o herói do manto negro teria de saber a identidade de seu namorado.
Mas ninguém ali tinha tempo para pensar.
― Chat Noir!!! ― Ela grita ao tentar se livrar do inimigo que retirava seus brincos a força, sentindo suas orelhas serem rasgadas lentamente para isso; enquanto este pisava em usas mãos para que não conseguisse se defender.
Mas ele não tem tempo de cumprir seu objetivo mesmo com ela não tendo mais forças para lutar; pois o guerreiro negro usa sua habilidade para destruir a tudo elevando seu golpe ao maximo de seu potencial, trazendo uma destruição como se seu kwami estivesse liberto.
O ato assusta a todos de modo a fazer com que o senhor das mariposas soltasse a pequena heroína que ainda atordoada consegue sair de perto com certa dificuldade, e mesmo assim tenta deter seu companheiro que parecia querer destruir toda a cidade e muito alem dela.
Mas no segundo que a destruição desenfreada passa por eles, estes são protegidos pelo poder de Wauzz que não apenas salva suas vidas, mas de todos na cidade, assim como as construções e veículos, permitindo que apenas os inimigos fossem afetados por aquela energia destrutiva, acabando completamente com todas as criaturas criadas pelo ser akumatizado.
E aproveitando dessa tamanha distração ele salta e arranca a gravata e o broxe de Hawk Moth com uma única patada ferindo de leve seu pescoço com suas garras afiadas.
Mas ela se perde entre o pensamento de o elogiar por ter conseguido finalmente recuperar os miraculos perdido e brigar por ter usado os dois Miraculos de uma forma tão exagerada.
― Chat Noir você não devia... ― Seu tom era de preocupação ao o ver passar por ela e caminhar ate o homem que deixava sua forma transformada revelando quem realmente era.
Mas quando isso ocorre ele não ouve mais nada.
Nem mesmo as palavras de sua amada.
De todas as pessoas da terra o grande inimigo tinha de ser justo ele?
Parecia ate uma piada de muito mal gosto. Tinha de ser alguma armação.
Caminhou a passos lentos sentido cada um deles com grande peso e dificuldade, mas mesmo assim precisava chegar ate ele.
Em seu rosto estava estampado a imagem da desilusão.
― Você... ― Foi só o que conseguiu pronunciar enquanto sentia seu corpo ceder por conta do tamanho poder que havia usado há poucos minutos.
― Você não pode me julgar! Não tem o direito de me olhar dessa forma! ― O homem grita ensandecido, a frustração e a raiva o dominava naquele momento, não podia acreditar ter perdido novamente e desta vez ter perdido a fonte de seus poderes. ― Vocês não têm como me entender! ― Aquele homem sempre tão pomposo e poderoso dono de uma aura de total autoridade agora se desfazia a sua frente.
― Por favor... me explica. Por que? ― Juntando as ultimas forças que tinha o jovem dono do manto negro questiona o derrotado inimigo a sua frente.
Mas este não parecia querer lhe explicar nada.
E por fim o jovem verte uma fina e singela lagrima que surpreende sua companheira que ainda com dificuldade de se locomover por conta da batalha, demorava a restaurar tudo com o poder de seu talismã.
― Por que todos que amo... não confiam em mim? ― Ele questiona ao olhar para ambos por sobre os ombros ao tentar se afastar daquele local, mas logo percebe não ter mais forças nem mesmo para isso, não sendo capaz de dar mais um passo sequer.
E ao perceber que seu companheiro estava alem de seu limite, a dama pintada usa seu poder para reconstruir a tudo, esperando que isso restaurasse os ferimentos dele como sempre, mas desta vez mesmo após a magia cobrir a cidade ele continuava a respirar com muita dificuldade; ela então corre em sua direção preocupada com seu estado que mesmo ao curar os ferimentos não conseguia retirar o efeito de ter usado os dois miraculos com tamanho exagero.
Rezava uma oração completamente diferente a cada passo que dava em direção dele, enquanto a seu redor sentia o mundo parar; sequer ouvia os praguejamentos de Gabriel, isso por saber muito bem das consequêcias de se usar tamanho poder, rezando para que tudo não passasse de um susto e pudesse brigar com ele no dia seguinte por seu exagero.
Mas o herói soturno da apenas uma ultima olhada para os dois que o observavam curiosos antes de retirar seu anel, se entregando de vez as conseqüências de seu ato anterior.
― Não! ― Ela grita por impulso mesmo sem saber o por que. E antes que pudesse evitar ver, o traje dele se desfaz revelando quem se escondia por debaixo.
Ela trava no lugar como se tivesse sido golpeada por aquela visão. De todas as pessoas do mundo... não poderia ser ele.
― Adrien! ― É a vez do notório inimigo se desesperar ao descobrir de forma tão drástica a verdade sobre seu amado filho.
Ele corre a tempo de segurar seu corpo que despenca desacordado assim que o anel é retirado de seu dedo, sem nem mesmo ter de dizer as palavras que desfaziam o traje, por talvez não ter mais forças para tal ato.
― Adrien! Não pode ser você! ― O homem se nega a crer em seus olhos ao segurar o filho em seus braços e olhar seu rosto estático já sem vida. ― Adrian! Se mexe garoto! Anda! ― Seu desespero era palpável e as lagrimas densas escorriam de seu rosto molhando o do jovem que já não reagia a nada que este pudesse fazer. ― Adrian! .... por favor... não... Não me deixe também. Você não. ― Gritava como se suas palavras pudessem fazer alguma diferença.
Como se pudesse ordenar que o filho não morresse.
Ao ver tal cena à jovem sentiu-se petrificada.
Conseguia apenas presenciar o desespero do homem que ate poucos segundos portava uma conduta completamente diferente.
De fato estava derrotado.
Em todos os sentidos desta palavra.
Chat Noir derrotou Hawk Moth.
(Era pro cap acabar aq... Então vim qbrar um pouco a leitura sim. Bjs espero ter te feito chorar. Se n fiz ainda tem o resto do cap kkk)
As viaturas se aproximam rapidamente.
Mas quem as havia chamado?
A dama pintada olha em volta tentando se desvencilhar da cena que a prendia com tanto afinco vendo que uma outra mulher estava ali.
A notória dona do miraculos do pavão olhava para seu comparsa com uma dor estampada no olhar. Em suas mãos um celular parecia explicar como aquelas viaturas estavam vindo ate ali, e em poucos segundos estavam cercados pela policia e alguns repórteres audaciosos.
Todos cercam a dama pintada esperando por alguma resposta, mas essa ainda sentia seu corpo completamente petrificado. Não conseguia nem mesmo se sentir naquele planeta. Imagina ter capacidade de responder a alguém? Tudo o que conseguia fazer era olhar nos olhos outrora tão verdes e vibrantes de seu amado. De seu fiel companheiro de combate.
― Eu sou Hawk Moth. ― A voz imponente e forte quebra as inúmeras perguntas daqueles que a cercavam famintos por respostas. ― Chat Noir deu a vida hoje para me derrotar e tirar de mim meu miraculos. ― Ele explica ao abraçar com força o corpo inerte do filho. ― Eu... matei meu próprio filho. ― Confessa por fim ao juntar os pulsos e se deixar algemar.
Mas ela não conseguia acreditar no que estava vendo.
Sentia seu mundo ruir.
Como se tudo o que lhe importava... como se seu próprio futuro tivesse sido destruído bem ali naquele momento em frente a seus olhos.
Tudo que conhecia e estava acostumada iria mudar... E não podia fazer nada para concertar desta vez.
Não demora e as pessoas curiosas se aproximam.
Ela pode ver seus amigos, outros a quem emprestava os miraculos constantemente e que agora os guardavam assim como a dupla fazia, se aproximarem tentando entender ou ate mesmo ajudar; mas não existia nada que ninguém poderia fazer.
Apensar de estar recuperada de todos os ferimentos ela tem uma extrema dificuldade em se aproximar do local onde agora o poderoso e famoso Gabriel Agreste era algemado e escoltado ate uma das viaturas.
― Eu só queria trazer sua mãe de volta. ― Ele diz por fim, antes de fechar os olhos sempre tão verdes e cintilantes do filho, que agora tomavam um tom opaco e mórbido; e ter de o deitar novamente no chão frio para poder ser levado e detido.
Tudo parecia estar em câmera lenta.
Como se ela não estivesse mesmo ali.
Como se estivesse vendo aquilo de dentro de um aquário; apenas assistindo a um filme.
Onde tudo perdia o som a cor, tendo como única coisa em meio ao vácuo vazio, aquele corpo que ainda estava deitado ao chão, enquanto o vilão que tanto os perturbou era levado.
Parecia que todo o mundo havia sumido e restava apenas ela e “ele” em um cenário sem forma definida.
O tempo havia parado ali.
Nem mesmo respirava.
― Me desculpa... Se eu olhasse sua casa toda eu teria descoberto eu... Eu tinha essa liberdade. Eu podia. Mas não fiz... fui um preguiçoso. Um egoísta como a Tikki diz! ― O pequeno Kwami negro se deita sobre seu peito como um filhotinho procurando por abrigo, não parecia querer sair dali tão cedo, mas ele não tem tal escolha pois logo os socorristas põe a maca ao lado do corpo e o retiram de lá e ela tem de o pegar.
Com isso teve de se obrigar a se aproximar dele, o olhar e ter certeza de que era realmente ele. Mas mesmo assim ainda não conseguia acreditar.
Tudo parecia um sonho ruim.
Tudo foi rápido de mais para conceber.
― Ladybug!!! ― Sua amiga logo grita alertando que seu brinco apitava acusando que a energia estava no final e ela precisaria sair de lá imediatamente.
Mas não queria.
Não podia.
Mas precisava.
E assim se foi de volta a sua casa, ainda atordoada e presa neste efeito de petrificação. Não conseguia sentir nada. Nem mesmo chorar.
― Filha! Vem ver isso! ― Seus pais a chamam para ver o noticiário, que ela já sabia bem o que continha.
Desceu ainda atônita e se sentou junto deles, vendo o que se passava ali; como se ver aquilo desta forma a fizesse acreditar mais do que estar presente no momento. Como se precisasse ouvir de alguém a verdade. Que alguém a contasse o que acabou de acontecer; por que se não ela jamais iria aceitar e acreditar em seus olhos.
[― Hawk Moth finalmente foi detido. Hoje a poucos minutos sendo levado a justiça. ― A repórter conhecida pela família diz em um tom pesaroso e não de comemoração, ao dar uma leve respirada para continuar a falar. ― Isso seria uma grande noticia se não fosse pela perda do herói Chat Noir que faleceu em combate.]
A mulher dava as reportagens segurando o pranto que todos deveriam estar sentido. Tentando ser o mais profissional que podia.
[― O famoso estilista Gabriel Agreste foi identificado como Hawk Moth e abriu mão de qualquer advogado de defesa; em seu depoimento oficial ele diz aceitar a punição que lhe for aplicada. E que estava forçando sua secretaria a o ajudar.]
Marinette assistia a aquilo sentindo seu rosto molhar por conta das lagrimas, mas ainda sentia-se anestesiada de qualquer emoção.
Tinha acabado de ver o amor da sua vida e seu companheiro de combate desfalecer na sua frente a poucos minutos de uma forma tão... surreal que não conseguia digerir e conceber.
[― Também foi informado agora neste segundo que a identidade de Chat Noir é Adrian Agreste. Que era conhecido como modelo juvenil, e também seu único filho e familiar vivo ate esta semana onde foi revelado a identidade de Felix Graham de Vanily. Que até o presente momento não se pronunciou sobre o caso. ― A repórter continuava a dar a noticia como se estivesse eternamente a fazer isso. ― É famoso o caso de Gabriel ter se tornado extremamente recluso após a morte de sua esposa, e esta reação a morte do filho pode ser um agravamento de suas questões psiquiátricas. O fato é que agora tudo esta nas mãos competentes da lei. Sem mais poderes envolvidos.]
― Eu vou... para o meu quarto. ― Ela diz ao se levantar e sair e seus pais apenas a olham em silencio sem ter o que dizer parar amenizar seu sofrimento.
Não importava se ela negava ou não.
A verdade estava estampando todos os jornais e noticiários, bombardeando as redes sociais e preenchendo todos os seus grupos e contatos.
Conseguiu apenas pegar o pequeno Kwami negro que se escondia sobre o seu travesseiro e finalmente conseguir chorar. Chorar ate dormir.
O despertador toca, mas ela nem mesmo o ouve.
Acorda tarde com a cabeça doendo e uma voz familiar em seu ouvido que a obrigava a voltar à realidade dura e fria.
― Hum? Chloe? O que faz aqui? ― A primeira vista pensou ser uma de suas amigas, mas se espantou ao ver a loira parada a seu lado, e junto dela as demais pessoas de sua turma.
― Todo mundo te ligou ate dizer chega você não atende a nada. Ficamos preocupados. ― Ela diz seria ao se afastar da cama e sair em direção as escadas como se fosse embora da casa com pressa.
Marinette por sua vez ficou ainda mais confusa ao ver todos os seus amigos ali e a reação da loira azeda. Mas mesmo sentindo a preocupação com ela e o carinho dos amigos não conseguia se alegrar. Afinal tinha visto as duas pessoas que moviam seu mundo... morrer.
― A Chloe esta... ― Alya é quem tenta verbalizar e se aproxima da amiga, percebendo que esta ainda vestia as mesmas roupas do dia anterior. ― Ela esta organizando o funeral dele e... Ela quer o maximo de pessoas que o conheciam lá. Não quer fãs. Quer as pessoas que fizeram parte da vida dele, no dia a dia.
― Parece que vão entregar o corpo hoje. Será de noite. Na mesma hora da morte ontem. ― Nino diz sem tom de voz algum. Parecia que todos ali também haviam sido petrificados por dentro. ― Eu... eu não consigo acreditar. Sabe? Parece ate... ― Ele diz ao verter algumas lagrimas e aos poucos ir desabando.
― Que vamos acordar disso e tudo vai voltar ao normal. ― Juleica termina a frase que ele não conseguia mais dizer demonstrando sentir à mesma coisa.
E assim o dia se foi.
Passou de um jeito que ela nem mesmo sentiu.
Marinete se sentia presa em uma bolha do tempo, revivendo o dia anterior e todos os momentos cruciais para aquele desfecho. Vendo milhares de formas de evitá-lo. Percebendo milhares de vezes quem era Chat Noir e se sentindo idiota. Repetindo em sua mente o modo carinhoso que o parceiro a chamava, seus constantes e tão irritantes xavecos; toda sua pompa de galã, sua coragem em sempre se jogar de cabeça nos perigos e como sempre confiava cegamente nela.
Não conseguia se perdoar pela burrice e ter perdido tantas chances de estar junto de seu amor.
Porque não pode ver?
Se amava tanto Adrien e sabia tudo sobre ele. Por que repelia Chat Noir?
Será que era por sentir uma atração e não querer trair seu primeiro amor? Nunca saberia.
Mas as horas passaram, ela querendo ou não.
E logo seria à hora do funeral.
Se sentiu obrigada a tomar um banho, pois uma roupa completamente negra como o traje de seu companheiro e se olhou no espelho sentindo os olhos doerem de tanto chorar. Pegou o Kwami travesso de seu falecido colega e o pois em sua bolsa junto de Tikki e desceu as escadas.
Mal ouve o que seus pais a diziam tão carinhosos e cordiais. Continuava a ouvir repetidamente suas ultimas palavras: “Por que todos que amo não confiam em mim?” e seu rosto já desfalecido com uma marca de lagrima.
― Filha! A carona chegou. ― Sua mãe a desperta de seus pensamentos. E logo ela pode ver a Nadja Chamack a esperá-la do lado de fora de sua casa.
― Oi meu anjo. Seus pais me pediram para levar todos. Espero não estar muito atrasada. ― Ela diz ao abrir a porta e deixar que todos entrassem. ― Soube que era muito amiga dele. Eu... só o conhecia como repórter. ― Ela diz ao tentar falar qualquer coisa vendo que o pai da garota sentava a seu lado e punha a mão em sua perna como se pedisse para deixar a filha quieta. E então ela apenas se cala e dirige ate o local indicado.
E o caminho praticante não existiu para ela.
Sentia como se ele estivesse sentado a seu lado, perguntando por que não o ajudou desta vez. Por que não ouviu quando todos a seu redor avisaram mil vezes que havia algo errado com ele; por que não tentou o ajudar. Percebendo que de certa forma ele sabia o que iria ocorrer.
Ele aceitou o risco ou confiou nela?
Outra coisa que nunca saberia.
Mas uma coisa ela não conseguia fugir... ele havia partido com um imenso sentimento de desolação.
O amor da sua vida tinha morrido cheio de magoas e tristeza.
Seu companheiro de combate que sempre esteve a seu lado desde o primeiro dia, a dando todo apoio; precisou do apoio dela e essa simplesmente ignorou.
E agora só lhe restava à culpa.
Chegando ao lugar não pode evitar o pensamento de que era mesmo algo organizado por Chloe Bourgeois.
Uma vez que o local não para o funeral podia ser alterado, mas a sempre tão esnobe loira fez questão de adornar todo o lugar como a agradasse.
Arranjos de flores foi o que não faltou, alem de uma foto de Adrian e outra de Chat Noir deixando mais do que evidente que seria uma homenagem as duas facetas do rapaz.
― Aqui! ― Alya a chama para se sentar junto dela.
Marinette olha em volta reconhecendo algumas pessoas, muito mais do que ela esperava reconhecer; e não entendendo o por que de algumas estarem ali.
Viu que seus pais sentavam ao fundo e que a reportes havia se retirado por não ter permissão de ficar ali, percebia muitas conversas; mas todas repetitivas. Todos falavam a mesma coisa que as noticias e as redes sociais. Todos estavam surpresos com a revelação. Mas não mais do que ela.
A verdade é que não se tem muito o que se fazer em um velório.
O maximo que podia fazer era conversar com os demais, mas ela não conseguia verbalizar uma única palavra sequer.
Ficava a ouvir a todas as conversas.
Pessoas falando como não acreditavam que justo ele fosse um super herói, por o verem como um garoto muito calmo e controlado se comparado a sua faceta de herói que era agitada e um pouco destrutiva de mais. Mas de fato todos ali sentiam a perda de ambos como um, pois ambos eram amados por todos ali; sendo como uma dor dupla. Como se perdesse duas pessoas ao mesmo tempo.
O mundo comentava sobre a descoberta e lastimava a perda do herói. Enquanto poucos engrandeciam sua vitoria sobre o inimigo e como foi heróico seu sacrifício. Mas ali dentro estava aqueles que conheciam a pessoa por traz da mascara.
― Eu gostaria da atenção de todos por favor. ― O prefeito se faz ouvir ao dar apalavra a sua filha que subia ao lado do caixão aberto que Marinette ainda não tinha a coragem de olhar para se despedir.
― Tava na cara. Ela vai querer fazer um discurcinho... que saco. ― Alya reclama baixo e Nino revira os olhos ao concordar com a namorada. Nenhum dos dois estava com saco para um momento de auto proclamação da loira.
Mas esta caminha a passos curtos e pesados a frente do caixão dando uma olhada antes de começar a falar.
― Bem... Obrigada por virem assim tão em cima da hora e sem aviso. Imagino que vocês tivessem seus próprios planos, mas... ele merecia uma despedida com muita gente. Ele odiava ficar sozinho. ― Ela diz seria ao olhar para todos, e ninguém ali consegue evitar sentir o peso em sua voz.
Maritette sente a garganta travar e Alya se silencia dando toda atenção ao que a loira iria falar, pela primeira vez todos realmente queriam ouvir o que ela estava querendo dizer.
― Eu gostaria de falar algumas palavras sobre o Adrien. ― Comenta ao desviar o olhar como se lesse algo, mas não havia nada a sua frente. ― Ele era o meu melhor amigo. Minha mãe foi quem fez o pai dele ser famoso então nos conhecemos desde crianças. Eu acompanhei toda vida dele. E sempre soube dos problemas que ele tinha... ― Diz ao dar uma longa pausa e respirar fundo.
Neste momento Marinete sente o ar falhar.
Era como se toda culpa a abraçasse de uma forma cruel.
― Bem... que família é perfeita? Eu pensava assim. O pai dele tinha aquele problema de não querer sair de casa por nada, e eu não sei por que a mãe dele apoiava isso; mas eles não o deixavam sair e se relacionar com pessoas da idade dele. Ele cresceu preso. Nunca pode ir a um cinema ou passear em um parque com amigos. Esfolar o joelho, brincando ou qualquer coisa que vocês acham normal. Ele tinha uma vida extremamente sufocante, e cheia de cobranças. ― Revela ao apertar as mãos, como se tenta-se se conter.
Eram muitas emoções misturadas, e neste momento a raiva fazia parte delas, não somente para a loira, mas também para Nino que nunca escondeu sentir muito ódio da forma como o amigo era tratado pelo pai.
― Eu... pedi ao meu pai que desse um jeito de o matricular na mesma escola e sala que eu; para tentar o ajudar a se adaptar, ficar de olho nele por que vocês sabem como a escola é... E eu... Fico muito feliz por ele ter conseguido ir. E ter amigos. Sair um pouco daquela torre que ele vivia. ― Ela tenta dizer tudo seria, mas a cada palavra dita mais lagrimas rolavam e mais difícil ficava de continuar falando. ― Vocês puderam o conhecer. E não só olhar as fotos que tem por toda cidade. Saber quem era Adrien, o garoto gentil e educado que eu conhecia. E fazer os dias dele mais felizes e normais. E eu... agradeço vocês por isso. Sim eu o via como um irmão, mas não acharia ruim ser mais que amiga se ele tivesse me dado essa chance. Mas olhando agora. ― Ela da uma parada de falar tentando se recuperar, mas não conseguia. ― Eu preferiria ver ele com qualquer garota. Feliz e longe disso tudo. Com uma vida só dele e livre.
― Chloe... ― Sabrina se aproxima rapidamente da amiga tentando lhe dar algum conforto, mas é repelida no mesmo segundo.
― Eu só queria... ter o ajudado. Se eu... Se eu estivesse com o meu miraculos. Eu podia ter sido mais útil... Se eu tivesse ajudado mais ele não precisaria ter se... ― A loura murmura e mais uma vez Nino se banha do mesmo sentimento que ela, afinal... se tivesse dividido o peso com ele e não o tivesse entregado seu miraculos?
Ele prometeu que o ajudaria.
Que não o deixaria “cair” novamente e falhou.
― Chloe não se culpe. Você deu o seu maximo! ― Finalmente Marinette consegue falar. ― Não foi culpa sua. Ele se sacrificou como um herói que era. Ele sabia os riscos e as conseqüências do que fez. Ele fez aquilo sabendo que iria morrer. ― Diz ao saber das capacidades do companheiro, que ele não era nenhum idiota, que estava ciente de seu sacrifício e fez aquilo pelo bem maior.
― Não!!! ― Mas a loira revida em um grito estridente que ecoa pelo lugar. ― Ele fez aquilo confiando naquela... Ele sempre confiava que ela iria dar um jeito em tudo! Era um idiota apaixonado que não percebia que ela não era perfeita! ― Ela grita ao novamente negar o consolo que sua amiga oferecia. ― Mas ela não pode... ela não conseguiu dessa vez.
Aquelas palavras foram mais fortes que qualquer golpe que poderia receber e realmente foi ao chão com isso.
― Marinette? Você esta bem? ― Alya se aproxima querendo a ajudar a se levantar, mas suas pernas não a obedeciam.
― D-desculpa. ― A própria Chloe é quem se abaixa a ajudando a se sentar novamente, coisa que surpreende a todos. ― Eu sei como você também o amava. ― Diz por fim ao abraçar a inimiga que neste momento estava banhada da mesma dor.
Marinette por sua vez não sabe como agir com tal ato, sentido as lagrimas da pessoa que sempre julgou como sendo o pior ser humano que conhecia, molhar sua blusa.
A única coisa que podia fazer era a abraçar de volta.
Alya se sentia levemente culpada pelo sofrimento estridente de Marinette.
Isso por que guardava o segredo se sua amiga a sete chaves, Nino inclusive já havia alertado a Alya para tentar ajudar a Marinette a esquecer Adrien; por saber que esse só tinha olhos para sua parceira, mas por também guardar o segredo não podia explicar os motivos, mas agora que sabia que eram a mesma pessoa enxergavam o que podia ter feito para os ajudar a ser felizes.
― Não tinha o que ser feito. ― Ela se senta ao lado do namorado vendo que Marinette estava completamente inerte. ― Ele fez o que fez para salvar a todos. Ele era um herói.
― Sim. Mas... sei lá. Estou apenas repassando tudo na minha mente. Se tivesse algo que eu pudesse fazer. Eu podia ter usado o talismã junto dele sabe. Ai não teria feito tanto esforço.
― E se arriscar morrer junto? ― Alya tenta não usar o tom de bronca, mas ele escapa e Nino apenas ri de leve com a tentativa da namorada em ser delicada e meiga. ― Você não pode se culpar. O único culpado disso “já se entregou” e esta preso! ― Ela diz sem ter medo de ser escutada pelos demais.
E logicamente que Marinette ouve.
Ela estava a ver a reação de todos, sem ter coragem de se aproximar do caixão para se despedir.
Se negava a fazer tal ato.
Se despedir dele era assumir que nunca mais poderia o ver.
― Vem. ― Sua mãe logo percebe tal negação pegando em sua mão querendo a fazer encarar a realidade e ter o primeiro passo para seguir em frente. Mas essa se debate, grita e sai correndo do funeral. ― Marinette!!!
Mas ninguém consegue a segurar.
A vida de heroína tinha a dado o costume de esquivar-se muito bem.
Corre a esmo para longe de tudo aquilo como se pudesse correr da realidade a sua volta.
Não podia aceitar isso.
Não conseguiria o ver daquela forma.
Preferia guardar em sua mente seu sorriso.
O galante de Chat Noir e o meigo e tímido de Adrien.
Parou então sobre a ponte dos cadeados olhando todos aqueles segredos, e sofrendo por ter mantido o seu. Se sentou ali ate amanhecer pensando em seu parceiro e em tudo o que passaram juntos, morrendo de saudades de seu jeitinho; e por fim teve de retornar a sua casa.
Os pés subiam pesados ate seu quarto no ultimo andar daquela longa construção, que nunca imaginou ser tão cansativa antes.
Não queria voltar a seu quarto onde varias fotos dele o decoravam.
Teria de as retirar?
Não conseguiria.
Parou então na porta, incapaz de prosseguir.
― Será que você... ficaria assim se fosse eu a morrer no seu lugar? Você sempre foi tão corajoso. Acho que não teria medo de entrar no próprio quarto assim. ― Diz para o ar como se falasse com ele, quase o sentindo a seu lado. ― Você teria coragem de se despedir no funeral. ― Diz ao entrar tentando pegar para si parte da coragem de seu companheiro, tentando aprender com ele. Ser mais como ele.
Olhou então os cartazes demoradamente.
E em um surto os arrancou gritando e rasgando todos!
― Por queeeee??? ― Gritou por fim ao cair de joelhos, sendo observada pelos dois Kwamis que não tinham o que falar.
Plagg sofria, mas com toda sua idade sabia que humanos eram seres frágeis e que duravam pouco, então mesmo de luto tentava ser racional. Tinha noção de que logo seria entregue a um novo parceiro, mesmo que ela não queira fazer isso era algo extremamente necessário.
E ao olhar os pequenos seres mágicos ela se levantou tendo uma idéia.
Arriscada.
Extremamente proibida.
E possivelmente imoral.
Mas ela definitivamente não tinha o que perder. Não tinha motivos para não o fazer.
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