E se...(naquele dia) Betty e Armando
5 Capítulo 5 - Ai, doutor!
Notas iniciais
Durante os dias que antecederam a organização do desfile, Armando alternou sua atenção entre as modelos, como de costume, e Betty, intrigava-lhe como estava diferente e atrativa.
Catalina sempre levava Betty para casa, mas naquele dia, ela não foi à Ecomoda, pois deixara Betty cuidando de tudo, e foi receber alguns convidados no aeroporto.
—Não, Marcela! Vou para meu apartamento! Prefiro descansar para o evento.
—Está bem, mais tarde te ligo!
Os dois se beijaram.
Betty esperava o táxi na porta da Ecomoda, Armando passava com o carro e viu Betty esperando o táxi.
—Betty?
—Ah, boa noite, Seu Armando! Como vai?
—Está aí parada fazendo o quê?
—Estou esperando um táxi para ir para casa.
—Entra aí, vai!
Betty estranha, pois o ex-chefe raras vezes lhe deu carona. Mas aceita.
—Nunca pensei que fosse te encontrar novamente, Betty! Ainda mais trabalhando com Catalina.
—Ah sim. O senhor não é mais presidente?
—De certa forma, sou. Mas pedi ajuda para meu pai, como você disse na carta. Não havia como conseguir fazer cumprir aquele Plano de Metas. Por pouco o Daniel não tomou conta de tudo!
—É, eu disse que era arriscado!
—Mas eu pretendo voltar à Presidência, só preciso organizar as coisas, pois meu pai disse que só fica até o final deste ano... Não me casei com a Marcela como vê.
—Mas estão juntos. (Por quê ele fez questão de lhe dizer isso?)
—Sim, naquelas, como você sabe...
—Sim. Sabe a Terramoda?
—Sim, sua empresa.
—Na verdade, sua, doutor!
—Sim, mas nem passei para meu nome! -Armando riu, animado
—O Nicolás, sabe, meu amigo da faculdade...
—Sei... o que tem ele? Estão juntos? -Agora fechou a cara
—Não! -ela ri de seu jeito característico -Acho que disse que ele e eu não temos nada! É como um irmão para mim!
—Ainda bem! Quero dizer... O que tem ele?
—Ele me disse que os investimentos iniciais renderam 50% na Bolsa. Que se tivesse continuado aplicando já teria muito mais!
—Bom!
—O senhor deveria ter passado para seu nome!
—E você não tem interesse em tocar isso?
—Doutor, prefiro que o senhor cuide, para isso lhe devolvi, é sua! Mas caso tenha interesse em que cuidem dos investimentos, posso lhe sugerir que contrate Nicolás, ele é um excelente economista!
—É que não o conheço. Você não poderia fazer isso, Betty?
—Olha, doutor... Não estou com muito tempo!
—Gosta de trabalhar com Cata? Não gostaria de voltar a trabalhar para mim? Não como assistente, mas como Vice-Presidente financeiro?
—Do-Doutor, o senhor não tem um vice-presidente financeiro?
—Tenho. Mas, estou desconfiado que é um outro Olarte! Acho que recebe comissões escusas, que conta coisas da empresa para ele...
—Ai, doutor! -ela ajeita os óculos -É uma acusação muito séria!
—Betty, vamos tomar alguma coisa?
—Meu pai está me esperando em casa!
—Então, conte-me sua vida. O que tem feito desde que saiu da Ecomoda e voltou assim, tão bonita?
Betty fica vermelha.
"Eu, bonita? Para Seu Armando?"
E começa a contar a história. Mas logo, o telefone toca.
—Sim, Marcela. Logo, irei para meu apartamento, como disse! Daqui a uma hora pode me ligar lá.
Depois é o telefone de Betty que toca. Armando fica atento.
—Alô! Oi, Michel! Sim, o evento será depois de amanhã! Você virá amanhã? Mas aviso: o desfile é fechado só para convidados da Ecomoda, sinto muito. Está bem! No fim de semana! (Ela fica nervosa com Michel perguntando um monte de coisas) -Ah ninguém na Ecomoda me reconheceu. Sim, nem meu chefe! Está bem, um beijo.
—Quem era?
—Um amigo... Michel.
(Armando percebe que Betty fica sem jeito)
—É apenas um amigo?
—Bem...
—Ou é um namorado?
Ela olha para baixo.
—Pode falar, sempre fomos amigos, Betty! Você sabe de toda minha vida!
—Estávamos namorando, mas nada sério. Mas ele pretende me pedir em namoro para meu pai.
—E você gosta dele?
—Sim, ele é um homem educado, gentil, doce. Me leva para sair, para dançar!
—Eu perguntei se gosta dele, se o ama, não se é uma boa companhia!
—Não sei...
—Betty... Por que quer namorar com uma pessoa que não gosta?
—Não sei. Não quero magoá-lo. Por que o senhor namora com a Dona Marcela?
Aquela pergunta o acertou em cheio
—Parece que estamos com as pessoas erradas, não é? -olha nos olhos dela, que estremece
—Por que saiu da Ecomoda daquele jeito, Betty?
—E-eu? Eu precisava ir, doutor!
—Não foi por minha causa, foi?
—Como assim?
—Porque te dei bronca por ter caído em cima de mim?
—Be-em... A minha casa, doutor! Tem que ter virado nesta rua...
Ele para o carro.
—Doutor...
—O quê? -Armando olha para Betty e tomando seu rosto nas mãos a beija.
Ela pensa em afastá-lo
“O que ele está fazendo?”
“Seu Armando está me beijando? Seu Armando está me beijando!”
Mas corresponde o beijo com vontade.
—Era isso que queria fazer naquele dia?
Ela já estava zonza, com as pernas moles.
—Se-seu Ar-Armando!
—Era, Betty?
Ela se ajeita os óculos, as roupas e se recompõe.
—Queria me beijar?
—Para quê quer saber, doutor?
—Queria? (a beija de novo, desta vez um pouco mais intenso, daqueles beijos de tirar o fôlego)
—....
—Você me atrai, Betty! Desde que te vi não consigo parar de pensar em você, nem olhei o ensaio, só via você.
“Mentiroso! Te conheço, Armando Mendoza!” – Ela pensou
—Doutor! Este fim-de-semana, Michel virá para me pedir em namoro.
—Então, tenho pouco tempo.
—Para quê?
—Para ter uma chance contigo.
—Você não está falando sério!
—Como pode saber?
—Eu sei porque eu conheço o senhor! Eu sempre lhe tive muito respeito, mas sei que é um conquistador, e que só está interessado em mim porque agora sou uma executiva, não uma simples secretária e estou bonitinha
—Bonitinha não. Está belíssima e interessante!
—Você não muda, Seu Armando!
—Não sei do que está falando, Beatriz! Mas por acaso não posso te achar interessante?
—O senhor jamais me acharia interessante se continuasse com o mesmo visual.
—Sempre gostei de você como amiga, sabe disso. Mas agora vê-la assim... -Ele tenta beijá-la novamente, ela vira a cara
—Está bem. Talvez estejamos indo rápido demais. Você não é como essas...
(Toca o telefone dele, de novo)
—Alô, Marcela? Sim, estou a caminho do apartamento. Não deu para chegar ainda! Paciência!
—Está bem. Vou te deixar em casa! Betty, pensa no que te disse, me dá uma chance para vermos como seria! -beijo na bochecha
Betty entra em casa, com o coração saindo para fora
—Muito bem, mocinha! Mal chegou e já está com suas andanças!
—Ai, papá! Estava terminando umas coisas para o evento de amanhã!
—E quem te trouxe?
—O dr. Mendoza!
—O dr. Mendoza não era aquele seu ex-chefe?
—Sim.
—E ele não namoro com uma executiva da empresa?
—Sim.
—E ela estava junto?
—Não.
—Não acha que ela vai levar a mal de andar com o noivo dela por aí?
—Não estava andando com ele, ele apenas me trouxe para casa, para que não precisasse pegar táxi.
Betty sobe as escadas, estava ansiosa para deitar em sua cama. Apesar de conhecer bem Armando e saber que era um conquistador barato que jamais olharia ou a beijaria se não tivesse bonita, mesmo assim, fica sonhando com seus beijos.
“E hoje um sonho que pensei que nunca se realizaria se realizou: seu Armando me beijou. E foram dois beijos na boca! Aquilo que não tive coragem de fazer aquele dia, ele foi e fez. Seus lábios são macios e quentes, de modo, que não pude fazer outra coisa a não ser desmanchar-me em sua boca. Em outros tempos, teria desmaiado! Nunca pensei que me beijaria, não deste jeito. Está certo que não beijou Betty, a feia e sim uma versão melhorada daquela que ele conheceu. Mesmo assim, estou longe de ser uma modelo como as que ele pode beijar todos os dias e que morrem por ele. De modo que, fico intrigada em saber porque me beijou daquele jeito. “
—Tenho medo que amanhã ele se arrependa e conte para Catalina que eu me atrevi e aí como eu ficaria com ela? Ai, Seu Armando!
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