Dois dias depois, Armando avisou a Gutierrez que Betty não viria aquele dia.

—Por quê? A Dra. Pinzón está doente? Neste caso, preciso de atestado médico.

—Não, Gutiérrez! Ela tirou este dia com minha autorização! Está bem?

—Neste caso, devo descontar?

—Não ouviu eu dizer que foi com minha autorização? Não ouse descontar nada dela!

—Of course, Mister President!

Algumas horas depois, encontrou-se com sua amada, no cartório. Os únicos que sabiam eram Nicolás e Catalina, as testemunhas da união. Como era um casamento, por enquanto, secreto, dada à urgência, (por conta da gravidez, pois acontece o que acontecesse, Betty seria Sra. Mendoza e não mãe solteira) Betty e Armando não contaram nada a seus pais, muito menos às do quartel. Não entenderiam, afinal, há poucos dias, Armando era noivo de Marcela. Tampouco a Mário, afinal, ele iria fazer de tudo para manter seu companheiro de farra ao seu lado, mesmo que para isso tivesse que se aliar à Margarida e Marcela, pois à ex-noiva ele nunca havia pensado em ser fiel ou ter filho.

Parecia inacreditável para Catalina e Nicolás que os dois estavam, de fato, se casando, mesmo no civil.

Naquela tarde, enquanto todos procuravam como loucos por Armando na Ecomoda, ele estava se casando com Betty. Depois os cinco, Betty (e seu bebê na barriga), Armado, Nicolás, Catalina foram almoçar em um restaurante discreto.

—Parabéns! Nunca pensei que fosse se casar, Armando! Um brinde! -batendo as taças

—Nem eu, Cata!

—Ainda mais, sem ser com Marcela. Desculpe, Betty!

—Normal, eu também não imaginava que se casasse comigo! -Betty riu do seu jeito.

—Lógico que este é apenas o primeiro passo, dada a emergência.

—Que emergência?

—Dona Catalina não sabe, Seu Armando, só Nicolás!

—Ah! Então, eu conto! Betty está esperando um filho meu!

—Oh! Bem que desconfiava! Não erro estas coisas!

—Sabia! -Nicolás gritou -Eu tinha certeza que o cabeção aí era o pai!

—Ô molenga! Você é um folgado, sabia?

—Ah é? Vai fazer o quê? Só vou deixar barato porque assumiu a sua responsabilidade!

—Lógico que ia assumir! Só não fiz antes porque não sabia. E eu só não te meto uma porque é como se fosse meu cunhado!

—E espero que cuide bem de Betty! Se não vai se ver comigo! A protejo desde os tempos do colégio!

—Então, seremos dois!

—Só não sei como vão fazer perante Seu Hermes, se ele descobrir, te mata, cabeção!

—Quanto a isso, deixa comigo! Por isto, já adiantei-me em ao menos torná-la minha mulher no civil.

Naquela tarde, Betty foi para o apartamento dele onde passaram a tarde toda se amando.

—O que achou do primeiro amor depois do casamento, Senhora Pinzón de Mendoza?

—Foi muito lindo, meu Senhor Mendoza de Pinzón!

—Muito lindo, como sempre! (beijos)

—-Nossa Lua-de-Mel!

—Não, apenas uma prévia! Teremos nossa Lua-de-Mel em breve! Um tempo só para nós! (beijos)

À noite, Armando levou Betty para a casa dos Pinzón e como sempre quando recebem visitas, foi convidado para jantar. Armando deliciou-se com a comida caseira de Dona Júlia, nunca havia comido algo assim. E aproveitou para pedir Betty em namoro, as coisas precisavam ser bem devagar com Seu Hermes. Mesmo assim...

—Mas como assim? O senhor não estava noivo daquela outra executiva, a Dra. Valencela?

—Marcela Valência. Sim, mas há algum tempo, descobri que amo sua filha e terminei tudo com Marcela. E como sou um homem livre: resolvi pedir Betty em namoro.

—E quais são suas intenções com ela? Vai namorar, noivar e depois trocá-la por outra?

—Não, Seu Hermes! Amo sua filha e com ela pretendo me casar, ter filhos, ter uma família. (sorriu para Betty)

—Muito bem! E você, filha?

—Eu o amo, pai! (Júlia estava emocionada, sempre desconfiara que a filha o amava.)

—Bem, mas sabem que nós os Pinzón temos hábitos tradicionais. E tudo tem que ser feito nos conformes.

—Sim, Seu Hermes!

Logo, Armando teve que aceitar um namoro do jeito de antigamente, embora já tivesse casado com Betty no cartório. Lógico que, Júlia percebeu que havia algo no ar, pois sua filha, engordara um pouco, comia e enjoava bastante, mas não queria conversar sobre isso ali. Só quando tivesse uma oportunidade.

Antes de levar Betty para casa, Armando sempre levava Betty para seu apartamento, a fim de poderem ficar a sós como condizia com a vida de casado.

—Dói muito ter que deixá-la na casa de seus pais! Quero que fique comigo, para isso, nos casamos!

—Sim, doutor! Mas não combinamos que faríamos tudo de uma forma que meu pai aceitasse?

—Sim, mas sua barriga está crescendo, logo, vai perceber!

—E o que propõe?

—Que nos casemos! No religioso, uma cerimônia íntima.

—Meu sonho era casar-me na praia, de preferência em Cartagena!

—Mas por quê lá?

—Porque é lindo, ensolarado, foi lá que me transformei na mulher que sou hoje, foi lá que nos amamos por dias!

—Não tem nada a ver com o ...

—Por favor, doutor! Não acredito! Somos casados! Estou esperando um filho seu! Não dá para acreditar que ainda tem ciúmes do Michel!

—Desculpe, Beatriz! Sou muito possessivo e ciumento.

—Mas sou sua, só sua! (beijos)

—Eu sei! Mas sou assim... na verdade, nunca senti ciúmes de ninguém, até te conhecer!

—Está bem! Te amo!

—Te amo! E sou seu, também! Bem, vou ter que te levar!

Armando deixava Betty na casa dos pais todas as noites, após um rápido namoro de sofá.

Continua...

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