Notas iniciais
Muito obrigado por acompanharem!! Uma ótima leitura para todos!!

– A peste daquela garota quase me pegou no flagra ontem. – Anita disse a Ben, depois de chegar da rua, e caminhar até a cozinha com algumas sacolas em mãos.

– Como assim, que garota Anita? – Ben preocupou-se com as palavras dela, largando a xícara com café sobre a mesa.

– Quem? — Como quem, a mis simpatia da Mariana. – Anita exclamou, sem a menor paciência.

– Mais ela viu o que exatamente. – Ele quis entender melhor.

– Nada só viu, eu entrando aqui ontem, depois que eu vim do teu quarto, pior é que eu tava bem distraída sabia, tentei fazer a blasé, mas não sei se funcionou muito. – Afirmou ela. – Também não tinha como ela ver mais do que isso, a não ser que ela andasse pensando em também te visitar a noite, não é. – Disparou Anita, detestando imaginar tal situação.

– Sem chance. – Ben deixou claro. — Só se ela fosse mais maluca que você né. – Sorriu ele devido à declaração.

– Aham sei, é bom mesmo, pros poucos fios de cabelo dela, continuarem bem grudados na cabeça dela. – Anita rebateu sarcástica.

– Anita não delira, por favor, pensa comigo, essa garota e eu, mau nos damos bom dia, né. – Disse ele, querendo cessar os devaneios dela, que eram evidentes. – Não tem porque ela pensar em se meter no meu quarto, seria muito sem noção, você, por exemplo, antes da gente namorar, você não ia lá ao meio da noite né, mesmo a gente sendo bem ligados, porque a doida aí, iria ter uma atitude dessas, não tem nexo. – Afirmou Ben. – Mesmo que a gente não conheça muito ela. – Falou ele.

– É mais eu conheço você, e também em como você consegue passar recibo de super simpático, só abrindo a boca pra dizer um bom dia. – Ironizou Anita, nada satisfeita.

– Não surta vai. – Respondeu ele querendo convencê-la.

– A verdade é que essa garota é um purgante, Sofia é que tá certa, eu to começando a desconfiar. – Anita proferiu, mesmo não gostando de concordar com a irmã. – E olha que eu achava que eu nunca mais fosse dar razão pra ela, em nada. – Comentou.

– Tá assim só pra constar, o que ela faria se soubesse que a gente namora, e muito. – Ben perguntou a ela.

– E eu é que sei, sei lá, pra mim essa aí tem cara de santa, superior, mais no fundo gosta mesmo de ficar procurando a desgraça dos outros, pra cutucar a ferida, só pra poder sair como a altiva da situação, se diverte com os erros alheios, dizendo que não comete, pra ninguém perceber que no fundo ela é mais entediada do que um caquito em pleno deserto. – Previu Anita.

– Anita agora você realmente comprou o discurso da tua irmã. – Riu Ben.

– Ah é, e você abre teu olho hein, aí de você se eu descobrir que essa coisinha anda mesmo dando em cima de você, você aí me chamando de louca, você vai começar a desconfiar o que é uma pessoa descontrolada. – Ameaçou ela. – Eu já aturei coisa demais, pra agora ter que assistir isso de camarote sem fazer nada, a mais não mesmo. – Afirmou se recusando.

– Olha deixa isso pra lá vai, mesmo que essa menina desconfie da gente, veja a gente junto. – Argumentou Ben, para convencê-la a esquecer de suas suposições. – E daí, Anita a gente não deve nada a ninguém. – Garantiu ele, fazendo um carinho em seu rosto.

– Hum então, como é que a gente veio parar no meio desse enrosco. – Retrucou Anita, desacreditada.

– Sei lá, porque a gente precisava de paz, depois de tudo que houve, coisa que, aliás, a gente nunca teve em momento algum, se isso fosse requisito pro nosso relacionamento dar certo, com certeza não teria dado jamais. – Ben exclamou procurando entender. – Ok, a gente talvez tenha também se acomodado nessa situação, e na boa Anita, também era o mínimo que a gente tinha direito depois de tanta desgraça, que se dane o que o resto vai pensar disso. – Disse o garoto, tranquilo.

– É, pode ter sido isso. – Ela não discordou. – E na verdade, eu também tenho que admitir que acho, que eu não teria paciência e nem tolerância pra aturar todos os empecilhos que a minha mãe a o Ronaldo iriam alegar por verem a gente juntos de novo, usando teu envolvimento com a Sofia pra justificar que a gente não podia voltar a namorar tão depressa. – Pronunciou ela. – Na verdade, a gente precisava de isolamento pra até mesmo se encontrar de novo, algumas coisas mudaram, e tinha muita mágoa sustentando isso, se eles se metessem ia ficar mais insolucionável ainda, e tem o desgraçado do Antônio, seria hipocrisia achar que ele só porque arrumou um pai doído pra se ocupar por enquanto, desistiu de infernizar nossas vidas. – Afirmou Anita, nem gostando de lembrar-se desse detalhe. – No fundo eu queria ter paz, e ainda quero. – Expressou ela com um sorriso, bastante melancólica.

– Eu te amo. – Sorriu ele afirmando.

–Eu também. – Anita retribuiu com outro sorriso. – Mais para né, ou alguém aparece. – Justificou. – E eu acho sinceramente, que a gente vai ter que pensar em um jeito de contar pra mamãe e pro Ronaldo. – Comentou ela, se sentindo presa a um misto de nervosismo e apreensão.

– Depois e agente vê isso vai. – Ben rebateu.

– O que vocês tão fazendo. – Pedro questionou, ao pegar os irmãos mais velhos, olhando-se de forma entrosada um para o outro.

– Café da manhã. – Anita supôs, de forma natural.

– É. – Ben proferiu concordando.

– Ah e porque não tem nada na mesa ainda. – O menino quis saber, ao observar com esperteza.

– Porque eu acabei de chegar da rua com o pão. – Disse Anita explicativa.

– E você hein, caiu da cama cabeça. – Ben perguntou, disfarçando o sorriso debochado.

– É que vai ter uma apresentação na escola hoje, eu tenho que chegar mais cedo pra ensaiar. – Contou o pequeno.

– Oba! – Então eu vou assistir. – Anita afirmou.

– Mais ninguém vai, assim eu vou pagar um mico tremendo, isso sim. – Pedro falou se defendendo.

– Hum e eu não posso agora, prestigiar o meu caçulinha gênio, não é, quem disse. – Rebateu ela, achando graça da negação do pequeno.

– Não né, ninguém disse, não é isso, mais é que é muito mico. – Sustentou ele.

– Mico, que mico o que, mico coisíssima nenhuma. – Implicou Anita.

– Ih Pedrinho, pelo visto ela vai, e ainda vai fazer pior, vai tirar foto, e vai guardar pra ficar mostrando pra todo mundo quando você crescer. – Ben disse brincalhão, fazendo a cara do susto do menino aumentar.

– É duro, ser o mais novo, isso não é justo. – Pedro resmungou desapontado.

– Hum e se bobear vou mesmo, só pra mostrar pra todo mundo como você sempre foi muito fofinho. – Falou ela, indo até o garoto e deixando um beijo em seu rosto.

– Ai eca, você me babou. – Reclamou ele, fazendo Anita rir.

– E óh, não reclama de ser o caçula não, quem te disse que ser o mais velho também é bom. – Afirmou Anita debochando.

– Mais ser o caçula é bem pior. – Sustentou o menino. – E eu não quero mais. – Respondeu ele.

– Bom isso já não é com a gente cabeça, você vai ter que resolver com meu pai e com a Vera. – Ben argumentou sorridente.

– Você já pensou, sete. – Anita gargalhou ao imaginar.

– Então melhor oito de uma vez, pra ficar par de novo. – Ben retrucou.

– Não sei se eles dariam conta não, já pensou. – Anita se perguntou.

– O que tecnicamente não resolve muito o meu problema de ser o caçula. – Pedro disse.

– Não aí, pra você pensar em se tornar o mais velho, vai acabar virando que nem aquele filme, em que o casal tinha uma dúzia, não acho melhor deixar do jeito que tá, ou a situação sai de controle. – Comentou Anita, rindo. – Já tem gente demais nessa casa. – Anita garantiu. – Pedro vai se trocar, que eu vou por a mesa então. – Sugeriu ela. — Ah e aproveita e passa no quarto da Branca de Neve Patricinha, e da Bela Adormecida Roqueira e acorda elas, antes que percam a hora. – Anita pediu, irônica devido ao atraso de Giovana e Sofia.

– Tá bom. – Se dispôs ele. – Mais elas vão me xingar hein, eu vou dizer que foi você que mandou. – O menino previu.

– Pode dizer, depois de uma hora passa. – Brincou Anita, estendendo a toalha sobre a mesa.

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– Bom dia. – Disse Anita, chegando com Ben, até onde Serguei encontrava-se sentado, no pátio do colégio.

– Bom dia Serguei. – Ben também pronunciou.

– Olha até que enfim, a senhorita resolveu dar as caras. – Serguei levantou, cumprimentando a amiga com dois beijos no rosto.

– Ah sério a gente se falou ontem, já esqueceu. – Anita riu das lamentações dele.

– Não, mais é que eu já achava que você tinha esquecido que tinha que voltar pro colégio. – Ele proferiu se explicando.

– Muito engraçado né. – Retrucou ela. – E a Julia, chegou. – Indagou a menina.

– Não, mais tá cedo ainda. – Serguei informou.

– Tomara que ela venha. – Ela torceu.

– É eu também acho. – Reforçou ele. – Eu também andei um pouco preocupado com ela. – Serguei expôs, imaginando do que Anita falava.

– É pois é. – Anita falou, um tanto confusa.

– Mais mudando de assunto. – Disse Serguei, estendo o braço por cima dela, que se encontrava parada ao seu lado. – Tem nenhuma novidade pra me contar não. – Questionou o garoto, sorridente.

– Tenho, tenho sim, que o senhor tem que me entregar a tua parte do trabalho de história pra eu digitalizar, e rápido, ou vai estourar o prazo e a gente não vai entregar trabalho nenhum. – Anita rebateu, fingindo não entender.

– Ah entendi, a velha e organizada Anita esta de volta, o efeito não foi muito duradouro. – Afirmou ele, travesso. – Óh Ben, da próxima vez que você for raptar ela, rapta por um mês, seis meses, aí quem sabe não seja mais eficaz. – Disse Serguei ao garoto, que apenas riu da afirmação.

– Tá cheio de graça, hoje né. – Anita sorriu com ironia.

– Não ué, estou sendo realista. – Gargalhou o garoto.

– Oi gente. – Julia se aproximou dos três com um semblante sério, com Fred ao seu lado.

– Tudo bem. – Perguntou Anita sorrindo, enquanto os demais assentiram apenas.

– É acho que sim. – Ela respondeu, sorrindo de leve.

– Acha nada, esta e muito. – Serguei interviu, como forma de passar apoio.

– Bom eu, vou indo. – Disse Fred. – Nós vemos daqui a pouco. – Se despediu ele com um sorriso.

– Vai lá. – Ben respondeu.

– Bom Ju, vamos entrar – Perguntou Serguei a convidando.

– Claro, vamos sim. – Concordou ela.

– Tá então, vamos deixar o casalzinho aí né, porque enfim eles devem ter alguma coisa mais importante pra fazer por enquanto. – Alfinetou ele entre risadas.

– Ai não acredito Serguei. – Julia acabou achando graça.

– Tá cheio de graça ele hoje, não sei o que houve, a Flaviana acho que ultrapassou nas doses de amor que distribuiu pra ele, aí fico assim. – Ironizou ela, bancando a ofendida.

– Quem sabe. – Supôs Julia, saindo com o amigo.

– Você notou como o Fred tá sério. – Anita sussurrou a Ben, quando já estavam a sós.

– É também normal né Anita, ele não vai estar soltando fogos, ainda mais com a sensação de que tem sempre alguém pensando alguma coisa em relação a ele. – Ben disse como justificativa.

– Ham, e a gente é que vai falar alguma coisa, logo a gente, sem chances né. – Anita afirmou.

– A gente pode até ser. – Concordou. — Mais mesmo assim. – Respondeu Ben. – É melhor a gente ir pra sala também vai. – Convidou.

– Certo, eu vou só passar na biblioteca pra pegar um livro. – Anita falou. – Você vem comigo. – Perguntou ela o convidando.

– Tá, tá bom. – Ben aceitou.

Os alunos do terceiro ano aguardavam em sala de aula o professor que daria a última aula, em meio a muitas conversas e estardalhaço.

– E aí, você já sabe o que vai fazer pro teu aniversário. – Anita perguntou virando para Julia.

– Ah acho que nada né Anita, meu pai acabou de falecer, sei lá acho que também não tem muito haver eu ficar fazendo festa. – Disse a garota.

– Hum, não acho sabia, acho que ele se estivesse aqui, diria totalmente ao contrário, ele sempre quis te ver feliz independente de tudo, e depois também não precisa dar a festa, uma coisa simples só, isso não vai significar que você tá desrespeitando ele. – Argumentou Anita, para convencê-la.

– Será Anita, eu to meio na dúvida minha mãe também me disse que eu tinha que fazer alguma coisa, mais não sei. – Disse Julia.

– Ju, e ela tá certa, não se faz 18 anos todo dia não, bom eu não comemorei meu aniversário pra valer, coincidiu bem com aquela época que minha cabeça ainda tava meio confusa, mais tentando do que conseguindo melhorar alguma coisa, a Bernadete bem que tentou acender uma vela, contar um bolo a mamãe também, mas sei lá, acho que eu não tava muito no clima mesmo, também não que eu me arrependa disso. – Comentou Anita. – Mais no teu caso acho que não tem nada a ver, que tal a gente comemorar juntas agora. – Brincou Anita. – Se você quiser a gente pode fazer alguma coisa lá em casa mesmo, o bolo já tá garantidíssimo. – Afirmou.

– Ah o bolo, e como você vai convencer tua mãe a dar o bolo, posso saber. – Julia achou graça de toda empolgação da amiga.

– Ué, eu do meu jeito, e depois se a mamãe se negar, a Bernadete com certeza não. – Anita retrucou.

– Eu to começando a achar que você dá um jeito em tudo mesmo, de tanto reformar coisas inutilizáveis, você adotou isso pra vida agora. – Julia implicou sorrindo.

– Hum vai saber. – Anita não desmentiu.

– Bom dia classe. – Disse Fred entrando a sala. – Bom é vamos corrigir os exercícios da aula passada pode ser. – Comunicou ele.

– Eu tenho uma ideia melhor, que tal você dar uma aula de conquista professor. – Alfinetou um dos alunos, que se concentrava sentado em um canto, no fundo da sala de aula.

– Aqueles últimos eu não fiz todos porque, eu confesso que não peguei muito bem a explicação. – Serguei interviu em meio a alguns cochichos, realmente interessado na matéria.

– Tá vendo Anita. – Julia desabafou desconfortável.

– Não, eu não to vendo nada, e você faz favor de entrar por um ouvido e sair no outro. – Anita disse taxativa, pedindo que ela ignorasse.

– Eu acho que a ideia inicial era mais interessante. – Pronunciou outra voz.

– E sabe o que eu acho, que era mais interessante. – Serguei falou, levantando de onde estava e indo até a frente, para encarar a todos – Que todo mundo aqui se preocupasse mesmo com a matéria. – Ele afirmou, se irritando.

– Até porque é matéria de vestibular, e eu acho que todo mundo quer passar aqui. – Se pronunciou Ben.

– E eu também acho que a vida de ninguém está em discussão, mais se tem alguém que não é maturo o suficiente pra entender isso, a porta da sala é serventia da mesma, assim como a porta da sala da Raíssa, que não vai gostar nada de aluno atrapalhando o andamento da aula. – Elevou o tom de voz Anita, soando como um discurso que continha certa indignação.

– Então gente, Fred você pode explicar melhor os últimos exercícios, por favor. – Serguei falou, colocando um fim a falação, enquanto o silêncio pairava no ar entre os outros que estavam no ambiente.

– Vamos começar então. – Ele concordou.

Notas finais
Até o próximo...