Continuação...

— Oh filha acabou a arrumação lá. — Vera indagou vendo Anita entrar em casa.

— É acabou sim. — Anita disse soltando algumas travessas da mãe que havia levado com salgadinhos sob a mesa da sala. — Aqui óh, tudo limpinho. — ela avisou com um sorriso animado.

— Oh Anita, podia ter deixado que eu lavava , você não parou hoje filha, e não se esqueça que a senhorita estava doente a poucos dias. — Vera afirma a menina, meio impaciente.

— Relaxa mãe, eu to bem, e nem me cansei, sério. — Anita garantiu sorrindo de volta para que ela desmanchasse a cara de preocupação. — E depois, a Ju ficou tão feliz que, valeu muito a pena. — ela disse relembrando.

— É mesmo. — a mãe concordou.

— Vou lá em cima tá. — Anita comunicou apontando para a escada.

— Vai sair ainda, meu amor. — Vera perguntou a lançando um olhar atencioso quando ela para no pé da escada.

— Na verdade vou sim. — Anita explica, meio apreensiva ao não se ver com coragem para dizer o resto a mãe, repassou confusamente o que iria fazer em seu quarto enquanto virava-se para subir a escada. — Na verdade eu... — proferiu ela ainda meio hesitando, voltando a encarar o olhar de Vera, que lhe encarava atenta.

— O que filha. — Vera pediu que ela continuasse.

— Não é. — Anita se perdeu facilmente em seus pensamentos devido ao nervosismo. — Nada, não é importante não, bom to indo. — Anita recuou tensa, desistindo de encarar a mãe, e virou subindo alguns degraus da escada.

— Então tá é, sabe o que é, depois que a gente brigou e rolou aquilo tudo... — Enfim a gente se entendeu ih... — Anita desceu a escada novamente abruptamente.

— O que Anita. — Vera lhe implora que ela lhe fale numa voz doce.

— Ah... — E que naquela ocasião eu prometi pra você que eu não iria mais omitir, ou mentir pra você como você sempre me acusou de ter feito com relação ao meu namoro com o Ben, eu prometi de verdade, sendo sincera, e... — Anita pausou a voz parecendo querer captar uma reação da mãe que lhe olhava com atenção somente. — Você disse que também tentaria me entender, não foi. — ressalta ela fitando a mãe com receio.

— Foi sim filha. — Vera assentiu positivamente entre um meio sorriso terno, como se quisesse esconder sua tensão com a notícia que Anita parecia querer lhe dar.

— Tá é que. — Anita continuou engolindo em seco o nervoso que já lhe dominava totalmente. — É que o Ben, me convidou pra passar a noite lá no Omar com ele. — Anita termina a frase fechando o olhos por alguns segundos ao entender que a mãe poderia não gostar nada.

— Entendi e o Omar tá sabendo, pelo que o Ronaldo me contou ele foi viajar. — Vera indagou ainda absorvendo o que ela lhe contava.

— Acho que sim, e também do mesmo jeito que eu não busquei minhas coisas na Bernadete, ele não trouxe todas as dele pra cá, você lembra que a gente ficou de pensar no pedido do Ronaldo e fomos ficando até agora. — Anita tentou alegar. — Mãe olha como eu te disse, eu poderia não te dizer nada, e até mentir quando você quis saber se eu iria sair, mais eu preferi te falar, numa boa, eu só não queria mesmo brigar com você de novo, só que também abrir mão do meu namoro, não está nos meus planos. — justifica ela com calma.

— Tá Anita, e se teu pai desconfia, o que eu digo, conto tudo de uma vez. — Vera cobra meio severa.

— Não sei, não estou pedindo pra você mentir, e tem mais eu vou contar pro meu pai que eu voltei com o Ben... — Anita não se absteve de suas ações. — A questão aqui é você, a nossa relação, que muito tempo foi a melhor do mundo, você sempre foi minha amiga, e eu sempre achei que quando eu me apaixonasse por alguém, e vivesse um amor verdadeiro, com maturidade, com sentimento, com uma relação de casal, com tudo que ela inclui, sem restrição, eu ia poder te contar, não com extremos detalhes, bom eu acho que também sou travada demais pra isso, e também tem coisas que não precisam ser ditas né... — ela afirmou respirando impactada. — Mais que eu pudesse conversar com você sem medo de retaliação, de ser recriminada e desde que eu comecei a ficar com o Ben, que eu me vi, nunca podendo te falar nada, porque eu sabia que era exatamente isso que iria acontecer, você não ia aceitar, iria me julgar, dizer que tava errado, e com o grau de intimidade que nossa história foi tomando, essa distância entre a gente aumentou ainda mais mãe. — ela falou ficando aflita de novo com o desabafo que ficou sério.

— Pelo visto, isso é um comunicado e não um pedido, estou certa. — Vera questionou deixando Anita apreensiva ao erguer o olhar para a mãe.

— Bom, talvez sim, mas eu iria ficar muito mais feliz se você me entendesse e principalmente não achasse que eu to fazendo algo de muito errado. — a menina diz com sinceridade.

— Eu não acho filha, você também não precisa se culpar tanto, eu só me preocupo com você. — Vera alegou sorrindo docemente. — No fundo eu sempre me preocupei e de tanto me preocupar é que eu não vi, o quanto eu não soube te ajudar quando você precisou, meu anjo. — falou ela deixando Anita meio inércia em seus pensamentos somado ao olhar emotivo com que encarou a mãe. — E talvez achando que eu poderia te poupar se eu impedisse teu namoro com o Ben e evitando o que os outros pensariam de você, eu só errei, e você me acusou disto estando certa, e eu nunca admiti o que estava na minha frente. — disse Vera ficando em silêncio apenas a olhar para a filha. — Que o Ben, sempre foi o melhor namorado que eu poderia sonhar pra você, que ele gosta de você tanto quanto você gosta dele, vocês se amam é isso, e formam um lindo casal. — confessou ela com um olhar emocionado. — Pode ir. — autorizou ela deixando Anita meio sem reagir.

— Se tá falando sério, ou... — Anita sorri em um misto de desconfiança e até surpresa.

— Pode, mas não me volta muito tarde amanhã, e se cuidem, e em todos os sentidos não é, afinal eu não mudei de opinião numa coisa, não estou com pressa para ser avó, não agora. — Vera relembra sorrindo brincalhão.

— Tá já entendi. — Anita concordou sorrindo de volta meio sem graça. — Brigada viu, eu te adoro. — ela agradeceu com um abraço todo carinhoso.

— Também viu. — disse Vera alegre.

— Anita preciso muito falar com você sobre o papai. — Sofia proferiu com rapidez ao ver a irmã apontar na porta do quarto.

— Amanhã Sofia, amanhã. — pedi Anita já indo até o armário. — Até porque meu dia foi ótimo, não vou estragar agora justo com Caetano, vamos combinar que ele não anda merecendo. — ela disse impaciente com tudo que o pai sempre aprontava, retirando um vestido com estampas do guarda roupas e jogando o cabide sob a cama.

— Anita ele é nosso pai, quer parar com o discurso moralista, aff. — loira acaba irritada com a irmã.

— Você achando qualquer coisa que venha do nosso pai anormal, seria pedir demais mesmo. — ela ironiza colocando algumas coisas dentro de sua bolsa.

— Da pra falar comigo direito Anita. — Sofia murmurou impaciente, vendo Anita andar de um lado para o outro. — Você vai sair, pra onde. — a patricinha quer saber.

— Não te interessa, beijo boa noite. — Anita respondeu rindo da face irada da loira, pondo sua bolsa já ao ombro. — Fui, ah e antes que eu me esqueça, vê se não apronta nada até amanhã. — diz Anita fingindo voltar para recomendar a loira que se joga em sua cama bufando.

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— Achei que tinha me esquecido. — Ben afirma ao vê-la parada a porta.

— Não mesmo. — Anita dá risada dele. — Eu só fui deixar umas coisas em casa e acabei me distraindo numa conversa com a minha mãe. — tentou explicar ela no momento que entrava soltando sua bolsa.

— Sobre o que. — Ben indagou suspeitando que as duas pudessem ter brigado.

— Nada de mais, depois te falo. — Anita não quis detalhar.

— Tá bom então, quanto mistério. — respondeu ele a lançando um olhar curioso.

— Tá ué. — Anita achou graça não disposta a querer explicar, apenas o beijando.

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— A Julia tava tão feliz né. — Anita comentava interrompendo todo silêncio que unia os dois, olhando para a parede ao seu lado.

— Tava sim, e você princesa ficou ainda mais feliz de ver ela toda radiante daquele jeito. — Ben respondeu o que foi percebido visivelmente durante a festa, enquanto mexia no cabelo dela ajeitando os fios bagunçados. — Não foi. — ela indagou com um sorriso, enquanto distribuía beijos pelas costas dela.

Anita sorri em concordância. — É fiquei sim, acho que depois de tudo que houve a Ju provou que é muito mais do que minha amiga, é minha irmã, não que eu duvidasse disso, ou que precisasse... — diz ela ainda sorridente por ter contemplado toda alegria da amiga. — Mais ela ficou sempre do meu lado mesmo depois de tudo, nunca me julgou, sempre me apoiou, me entendeu, me deu força, eu fiquei muito feliz de ver ela radiante daquele jeito, perder o pai dela, deve ter sido muito difícil, ela merecia essa alegria toda, com os pessoas que ela ama, pra de uma vez por todas saber que ela não tava sozinha sabe, que mesmo sem o pai, que era uma pessoa que ela podia contar, ela não tá sozinha, que ainda tem um monte de gente que quer ela bem. — Anita confessou cheia de emoção.

— É, merecia mesmo. — Ben concordou, também tendo plena certeza que Julia merecia tudo de melhor, por ser a pessoa excepcional que sempre demonstrou ser.

— Quem quase estragou tudo, não pra surpresa de ninguém, foi o Antônio né, e você também quase que caiu na pilha dele. — Anita revelou a cerca do episódio que tinha causado a total insatisfação de Ben, sem que ele conseguisse disfarçar.

— Nem me fala. — Ben suspirou não negando que por muito pouco não foi o responsável por acabar com toda harmonia da festa de Julia.

— Eu sei, não deve ser muito fácil pra você mesmo, afinal depois de tudo que ele sempre afirma e reafirma, que eu fiz contra você, que eu tentei ser pra te esquecer, que até eu posso ter prometido a ele por raiva, e tudo que eu te disse, olhando pra mim, você vai sempre saber se é verdade ou não, minha cara por exemplo como agora, nem deve estar negando, que de alguma forma eu cavei isso, e você também não imagina a raiva que eu ainda sinto de mim por isso. — admitiu ela seu inconformismo com a situação por trás do olhar de mágoa, que agradeceu Ben não estar vendo.

— O Antônio adora estragar minha paz, ele além de mau caráter, essa mania dele de ficar se metendo entre a gente, e me envenenando contra você me tira do sério sim, mais isso também não é a coisa mais importante do mundo, por tanto esquece vai. — o rapaz é sincero e admiti, mas percebe o desapontamento de Anita que só suspirou impaciente consigo mesma.

— Eu na verdade também não sei muito como parar o Antônio, e nem como desmentir as coisas que ele fica insinuando de mim. — Anita disse preocupada e em parte também entristecida, pois sabia que assim o garoto atingia diretamente sua relação com Ben. Que mesmo relutando e disfarçando acabava incomodado e enraivado, pela corrente de mentiras de Antônio ao seu respeito, como se ele estivesse sempre ali para lembra-los do passado cheio de tristeza que tanto Anita quanto Ben havia lidado.

O garoto suspirou paciente, ao vê-la com o olhar vago e uma ponta de tristeza e desapontamento pela situação, e foi inevitável não se sentir responsável, mesmo que Ben tivesse prometido a si mesmo muitas vezes que não se desentenderia com Anita por mero ciúmes, a situação lhe atingia em cheio de vez em quando. Saber que Antônio não valia nada e era somente um mentiroso manipulador às vezes não era mesmo o suficiente para ignorar as provocações do meio irmão, ou para não ficar com raiva pela forma doentia como ele insistia em se aproximar de Anita e inventar qualquer laço que se quer um dia existiu. — Bom tecnicamente, assim só por hipótese. — ele se pronuncia beijando o ombro dela.

— Que. — Anita indaga em um tom sério, virando o rosto para trás de leve para lhe olhar de relance, desfazendo um pouco seus devaneios.

— Bom cogitar que você tá aqui agora, perto de mim, de calcinha e sutiã na minha cama, é faria mesmo os meus ciúmes do Antônio serem fichinha perto da raiva que ele sentiria da gente. — brinca ele, querendo desfazer a possível mágoa que ambos pudessem estar desenterrando naquele momento.

— Ah é, e você é um sem graça. — reclama ela o olhando descrente. — Adeus pra você. — Anita preferiu nem se dar ao trabalho de responder mais nada, apenas puxando o resto da coberta e tapando o rosto, impaciente para às brincadeiras do amado.

— Anita não para. — ele ria ainda mais, da atitude envergonhada dela. — Eu to brincando com você, o maluca. — o garoto justifica tentando se aproximar dela que se afasta.

— Pois eu não estou, só não saio correndo agora daqui, porque como você mesmo insinuou não seria uma boa ideia. — Anita disse séria e meio impaciente com a implicância do namorado, descobrindo o rosto de novo e se escorando na cama com mau humor.

— Tá vai, mais o que eu quero dizer é que por mais difícil só nos resta esquecer o Antônio, por mais que isso não seja fácil pra nós dois, e mesmo que eu perca minha paciência com ele, isso não significa que eu estou te culpando por algo, ou acreditando em algo que ele diga, a gente confia um no outro certo. — pondera ele, recebendo um olhar atento.

— Pensei que desse né, mais com essa tua piadinha fora de hora aí, sei não. — Anita retrucou procurando se esgueirar do assunto.

— Você confia sim, até porque eu não pretendo sair por ai espalhando nada juro. — Ben argumentava, só recebendo um olhar arisco de volta.

— Pior é que você pode até tá brincando. — disse ela se sentando bruscamente. — Mais as vezes o Antônio me assusta de verdade, fica me olhando de um jeito como se eu tivesse mesmo saído de casa de roupa íntima, direto pro meio da rua. — ela diz colocando um pé no chão e ficando na ponta da cama.

— Tá do avesso, Anita. — Ben ria do jeito atrapalhado dela que tentava vestir sua camisa, que estava jogada aos pés da cama.

— Nem você que é você faz isso. — Anita retrucou desistindo de vestir a peça de roupa e querendo desvira-la, mas não conseguindo executar o feito com facilidade.

— Vai ver eu disfarço melhor. — Ben afirma sorridente nem conseguindo leva -la a sério, apenas se perdendo na forma encantado com que olhava para ela.

— Não. — ela diz em tom de impaciência, finalmente conseguindo desvirar a blusa de Ben e a colocando. — O Hernandez poderia internar o Antônio ao invés de ficar dando ainda mais credibilidade pra ele, será que ele não cogita que é por nunca ter dado limites que ele é assim. — ela declarou se sentindo um pouco enraivada pelo apoio que Hernandez parecia sempre dar a Antônio. Anita julgava olhando para Ben que não parecia nem um pouco incomodado.

— Jura, nunca pensei em sugerir isso a ele. — Ben faz graça meio irônico. — Vem cá. — ele pediu olhando para o lado da cabeceira vazio.

— Não. — Anita respondeu em tom de pirraça. — E porque você tá rindo de mim, nem entendi a graça. — ela disse séria cruzando os braços e continuando sentada onde estava.

— A graça é te amar, é saber que mesmo depois de tudo você tá aqui na minha frente agora, reclamando o quanto eu sou bobão só por ficar te provocando, só pra sorrir depois vendo essa tua carinha encabulada aí. — ele afirmou olhando para ela, que desdenha desviando o olhar.

— Não é vergonha é só raiva mesmo, porque sempre tive certeza que você faz de propósito. — Anita proferiu jogando o travesseiro que estava ao seu lado contra ele que ri alto. — Desisto, não vou ser mais namorada de uma pessoa assim, debochada, e insuportável. — Anita alegou ficando impaciente com as risadas dele que não a levava a sério.

— Ah não. — Ben rebateu tentando estender o braço até ela que procurou se esquivar.

— Para, o que você vai fazer. — Anita questionou não conseguindo segurar sua seriedade por muito tempo, e foi rindo enquanto ele conseguia a alcançar. — Ben para. — ela pediu entre risadas, não sabendo como impedi-lo de deita-la na cama.

— Então retira o que você disse. — ele ordenou em tom brincalhão a enchendo de cócegas na barriga.

— O que. — Anita retrucou se contorcendo de rir, enquanto procurava afastar as mãos dele. — Que eu não quero mais namorar você, não vou não. — ela garantiu não conseguindo se livrar dele.

— Ah não vai, então considere-se minha prisioneira, porque tu não sai daqui sem retirar, não tem outra escolha. — ele respondeu sorrindo parando com as cócegas, Anita levou o olhar para ele descrente ao seu lado.

— Grandes coisas, amanhã quando derem falta da gente aqui é o primeiro lugar que vão nos procurar. — a garota lhe olha pouco confiante virando o rosto para ele. — Você é que não tem muita escolha príncipe. — ela revida com um sorriso atrevido o beijando carinhosamente logo depois.

— Ah é, eu que não tenho escolha — Ben repetiu com um ar travesso, separando os rostos dos dois. — Então assim, só pra me deixar, mais feliz e menos triste porque perdi. — supõe ele a fazendo ficar com ar de riso. — Repete pra mim, Ben eu sou uma irônica, pessimista, exagerada, mas mesmo assim eu te amo. — afirma o rapaz, Anita nega veementemente fazendo gesto negativo com a cabeça pelas críticas.

— Esqueceu do ciumenta também, você adora me taxar assim. — acrescentou ela desdenhando das palavras dele.

— Verdade. — Ben a encara fugindo concordar.

— Olha eu não sou nada disso tá. — ela nega-se a admitir. — Mais eu te amo, e isso com certeza é a minha maior verdade sem tirar e nem pôr. — ela fala sorrindo cheia de felicidade.

— É a minha também, pode acreditar. — ele retribui fazendo um carinho no rosto dela. — Por isso que não dá pra dar importância nenhuma pro resto Anita, não importa nada e nem ninguém, nem os empecilhos dos nossos pais, as loucuras do Antônio e nem qualquer outra coisa que seja que a gente ja viveu de ruim, ou pode vir a acontecer ainda, vai ser capaz de separar a gente por muito tempo, nós dois sempre vamos dar a volta, ignorando tudo e voltando a estar um do lado do outro, porque o amor e a falta que a gente sente um do outro, sempre vai ser maior que tudo isso. — Ben garante enquanto os dois se olhavam compenetrados, um na expressão do outro.

— Você sabe dizer coisa bonita, quando quer sabia. — rebateu ela sorrindo meio surpreendida. — Mais claro que também eu não pretendo sair admitindo isso por aí, a concorrência já anda acirrada demais. — Anita brinca quando ele lhe beija.

— É seria demais esperar isso de você. — ele murmurou querendo implicar. — Eu tenho uma surpresa pra você. — revelou ele.

— O que. — Anita se ergueu, sorrindo com cara de quem não entendia.

— Então, aconteceu tanta coisa esse ano, que algumas parece mesmo que faz muito tempo. — ele disse, enquanto tentava encontrar o que procurara dentro da gaveta com mão.

— É a gente viveu quase duas vidas. — Anita nem tinha como negar, mais no final não podendo reclamar do rumo que tudo tomou, por mais que os percalços ao meio do caminho não fossem os esperados.

— É foi quase isso mesmo. — ele concordou. — E acho que quando eu vi o quanto você se empenhou pra dar um dia feliz pra Julia no dia do aniversário dela, foi que eu realmente me dei conta de que eu nem soube como você passou o teu, e mesmo que a gente tivesse feito tantos planos pra ele. — Ben afirma deixando ela com um sorriso melancólico no rosto, ao lembrar-se.

— Bom a gente não se falava muito naquela época, e uns dias depois eu descobri do teu envolvimento com a Sofia e ficou um pouco pior. — Anita meio que riu da situação, por mais que sua raiva e mágoa na época tivessem sido bastante verídicas. — Aí eu só fiz oficialmente o que já tava rolando, me mudei de vez pra casa da Bernadete, jurando a mim mesma que nunca mais voltaria pro Grajaú, mais como você pode ver foram só promessas de alguém com alto teor de raiva. — completa ela.

— Eu acho que, eu queria muito ter tido coragem suficiente pra te procurar aquele dia. — Ben confessa o que sempre ficou guardado em sua lembrança apenas.

— Eu também, mesmo não sabendo porque, eu pensei muito em você naquele dia, acho que foi por isso né, apesar de realmente ter preferido não fazer uma comemoração de aniversário, e nem ter deixado minha mãe preparar nada, eu queria que você tivesse comigo, talvez fosse por isso que eu sabia que minha comemoração não seria completa. — partilha ela meio emotiva. — Mais eu não tenho do que reclamar não, a partir dali eu me reencontrei de alguma forma, essa distância toda acabou me trazendo de volta. — ela repensa.

— É mais mesmo assim, você insistiu muito em fazer uma festa pra Julia. — o garoto cobra.

— É, mais isso também não significa que eu fiquei chateada, porque quando foi meu aniversário eu fiz diferente, e a Ju mereceu. — respondeu ela.

— Eu só sei que, eu queria muito ter passado essa data do teu lado. — Ben afirma acariciando o rosto dela, que só sorria.

— Terão outros e outros, até porque eu não te solto nunca mais. — Anita garantiu com um beijo tentando desfazer a frustração dele.

— Nem eu. — ele respondeu de volta. — Mesmo que eu não tenha sido muito eficaz em cumprir as promessas que eu te fiz antes, eu não esqueci de nenhuma delas não, eu ainda pretendo cuidar muito de você, te ver feliz sempre, porque você sabe que você é a pessoa mais importante da minha vida. — ele prometi a deixando desconcertada.

— Você vai me fazer chorar assim sabia. — Anita alegou tentando negar que já estava chorando.

— Bom eu sei que estou muito atrasado pra te parabenizar, mas acho que presente ainda tá valendo, mesmo que ainda bastante atrasado atrasado também. — ele exclamou com um sorriso suave, entregando uma caixinha a ela.

— Seria modéstia, eu dizer que não precisava. — Anita brincou, enxugando uma última lágrima que permanecia em sua face, quando tentava abrir o embrulho. — É lindo. — falou ela, quando viu que havia uma correntinha dentro da caixa. — Agora você não pode dizer que não fez parte do meu aniversário de alguma forma, porque eu vou guardar com muito carinho esse dia aqui, e o presente. — Anita garantiu sorrindo largamente e lhe dando um abraço carinhoso.

— Eu também vou, pode ter certeza. — Ben pronuncia a soltando.

— Obrigada, aliás obrigada por tudo sempre, talvez se não fosse você eu teria tido mesmo algumas cicatrizes a menos e às quais a minha alma lutou pra curar, mas também sem dúvida alguma, eu não teria tantos momentos felizes pra lembrar, porque você sempre está neles, e vai continuar estando. — disse ela, se debulhando sem perceber em lágrimas novamente. — Vai me ajuda colocar, porque sozinha não vai rolar, ainda mais se eu continuar com o chororô. — alegou Anita entregando a correntinha a ele, e voltando a tentar conter o choro.

— E se eu me descobrir tão atrapalhado quando você. — riu Ben da justificativa dela.

— Seria a convivência talvez. — Anita também riu, tentando segurar seu cabelo para que ele pudesse abotoar a corrente.

— Perai. — pediu ele, meio enrolado. com a incumbência dada pela amada. — E acho que deu, pronto. — informou ele deixando um beijo no pescoço dela.

— Obrigada. — ela agradeceu sorridente se virando para beija-lo.