E se um reencontro o destino preparasse...
249 Capítulo 249:
Notas iniciais
– Anita agora que as coisas se assentaram que as percepções iniciais já foram deixadas de lado, você podia pensar em voltar pra casa não é. – Ben argumentava com ela, acabando com o silêncio que os unia.
– Desiste Ben, eu não vou voltar pro casarão tão cedo, aliás, nem sei se um dia. – contrariou Anita nada paciente, fitando o teto do quarto de Omar apenas.
– Tá bom, e o que você pretende fazer, morar na Bernadete pra sempre. – rebateu ele o olhando impacientemente, devido à atitude dela em não lhe ouvir.
– Não sei, não pensei nisso. – Anita responde sincera, mexendo os ombros indiferente.
– Tá todo mundo aflito com essa situação, melhor você voltar. – insistiu Ben com ela, mais cedo ou mais tarde Anita faria força para esconder a saudade da convivência com a família e Ben sabia disso.
– Eu não vou voltar, aliás, você pode dizer pro Ronaldo parar de te mandar, a me convencer do contrário. – disse ela, imaginando que o padrasto estava por trás dos apelos dele.
– Você podia parar de bancar a teimosa uma vez na vida, até parece que você está confortável com isso. – ela a acusou com suspiros de irritação pela negação da garota.
– Não sei, por que você tá tão preocupado com isso, saiu de lá porque então. – Anita retrucou, mexendo nervosa, as pontas dos dedos das mãos que se encontravam uma sobre a outra. — Já que estava tudo na mais perfeita paz. – Anita devolveu a acusação, olhando para um ponto qualquer da parede diante de seus olhos.
– Porque, era o mais natural a ser feito, tecnicamente eu fiz menos parte daquela família do que você, durante toda minha vida as coisas não foram como são ou eram hoje, minha família sempre foi diferente dessa de hoje, não que eles tivessem deixado de ser em algum momento, mais óbvio que se fomos pesar com racionalidade você vai fazer mais falta do que eu naquela casa, ou até quando você acha que tua mãe aguenta isso. – Ben ajeitou-se de lado a cama no intuito de olhar a namorada nos olhos.
– Não sei, talvez eu não me importe, já pensou nisso. – Anita devolveu com um olhar hostil. – Ben eu não vou voltar, acho muito melhor você arrumar outro frase pra ficar repetindo sem parar no meu ouvido, não vou voltar. – disse ela decidida. — Até porque não faz cem anos que eu saí de lá e sim algumas horas. – argumentou Anita, não entendendo todo drama dele.
Ben se ateve a suspiros impacientes apenas. – Ok, agora me da um motivo confiável pra tudo isso. – indagou ele.
– Precisa de mais algum. – ela retrucou seca.
– Precisa, se fosse por tudo que aconteceu você ainda estaria lá, talvez se você me contasse o que realmente houve, eu parasse de achar que você não deveria ter saído de casa. – ele cobrou insistente.
– Já não pedi pra parar. – falou Anita abraçando o travesseiro que segurava e virando para o outro lado com um semblante chateado.
– Então meu pai tem razão não é, você realmente ouviu o que ele é a Vera conversavam, por isso tudo isso. – deduziu ele se movendo mais para perto dela, ignorando os apelos dela para que deixasse de insistir.
– Ele falou com você sobre isso. – Anita indagou com receio virando o rosto para olhá-lo de relance, apenas recebendo um aceno de cabeça como sim.
– Anita, você pode me dizer o que tá acontecendo, por ser realmente muito difícil de imaginar. – ele perguntou, mesmo achando que talvez estivesse entendendo.
– Talvez eu não queira que você faça isso, pensou nessa hipótese. – a menina devolveu nervosa, definitivamente não sentia vontade algum de tocar no assunto.
– Não, não pensei e pretendo muito menos. – disse Ben em um tom irredutível. – Você tá com a cabeça ruim, ok até dá pra aceitar, agora o que não dá pra aceitar é que você deixe isso afetar todo resto, você sabe que não dá pra ouvir de verdade nada que venha da cabeça do Antônio, talvez nem o que a Vera tente semear com tanta sabedoria, não seja algo a se ouvir no momento. – Ben alegou em misto de rispidez e impaciência, já que se viu detestando cogitar que a garota estava entristecida por tais situações. – Agora pra deixar isso bagunçar tua cabeça, eu não sei onde você tá querendo ir com isso, mais eu não vou facilitar pra você não, eu não vou deixar tão facilmente, ouviu. – garantiu ele determinado.
– Você tem certeza que sabe tudo sobre essa história. – Anita o questionou virando o corpo para encará-lo novamente.
– Como assim? – Ben perguntou confuso diante do olhar medroso dela.
– Eu... – O Antônio... balbuciou ela, parecendo sem coragem. — Ele pode até ser completamente doido, mais você sabe que nem tudo que ele falou de mim é irreal. – a menina gaguejou aflita, voltando a mover-se para o lado contrário, falar do assunto poderia não ser fácil, mesmo que ela precisasse, mas se isso dependesse de encarar Ben aos olhos ela poderia desistir por completo. – Eu confiei nele, eu o visitei na instituição, acreditei na inocência dele, fiquei feliz quando ele saiu de lá, sendo que eu tinha que desejar que ele passasse o resto da vida dele naquele lugar, ter o ouvido na história das provas no colégio, sendo que eu quase perdi o ano porque matava aula pra ficar andando com ele por aí, eu cogitei realmente fugir pro Estados Unidos com ele, foi esse o plano que eu coloquei no lugar do nosso casamento quando eu fizesse 18 anos, aliás, eu não devo ter feito isso, porque todos os meus cartões foram bloqueados quando o meu pai foi preso por corrupção, e como eu também era da família dele. – Anita confessou o que jamais havia dito a Ben.
– Nunca pensei que eu fosse ficar tão feliz com a falência do teu pai então. – Ben fez graça com o fato, mesmo com todo seu jeito paralisado pelas declarações da garota.
– Você acha mesmo que conhece todas as verdades dessa história. – afirmou ela, se quer notando as lágrimas involuntárias que inundavam seu rosto.
– Bom além de pintar a parede do quarto dos meninos com você, diga-se de passagem, ele podia ter usado um truque menos óbvio pra solicitar tua presença ao lado dele. – ele rebateu debochando, enquanto a fitava penalizado, Ben não queria realmente transparecer seu incomodo com o que Anita lhe dizia, óbvio que ele não considerava a proximidade da garota com Antônio um fato superado e que não o atingia mais, talvez o atingisse sim, talvez ele explodisse de raiva quando se deparasse com a situação uma outra vez, ele a amava, e seus ciúmes podiam ser considerado imensamente proporcional a esse amor, mas como dizia as palavras da música que ambos recordaram, um precisava do outro acima de qualquer mágoa que pudesse ouvir, e de qualquer distância que o tempo pudesse ajudar a cultivar, o sentimento que os unia sempre se faria maior.
– To falando sério Ben. – Anita esboçou um sorriso entre lágrimas, pelas ironias que recebia como reposta por ele.
– Tá bom Anita, talvez tudo seja mais complexo do que nós queremos admitir, mais porque necessariamente, nós vamos pensar nisso agora. – Ben admitia fazendo um carinho nos rosto dela e ajeitando os fios de cabelos que estavam bagunçados. – Eu não tenho moral pra te julgar e você sabe muito bem disso. – confidenciou.
– Talvez se você tivesse, você se descobrisse apaixonado mesmo pela Sofia, ou melhor apaixonado por ela você era, se você a amasse e decidisse ficar com ela, eu não iria poder reclamar, talvez você merece algo mais digno do que ficar ouvindo o quanto o Antônio e eu fomos apaixonados e felizes, aos olhos alheios, depois do que eu fiz de toda desconfiança que eu depositei sobre você. – ela falou impulsiva, devido à mágoa de si por toda desconfiança que pregou sobre ele. – Eu cavei esse poço quando dei confiança pra ele. – Anita observou realista.
– Anita, é... – Espera aí! – proferiu ele com os pensamentos confusos, se perdendo nos raciocínios surtados da garota. – Tudo bem que conviver com a realidade de que a Vera, não acredita em você, ela perdeu a confiança, e bom eu te ajudei muito pra isso, não é legal isso, mas... – o garoto deu razão a ela em parte, mais não concordou nem um pouco com o resto.
–Eu sei. – ela ressaltou novamente, em uma voz falha.
– Agora o que não pode é você se punir desse jeito, essa culpa só vai contribuir pra uma coisa, a vitória do Antônio, porque é exatamente isso que ele espera quando arquiteta tudo isso, você não vai entrar no jogo dele, ninguém melhor do que você pode dizer do que ele é capaz pra ter o que quer, não é possível que você nunca se livre dessa cisma, de achar que você é responsável por coisas que simplesmente aconteceram, essa história se transformou em bola de neve cada vez mais com desdobramentos que nos levavam pra longe do que nós erámos ou fomos de fato, e pra longe um do outro. – disse ele verdadeiro, enquanto Anita só sabia fechar os olhos tentando sufocar as lágrimas. – Agora quanto a mim, você pode ter certeza que eu sei muito bem o que eu faço, por mais que às vezes não pareça. – desconfiou Ben de si mesmo já que sua impulsividade para tudo, fazia com a maioria das pessoas próximas de si pensassem de tal jeito. – Se eu estou com você é porque eu quero, porque te amo, não por achar que eu tenha que me retratar de alguma forma pelo que aconteceu, quem decide se você é merecedora disso ou não, sou eu, com certeza eu estou ciente de que é. – afirmou categórico. – Por tanto esqueça o resto, e para, por favor, de criar suposições erradas baseadas em coisas que não vale a pena Anita, você não pode querer se responsabilizar sozinha por uma história, um erro que não é só teu, e quer saber que se dane o Antônio e os outros, se ele quiser sufocar a realidade e viver no mundinho louco dele que viva, deixou de me interessar. – disse ele negando-se a deixar o garoto viver sempre como uma sombra em suas vidas. – Anita olha pra mim, hei olha pra mim. – suplicou Ben puxando o travesseiro que ela segurava e pedindo que ela parasse de fugir de encará-lo, mesmo atônita e temendo que tudo aquilo os afetasse, ela o obedeceu enxugou o rosto molhado pelas pelo choro, e escorou-se a cabeceira da cama parando olhar para ele, que sentava a sua frente.
– O que? – a garota perguntou, engolindo as lágrimas e tensão, enquanto se via com a respiração curta.
– Eu não sei o que se passa na cabeça do Antônio, e muito menos qual é o propósito que o leva a destruir tudo a volta dele, talvez realmente ele ache que gosta de você, se é que ele sabe o que significa isso de verdade, mais na mente dele e isso que ele acha, talvez quem sabe ele não tenha razão, se eu não existisse vocês seriam plenamente felizes, ou melhor não seriam, os problemas do Antônio não começaram quando ele te conheceu, eles já existiam, também são só suposições que não valem de nada pro mundo real. — salientou ele em um tom tranquilo. – O que eu sei, é que com a gente é real, o que nós temos é real, não são devaneios nem meus e nem teus, é realidade, mesmo que ele diga que não, os outros, nossos pais, eu sei que é, você não vai colocar tudo isso em dúvida, por influências ruins que pra ser sincero não te servem de nada e eu sei que no fundo você sabe disso. – disse ele tocando o rosto dela. – Não faz isso, eu te peço, nós dois sabemos que não vale a pena. – Ben implorou com o olhar que a garota lhe escutasse.
– Não dá pra viver presa a uma ilusão, né. – ela compreendeu com a voz rouca. – Ainda mais de algo que eu não posso concertar, já tá feito. – se convence Anita finalmente, se jogando nos braços dele em busca de um abraço, que tirasse o medo que lhe rondava. – Essa coisa da gente viver sempre em corda bamba, as cobranças da minha mãe, tiram a minha paz, talvez não seja a última vez que eu me veja remoendo isso, mais não dá pra ser pra sempre e o tempo todo, e também não vai ser o último problema que vai vir a surgir na minha vida e me afetar, a vida é feita de ciclos, se esse se encerar pode vir outro melhor ou pior, se eu juntar tudo, eu faço uma tempestade em um copo de água, e eu sei disso, mais tem sido difícil lidar com a falta de paz nas nossas vidas, e isso, a mania que todo mundo tem de jogar essa história na nossa cara, e achar que a gente tem que agarrar com unhas e dentes essa responsabilidade, sem se quer nos perguntarem como nós sentimos com isso. – indignou-se ela, com o peso que tudo parecia ter sob os dois, mas sabia que em hipótese alguma ele seria calculado da mesma forma entre os demais a sua volta, o lema sempre foi tão claro: eles criaram, eles que resolvem com a mesma agilidade que tiveram para se meterem em tal caso.
– Talvez de fora dessa situação nós também pensássemos da mesma forma. – Ben argumenta, parecendo partilhar do mesmo sentimento de fraqueza, que Anita demostra pelas cobranças que recebe.
– Eu errei, eu também nunca disse que eu não tinha errado, se minha mãe não confia no que eu fiz e no eu digo que não fiz, a gente vai passar o resto da vida nessa. – disse ela percebendo que teria que pensar seriamente em resolver seus problemas com Vera de uma forma franca e justa para os dois lados, tanto para ela quanto para a mãe. – Eu to surtando desde ontem, eu admito, mais é que... – Ah Ben, não é justo que nosso amor tenha virado isso, um poço fundo de amarguras, cobranças, culpa, e o Antônio tá aí fazendo nós dois de vilões dessa história, não é possível que esse seja o grande final, não é legal pra mim a forma como ele me define, porque eu não sou assim, eu convive com ele, deixei a brecha pra isso ok, mais eu nunca, jamais nutri nenhum sentimento por ele, só que as pessoas não acreditam nisso, nossa família não acredita, mais cedo ou mais tarde você também não vai acreditar, porque é a lógica do curso das coisas, como uma pessoa convive com outra ao lado, sabendo que o Antônio tá por aí falando tudo que ele acha que aconteceu entre a gente, você não merece isso. – disse ela se vendo insegura, no fundo temia ver o relacionamento dos dois ser minado novamente pelas mesmas intrigadas do passado. – Eu vou falar o que se... – afirmou ela numa voz nervosa, colocando em evidencia toda sua inquietude, mais aliviada de cogitar que poderia parar de remoer tal assunto com tanta tensão.
– Não pensa isso, porque não é verdade. – Ben diz impulsivamente, aproximando seu roto do dela. — Eu sempre confiei em você, e eu vou continuar confiando, e eu espero sinceramente que você continue fazendo mesmo. – declarou ele por final, sua preocupação se desfazia ao contemplar fixamente o olhar sereno e doce que Anita o lançava.
– Ou o que. – ela perguntou desmanchando a cara tensa, e abrigando um longo sorriso em seu rosto, definitivamente permanecer ao lado garoto remoendo qualquer sentimento que não fosse felicidade, ele sempre a faria querer continuar, abraçar a felicidade como se o resto não existisse, por mais que qualquer problema a afetasse e tirasse sua paz por momentos.
– Ou? – Ben ainda tentou respondeu, mas desistiu. — Não sei, depois eu vejo isso. – Ben afirmou, a envolvendo em um beijo desejoso.
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– Hum Ben! – chamou Anita parando de beijá-lo. – Ben atende esse celular tá a horas tocando. – ela riu de leve entre a insistência dele em continuar com o beijo.
– Hãm, o que. – responde ele, fingindo desentendimento se concentrando nos beijos que distribuía a rosto dela.
– O telefone, Ben atende. – ela apontou para o celular ao lado dele.
– Não, não. – Ben se negou a ouvi-la.
– Atende, por favor, pode ser importante vai. – pediu ela rindo da negação dele, e o empurrando pelo ombro para afastá-lo de si.
– Ai meu deus, aí celular. – Ben retrucou contrariado, procurando o telefone com olhar. – Ih meu pai. – anunciou ele.
– Melhor você atender. – sugeriu Anita, lançando um olhar arisco a ele.
– Tá bom né. – disse ele se levantando com o objeto em mãos, enquanto Anita amarrava os cabelos com rabicó que estava em seu pulso.
– Ele quer que eu vá lá no restaurante dar uma mão pra ele, parece que está cheio demais. – falou ele, sentando ao lado dela novamente depois de falar com o pai. – Você vai me esperar aqui não é. – alegou ele, querendo que ela concordasse.
– Hum deixa eu ver, posso pensar em te fazer esse favor. – pronunciou Anita risonha, saindo de onde estava e o fitando a distância.
– Favor. – falou ele com cara chateada dando passes até ela, e enlaçando as mãos a sua cintura.
– Vai logo garoto, antes que o Ronaldo resolva te buscar. – ria Anita o empurrando até a saída.
– Acho que ele nem imagina que eu estava aqui, ou já teria feito isso. – imaginou Ben sorrindo brincalhão.
– Então vai, eu vou terminar aquele texto do Virgílio, enquanto você não volta. – disse ela procurando com o olhar a bolsa para pegar o caderno.
– Tá então eu vou, mais eu volto. – garantiu ele sorridente a beijando uma última vez, antes de sair pela porta.
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– Sofia o que você fez. – Anita conversava com a irmã pelo computador, enquanto esperava Ben voltar do restaurante.
– Nada Anita, só tive vontade de depenar aquela garota, agora estou de castigo, Anita sem você aqui, não dá pra aguentar minha mãe, daqui a pouco quem sai de casa sou eu, sobra tudo pra mim. – a loira gesticulou insatisfeita.
– Ahan e você é sempre injustiçada. – Anita disse nunca voz descrente. — Você é doida de pedi tanto pra não bater de frente com a garota, e você coloca tachinha na cama dela, aliás, truque velho não é Sofia. – repreende Anita revirando os olhos.
– Anita eu não vou mais aturar essa garota, tá na hora dela e da mãe se mandarem do muquifão. – Sofia protestou. — Eu não sou você não, um poço de paciência, eu vou aí na Bernadete preciso falar com você e assim não dá, te liguei horas não atendeu porque. – a menina cobrou cuspindo uma pergunta atrás da outra. — Porque que você esta na conta do Ben, Anita o que tá havendo, não te vi no colégio hoje, vem cá você se mudou pra China é isso, sumiu do mapa. – Sofia ficou impaciente com a falta de notícias da irmã. Anita, porém só desviava o olhar da tela do computador se irritando com as cobranças.
– Meu celular deve estar no silencioso, só depois vi tuas mensagens, e eu não estou em casa, de fato esse computador é do Ben, você ficou me ligando como uma louca não é, achei que tinha acontecido alguma coisa. – Anita expos sua aflição diante dos exageros da irmã.
– Aff, eu toda ferrada e você se esbaldando, depois você é uma pessoa imaculada não é Anita. – a loira resmunga, em desaprovação pela liberdade conseguida pela imã.
– Oh Sofia, pode parar tá, pode parar por que. – Anita intervém revirando os olhos, em um tom de voz alterado.
– O que houve? – Ben perguntou, quando chegava e escutava o discurso nervoso da namorada.
– Nada. – Anita respondeu paciente o fitando por segundo. – Sofia amanhã a gente se fala tá, e, por favor, é pedir muito, pra você não aprontar nada nas próximas 24 horas. – argumentou Anita em um tom suplico.
– Ai Anita, quer saber tchau mesmo tá, boa noite pra você, porque eu vou dormir não é não tem mais nada para mim fazer mesmo trancada nesse quarto. – a loira franzi a testa com ironia se despedindo.
– Tá Sofia, boa noite, amanhã a gente conversa com calma. – Anita sorriu devido à cara de brava dela e desligando a chamada.
– O que aconteceu com tua irmã. – Ben perguntou percebendo que a garota estava pra lá de irritada. — Pelo jeito o casarão continua agitado, mesmo se a gente. – percebeu.
– Por aí, foi mal ter ligado o computador sem ter pedir, é que a doida da Sofia ficou me ligando achei que tinha acontecido alguma coisa. – concordou Anita debochada. – Só que ela queria me contar que a mamãe, pôs ela de castigo, porque colocou tachinhas na cama da Mariana. – Só a Sofia mesmo pra fazer isso. – Anita achou graça da mais nova.
– Não tem problema, eu demorei mesmo. – justificou ele não ligando. — Tachinha, não acredito que a gente perdeu isso, teve ter rolado maior confusão. – Ben acabou rindo mesmo sem querer.
– Ou melhor né, se não sobrava até pra gente. – Anita gargalhou. — A Sofia já fez isso comigo tá, quando a gente entrou naquela guerra, só não me espetei toda porque o Pedro viu. – revelou ela, não conseguindo ficar séria diante das trapalhadas da loirinha.
– Você fez o que. – Ben riu.
– O que, bom eu dei as roupas dela, batizei o xampu, aí ela foi lá colocou pó de mico nas minhas roupas, e a gente quase matou. – concluiu Anita lembrando-se da guerra que travou com a irmã.
– Bom acho que dessa vez tua irmã achou uma rival a altura, porque se você tem razão em dizer que foi a Mariana que jogou na Web a história do Sidney com a Sofia, isso não faz dela uma santa também, mesmo que tua irmã já esteja a quilômetros disso. – Ben foi obrigado a admitir.
– É, nisso nós concordamos, ela tá precisando de uma lição, e Sofia e eu concordando com algo, deve ser grave mesmo. – Anita deduziu, era tão raro ambas ficarem do mesmo lado em algum conflito, que o fato gerava estranheza mesmo para ela. – Bom acho que vou indo, a Julia deve estar me esperando e há um tempo já. – percebeu ela seu atraso.
– Ai não, fica. – ele pediu, tentando convencê-la.
– Ficar! — O que bebeu? – Anita perguntou com uma cara séria. — Daqui a pouco o Omar tá chegando aí, e vai dispersar ligeirinho nós dois. – relembrou a menina concluindo estar plenamente certa de seu raciocínio, arqueando uma das sobrancelhas.
– E se eu te dizer que o Omar não volta tão cedo. – argumentou Ben sorridente.
– Ben o que você fez. – Anita indaga exasperada, no segundo que desvia dele para pegar a bolsa sobre a mesa.
– Nada Anita. – garantiu ele com um ar debochado, como se quisesse segurar o riso.
– Você não pediu pro Omar sair daqui não, não é, não porque se foi isso, eu desejo realmente nunca mais encontrar com ele, por não saber onde enfiar minha. – dramatizou ela, parando a encará-lo.
– Eu não tenho culpa de nada, juro, Martin que mandou o Omar fazer um curso de gerencia em São Paulo, por isso que meu pai não tava dando conta do movimento do restaurante, só ele e o Zico somente. – expressou Ben sem receios.
– Ué gerencia, mais e o Ronaldo, vai ser despedido. – Anita parou a pensar confusa com o que ele lhe contava.
– Bom isso eu não sei, que meu pai não me disse, mais acho que não, ele tava calmo demais pra quem iria perder o emprego, tendo uma família do tamanho da nossa. – afirmou ele a pegando pela mão e a fazendo dar um passe em sua direção.
– Mais é esquisito. – insisti Anita em um olhar disperso, enquanto sorria com confusão.
– Você podia ficar aqui, pra gente discutir essas hipóteses com calma. – zoou ele.
– Tá bom Ben, e o que eu digo pra Bernadete, ou melhor pra Julia né porque eu fiquei de dormir na casa dela que deve estar me esperando, pra ser sincera ela merecia alguém menos relapsa do que eu como amiga. – Anita se atrapalha ao pensar nos “bolos” que frequentemente dava na amiga.
– A verdade, qual o problema. – ponderou o garoto sincero.
– Ai meu deus, facilita vai. – ela o fitou descrente, pedindo com o olhar que deixasse ela ir sem culpa.
– Facilita você, fica aqui, fica, por favor. – retrucou Ben com um beijo rápido, não deixando de insistir, a fazendo se escorar a parede atrás de si.
– Ai eu... Anita repensou. – Eu... Tá bom eu fico, mais deixa eu avisar pra Julia, eu vou dar uma passada na casa dela, preciso devolver o livro dela, deve estar precisando pro trabalho. – contrapôs ela desistindo de não aceitar.
– Tá certo, argumento aceito, enquanto isso eu vou responder uns e-mails lá do trabalho. – ele sorriu alegre. – Mais vê se não demora, se não vou ficar com saudades. – afirmou ele brincalhão.
– Tá, meu deus como reclama. – brincou Anita as risadas o abraçando.
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