E se um reencontro o destino preparasse...
149 Capítulo 149:
– Tcharammm! – Ó trouxe um lanche pra você. – Disse Anita, entrando com uma bandeja à garagem.
– Ah obrigada, realmente eu tava com fome. – Ele agradeceu, enquanto folheava um livro.
– Vou deixar aqui. – Respondeu ela, soltando a bandeja sobre a mesa.
– Só vou terminar essa parte aqui. – Ben afirmou, a encarando com um sorriso.
– Ai eu to exausta sabia, andei tanto, carreguei tanta sacola, que na boa, eu não sei o que tá doendo mais, se é minhas pernas ou os braços. – Afirmou ela, descalçando as botas e se escorando na cama.
– Sabe o que, me deixa mais louco com esse monte de matéria, é que provavelmente a metade pode não cair, mais eu tenho que saber tudo, porque eu não sei a metade que vai cair. – Ben exclamou, perturbado com tantos conteúdos.
– É isso é um fato e tanto. – Anita concordou rindo. – Mais você vai conseguir, você é inteligente, vai tirar de letra. – Ela quis encoraja-lo.
– Tomara, porque a única certeza que eu tenho quanto há isso, é que se eu não passar nesse vestibular, vou ter que repensar algumas coisas. – Falou Ben, não querendo desanimar.
– Ben relaxa, se vai conseguir, alguma vez você teve alguma coisa fácil, você lutou muito, mais sempre conseguiu, vai dar tudo certo. – Ela disse sorrindo.
– É eu nunca vi, nada vir fácil, mas eu nunca desisti, mais eu também não posso reclamar do que a vida me deu ou não me deu. – Afirmou ele.
– É né, pena que nem todo mundo pensa que nem você. – Anita falou pensativa.
– Sei lá princesa, apesar de todas as loucuras da minha mãe, da quantidade de vezes que eu bati pé com ela, quando ela resolveu ir pra Miami, mais também eu era um garoto de oito anos saindo do país dele, do colégio, dos amigos, de perto do pai, pra mim o mundo era pequeno demais ou muito grande. – Ben pronunciou lembrando-se do passado.
– Apesar de tudo ela é tua mãe, com certeza ela achou que tava fazendo o melhor dela, e ela fez, ao afinal de tudo você se tornou uma pessoa de que com certeza, o Ronaldo se orgulha. – Falou Anita com encantamento. – Você sempre preferiu correr atrás daquilo que você poderia ter, não insistir naquilo que não te pertencia, você é uma pessoa incrível, e eu acho que eu não preciso te dizer isso. – Elogiou ela, com um sorriso.
– E você também, ou você já esqueceu. – Respondeu ele de volta.
– Sei lá Ben, eu acho que eu ando meio calejada, explosiva, uma parte de mim, uma pequena parte, se perdeu nessa história, eu acho que não sou mais aquela garota doce lá de Miami, eu acho que eu não tenho tanta paciência, tanto desprendimento, mais dizem que a gente acaba mudando algumas coisas, o que não vale é abrir mão dos nossos princípios. – Anita confidenciou.
– Você é a mesma, a minha princesa, eu acho que, o que mudou talvez, como você mesma disse, você não é tão desprendida pra deixar certas coisas passarem. – Afirmou Ben sorridente.
– Pode ser. – Anita respondeu sorrindo.
– E o Antônio hein, será que ele vai aceitar essa história. – Ele questionou com apreensão.
– Não sei, mas se ele não aceitar só prova que a gente está certo, o pai dele é uma fraude, e até o próprio Antônio pode saber disso. – Anita especulou. –Príncipe você pode dizer, o que você quiser, mais pra mim o Antônio é mau-caráter e ponto, eu sei que é difícil, você foi criado com ele, e tem o Hernandez que gosta muito dele, mais ele não ama ninguém, só a ele mesmo e essa maldita inveja, que ele tem do que os outros tem, isso é doença, o que ele fez com a gente é doença, você pode até não gostar quando ele vem dizer pro Hernandez, na tua cara que me ama, você sabe que ele não sabe o que é amor, ele cultiva ódio de mim e de você, e de todo mundo, ele nunca vai ser você e ele sabe disso, e eu não sou obrigada a concordar com isso, com a hipocrisia do Hernandez, e tem a coitada da Tita que não merece o irmão que tem. – Disse ela, taxativa.
– Sabe Anita, eu até cheguei a pensar no inicio disso tudo, que não fosse ele, eu tirei satisfações com o Antônio sobre essa história, antes de ceder às mensagens e as chantagens, ele negou, e debochou da minha cara, não é bom concordar com você mais é real, e não é legal ver ele feliz e livre por aí. — Ben respondeu desapontado.
– Não, mais não acredita que ele tem salvação, porque ele não tem, não te ilude como o Hernandez faz. – Pediu ela.
– Eu sei, eu não sou tão ingênuo, como o Antônio pensa, eu só acho Anita que, eu nunca quis gente como o Antônio perto de mim, eu não tenho paciência pra lidar com certos tipos de coisas, o mundo já é tão cruel, o mau-caráter, as atitudes baixas de gente como ele, não é atoa que a gente ainda tem muita coisa pra acertar. – Ben afirmou, percebendo que nada estava encerado.
– Mais fica longe dele, por favor ,vai. – Falou Anita, em suplica.
– Sabe o que eu reparei agora. – Ben respondeu, querendo mudar de assunto.
– O que. – Anita indagou sem entender.
– Que você sumiu a tarde inteira. – Justificou ele rindo.
– É sumi, sumi nada. – Ela rebateu empurrando o braço dele – Eu te falei que eu ia fazer umas compras com a Julia. – Anita respondeu debochada.
– É falou, mais me deixou abandonado aqui. – Implicou ele, se fazendo de chateado.
– Ah coitado, muito abandonado você. – Riu Anita.
– Muito, muito, muito, demais. – Ele disse entre um beijo e outro.
– É jura. – Anita retrucou, com os dois embargando em mais um beijo.
– É to falando. – Respondeu Ben, e eles jogaram-se para trás na cama, seguido de mais um beijo.
– Ainda bem que aquelas duas, deram uma folga, a Marta foi lá pra um aniversario de uma amiga, e levou a chata da Mariana junto. – Agradeceu Anita.
– Muita gente nessa casa, cada vez pior. – Ben afirmou, se divertindo com os próprios empecilhos.
– Nossa até de mais. – Falo Anita, com um beijo empolgado no namorado. – Eu queria ficar com você, sabia. – Confessou ela, meio sem ar, com certas intenções.
– Ué a gente tá junto. – Ben retrucou, fingindo não entender.
– Para, não complica vai, você entendeu. – Respondeu ela um tanto encabulada, abaixando a cabeça contra o braço dela, escorado no peito dele.
– Tá bom vai, eu entendi, mais eu acho que a gente não precisa ter tanta pressa vai, enfiar os pés pelas mãos de novo. – Afirmou Ben, acariciando os cabelos dela.
– Ben, quem agiu mal foi o Antônio, foi ele que ferrou com tudo, a gente não teve culpa, e muito menos da forma como as coisas ficaram depois daquela noite da gente. – Anita disse, tentando afastar as especulações dele.
– Eu sei, mais não tem como eu de alguma forma, não me sentir responsável por tudo aquilo, não posso deixar o erro se repetir Anita. – Falou ele, sentido por todas as complicações.
– Não vai, é azar de mais, carma, não é pior que isso. – Caçoou ela.
– Ai Anita. – Disse ele rindo e com um beijo.
– Tá mais você tava estudando, eu vim te atrapalhar. – Argumentou Anita sorrindo.
– É veio, só um pouquinho. – Ben pronunciou.
– É melhor você continuar vai. – Ela sugeriu.
– Tá mais primeiro eu vou lanchar, que eu to com fome mesmo, você acertou em ter trazido a bandeja. – Ele respondeu se levantando.
– Eu espero, enquanto isso eu vou procurar aqui aquela matéria de ontem, que eu também fiquei boiando. – Afirmou Anita, pegando um livro.
Mais tarde.
– Vem cá, então de qual movimento. – Ele interrompeu quando percebeu a garota dormindo em cima do livro, deitada a cama, ele a observou por alguns instantes, caminhou até a cama e ajoelhou-se para observa-la.
– Ei Anita. – Cochichou ele, tirando a livro de baixo do braço dela com cuidado.
– Anita acorda. – Ben proferiu, com calma. – Princesa, acorda. – Falou ele, beijando a testa dela.
– Ai que, Ben, ham. – Ela balbuciou, despertando confusa.
– Acho que você cochilou. – Ben explicou.
– Eu dormi aqui. – Anita questionou confusa.
– Não, acho que faz uns minutos só. – Afirmou ele sorrindo.
– Ai eu vou dormir né, eu to um trapo. – Anita disse, levantando sonolenta.
– Tá vai lá, amanhã a gente se fala. – Concordou Ben, levantando-se.
– Boa noite. – Anita se despediu com um beijo.
– Boa noite, dorme bem. – Disse ele, sorridente.
– Ah vou, e muito, vou desmaiar. – Brincou Anita, pegando seus calçados. – Beijo. – Ela disse saindo em seguida.
– Ah já chegou Marta. – Vera falou, da cozinha, quando a viu entrar em casa.
– É nós achamos melhor não virmos muito tarde. – Ela justificou.
– Mais a festa tava ótima. – Mariana afirmou alegre.
– Ah mãe, nossa. – Anita assustou-se, quando deu de cara com as três, quando chegou a sala.
– Anita, ainda tá ai. – Vera ficou intrigada, mas disfarçou.
– É, pois é, o Ben tava estudando, e eu acabei ficando, mais um pouco, pra tirar também umas dúvidas da matéria com ele, vestibular né. – Anita usou como argumento
– Ah e, eu tirei a bota, pra não fazer barulho na escada. – Justificou Anita percebendo os olhares intrigados delas, diante dela com os calçados na mão.
– Claro entendi. – Afirmou Vera. — Que bom, que você lembrou porque o resto do pessoal já esta dormindo mesmo. – Vera falou.
– O Ben realmente, é muito esforçado, dedicado, bom pelo menos parece, até tava comentando com a mamãe. –Mariana disse.
– Comentando o que, não entendi. – Anita perguntou, não gostando nem um pouco.
– Ué nada de mais, só que ele parece ser uma pessoa muito bacana. – Ela explicou.
– E o Ben é mesmo, não é porque é meu enteado, quase meu filho, mais ele é um garoto de ouro. – Vera reafirmou, Anita apenas lançou um olhar repreendedor a ela.
– É o Ben, né mãe, é um cara incrível, também acho, e não é de hoje que eu te digo isso, não é. – Proferiu ela, com ironia, irritando-se pelas palavras de Vera.
– Exato filha. – Vera falou sem entender sorrindo.
– Perdi no mínimo cinquenta por certo do meu sono, bom, boa noite. – Anita disse, se dirigindo ao quarto, furiosa.
– Adolescentes, minha filha, intempestiva. – Disse Vera se explicando, confusa com o jeito de Anita.
– Todos eles são Vera. – Marta respondeu com tranquilidade.
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