E se tivesse uma garota no Instituto Imperial?
35 Verdade ou desafio?
Notas iniciais
Chiharu Pov's
–Vou repetir mais uma vez as regras: Eu começo então eu giro a garrafa de Coca-Cola, e a pessoa que estiver onde a tampa apontar terá que fazer um desafio, ou contar um segredo. Lembrando que como nós somos civilizadas, os segredos não vão, em hipótese alguma sair de nossas bocas. Certo? — disse Haruna.
–Certo — dissemos todas.
–Bom, então vamos começar ... Aki, verdade ou desafio? — a garrafa apontou para a Aki.
–Desafio — ela disse confiante.
–Deixe eu pensar ... eu desafio você a comer uma cenoura inteirinha sem descascar — disse Haruna.
–Você sabe que eu nunca gostei de cenoura com casca, está bem — disse Aki desanimada.
Ela pegou uma cenoura da geladeira, lavou a cenoura e a comeu.
–Eca. Agora é minha vez — disse Aki girando a garrafa — Chiharu, verdade ou desafio?
–Eu? — disse assustada — Desafio.
–Eu desafio você a aprontar uma pegadinha com o Kogure. Daquelas que dão medo — ela disse.
–Agora? — perguntei confusa.
–Não, você vai fazer isso amanhã, e se você não cumprir, todos os segredos contados por você serão revelados — ela disse dramaticamente.
–Está bem — eu disse confiante.
–E você não pode ser descoberta — ela completou.
–Está bem. Minha vez ... Fuyuka verdade ou desafio — disse calmamente.
–Verdade — ela disse sorrindo — Ninguém escolheu verdade, eu serei a primeira.
–Eu não sei o que perguntar ... Aki, Haruna, tem alguma ideia? — perguntei.
–Como assim você não sabe o que perguntar? — Aki falou surpresa.
–Você pode perguntar o maior segredo dela — Haruna estava se contendo para não surtar.
–Mas eu realmente não sei o que perguntar — disse mordendo o lábio inferior.
–Eu falo então: Fuyuka, você está apaixonada por um dos jogadores? — Haruna falou.
–Não, eu juro — Fuyuka disse levantando a mão direita — Minha vez ... Haruna, verdade ou desafio?
E continuou assim durante alguns minutos, mas graças a Deus a garrafa não voltou a apontar para mim até que ...
–Chiharu, verdade ou desafio — falou Aki.
–Hã? ... Desafio — não estava prestando atenção.
–Eu desafio você a tirar uma selfie com qualquer jogador do time — disse Aki.
–Uma o quê? — perguntei confusa.
–Não me diga que você não sabe o que é uma selfie! — falaram todas juntas.
–Não, me expliquem logo — disse começando a ficar levemente irritada.
–Uma selfie é quando você tira uma foto de você mesmo, assim — Fuyuka pegou o celular dela, me puxou para perto dela e depois tirou uma foto de nós duas.
–E como eu vou tirar a sefie se eu não tenho celular ou câmera fotográfica? — eu perguntei.
–Eu te empresto meu celular para você tirar a foto, você vai tirar a foto amanhã — falou Fuyuka — Afinal eu quero ter a prova viva no meu celular.
–Está bem, e com quem eu tiro a selfie? — eu perguntei.
–Ai a decisão é sua — me explicou Aki — E se lembre que você não pode tirar uma selfie com quem quiser, isso seria meio ... vergonhoso. Escolha bem a pessoa com quem tirar a selfie.
–Está bem — disse.
–Bom, acho que já jogamos esse jogo por tempo suficiente, querem jogar Monopoly? — Haruna disse animada.
–Está bem — dissemos todas.
Elas demoraram um tempo para me explicarem as regras do jogo. Eu fui a segunda a falir. Era um jogo muito interessante, mas percebi que estava morta de sono.
–Gente, eu já vou dormir, boa noite — disse indo embora.
–Boa noite — elas se despediram.
Quando fui para meu quarto, eu estava cansada demais. Dormi profundamente. Quando acordei, fiquei com raiva por acordar cedo, tentei voltar a dormir, mas não consegui. Então me troquei e comecei a pensar em uma pegadinha muito boa para fazer com o pestinha do Kogure.
Fui para a cozinha, e depois para o banheiro masculino. Ontem, as meninas fizeram beterraba, e eu vi que elas tinham feito pra hoje também, então eu ia fazer um favor. Eu ia separar o líquido da beterraba da beterraba. Peguei o líquido, e como ainda era relativamente cedo, fui ao banheiro masculino.
Não foi a melhor pegadinha do mundo mas, eu joguei duas gotas do líquido vermelho/vinho perto da porta, e coloquei cuidadosamente uma pequena trilha de "sangue" até uma pia. Coloquei o dedo no líquido e fiz uma mensagem no espelho: "SETE DIAS KOGURE!".
Despejei o resto do líquido no chão e na pia. Sai de lá rapidamente. Fui para o banheiro feminino e terminei de me arrumar, como se nada tivesse acontecido. Ontem depois da festa, e antes de eu me despedir do Sakuma e ir para o meu quarto, eu ouvi o Kabeiama, o Kurimatsu e o Kogure conversando sobre a lenda da Samara, uma coisa sobre uma fita do mal, e algo sobre morrer em sete dias, e como o Kogure parecia bem assustado, eu decidi fazer isso.
Eu desci para a sala par falar com as outras meninas quando ouvi um grito vindo do banheiro. E esse grito parecia o do Kogure. Será que eu peguei pesado demais? Alguns jogadores se assustaram e foram ver o que aconteceu. Eu também fui ver o que aconteceu. Acho que o Kogure tem muito medo da Samara. Ele estava muito pálido e saiu do banheiro correndo, empurrando todo mundo que estava na frente. Os outros foram atrás dele.
–Ei Chiharu, você que fez isso no banheiro dos meninos? — disse Aki discretamente.
–Sim, porquê? — perguntei discretamente.
–A gente disse para fazer uma pegadinha com ele, não fazê-lo ter um ataque cardíaco — ela parecia preocupada.
–Desculpe eu não sabia que ele tinha fobia de Samara — disse discretamente, descendo as escadas.
–Está bem, mas se te descobrirem você está encrencada — ela disse me seguindo — Mas você ainda tem que fazer o desafio da selfie.
–Eu já vou fazer — disse andando pela sala.
–Chiharu, foi você que fez isso com o Kogure? — Fuyuka disse.
–Lá vem ... Sim fui eu — disse baixinho.
–Você não acha que pegou pesado demais? — ela perguntou baixinho.
–Sim, mas eu não posso voltar no tempo, posso? — disse levemente arrependida.
–Eu sei ... A sim! Aqui está — ela me deu o celular.
–Obrigada — disse procurando uma pessoa para tirar uma "selfie".
Eu acho que seria uma boa ideia tirar a selfie com o Sakuma, afinal ele é meu amigo mais próximo. Andei de um lado para o outro até achá-lo falando com o Kazemaru no corredor dos dormitórios.
Sakuma Pov's
–Eu realmente acho que a pegadinha que fizeram como o Kogure foi muito forte, inclusive porquê ele morre de medo dessa lenda. Você sabe como ela é Kazemaru? — perguntei para ele.
–Eu não sei direito. Falam que teve um casal que adotou uma menina chamada Samara, que essa menina era muito estranha, fazia a mãe adotiva ter alucinações. Então fizeram ela dormir em um celeiro. Mas os cavalos não deixavam ela dormir, então ela levou os cavalos para o rio e os afogou. Um dia a mãe jogou a menina em um poço com água fria, e depois de 7 dias ela morreu, o espirito dela entrou em uma fita, e quem assistisse a fita receberia um telefonema da Samara, e falaria "sete dias", e em uma semana você morre- ele me disse.
–Essa história dá medo, pobre Kogure — eu disse sorrindo — Mas se parar para pensar ele mereceu.
–De certa forma sim, mas ele viu a fita na internet e ele deve ter pensado que a Samara estava sem créditos e enviou outra mensagem para ele. Eu vou ver como ele está — Kazemaru disse indo embora.
–Tchau — disse.
Eu estava pensando na lenda, essa lenda deve ter deixado ele morrendo de medo. Quando você recebe uma ligação da Samara ela liga normal ou a cobrar? A Samara tem um celular? Como será que ela te mata? Você sangra muito? O espírito da Samara era tão mal que expulsaram ela do inferno? Ou ela mata as pessoas direto do inferno?
–Sakuma posso te pedir um favor? — ouvi uma voz falar perto de mim.
Era só a Chiharu, mas eu estava pensando tanto nessa lenda que eu me assustei um pouco.
–Que favor? — disse me recompondo.
–Eu joguei com as gerentes "verdade ou desafio" ontem, e um desafio era tirar uma selfie com um jogador do time, e como você é meu amigo mais próximo ... Vai ser rápido, eu prometo — ela pediu.
–Está bem — respondi.
Ela ligou o celular e colocou no modo câmera. Ela se aproximou de mim e tirou a foto.
–Obrigada — ela disse olhando a foto.
–Por que você jogou "verdade ou desafio" com as gerentes? — disse confuso.
–Eu não sei, talvez fosse uma forma de conseguir amizade com elas — ela disse com um leve sorriso.
–Faz sentido ... foram vocês que fizeram aquilo com o Kogure? — eu perguntei.
Cumprir desafios é parte do jogo e se pode desafiar qualquer coisa, inclusive fazer pegadinhas com outras pessoas.
–Não, claro que não — ela disse mentindo.
–Eu te conheço, foi você não foi? — disse encarando ela.
–Não, fui eu, você está se enganando — ela disse desviando o olhar.
–Não minta, foi você que fez a pegadinha com o ... — eu ia gritar, mas fui interrompido.
Ela colocou a mão em minha boca, fazendo com que me calasse.
–Fala mais baixo, se te ouvirem eu estarei muito encrencada, entendeu? — ela falou baixinho. O que estava me incomodando era o fato de ela estar muito próxima de mim.
Ela ficou esperando resposta, e se lembro que estava tapando minha boca com a mão. Eu já estava um pouco constrangido, e quando ela viu eu corar ela também começou a corar. Ela tirou a mão de minha boca e desviou o olhar.
–Me conte o porquê de você ter feito isso — disse também desviando o olhar.
–Olha, o jogo é assim, e como eu não escolhi verdade, eu tive que fazer o desafio, e como não sabia o que fazer ... Eu não sabia nenhum outro medo do Kogure — ela disse baixinho olhando para o vazio.
–Mas precisava exagerar? — eu disse.
–Como que eu ia saber que ele tinha tanto medo da Samara? — ela disse baixinho irritada — Você sabe que eu não posso desobedecer os desafios, e sabe que eu nunca escolheria verdade.
–Mas precisava colocar sangue falso, fazer um rastro e escrever aquela frase no espelho? — eu disse irritado.
– Não sabia que você era assim — eu disse sorrindo.
–Você não me conhece Sakuma — ela disse sorrindo timidamente — Bom, eu vou treinar, você vem?
–Claro, hoje é a partida contra a Inglaterra, é importante treinarmos, afinal será nossa primeira partida no mundial — nós fomos andando até o campo.
–Você não vai contar para ninguém não é?- ela disse olhando para o lado oposto.
–Não — eu olhava para frente.
–Obrigada, Sakuma — ela disse sorrindo.
Assim que chegamos no campo, todos os outros jogadores já estavam lá treinando, menos o capitão, o Kido e o Goengi. Nós também começamos a treinar junto com eles.
Chiharu Pov's
Começamos a treinar, primeiro eu consegui roubar a bola do Kurimatsu e driblei alguns jogadores, mas alguém me deu um carrinho e não desviei a tempo. Sai correndo até a pessoa que tinha me derrubado. Kazemaru estava com a posse de bola, tentei roubar a bola, e consegui, corri, corri e corri. Mas fui cercada por Tsunami e Tobitaka. Com certa dificuldade, consegui passar por eles. Corri até o gol, onde o goleiro não defendeu o meu chute.
O goleiro passou a bola para o Kogure (que já está melhor), e quando ele ia passar a bola para o Hijikata, a bola foi interceptada pelo Sakuma, que driblou o Kazemaru e passou a bola para o Someoka, que driblou Kabeiama e depois chutou no gol, e o goleiro também não conseguiu defender.
Depois o Endo, o Kido e o Goengi chegam. Os outros jogadores estavam desanimados porque pensavam que não íamos conseguir ganhar a partida. A Haruna e a Aki falaram que era hora do café da manhã. O Endo e o Kido deram algumas frases de ânimo e eles ficaram mais confiantes.
Nós tomamos café da manhã. E fomos de barco até o estádio. No caminho, eu devolvi o celular para a Fuyuka. Ela olhou a foto.
–Você sempre foi muito amiga do Sakuma não é? — Fuyuka disse desconfiada.
–Sim, por quê? — disse desconfiada.
–Você ama ele Chiharu? Você está apaixonada pelo Sakuma? — ela perguntou curiosa.
– ... — fiquei encarando ela com cara de dúvida — Como assim estar apaixonada?
Nós estávamos conversando discretamente em um canto do barco (aquele lugar ode se pode ver o mar), que ia nos levar até o estádio. Ela ficou com aquela gota de sem graça.
–Não brinca ... — ela disse ainda com a gota.
–Estou falando sério, o que quer dizer com isso? — disse levemente envergonhada.
–Bom, como eu posso te explicar ... Quando você sente algo por uma pessoa, algo que você não sente pelas outras pessoas, entende? Algo que ultrapassa a amizade, algo que você não conta para ninguém que sente isso sobre tal pessoa. Seu coração bate forte e você quer ficar perto dessa pessoa. Você não quer que essa pessoa sofra ou fique triste. Você também não quer que essa pessoa se apaixone por outra pessoa. É um sentimento estranho. Entendeu? — ela disse calmamente olhando para o mar -Namorar é quando duas pessoa estão apaixonadas uma pela outra, e quando ambas pessoas sabem disso. E quando você gosta de alguém e essa pessoa gosta de outra pessoa, você fica triste ou com raiva e na maioria das vezes sente ciúmes.
Meu coração sempre bateu forte quando eu fico com ele (maquina de batimentos cardíacos para comprovar), eu sempre me preocupei por ele mais do que pelas outras pessoas (apesar de que nas técnicas proibidas, Nanjoon também fosse amigo do Genda e do Kido), eu me corroía por dentro, porque queria ficar perto dele (a confusão com o diário), não quer que a pessoa saiba o que sente (novamente a confusão do diário), quando a Kotory e o Sakuma namoravam eu senti ciúmes, eu sempre senti algo diferente por ele. E bem no fundo, eu sabia que sentia algo, que era mais que amizade.
Depois de tanto tempo, a ficha caiu. Eu realmente estava apaixonada pelo Sakuma. Estava apaixonada por ele desde o início. Um leve sorriso se formou em meu rosto. Eu fiquei admirando a bela paisagem de água, vendo um ou outro cardume se movendo, e uma bela gaivota que voava no limpo e claro céu azul.
Uma lembrança bateu em minha cabeça. A imagem da Kotory gritando comigo, e consegui compreender o que ela dizia, e o motivo de ter ficado com tanta raiva de mim.
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