Chiharu Pov's

O tempo passou, eu ainda não falei com o Sakuma, não conversamos, não falamos, e me sinto muito mal. Eu sinto saudade dele, de seu sorriso, de falar com ele, e quando ambos corávamos por motivos estúpidos e depois nos afastávamos corando ainda mais, e principalmente quando tudo isso acontecia ao mesmo tempo.

Todos os jogos da seleção do Japão, todo o time assiste a partida na sede do clube. E na partida contra a seleção da Coreia, eu ficava me perguntando se o juiz estava louco em não expulsar alguns jogadores da seleção coreana. Eles machucaram os jogadores com aquela técnica! Mas não havia nada que eu pudesse ter feito, então esquece. Como era óbvio, a Raimon venceu.

Mas a surpresa veio no dia seguinte. Chegando na sede do clube no dia seguinte, eu fiquei sabendo que dois jogadores saíram da seleção, e que precisavam de jogadores para preencherem esse lugares. Parece que o Sakuma conseguiu entrar na seleção. Fiquei muito feliz por ele, sendo completamente sincera.

Chegando no orfanato, eu encontrei a minha irmã com um envelope na mão.

–Chiharu! Chiharu! Olha isso! — ela parecia muito animada.

–O que é isso? — perguntei pegando o envelope.

–Eu não sei, mas é para você — ela disse mais calma.

Abri o envelope e li em silêncio. Parece que eles queriam que eu entrasse para a seleção do Japão também, mas como uma espécie de reserva, e isso definitivamente é uma boa coisa. Mas disse que íamos para uma tal "ilha do Liocott", ou seja, eu teria que ficar longe da Zun, fora que eu nunca viajei de avião. Mas eu expliquei para a Zun tudo o que dizia a carta. Ela parecia meio triste, mas voltou a sorrir.

–Que bom, quero que você me conte tudo o que aconteceu quando voltar — ela disse sorrindo.

–Você não está triste? — perguntei preocupada.

Ela balançou a cabeça em negativa, com um sorriso no rosto.

–Se for bom para você será bom para mim — ela disse ainda sorrindo — Mas quando que você vai?

–Hã ... Amanhã de manhã — disse assustada olhando para a carta.

–O que?! E o que você ainda está fazendo aqui?! Você não quer se atrasar quer?! — ela disse me empurrando, quer dizer tentando me empurrar até o banheiro.

–Escuta, você não é minha mãe! — disse brincando.

–Desculpe, mas se eu não fizer isso você vi se atrasar — ela disse cruzando os braços.

É verdade que não sou a pessoa mais pontual do mundo, mas sei ser pontual quando preciso. Eu me arrumei, eu fiz minha mala, e depois fui dormir. Acordei bem cedo, e quando ia ver se realmente não tinha esquecido de nada importante, achei um chaveiro, ele era meu. Era as chaves da minha casa, quando morava com meus pais.

Como não ia lá fazia muito tempo, decidi dar uma passadinha por lá. Não levei minha irmã. Assim que cheguei, eu entrei (Nãããoooo!!! Me diga!!!), e fui passando de cômodo em cômodo, até chegar na sala, foi lá que eles morreram. Sai rapidamente dali, fui para o meu quarto e da minha irmã. Eu achei alguns papéis jogados no chão, embaixo de uma mesinha, por algum motivo decidi ficar com eles, mas não os li, afinal estava com pressa, eu só guardei eles em uma pasta, que estava em cima da mesa, e fui andando até o quarto dos meus pais.

Abri o guarda roupa, e achei um vestido muito bonito cor de lavanda, e ao lado um vestido também muito bonito branco.

~Flashback on~

Eu tinha seis anos, e eu tinha acabado de me machucar, minha mãe pegava os curativos que estavam no quarto dela. Eu tinha machucado o joelho, estava sentada na cama casal. Uma porta do guarda roupa estava aberta, e eu via um vestido lavanda muito bonito. Lavanda era minha cor favorita.

–Que vestido bonito mamãe — disse apontando para ele.

–É muito bonito, eu usei no meu aniversário de 15 anos — ela disse pensativa.

–15 anos?

–Sim, mas ele não serve mais em mim. Mas quando você fizer 15 anos, ele será seu — ela disse sorrindo.

–Sério? — perguntei animada.

–Claro que sim. Olha o vestido ao lado — ela disse apontando para um vestido quase igual da cor branca — E aquele será da sua irmã. Minha irmã Noa usou no aniversário dela.

A minha tia Noa era uma mulher muito bonita e muito gentil, igual a minha mãe.

–Tomara que Zun, quando cresça goste de branco — mamãe já estava grávida.

Minha mãe me abraçou.

–Tomara que sim — ela concordou.

~Flascback off~

Eu tinha trazido minha mala, e guardei os vestidos nela, juntamente com a pasta. Não havia mais nada a se fazer ali. Voltei para o orfanato, mas não sem antes ir ao cemitério e me despedir de meus pais.

Chegando no orfanato, coloquei o vestido cuidadosamente ao lado da Zun, que dormia profundamente. Dei um beijo em sua testa e, como já estava atrasada, fui embora, deixando, junto com o vestido, um bilhete de despedida.

Kotory Pov's

Eu ainda não acredito que o Sakuma ainda não é meu namorado! Eu tenho tentado me aproximar dele mas parece que ele tem me evitado. O pior é que ele foi convocado para a seleção do Japão, e agora ele vai embora. Eu estava deitada no sofá, pensando no que aconteceu e no que não aconteceu.

–Bom, menos mal, podia ser pior. A aranha poderia estar no time também — disse pensativa.

Zun Pov's

Acordei relativamente cedo, e quase derrubei um vestido branco que ... Espera um pouco o que?! Achei ao lado do vestido, um bilhete.

"Oi Zun! Se você estiver lendo isso, eu já fui embora, como nós já nos despedimos ontem, decidi não te acordar. O vestido que está na sua cama era da tia Noa, a irmã da mamãe, e a tia usou no aniversário de 15 anos, e acho que seria uma boa ideia você ficar com ele, afinal, mesmo antes de nascer, mamãe disse que ele seria seu. Ainda bem que sua cor favorita é branco não é? Beijos!!! Seja uma boa menina, e obedeça a senhora Chonomy. Torça por mim nas partidas!!! Voltarei em breve."

Era da tia Noa. Noa era a melhor e mais gentil tia do mundo, infelizmente morreu, ela era surda (sim, foi com ela que Chiharu aprendeu a falar em libras), e ela sempre gostou muito de mim. E era branco! Uma das minhas cores favoritas.

Chiharu Pov's

Eu estava no aeroporto, eu já tinha feito toda a parte chata de entregar as malas e arrumar as coisas para a viagem, e me falaram para eu ficar junto com os outros. Com os outros, eles queriam dizer os outros jogadores. Mas eu não estava com muita vontade de fazer isso, então eu fiquei em um lugar onde eu poderia vê-los, mas eles não. Mais especificamente, ao lado/atrás de uma samambaia, eu me senti melhor assim.

Vi o Kido, O Sakuma, Endo o capitão, um garoto moreno de cabelos rosa, um de cabelos amarelos, um garoto de cabelos vermelhos e um de cabelos cinzas conversando. Um menino loiro parecia se despedir de uma menininha de cabelos marrons. Vi um menino de cabelos roxos com um penteado, como posso dizer ... diferente ...

Fiquei observando atentamente as outras pessoas, queria saber que tipo de pessoas eram aquelas. Eu também ficava olhando o Sakuma. Mas acho que devia estar encarando ele com muita insistência (por mais que tentasse evitar, sempre olhava para ele), porque ele parecia ter sentido que estava sendo observado, então decidi desviar o olhar e me esconder mais na samambaia.

Por que eu estou me escondendo?! Não que eu estivesse espionando eles ou algo do gênero. Achei que a melhor coisa a se fazer era fingir que tinha acabado de chegar. Então olhei para os lados, sai discretamente detrás da samambaia, e fui andando calmamente até chegar nas janelas, onde poderia fingir estar fazendo alguma coisa.

– Chiharu? — sabia que era o Sakuma.

–Oi — disse desanimada, olhando para o avião.

–O que está fazendo aqui? — ele perguntou seriamente.

–Vou ser uma reserva, vou jogar na seleção também — disse ainda olhando para a janela, praticamente olhando para o meio do nada.

Apareceu um senhor que imaginei que fosse o treinador, e falou para todos se reunirem, que já iam partir. "Obrigada", pensei. Não queria falar mais nada. Entramos no avião, e fomos para a tal Ilha Liocott.