Notas iniciais
Desculpem pelo atraso (de algumas horas). Meiko é uma personagem criada por mim, igual ao Nanjoon.

Nanjoon Pov's

Quando Chiharu chegou, entramos logo na escola. E eu poderia jurar que me senti como um menino novamente. Chiharu também parecia se sentir assim, sorria da mesma maneira que sorria quando tinha 7 anos.

~Flashback on~

Eu tinha 7 anos, meus pais morreram de dengue hemorrágica, e eu morava com a minha tia por parte de mãe. Comecei a estudar em outra escola, a Kidokawa Seishuu Júnior. Quando cheguei na sala de aula, fui apresentado e, como todas as cadeiras estavam ocupadas, o professor pegou uma cadeira e falou para eu me sentar ao lado de uma menina de cabelos roxos da fileira do meio, e no dia seguinte, teria minha própria mesa. E foi isso o que eu tinha feito.

–Oi meu nome é Chiharu, e o seu? — perguntou soridente a menina de cabelos roxos, enquanto arrastava a cadeira, dando espaço para a minha cadeira.

–Nanjoon — disse baixinho, olhando para o livro escolar que acabava de colocar na parte da mesa que me correspondia.

Ela pareceu notar que eu não me encontrava no melhor dos meus dias, então não voltou a falar comigo durante as aulas. Mas na hora do intervalo ela voltou a falar comigo.

–Quer brincar de pega-pega? — ela perguntou animada.

Era a minha brincadeira preferida, mas eu não estava com muito ânimo para brincar disso. Permaneci em silêncio.

Ela ficou me encarando. Eu estava sentado no balanço, e ela no balanço ao lado. Então ela fez uma careta engraçada, sorriu e me encostou no ombro direito.

–Quem chegar por último naquela árvore é um ovo podre — ela disse apontando para uma árvore, e ir correndo em sua direção.

Eu era competitivo, eu ainda sou, mas naquela época, eu era muito competitivo ( com ênfase no "muito"). Pode se dizer que meu orgulho tem uma grande importância para mim, então não perdi tempo, e sai correndo até a árvore. Apesar de ela estar na frente, eu era mais rápido que ela, e cheguei primeiro.

–Quem é um ovo podre agora?! — falei animado e esfregando na cara dela de brincadeira.

Ela começou a rir. Encostou no meu ombro e saiu correndo. Corri atrás dela. Também estava rindo. Ela não corria muito rápido, mas mantia o ritmo, e nunca perdia a velocidade, o que fazia dela uma adversária a altura. Ela também era espertinha, fazia varias curvas, me fazia andar em círculos como ela, e com isso, me fazia perder tempo e me cansar. Ela por sua vez continuava a correr sem perder a velocidade.

O sinal anunciando o final do intervalo nos fez parar. Voltamos para nossa sala muito felizes.Todos os dias depois do intervalo, nós brincavamos de correr e de pega-pega. Brincavamos muito felizes e alegres.

E quando minha tia teve que se mudar, me levando junto, eu fiquei muito triste. Era meu último dia na escola, e na hora do intervalo, fui falar com ela.

–É hoje que você vai embora não é? — ela me perguntava triste.

–Sim é hoje — eu disse também triste.

Eu a olhava, queria me lembrar de como ela era, sabia que nunca mais ia voltar a vê-la. Ela tinha cabelos roxos longos e lisos, e os olhos cinzas, e esses, me olhavam com tristeza.

–Seus pais não podem fazer nada a respeito? — ela me perguntou triste.

Ela não sabe que meus pais morreram, não contei para ela, e não pretendia contar nunca. Não por vergonha, mas por falta de importância nesse fato.

–Não — eu disse, e depois ouvi minha tia me chamando.

–Eu já vou, tchau Chiharu — disse indo embora, tentando dar um sorriso.

–Espera — ela me seguiu e me deu um abraço bem forte.

Sabia que nós eramos melhores amigos, e que ela gostava muito de mim. Abracei ela mais forte.

–Tchau, Nanjoon — ela falou baixinho, me soltou e foi embora correndo.

Apesar da tristeza ser grande, sendo sincero, ela nem se compara a dor que senti quando Meiko foi embora. Meiko, poderia dizer que foi a primeira garota que amei em minha vida.

~Flashback off~

Assim que entramos, ela não perdeu tempo e encostou no meu ombro.

–Está com você! — ela gritou e saiu correndo, em seus olhos, vi uma menininha.

Sai correndo atrás dela, e ficamos correndo um atrás do outro. Ríamos e corríamos durante alguns minutos. E quando paramos, chegamos nos balanços do pátio da escola. Foi muito nostálgico.

Então avistei uma mesa, com algumas folhas de desenhos de colorir e alguns giz de cera, que alguma criança deve ter esquecido. Parei de correr, e me lembrei de Meiko, ela sempre ficava desenhando, em alguma mesa. Ela sempre desenhou e pintou bem, a melhor da classe.

–Está se lembrando dela? — Chiharu me perguntou com um meio sorriso.

Fiz que sim com a cabeça.

–Você a amava muito não é? — ela perguntou tentando me consolar.

Fiquei em silêncio.

–Eu nem sequer era amigo da Meiko. Não trocavamos muitas palavras, mas sentia algo por ela, sentia que a amava. Todas as vezes que a via ou ela falava comigo, sentia, bem no fundo, que ela também me amava. Mas agora eu sei que não me ama e que nunca me amou. Teve um dia que ela simplismente sumiu, o professor falou que ele saiu da escola, mas ela não tinha falado isso para ninguém. Sabia, que nunca mais voltaria a vê-la novamente, e que ela nunca saberá que eu a amo. Eu a amo infinitamente, o que você pode achar estranho, as vezes nem eu mesmo posso entender, mas o que importa é que eu a amo, e nunca deixarei de amar ela — eu me desabafei com minha amiga.

–Você tem um sentimento muito nobre, e se ela não te amou, era porque não te merecia — ela disse tentando me consolar.

–Eu não ligo se ela não me merecia, na verdade eu não merecia ela — disse quase chorando.

–Claro que você merecia, você é um cara super legal, gentil, inteligente, bonito e muito, muito apaixonado, você a ama mesmo depois de tanto tempo. É ela que não te merece — ela disse sorrindo, levantando meu humor, e conseguiu.

–Obrigado, você é uma amiga incrível — agradeci.

–Levanta essa cara, você tem que seguir em frente! — ela saiu correndo e me olhou com uma cara do tipo:"Você ainda está vivo, então deve viver".

E foi isso o que eu fiz, sempre que tentava me animar, corria, e era como se a dor passase e eu seguisse em frente, em direção a luz que há no fim do túnel.

Corremos um atrás do outro, e esvaziei minha mente. Estava ficando tarde.

–Está tarde é melhor eu ir — eu disse feliz.

–O tempo passou voando, não sabia que já estava tão tarde — ela disse olhando para o céu.

Não estava tarde, mas eu tinha outros compromissos.

–Bom, eu já vou indo. Tchau, e mande lembranças para seus pais e para sua irmã — eu disse e fui embora.

Sakuma Pov's

Assim que eles entraram, eu entrei, e me escondi atrás de uma árvore. O colégio era do fundamental I, então tinha um pátio, algumas mesas e algumas cadeiras, provavelmente para as crianças brincarem. Eles ficaram correndo um atrás do outro, e ficavam felizes.Esse era um comportamento estranho, infantil, e completamente estranho.

Eles tinham uma amizade tão grande que tinha me feito pensar que eles são namorados. Mas meu ciúme também ajudou em pensar isso. Eles são amigos. Ela consola ele por um amor mal correspondido, e se ela gostasse dele não faria isso. Ele foi embora. Ela começou, a rir levemente.

Chiharu Pov's

Estava achando muita graça da situação, e como estava sozinha, decidi me dar ao luxo de rir um pouco e falar sozinha, eu costumava falar sozinha quando era menor, sim, eu era um pouco bobinha, mas fora o Nanjoon, eu não tinha ninguém para desabafar.

–Meu Deus eu era assim quando menor, as coisas mudaram mais do que eu imaginei — disse ainda rindo

–Eu não faço a mínima ideia do que eu estou falando, espero ter dito a coisa certa a ser dita, pobrezinho, se ele precisar de ajuda nisso nunca poderia contar comigo — disse parando de rir e sorrindo levemente — Isso me fez lembrar de uma coisa, o que a tal de Kotory queria dizer outro dia? — eu disse indo embora.

Senti uma felicidade em meu coração, era muito nostálgico voltar a ver o colégio. Mas ao mesmo tempo, a despedida de Nanjoon me fez lembrar o quanto eu posso ser falsa.

"-Mande lembranças para seus pais e sua irmã"

Eu não contei que meus pais morreram, eu não contei que passei por muitos momentos dificeis, eu não falei, mas fingi, e espero que nunca tenha que contar a ele isso, nem mesmo para o Nanjoon eu poderia contar.

Não acredito que consegui dar um conselho para ele. Eu simplismente falava, e, apesar de não entender nada, parecia que eu tinha ido bem. Consegui abrir um sorriso em seu rosto.

Quando eu era menor eu era assim?

Amar? Namorar? Nem a menor ideia. Subi em um ônibus e fui embora.

Sakuma Pov's

Eu ainda não consegui absorver tudo o que ela acabava de dizer. Ela não entendia o que a Kotory tinha dito?! Não sei se se estou feliz, confuso, ou preocupado. Ela não sabia o que significava amar e namorar. Então ela não tinha entendido o que Kotory tinha dito, ela não sabia que eu a amava.

Parei de me esconder e fui embora. Fiquei pensando no caminho até o ponto de ônibus.

Amar alguém e não saber que ama essa pessoa seria muito confuso. Imagino como deve se sentir uma pessoa, assim. E se ela ... estivesse gostando de alguém ... e não soubesse? Esquece, isso não importa agora, penso nisso depois. Meu alívio me faz me sentir bem.