Chiharu Pov's

–Como assim?! — falei com os olhos arregalados.

–É uma coisa confusa. O que acontece é que ... Não é melhor você passar esse gelo na perna logo? — ela disse apontando para a pocinha de água no chão.

Eu tinha me esquecido do machucado. Eu abaixei a meia e coloquei o gelo no lugar do machucado.

–Escuta, pode parar de falar coisas sem sentido. Minha mãe está morta. Você é só uma "pessoinha" criada por minha mente. Você não existe — disse voltando a encarar o meu reflexo.

–É uma história muito longa, não espero que compreenda — ela suspirou — Preste atenção no que vou te dizer: Tecnicamente eu ainda não sou sua mãe. O verdadeiro espírito de sua mãe me convocou para que eu cuidasse de você. Eles disseram algo sobre eu ter que evitar alguma coisa que vai acontecer com vocês e eu tenho que evitar isso. Eu sou sua mãe quando tinha sua idade, mas eles me passaram informações para que eu soubesse tudo que sua verdadeira mãe sabia.

–Isso é ridículo — eu disse.

–Por acaso se eu fosse uma criação sua eu poderia fazer tanta influência e sua vida? Te fazer falar em 6 idiomas diferentes uma frase? Te fazer mudar de ideia? Te empurrar fisicamente? Eu pude fazer isso por que sou seu espírito protetor — ela disse com um pouco mais de firmeza na voz — Eu sou Naomi Abe (Autora: Como ainda não é casada, tem o nome da família e não do esposo que é "Odair") o espírito de sua mãe com 14 anos!

–Está bem, supondo que essa seja a verdade, onde estariam meus pais agora? — perguntei.

–Os corpos estão enterrados, os espíritos estão tentando descobrir foi que os matou, só então eles poderão ir para o céu — ela respondeu.

–Kageyama mandou matar eles — falei.

–Vou reformular a frase: Estão procurando quem enfiou a faca neles — ela disse — Escuta, é verdade que eu tenho falado que sou uma criação sua, mas eu menti ok?

–Por que mentiu? — perguntei confusa.

–Porque eu já estava sem paciência, e não ia falar que sou um espírito dessa maneira, então menti que sou criação de sua mente. Você se acha com problemas mentais então não foi difícil falar que eu sou uma criação sua e que você pode conversar com ela — ela respondeu.

–Ok ... Vamos supor que seja verdade — eu disse acreditando no que ela me dizia — Você é muito parecida comigo.

–Nunca te falaram que você era um clonezinho de sua mãe? — ela perguntou.

–Não conheço ninguém exceto Zun que tenha conhecido minha mãe e esteja vivo — respondi.

–Bom, você é idêntica a sua mãe na sua idade, e por isso você pensa que está olhando no espelho, mas na verdade está olhando para mim — ela disse apontando para si mesma.

–Você tem a personalidade de minha mãe na idade dela? — perguntei um pouco confusa.

–Sim, você deve achar estranho mas é a verdade — ela disse sorrindo um pouco.

Então a pessoa que me provocava, me atrapalhava, e de vez em um milhão me ajudava, tentou dar uma de cupido ... era a minha própria mãe?

–Você está se molhando — ela disse.

Percebo que o gelo estava derretendo e me molhando um pouco. me levantei peguei papel toalha e me sequei um pouco. A dor tinha passado.

–Bom, acho que isso é tudo. Me lembrei! Eu tenho que te seguir até eu cumprir minha missão! — ela disse estalando os dedos.

–Qual é a sua missão? — perguntei.

–Eu não sei, acho que eu vou saber quando chegar a hora. Depois que eu completar minha missão, vou poder voltar a minha vidinha de antes — ela disse pensativa.

–Ok ... O espírito adolescente de minha mãe está em uma missão e está falando comigo, esse espírito me empurra e me dá broncas de vez em quando ... Eu não estou bem hoje — eu disse — Estou brincando, você não está mentindo.

–Pelo menos você ... Por que acredita em mim? Eu poderia estar mentindo — ela disse confusa.

–Bom, acho que devo acreditar em você. Você não parece estar mentindo — eu respondi.

–Que bom, assim será mais fácil de cumprir a missão com sucesso e ... — ela ia dizer e eu interrompi.

–Só por curiosidade, se você foi enviada para cumprir uma tal missão, deve ser uma coisa importante. Como é óbvio, tudo que acontece de importante na minha vida é uma total porcaria. Ou seja: Deve ser alguma coisa perigosa. Ou seja: É uma missão para salvar uma vida? — perguntei dando uma de Sherlock.

Ela olhou para o meio do nada. Seus olhos começaram a perder cor.

–Exatamente ... Eu posso sentir ... Tem a ver com salvar uma vida! — ela disse "acordando".

–Bom, perfeito. A vida de alguém está em risco e temos que evitar isso. Mais uma alma para protegermos não? Eu já tenho problemas o suficiente só tentando defender Zun — disse brincando.

–Eu sei disso ... Então ... Vamos resumir o que aconteceu nesse maravilhoso dia (ironia): Kageyama apareceu, não há maneira de escapar dessa ratoeira, te acusaram injustamente, você teve ataques de raiva em público, Inazuma Japão perdeu a partida contra Argentina, você vai embora em breve ... Ei! Sabe que dia é amanhã? — ela perguntou se lembrando de alguma coisa.

–Sim, aniversário da Zun — falei.

–Bom, pelo menos você se lembrou ... Ai droga acho que tem alguém vindo — ela disse preocupada.

Ela sumiu e pude ver meu verdadeiro reflexo. Aki entrou no banheiro e em seu braço tinha tinta azul.

–O que aconteceu? — perguntei.

–Eu estava na cozinha quando vi uma barata no chão, tentei fugir, tropecei, bati o ombro em uma estante, um potinho de tinta azul que não sei de onde veio caiu e me sujou — ela disse lavando o braço na pia do banheiro — Tenho certeza que foi o pestinha do Kogure.

–Por que acha isso? — perguntei.

–Por que a tinta era de material escolar, e tinha o nome "Kogure" escrito no potinho. As baratas foram ele que soltou e ele ficou rindo até eu chegar aqui — ela disse.

Ok, isso fazia todo o sentido.

–É verdade que você vai embora? — ela perguntou já limpa, se secando com papel toalha.

–Sim, aconteceram alguns imprevistos, nada de muito sério, mas eu preciso estar lá — disse normalmente.

–E ... Você vai voltar? — perguntou Aki já limpa.

–Vai demorar muito tampo para resolver tudo. O FFI provavelmente já terá acabado — disse — Mas vamos falar de outra coisa. Precisam de ajuda lá embaixo?

–Se você puder ... — falou Aki.

–Ok, vamos.

Eu ajudei elas como algumas coisas. Geralmente eu não sei bem o que fazer quando não estou treinando então dou uma força para elas, afinal são minhas amigas e a gente sempre conversa bastante.

No dia seguinte ...

Eu não acordei ridiculamente cedo como o dia anterior, eu acordei as 5:45 AM. Fui ao banheiro, fiz a higiene matinal. Era uma manhã bem agradável. O clima estava ameno, era um dia ensolarado com algumas nuvens brancas no céu. Pássaros voavam tranquilamente. Sorrio. "Está de bom humor hoje Chiharu? Lembre-se do que você tem que fazer hoje". Suspiro. "Voltar para o Japão". "Além disso". "... Tenho que entregar os documentos para o Kageyama. Bem lembrado. Palmas para você". "Querida, eu não mereço palmas, eu mereço o Tocantins inteiro (Autora:#HumorNilce)". " ... *barulho de grilos*". "Aff ... Sabe o Brasil?". "Sei". "Um dos estados do Brasil se chama Tocantins, e a capital de Tocantins é Palmas. Piadinha de brasileiro". "Como você sabe piadas sem-graça de brasileiros?!". "Depois te explico".

Bom, o treino da manhã foi normal na base do possível. O Kurimatsu também vai embora, ele foi substituído por um garoto albino. Acho que ele já era um jogador do Inazuma Japão, eu não sei porque ele saiu, mas ele voltou. Eu na realidade não estava pensando muita atenção nisso. Tinha que pensar nas chances de ir até a área da Itália e voltar sem ser vista.

Acho que as chances são boas.

Assim que consigo um brecha no tempo para poder sair ...

Alguns jogadores (quase todos) estavam na sala conversando sobre qualquer coisa. As meninas estavam no corredor. Eu estava no meu quarto. Peguei os documentos que estavam na mesa. Saí discretamente do albergue e saí correndo até o ônibus. Cheguei a seleção da Itália. Me escondi atrás de uma árvore. Ótimo só falta você entregar eles ao Kageyama.

Só tinha um probleminha. O treinador Kudou tinha nos liberado mais cedo (nem me pergunte o porquê), mas o Kageyama não. Eu tinha que entregar o envelope discretamente, mas eu tive que esperar os italianos saírem. Eu achei melhor ficar esperando. "Não é um bom plano". "Tem alguma ideia melhor?". "Atira uma pedrinha nele e isso vai fazer ele olhar nessa direção". "Você ficou louca?! Se eu fizer isso Zun vai estar pra lá de morta". "Verdade não foi muito bem pensado".

Depois que finalmente eles foram embora, eu tive que esperar um pouco para ter certeza que nenhum deles ia voltar. Andei calmamente em sua direção. Não tenho certeza, mas acho que ele sabia que eu estava atrás da árvore.

–Eu sei que desafiei o senhor antes, mas eu me redimi. Agora estou cumprindo minha parte do acordo(só que não), e espero que cumpra a sua — falei respeitosamente.

–Nada será feito contra a sua irmã, apenas me entregue os documentos e vá embora logo — ele disse sombriamente — E lembre-se, essa será sua última chance. Um mínimo deslize Odair e você sabe o que posso fazer.

Eu entreguei o envelope.

–Irei hoje mesmo senhor — disse indo embora.

"Bom, pense positivo, se você cumprir todas as ordens dele, vocês duas estarão a salvo". "Bom, isso é verdade, mas a que custo?". "... Sou um desastre de mãe". "A culpa não é sua se esse ... senhor mandou te matar".

Voltei ao albergue japonês dissimuladamente. Era hora do almoço e como de costume, sentei junto com as meninas. Elas estavam meio estranhas. Me evitavam. Então Fuyuka suspirou e falou:

–Chiharu, precisamos falar com você.

–O que foi? — perguntei preocupada.

–Chiharu ... O que significa isso? — disse Aki se levantando e me mostrando papéis que me pareciam familiares.

–O que isso está fazendo com vocês? — disse extremamente assustada finalmente reconhecendo os papéis.

–Nós perguntamos primeiro. O que significa isso?! — falou Aki com a voz mais firme e nervosa — Não me diga que ... Você está do lado do Kageyama?!

Mas que drogas, outras pessoas tinham ouvido e olhava em nossa direção. Ela não podia ter sido mais ... discreta? Os outros me olhavam provavelmente pensando na possibilidade de isso ser verdade. "Rimou". "Agora não".

–Me dá esses documentos agora Aki — falei tentando me acalmar.

–Responde Chiharu — disse Fuyuka também se levantando.

–Eu disse para vocês me devolverem essa porcaria! — disse perdendo o controle e arrancando os papéis da mão de Aki.

Eu estava muito nervosa. Me levantei correndo, mas acabei tropeçando quando vi uma barata e tentei não pisar nela (que nojo pisar em uma barata). Me levantei e queria subir até meu quarto, mas havia um pequeno probleminha, a Haruna estava na frente da escada e me impedia de passar.

–Chiharu, você está do lado do Kageyama não é?! Você está com esses documentos e deveria entregar a ele hoje! Como pode?! Pensei que não estava do lado dele! Pensei que éramos amigas! — explodiu Haruna que parecia estar contendo lágrimas.

Eu ia negar tudo quando uma terrível verdade veio em minha cabeça. Se os documentos estavam com elas ... Que documentos eu dei ao Kageyama?!

Notas finais
Fases finais! Acho que vai ter mais 2 capítulos e 1 extra, mas como é óbvio eu posso me enganar! Comentários?