E se tivesse uma garota no Instituto Imperial?
5 Eu sei irmã.
Notas iniciais
–Estou cansada, porque você não volta a brincar com suas amiguinhas e eu vou me trocar e fazer a lição?
–Ta bom.
Foi isso o que eu disse e exatamente o que não fiz. Sabia que minha irmã mais velha estava com problemas, e não me permitiria ficar brincando enquanto minha irmã está assim.
Talvez ela pensasse que eu cairia na aparência de cansada e nas desculpas dela, mas eu sei que minha irmã não está bem, vi em seus olhos quando chegou, e eles traziam medo e tristeza.
Percebo como as pessoas realmente estão quando olho em seus olhos. Sempre que olho as outras meninas, percebo que elas não têm a mesma facilidade em desvendar sentimentos. Falei com a diretora do orfanato sobre a minha facilidade em saber o que as pessoas estão sentindo.
Ela falou que talvez seja por causa de tudo o que aconteceu.
Eu me lembro como se fosse ontem: eu vi o assassinato de meus pais, eu vi a cara de medo de minha irmã, quando ela me segurou eu braço, e me puxou casa afora, eu me lembro de sua tristeza.
Falam que isso me deixou mais forte, e por isso, falam que tenho idade mental de 18 anos. Mas eu acho o contrário, eu minto para minha irmã de que tenho amigas, porque na verdade, não quero conversar com ninguém, minto a professora, dizendo que não entendi o exercício, eu entendi, só não quero responder, não quero fazer nada a maior parte do tempo, e isso não me faz forte. Isso me faz fraca, minha irmã se manteve firme...
–Por mim – murmurei baixinho para ninguém ouvir.
Estou no banheiro feminino, em um dos boxes, encolhida no chão que está muito gelado. Essa ideia me faz encolher ainda mais. Ela pensa que eu estou, mas eu não estou, eu quero um abraço de minha mãe e do meu pai. Agora percebo que lágrimas desliza pela minha bochecha, e caem no chão. Mas permaneço em silêncio, apesar de estar chorando.
Olho para um espelho, e me olho nele, eu e Chiharu temos os olhos de nossa mãe, ela também tem os mesmos cabelos que ela, todas as vezes que olho para ela, penso em minha mãe, eu tenho os cabelos de meu pai.
Me levanto, enxugo minhas lágrimas e volto a espionar minha irmã. Me assusto quando vejo minha irmã pegar uma tesoura e cortar os cabelos bem próximo ao pescoço, ela sempre preferiu cabelos longo, mas não é isso que me assusta, o que me assustou foi o fato de que Chiharu usou a toca de modo que não se visse mais seu rosto. O que ela pretende com isso?
Ela volta a sair, não sem antes dizer:
–Tchau irmã, voltarei em breve!
Esperei um pouco antes de correr atrás dela, ia virar uma esquina quando esbarrei em alguém, que também parecia estar correndo.
Apesar de na época não saber, ele se tornaria meu melhor amigo, e possivelmente a segunda pessoa em que mais confio.
Se tratava de um menino da minha idade, cabelos cinza, arrepiados para baixo, olhos castanhos.
–Ai! Olha por onde anda! – Ele disse com raiva.
A essa altura, estava irritada, ele me fizera perde-la de vista!
–Como assim? Você estava correndo tanto quanto eu!
–Espere! Volte já aqui! Masaki!
Chegou correndo em nossa direção, uma moça de cabelos longos e pretos, alta e magra. Assim que parou na nossa frente, dirigiu a palavra ao menino.
–Você não pode sair ... correndo ... desse jeito! – a pessoa que falava com o menino disse, e estava respirando ofegantemente.
Agora ela falava comigo:
–Obrigada, por parar ele. Vamos voltar agora.
Ela o pegou pela mão e meio que conduziu, meio que o empurrou, meio que o arrastou pela rua.
Definitivamente havia perdido minha irmã de vista, decidi voltar ao orfanato. Mas não sem antes ouvir um grito distante da moça novamente.
–Aitor! Volte já aqui!
Ele deve ter escapado de novo.
E como eu disse, ele se tornaria meu melhor amigo, apesar de nosso primeiro encontro não tenha sido amigável (que ódio!). Mas é assim mesmo, Aitor Cazador (Kariya Masaki) é uma peste.
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