Fui ao banheiro antes de começar a aula, eu não me lembrava mais de como realmente era: meus cabelos roxos, curtos (até os ombros) e lisos, estavam curvados para dentro. Meus olhos cinza-neblina estavam visíveis, eu usava uma blusa branca, em teoria, eu deveria usar um laço no pescoço, eu decidi usar uma verde, mas eu tiraria assim que pudesse, como odeio esse laço! Também uso uma saia, verde, até os joelhos, mas não me senti confortável, então coloquei uma calça justa preta (deve ter um nome, mas eu não sei). Usava meias brancas e um sapato de menina.

Cheguei na sala de aula, onde fui apresentada como Chihatu Odair, como se eu nunca tivesse fingido ser menino.

Sentei na mesma cadeira que Nanjoon (para quem não se lembra, esse era meu nome) usava. As aulas se passaram, quando o professor perguntava alguma coisa, minha mão sempre esteve no ar. Na Zeus, os professores eram muito rígidos, então eu me tornei muito aplicada nos estudos.

Quando finalmente o sinal do intervalo tocou, fui ao clube de futebol, estava nervosa, e dessa vez, nenhum Kageiama ia me apresentar. Quando ia entrar, tirei o laço (estúpido laço!) empurrei a porta, mas ela não se abriu, empurrei com mais força, e ela nem se mexeu, por ser uma porta de vidro, um ou outro jogador ficou achando muita graça da situação.

–Ei Odair – era o Sakuma, e parecia estar contendo o riso.

Me assustei, a quanto tempo estava ali? E porque estava rindo de mim?

Então ele apontou para a placa que dizia “Puxe”. Não consegui esconder meu vexame. Meu Deus! E eu empurrando a porta todo esse tempo! Escondi meu rosto nas mãos por dois segundos, depois voltei a olhar a placa.

Quando finalmente puxei a droga da porta e entrei, uns cinco jogadores estavam contendo o riso, e Sakuma não conseguiu conter o riso.

–Não tem graça – disse irritada, olhando para o chão, ele parou de rir, mas sabia que ainda estava achando muita graça.

–Quem é ela? – Perguntou um dos machistas.

–Ela é Chihatu Odair, ou Nanjoon Odair se preferirem continuar a chamar ela assim – me apresentou Sakuma.

Alguns jogadores ficaram bem surpresos, outros eram novatos, então não sabiam quem eu era. Ouvi alguns jogadores falando entre si.

–E o que essa menina quer aqui? –perguntou outro machista.

–Quero voltar a entrar no clube de futebol – foi a primeira vez que falei no clube de futebol.

Ouvi alguns risinhos vindo de certo grupo de jogadores.

–Quero fazer o teste para entrar no time – disse de maneira mais séria e mais alto.

Eles pararam de rir.

Depois de um silencio ridiculamente desagradável, ficou decidido que depois da aula eu voltaria e faria o teste. O sinal ia tocar, então todos, inclusive eu, voltamos para nossas salas de aula (tive que colocar o laço de novo). As aulas passaram normalmente, e o sinal do fim das aulas tocaram.

Chegando novamente ao clube, tirei o laço de novo (como odeio esse laço!), e puxei a estúpida porta. Não vi ninguém lá, então imaginei que deveria ir ao campo de futebol, também, onde mais eu faria o teste. Mas também não vi ninguém lá. Enquanto pensava em outro lugar para procurar, pude sentir a presença de mais alguém, e esse alguém estava atrás de mim.

Assustada, olhei para trás, e vi três do mesmo grupo de machistas, que vi dois anos atrás. Permaneci séria, e perguntei:

–Eu vim fazer o teste.

–Eu sei, mas somos nós que vamos fazer o teste – disse o menor deles, ele era um ruivinho um pouco menor que eu, e deu um sorriso maléfico.

Permaneci em silêncio, esperando que continuassem. Mas eles não continuaram, o maior deles só pegou uma bola de futebol, e tentou me acertar com ela. Desviei dela com certa facilidade, o que o aborreceu. Então percebi que os três jogadores pegaram mais bolas de futebol e simultaneamente chutaram em mim.

Foi tão estranho, eu desviei de uma, chutei a outra, mas um idiota chutou outra e me acertou direitinho na boca do estomago. Eu perdi o ar, e isso deu tempo para que os outros quatro tentassem me acertar. Desviei de duas, mas uma delas me acertou na cara fazendo com que meu nariz começasse a sagrar, provavelmente estava quebrado. Mas que droga!

–Só menina mesmo para ser tão tonta e fraca – disse um moreno, e começou a rir diabolicamente.

Fiquei com uma raiva por ter deixado com que me ferissem. Me levantei e chutei todas as bolas que estavam no chão, na direção deles. Eu os acertei no rosto, e pude ver que realmente sentiram dor, eles se sentaram no chão gritando insultos contra a minha pessoa. Acho que fui longe demais.

Sai daquele lugar, e voltei a sede do clube, onde encontrei o resto dos jogadores e os dois machistas que faltavam na gangue, eles pareceram surpresos em me ver.

–Seu nariz está sangrando! – disse Sakuma.

–Tem três jogadores com o nariz quebrado no campo – disse séria.

–Como? – perguntou um jogador que o nome não me lembro.

–Eles começaram – respondi ainda séria, e sai da sede do clube, indo ao ponto de ônibus.

Sendo sincera, eu não me arrependo do que fiz, eles começaram e eu terminei.

Notas finais
Não se esqueçam que por mais ruins, podres e ridículas que as coisas estejam, eles sempre ficam melhor (eu acho)!